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Olá, bem-vindo ao "Brainstorming", o magazine de criatividade onde as ideias entram com mais confiança do que um treinador em conferência de imprensa depois de ganhar por 7x0. Esta semana temos uma época que chega ao fim, equipas já em modo balanço e promessa e um país inteiro a mudar o chip do futebol para o mundial, porque em Portugal o calendário acaba, mas a ansiedade competitiva e a fome de bola nunca tira férias. E a verdade é esta: o Porto faz o que sabe fazer melhor, ganha e festeja, quando ninguém espera, principalmente. O Sporting já está em modo pré-época, mesmo antes da época acabar, e o Benfica carrega no botão de reset emocional. Quanto ao mundial, promete fazer com que todos nós, selecionadores de sofá, tenhamos a certeza absoluta e zero unanimidade também. Pelo meio, há ainda a febre dos cromos da Panini, a última coleção de sempre deste colosso e um verdadeiro teste à paciência nacional, onde o drama já não é falhar um penalty, é sim repetir o mesmo cromo pela oitava vez. Aqui no "Brainstorming" recebemos Alberto Pires, fundador do Lisbon Bar Show, para uma conversa sobre o evento que regressa esta semana a Lisboa e que marca o ano no que diz respeito ao bartending nacional e internacional. Antes da conversa, vamos às notícias da semana, com destaque para prêmios merecidos, datas marcantes e dados bem trabalhados.
Saber tomar decisões importantes é uma competência que nos abre muitas portas.
E assim, começamos pela nova IMS, que está a lançar a campanha "Data Knows Better", uma campanha criada pela Plot, que transforma o famoso problema de Monty Hall, junto a probabilidades e escolhas de portas, numa narrativa sobre decisões, dados e percepção. A ideia é elegante. Aquilo que nos parece intuitivo nem sempre é aquilo que estatisticamente faz mais sentido. E a campanha promove a nova oferta de mestrados executivos. Pensada a campanha e também os mestrados para profissionais que trabalham em ambientes mais complexos, tecnológicos e pressionados pela mudança. Isso encaixa bem com esta altura do ano, em que uns fecham ciclos, outros abrem novos mercados e outros ainda estão só a tentar perceber se vale a pena mudar de porta ou ficar com a escolha inicial.
A minha vontade é, nesta próxima semana, ver o que é que tenho.
A Beatriz Rosário é uma jovem fadista. Pronta, Bia?
Pronta? Sim, uma McBifana.
Seguimos em frente com parabéns à McDonald's, que celebra 35 anos em Portugal e fá-lo com uma campanha da TBWABBDO, que cruza fado, folclore e pop rock contemporâneo numa homenagem musical à marca e também ao nosso país. Há a Beatriz Rosário, há Grupo Folclórico de Viana do Castelo, há os Tua e há ativações digitais e também um jingle a ser reimaginado como se a identidade portuguesa pudesse caber toda dentro de uma banda sonora. E convenhamos, às vezes até cabe melhor do que certas equipas cabem nas suas próprias expectativas. Ora, a campanha acompanha ainda o regresso do menu português com McBifana, McPrego, caldo verde e sundae com cobertura de ananás dos Açores. Ou seja, tradição sim, mas passada pelo filtro da marca, tal como quem olha para a reta final da época e decide que o melhor resumo é mesmo uma mistura entre nostalgia e marketing bem temperado. Nesta edição do "Brainstorming" temos o prazer de conversar com Alberto Pires, fundador do Lisbon Bar Show. Alberto, muito bem-vindo aqui ao nosso espaço. No dia em que este episódio vai para o ar, estamos precisamente a assinalar o Dia Nacional do Cocktail. Quero saber como é que olhas para a cultura do bar e do cocktail em Portugal. Para começo de conversa.
Olá. Eu penso que está super evoluída nestes últimos anos. Não me posso vangloriar que seja só culpa do evento Lisbon Bar Show, mas nos últimos 10, 15 anos isto progrediu bastante a cultura do cocktail em Portugal.
Porque há mais conhecimento, porque há mais formação, porque se vê mais coisas nas redes sociais, nos filmes. Um pouco por todo lado.
Isso do lado dos barmans e de quem está a tratar dos cocktails. Mas o mais importante mesmo eu penso que é o turismo, a restauração, a quantidade de turistas que nós estamos a receber e a partir do momento em que há poder de compra, em que há turistas, em que há gente a querer e a pedir cocktails, desmistifica-se aquela ideia daquela tacinha de cocktail com aquelas bebidas esverdeadas, azuladas, que não eram muito agradáveis e por vezes servidas em sítios estranhos. Isso já está completamente ultrapassado.
Portanto, cocktail hoje em dia é sinônimo de qualidade, acima de tudo?
Sim, penso que sim.
E no meio deste mercado nasce então este Lisbon Bar Show. Explica-nos lá como é que nasce este projeto, por que decidiste dar à luz este projeto.
Eu tenho um catering de bebidas que exatamente neste dia, 18 de maio, faz 20 anos. Chama-se Mojito Bar Catering.
Não vou dar já os parabéns, porque diz-se que não se deve dar os parabéns antes da data, mas fica aqui votos de muito sucesso para o futuro.
Obrigado. E já visitava uma série de feiras do setor da especialidade lá fora.
Uhum.
Em 2013, alguém fez umas feiras de gin cá em Portugal, mas eram pra público final. O objetivo não era com esta parte tão didática, tão de formação e tão para a área.
Não era tanto para os profissionais.
Não, era mais uma festa em que se provava os novos produtos com música, disc-jockey, essas coisas todas.
Que também é importante.
Sim, claro que sim. E eu fui a uma em Leiria e vi os profissionais todos do setor da área de Lisboa e mesmo diria que do Algarve e de outros sítios, e eu assim: "Mas o que está toda gente aqui a fazer? Isto é uma feira com música para o público final estar a provar os novos gins. Se calhar há mercado para fazer."
Não havia mais nada, não é?
Não. Há mercado para fazer um Bar Show cá em Portugal.
Mas há dores de crescimento e dores de lançamentos também. Quais é que foram os desafios grandes que encontraste no lançamento deste Lisbon Bar Show?
Claro que sim. Em 2014, para já, a única edição que teve um dia foi a primeira. Não quis ser tão arrojado a pensar que iria ser uma edição de mais que um dia. Escolhi um sítio mítico, muito bonito, a Tapada da Agronomia.
Espetacular.
É muito bonito. Toda a gente diz que era lindo o primeiro sítio, só que são as verdadeiras dores de crescimento, pois não se cabia lá dentro, não tem a melhor logística das feiras.
Transportar o material lá para cima.
Carregar, descarregar, colocar as coisas lá dentro.
Sei bem.
Estivemos lá três anos, a seguir estivemos mais três no Convento do Beato e depois tivemos que ir para uma verdadeira sala de eventos e estamos já no quinto ano na Sala Tejo do MEO Arena.
Arrependeste de só teres feito um dia no primeiro ano?
Sim, quando já estávamos a chegar perto do evento, não se iam mudar as regras do jogo a meio, mas já havia conteúdo para dois dias.
E assim, de repente, o Lisbon Bar Show passou de um evento local para uma referência nacional, mas também internacional. Quando é que te parece que aconteceu este ponto de viragem? Foi logo desde a primeira edição?
Foi um bocadinho internacional e relativamente conhecido desde a primeira. Modéstia à parte. Claro que tinha mil e tal pessoas a assistir na primeira edição.
Muita gente.
E agora já há três, quatro anos que andamos à volta das 6, 7 mil pessoas.
Mas sobretudo profissionais?
O reconhecimento internacional, eu posso dizer que um dos maiores concursos de coquetéis do mundo, que é de uma marca de bebidas bastante famosa, o organizador deixou-me cheio de orgulho há seis anos. Nós com a pandemia perdemos um bocado. Há quantos anos é que foi? O mundo parou dois anos. Mas há cerca de seis, sete anos, ele perguntou-me: "Alberto, quando é que é a próxima edição do Lisbon Bar Show, que nós não queremos que o nosso concurso coincida nessas datas."
Porque estava toda a gente aqui.
Sim, exatamente.
Muito bom. Estava a perguntar-te também se esse ponto de viragem fez sentido não só por perceberes que os profissionais estavam envolvidos. O teu evento acaba por ser mais direcionado só para os profissionais ou o restante público e os curiosos também estão convidados a aparecer?
Ora, não é um evento tão bloqueado a não profissionais como alguns lá fora. O maior evento do mundo é o BCB, Bar Convent Berlin, e nós temos que comprovar que somos profissionais para comprar bilhete.
Ok.
No caso do meu, não, qualquer apaixonado por esta área, qualquer pessoa que goste.
Qualquer iniciante?
Sim, compra a entrada e desde que se porte bem, que não queira provar tudo o que existe, pode ir lá dentro e ver as novidades, o que é que está a acontecer. Aquela bebida que ainda não há à venda ou há à venda, mas é muito cara e eu adorava provar. Pode fazer isso tudo, embora seja relativamente limitativo ser num horário comercial de trabalho e ter um custo de entrada. Exatamente, não é para curiosos.
E é também assim que se diferenciam no mercado com essa abordagem mais profissional, mais direcionada, mas não só para os profissionais, também é aberto aos apaixonados pelo mundo do bar e do coquetel.
Sim, qualquer pessoa pode ir ver. Eu penso que diferenciamo-nos do mercado. Em Portugal não há muitas coisas semelhantes.
E no mundo?
Sim, no mundo há.
Tens algum exemplo que te inspire?
A maior feira do mundo é em Berlim, embora eu me inspire também nalgumas que são mais pequenas, que é a de Paris e a de Atenas. São umas das que as pessoas gostam mais.
A edição deste ano, pelo que sei, vai contar com alguns convidados internacionais. Quais é que são estes convidados e que papel é que também têm para o desenvolvimento e para a ainda maior divulgação internacional do evento?
Então, nessa parte, desde o primeiro ano. Isto não é uma feira-exposição, é uma feira/congresso. Além de ter uma área onde podem provar as novidades, degustar montes de coisas, tem sempre uma área específica de palestras com todas as condições, há meios audiovisuais, uma equipa de apoio, uns alunos da escola de hotelaria e tudo isso. E depois em palco nós temos sempre muitas estrelas desde o primeiro ano. Alguns deles são repetentes, mas falando de nomes grandes desta área, posso dizer que nas 11 edições devem ter falhado duas, um casal que se chama Jared Brown e Anastasia Miller, que são os maiores historiadores do mundo de coquetéis e bebidas.
Ok, muito para aprender com essa gente.
De barmans famosos, temos o Eric Lorincz, que é de um bar Quant em Londres, também bastante famoso. Temos o Tom Dyer, que temos a sorte dele viver cá em Portugal. O Tom Dyer é um dos barmans mais famosos do mundo na arte do flair, flair bartending. Traduzindo para as pessoas perceberem muito rápido, o filme "Coquetel", lançar garrafas.
Aquelas acrobacias.
Shakers ao ar e tudo isso. Desde a pandemia que ele resolveu mudar, e muito bem, para Portugal. Vive cá em Portugal. Continua a correr mundo, se calhar está metade do tempo cá, metadeA correr o mundo inteiro.
E é, sem dúvida nenhuma, uma inspiração para os barmans, para os bartenders.
E depois temos uma série de nomes mexicanos, visto este ano o país convidado ser o México. Alguns poderão não ser tão sonantes e outros são mesmo o oposto. Iremos ter algumas pessoas a falar dos seus produtos que, se calhar, é a primeira vez na vida que saem do México, que trabalham mesmo produtos locais. É o oposto destes barmans que eu falei, estes nunca foram a feiras internacionais, nem nada destas coisas, e vêm cá mostrar o seu produto.
E às vezes é aí que se descobre a magia nestes produtos únicos.
Coisas bastante fora do normal.
E por que o México?
O México é a segunda vez, é o primeiro país que é convidado pela segunda vez. Há 10 anos, em 2016, foi também convidado, mas é um país que apaixona muito os barmans.
Também a ti?
Sim, também a mim. Os mescais, tequilas e outras bebidas que não são tão do conhecimento das pessoas. O México tem uma cultura de bebidas muito forte e que apaixona muito os barmans.
E o que é que podemos esperar mais para esta edição, para além do México inspirar e trazer estes produtos únicos, para além das estrelas, o que vão trazer mais nesta edição?
Continuando ainda nesta temática do México, vamos ter um evento que se chama Piña Agaveira, que foi criado em Espanha para mostrar o melhor que o México tinha. É o primeiro ano que se vão deslocar para fora de Espanha. É um evento dentro do outro, vão estar dentro do nosso evento, Lisbon Bar Show. E este ano vamos também ter uma grande componente flair, com Tom Dyer e companhia. Ou seja, vamos ter um palco onde os craques estão a dar show e onde podem, numa lateral do palco, num segundo palco, ter uma espécie de workshops, aprender.
Ou seja, quem não sabe também pode aprender no Lisbon Bar Show.
Exatamente. Tudo isto sem custos, basta estarem lá dentro da feira.
Apenas o custo do bilhete de entrada.
Exatamente. Podem estar a provar com estes gurus um ou outro movimento, gestos e tudo isso.
Incrível.
Além disso, vamos entrar na temática do café. Criámos um evento dentro do outro que se chamou Lisbon Coffee Lab, que é a junção do café ao mundo do bar. Vamos ter os especialistas de café. Cada vez mais temos lojas de torradores especiais de café, muitos sítios de brunchs, de cafés especiais e tudo isso, e vamos dedicar uma das salas do Lisbon Bar Show a essa área.
Portanto, há opções para todos os gostos, pode-se assim dizer, neste Lisbon Bar Show. Falta só saber as datas e recordares o local, Alberto.
Será na Sala Tejo do MEO Arena, dia 19 e 20 de maio, entre as 12 e as 20h.
Estão todos convidados, apaixonados, profissionais e, quem sabe, também curiosos, a entrarem neste Lisbon Bar Show. Alberto, fechamos sempre as nossas conversas da mesma forma. Vou-te lançar também o desafio que lanço normalmente aos convidados do "Brainstorming": que música associarias ao Lisbon Bar Show e por quê?
A tão poucos dias, quando isto estar completamente ao rubro, eu penso que pensaria na música "It's Not Right But It's Okay".
Por quê? Explica.
É exatamente pelo que a letra diz. Ainda não está tudo a 100%, estamos na reta final.
Mas está tudo encaminhado, não é?
Exatamente.
Alberto Pires, fundador do Lisbon Bar Show, obrigado por teres vindo ao "Brainstorming". Muito sucesso para a próxima edição, que está mesmo aí a chegar e também para as futuras. Um abraço.
Obrigado eu pelo convite.
Até à próxima. Quase a terminar o "Brainstorming" desta semana. Portugal somou cinco distinções no World Media Festival 2026, que aconteceu em Berlim. Trouxemos para casa dois ouros e três pratas em publicidade, ficção e entretenimento televisivo. Entre os premiados estão o vídeo da CVRA para os vinhos do Alentejo, a série "Cold Heaven" e produções como "Monteplace", "Lua Vermelha", "Nova Geração" e ainda "Vitória". É uma boa notícia para a produção nacional e naturalmente também para quem acredita que a criatividade pode competir ao mais alto nível lá fora. Entre fim de época, Mundial à porta e cromos que nunca saem quando mais fazem falta, a sensação é clara: em Portugal, ninguém desliga verdadeiramente do jogo, só troca de modalidade emocional. Quanto a nós, hoje vimos também que os dados, a música e os prémios continuam a ser boas formas de contar histórias com cabeça, ritmo e identidade. Quanto a nós, também mantemos a identidade do "Brainstorming" e por isso estamos de regresso na próxima segunda-feira, depois das 21h30, na Rádio Observador e sempre em podcast, com mais ideias, mais marcas e muito provavelmente mais alguém a achar que a sua própria convocatória era melhor do que a do selecionador. A ver vamos. Com a ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia goleadora do Bernardo Almeida, eu sou o Hugo Silva e até à próxima edição, lembre-se: no marketing, na publicidade e no futebol, ganha quem consegue ler o jogo antes dos outros. Até para a semana.