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Tudo a postos? Então, siga a dança. Vá, também não é caso para estes fandangos. Vamos sim ao baile de criatividade com que as marcas nos brindam semanalmente. Neste "Brainstorming", em que a conversa gira à volta da natureza, da sustentabilidade e também da alimentação, nada mais indicado do que fazermos uma paragem estratégica em Santarém, por onde estes dias decorreu uma edição especial da Feira do Ribatejo e Feira Nacional da Agricultura. Com Luís Mira, administrador do Centro Nacional de Exposições, queremos descobrir mais sobre o evento e também sobre o estado da atividade no nosso país. Lá mais para o fim, conhecemos a nova cara de um restaurante histórico, que fez nascer uma cadeia e que em 2025 comemora 100 anos de idade. Antes, a sustentabilidade, o respeito e a igualdade ocupam o lugar central para seguirmos o caminho de um mundo, quem sabe utópico, mas certamente ideal. Para já, por amor à Seleção Nacional, matamos duas fomes de uma cajadada só, numa campanha com uma música que diz muito a Portugal. "É de quem alimenta a fome de vencer." É este o mote da nova campanha multimeios criada pela Fuel para o Continente. Com uma banda sonora que não deixa ninguém indiferente, pretende demonstrar o apoio da marca à Seleção Nacional de Futebol durante o Euro 2024. O filme produzido pela Crypton com consultoria da Proud, cruza o futebol com várias situações em que os portugueses estão a comer, demonstrando a mobilização nacional em torno do campeonato europeu e também em torno de um bom petisco. É nesta ligação aos momentos especiais de convívio, impulsionados pelo futebol, que a marca recria o conceito "fome de vencer", com o objetivo de criar memórias que celebrem os momentos que unem Portugal, seja num estádio, ao ar livre ou mesmo em torno de uma mesa.

"Fome de vencer. Continente, patrocinador oficial de uma só seleção."

Para além disso, esta iniciativa habilita ainda os clientes a ganharem produtos da Seleção Nacional, cupons de desconto e até 1.000 € em saldo no cartão da insígnia.

"Back in 2023, when we searched for the word surfer in big commercial image archives, we found images of young surfers, old surfers, dog surfers, pig surfers."

Agora viajamos, aliás, surfamos até África. O destaque vai para o documentário que dá a conhecer surfistas orgulhosas na mulher de África. É o mesmo que dizer Soma. É este, de resto, o nome da ONG de São Tomé e Príncipe, que com este novo projeto da Betclic, em parceria com a agência criativa Coming Soon, conta a história de jovens mulheres que lutam pela emancipação através do surf. A premissa do documentário "Surfing Through the Odds" foi a ausência de fotografias de raparigas negras a surfarem quando se pesquisava nos bancos de imagens mundiais de fotografias. A partir daí, o caminho foi pôr mãos à obra e registar o trabalho que a Soma já vai fazendo diariamente com estas raparigas. Agora, para além do documentário, estas meninas são também as protagonistas das fotografias que já estão disponíveis no banco de imagens Shutterstock. "Surfing Through the Odds: Soma Surf Collection" é o único projeto nacional na shortlist dos prêmios Gerety Awards, na categoria Work for Good Cut. Tanto o documentário como as fotos dão mais um passo para combater a desigualdade de género e étnica na nossa sociedade, mas também no surf.

"Surfing Through the Odds, the first collection of commercial pictures of black girls surfing. Because changing the way we see surfing is the first step in changing surfing itself."

Mais uma edição do "Brainstorming" e hoje temos o prazer de ter conosco Luís Mira, administrador do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, mais conhecido por CNEMA. Vem falar conosco sobre mais uma edição da Feira Nacional de Agricultura, que decorreu em Santarém, terminou no passado dia 16 de junho. Este ano a Feira Nacional de Agricultura foi dedicada à pecuária extensiva. Luís, bem-vindo aqui ao "Brainstorming". Parabéns por mais esta edição da Feira Nacional de Agricultura. Começamos por uma pergunta que será difícil responder de uma forma curta, porque é uma feira que dura uma semana, que tem diversos intervenientes, diversas atividades, diversos espaços de troca e partilha de conhecimentos. Mas com esta edição terminada, começo por lhe perguntar: qual é o balanço que faz?

Bom dia. Primeiro, é uma semana de nove dias. A feira dura nove dias. O balanço é positivo. Os expositores ficaram contentes com os contactos e com os negócios que fizeram. Os visitantes também manifestaram o interesse e manifestaram que a feira estava mais bem organizada, que os stands estavam mais cuidados, que se via uma inovação, uma evolução. Portanto, os patrocinadores ficaram contentes. Quando isso acontece, a feira corre bem.

E a nível de números? A nível de participantes, de visitantes.

Nesta feira já não é muito relevante se eu tenho mais 10 mil ou menos 15 mil, porque isso depende da data em que o feriado ocorre. Este ano o feriado ocorreram os dois, um à segunda-feira, outra à sexta-feira. O que isso faz? Faz com que eu deixe de ter vésperas de feriado.

Exatamente.

E isso acontece na feira. Houve uma redução ligeira dos números face ao ano anterior, tem a ver com isso e tem a ver com outro facto, que a feira este ano começou a 8 e acabou a 16. É muito já no fim do mês. Nota-se do primeiro fim de semana para o segundo fim de semana, uma maior disponibilidade financeira das pessoas. Portanto, as feiras que começam a 2 e terminam a 11, têm mais público do que uma feira que começa mais tarde.

Aqui jogar com o calendário também é interessante. Ainda assim, a nível de visitantes, se calhar, fifty-fifty entre profissionais e visitantes curiosos. Até porque esta feira tem duas dinâmicas: não só é a Feira Nacional da Agricultura, mas também a Feira do Ribatejo, e portanto une não só o país, mas em particular a região do Ribatejo, também com a agricultura.

A feira começou como uma Feira do Ribatejo e depois como o Ribatejo é uma das zonas de grande capacidade de produção agrícola, alargou-se e pela essa sua grande presença, tornou-se Feira Nacional de Agricultura. Das estatísticas que temos e dos inquéritos, cerca de 30% a 40% são pessoas ligadas à agricultura ou com uma ligação, mas a maioria são consumidores. A feira tem anualmente à volta de 200 mil pessoas e são muitos consumidores, pessoas da região, de todo o país, é uma feira nacional, mas que tem um código genético agrícola.

Voltando aqui ao tema da feira deste ano, a pecuária extensiva, o que fez debruçar principalmente sobre esta atividade?

Duas ou três questões. A primeira, a importância que ela tem na superfície agrícola portuguesa. Ela ocupa 64% da superfície agrícola útil em Portugal, portanto, mais de metade é ocupada com esta atividade. Não é a sua expressão no Produto Interno Bruto, mas é a sua intervenção na gestão do território. Estas áreas não têm muitas alternativas, ou eu diria, muito poucas alternativas em ter outra atividade naquela área e por isso é necessário que exista um olhar diferente para elas. Por quê também? Porque elas produzem coisas magníficas como os queijos portugueses de ovelha e cabra, como a carne fantástica das nossas raças autóctones, como os enchidos, como todos os produtos fantásticos que-

São coisas boas

...se produzem através desta atividade. Depois também, porque na última política agrícola comum, foi o setor que levou um corte maior. Isso depois tem impactos, as pessoas abandonam. Ao abandonarem, estas áreas, estes territórios ficam mais expostos ao fogo, mais expostos a problemas. Por outro lado, apresentámos uma verdadeira revolução na forma e no modo de pastorear as áreas dedicadas à pecuária. Por quê? Porque os cientistas descobriram que os rebanhos que pastavam em África, os grandes rebanhos, que o fato de estarem muito próximos uns dos outros, os animais comiam com medo que o do lado venha comer o dele, comiam a erva que querem mais e a que querem menos também comem.

Incrível!

Comem toda. Isso leva a que a pastagem tenha um tratamento, digamos, um corte, uma comida uniforme. Quando nós, aqui em Portugal, evoluímos do fato de haver pastores para uma situação de cercas, e não há pastores, porque só há o gado lá dentro, os animais têm muito tempo para escolher o que comem e andam em liberdade. O resultado é que só comem o que gostam mais e essas comem elas todas até ao fim. Com o passar dos anos começam as que eles gostam mais a existir menos e a proliferar aquelas que eles gostam menos e que não comem. Portanto, houve este conhecimento científico, há forma de fazer isto, de maneira que os animais tenham menos tempo, mas mais animais na pastagem, isso obriga a ter parques mais pequenos, a fazer um maneio diferente e isso está a ter um resultado bastante positivo. Há mais capacidade produtiva das pastagens, há uma gestão mais sustentável desses espaços e, na realidade, poderia-se pensar: "Pastar é pastar, não há nada a fazer". Mas não, a ciência e a tecnologia dão sempre aqui uma inovação. Utilizam-se cercas elétricas para condicionar mais animais durante menos tempo. Dá mais trabalho, é verdade, mas o resultado é muito bom.

O Luiz falou agora num fator importante para o desenvolvimento da agricultura, de qualquer área, na realidade, que é a importância da tecnologia. Como é que dentro da pecuária extensiva, para além disto que já falou, há outras áreas dentro da pecuária ou noutras áreas da agricultura em que a tecnologia tem sido fundamental, ou talvez seja em todas, não há uma que se possa destacar?

Tecnologia é fundamental em todas. Ainda hoje um agricultor mandou uma mensagem muito incomodado, porque tinha decidido fazer uma charca, um reservatório para ter água e tinha marcado com uma entidade que foi lá para fazer a delimitação e a marcação. Chegou lá, não havia rede e os equipamentos que eles levavam não funcionavam. Portanto, como é possível não haver rede? Já mandou uma mensagem que apareceu o sinal de rede de transmissão de dados só duas horas depois. Isto é um exemplo de hoje, manhã, mas que demonstra que sem tecnologia O setor agrícola não consegue evoluir.

Mas a Feira da Agricultura também é uma montra dessas novas tecnologias.

É uma montra dessas tecnologias. Posso lhe dar aqui duas ou três linhas que foram apresentadas este ano. Uma, a questão das biosoluções. Há um conjunto de novas soluções.

Que visam também a sustentabilidade.

Que são sustentáveis sobre dois pontos de vista. São investigação e inovação que existe na procura de produtos que venham substituir produtos de síntese química através de produtos de origem natural. Um exemplo, que estava lá na feira, através da casca da laranja, pode-se extrair um produto que é um acaricida, é fungicida e ainda protege mais outra coisa qualquer.

E é de produção nacional?

É de produção nacional, é uma empresa que é portuguesa, que há cinco anos fez um drive no sentido das biosoluções e esse princípio vai buscá-lo à casca da laranja, à indústria que faz sumo. Esta é uma das linhas, cada vez há mais soluções sustentáveis que vieram substituir as de síntese química. Inicialmente, isto foi só utilizado na agricultura biológica, hoje é utilizado de uma forma generalizada, quando essas soluções são eficazes e funcionam. A outra tem a ver com a possibilidade de aproveitar dejetos e restos de culturas pra produção de biometano. A agricultura, para além de produzir alimento, com esta inovação tecnológica, pode e deve ser uma solução para injetar biometano, biogás nas redes. Estava também na feira uma empresa com uma solução para isso, e há mais empresas. E também a terceira, toda a parte tecnológica. O 5G é determinante no meio rural. Nós nem temos cobertura de dados, quanto mais 5G, mas sem isso não é possível desenvolver e aplicar as novas tecnologias. Sem esta nova tecnologia, não é possível atingir uma sustentabilidade ambiental plena. Eu sem ter sensores, sem ter a ligação do meu equipamento, por exemplo, de rega a uma estação meteorológica que me dá a previsão para o dia seguinte e em que é o computador que define a água que eu vou libertar para que a planta não entre em estresse hídrico, eu não consigo já fazer nada.

Portanto, quem ainda pensa na agricultura como alguém com um seixo às costas que vai diariamente para o campo, já não está atualizado. Agricultura já não é isso.

Não, agricultura não é isso. De maneira nenhuma, as empresas que produzem pro mercado, pra nós comermos, para se venderem nos supermercados, todas elas utilizam já muita tecnologia.

Altamente tecnológicas e altamente especializadas.

Tem que ser, porque é a única forma de ser competitivo em termos de preço, também para terem resultados econômicos e também em termos ambientais. Essa preocupação, muitas vezes, quer-se passar a ideia de que os agricultores estão contra o pacto verde e são contra o ambiente. Isso é totalmente errado.

São os primeiros interessados, não é?

Obviamente, os agricultores trabalham com a água, com o solo. Os agricultores fazem uma coisa que ninguém lhes reconhece, mas são eles que produzem oxigênio para todas as pessoas respirarem. As plantas que existem em Portugal, o Estado tem uma pequeníssima parte das florestas, 90 e muitos por cento são privadas, e eles dão gratuitamente a todos o oxigênio que respiramos. Ao mesmo tempo, cuidam da paisagem também, produzem alimentos, tomam conta de todo o território, de maneira que ele não arda, enquanto as pessoas nas cidades ficam muito contentes porque têm um carro elétrico, mas esquecem-se de todo o resto. A agricultura é o único setor econômico que consegue ter uma ação positiva sobre o ambiente. Produz energia, produz oxigênio, produz alimentos, cuida da paisagem, retém carbono.

Luís, para além deste olhares para o futuro e também acerca destes assuntos mais sérios, se assim podemos dizer, naturalmente importantes para a sociedade, também não esquecem os mais novos. A Feira Nacional da Agricultura, Feira do Ribatejo, é um espaço para todas as gerações. Como é que conseguem fazer esta integração?

Fizemos este ano, arranjamos uma marca nova, a Fenazinha, um espaço que dedicamos às crianças e aos jovens.

E o que acontecia por lá?

Tinham animais, para poderem ter um primeiro contato com os animais, tinham uma horta, mas depois tinham workshops sobre a questão do azeite, sobre a questão das plantas.

Para perceberem também que o azeite e o leite não vêm do supermercado.

Sim, e para perceberem qual é o impacto que tem hoje esse tipo de produtos e a sua riqueza de uma maneira simples, intuitiva e um primeiro contacto, para se começarem a desfazer alguns dos mitos que existem sobre a agricultura. O primeiro é esse, que a agricultura é uma atividade altamente dependente do solo e da chuva e também com a exigência de grande esforço físico. Isso era há 50 anos. A agricultura atual, eu já nem digo a moderna, a atual, é exatamente o inverso disso.

E dentro da feira, para além destas áreas que falámos do conhecimento, do desenvolvimento, da evolução dos parceiros, há momentos ou eventos que destaque nesta edição da feira?

Sim, posso dar aqui um ou dois destaques. Um deles foi devido às comemorações que existiam. Fizemos uma prova de licorosos também com 70 anos, com 60 anos, com 30 anos e de vinhos portugueses. E foi impressionante provarmos um vinho da região do Ribatejo, um licoroso de 1872, e perceber que o vinho estava muito bom. E a mensagem que eu queria aqui deixar aos produtores que me estão a ouvir e às pessoas é que nós temos produtos maravilhosos. Se este vinho fosse francês, custaria dezenas de milhares de euros. Como é português, nós não o sabemos valorizar. Parece uma onda da Nazaré.

Mas também se está a fazer o caminho nessa valorização, não é?

Sim, está, mas precisamos de ter consciência desse valor. É a onda da Nazaré, já existia há mil anos e ninguém tinha visto, é a maior onda do mundo. E foi preciso chegar lá um americano e dizer: "Cuidado, está aqui a maior onda do mundo". Existe uma situação muito semelhante relativamente à agricultura, neste caso concreto, os vinhos podem ter mais anos e serem consumidos com mais valor posteriormente. Existem zonas do país que têm uma capacidade e condições para produzir frutas, hortícolas, azeite, únicas no mundo, onda da Nazaré em agricultura.

Portanto, continuarmos também a valorizar a nossa própria galinha, não é?

Eu acho que mais do que valorizar-

A da vizinha também pode ser boa, mas-

Não, mas é termos consciência disso. É termos consciência, os próprios governantes terem consciência. O mundo rural sofre hoje, até pelos meios de comunicação social, de uma censura. Na feira assisti a isso. O Presidente da República condecorou a feira, estavam lá todas as televisões, nenhuma delas referenciou esse facto.

E por que surgiu essa condecoração?

Surgiu devido aos 70 anos que a feira já tem, devido à sua capacidade de se adaptar aos tempos e foi isso que o Presidente da República quis destacar. A censura dos editores da comunicação social cortou totalmente isso. Isso não aconteceu, para eles, nesse dia, foi mais importante um facto que houve no hospital, a demissão disto ou daquilo. Portanto, no fundo, nem numa feira de agricultura, quando os responsáveis políticos vão lá e fazem declarações sobre agricultura, a censura dos meios de comunicação social corta, não aparece nada sobre agricultura.

Portanto, a agricultura não tem espaço nos mídia para passar a sua mensagem, é isso?

Não é a agricultura, é o meio rural. Não é uma questão de espaço, é uma questão de critério editorial, é uma questão de censura.

E em que medida que isso seria importante?

Seria importante porque a feira-

Haver mais espaço.

Não, haver mais espaço, não era espaço. O problema que eu acho aqui vem de raiz. Se politicamente, o mundo rural tivesse uma representação na democracia em Portugal, que não tem, não existe uma câmara alta ou outro tipo de órgão que represente o território, em que Lisboa teria dois deputados, mas Évora, o Alentejo teria outros dois, a Beira Interior teria outros dois e teriam uma representação democrática relativamente ao espaço que ocupam, as coisas seriam diferentes. E se calhar já os políticos, a comunicação social, quando se dá cobertura a forças políticas que têm um deputado e que representam algumas dezenas de milhares de votos e se faz uma censura a todo o mundo rural, a democracia deixou de existir.

Na medida do possível, fica aqui feita justiça e devidamente assinalada essa condecoração que foi dada aos 70 anos da Feira do Ribatejo, 60 anos da Feira Nacional de Agricultura e 30 anos do CNEMA. Já aqui falámos acerca destas datas, já falámos também nessa prova de vinhos licorosos com 70, 60 e 30 anos. Houve mais celebrações específicas.

Havia um vinho licoroso que era de 1872, portanto, foi uma coisa fantástica.

Mas queria saber, especificamente, o que é que fizeram para celebrar estes 70, 60 e 30 anos?

Olha, fizemos também um concerto, uma ação solidária com as organizações da região, onde convidámos as pessoas do fado, à volta do fado, que já lá tinham estado e que se quiseram juntar, alguns também já com mais de 50 anos.

Isto porque a Feira da Agricultura não é só para os profissionais, não fala só dessa parte mais específica da agricultura e do dia a dia dos agricultores e do meio rural, mas também há espaço e tempo para a cultura e para a gastronomia.

É verdade, a gastronomia e cultura ocupam um espaço muito grande. Neste caso, um concerto solidário que fizemos à volta do fado, muito participado, foi muito interessante. O Pinto Bastos cantou lá, porque tinha sido a pessoa que tinha inaugurado há 30 anos aquele auditório, foi engraçado. O José Cid também participou, já com 82 anos, fantástico.

Também é o ribatejano.

Também é o ribatejano, contou uma história à volta disso, foi muito interessante. Em termos gastronômicos, nós temos show cooking todos os dias, temos um plano de show cooking diário numa das naves e temos toda a oferta-

Totalmente gratuito.

Totalmente gratuito.

Já tive a oportunidade de participar numa das edições e aconselho vivamente quem nunca teve esta experiência, porque este show cooking não é só ver, também há espaço para provar.

Não, é participar, é provar. O objetivo é exatamente dar a hipótese ao consumidor, não só de ter um bom produto, mas ter um produto bem confeccionado e até sobre um ponto de vista completamente diferente, chamar a atenção para determinadas características que habitualmente não se fazem. Destaco aí uma iniciativa que tivemos, uma prova de arroz. Foi o Gerardo que orientou a prova, foi muito interessante. E Portugal também tem muita iliteracia em alguns dos produtos. No vinho sabemos muito, no arroz sabemos muito pouco e noutros produtos também. Nós tentamos sempre, no azeite, fizemos um curso de provas de azeites na feira, com uma explicação, com o dar a provar às pessoas e chamar a atenção para determinadas características. Nós tentamos sempre ter esta vertente também junto do consumidor e não fechamos só na questão agrícola e nos problemas da agricultura. A feira também serve para reivindicar. Uma das questões importantes nesta feira foram as promessas que os partidos e o governo fizeram durante a campanha e que ainda não estão cumpridas.

Alguma que queira destacar?

Quero, sem dúvida, as que estão da reversão das direções regionais para a tutela do Ministério da Agricultura, que neste momento estão na tutela das CCDRs. Não é possível executar a PAC em Portugal sem que exista um braço Técnico que no terreno.

Uma rede mais capilar? Por aí?

Não, essa rede foi cortada, é como cortar um braço. Eu não consigo chegar ao terreno quando não tenho a tutela sobre aquele serviço. Portanto, isto foi um erro histórico que se fez com uma visão de política regional e municipal, quando isso não é compatível com os prazos que a política agrícola comum tem para executar, para controlar, para pagar, que são anuais. Gerir a PAC não é gerir fundos de coesão. As CCDR não têm nenhuma experiência. Se Portugal insistir nesta solução, vai ser um desastre para o país e para a agricultura.

Luís, estamos praticamente a terminar o tempo para a nossa conversa. Queria pedir-lhe para deixar uma mensagem aos agricultores e também ao público que pode visitar as próximas Feiras Nacionais de Agricultura e também levantar aqui um pouco do véu do que é que se pode esperar para o futuro desta feira.

Aos agricultores é que a inovação, a técnica, são o caminho que temos que seguir. A questão da sustentabilidade é um desígnio europeu. A agricultura está na linha da frente para isso, mas existem soluções técnicas e vão aparecendo. Não pode ser, e aí estamos contra, o calendário tão apertado que a Europa definiu para algumas das mudanças. Elas são precisas, a agricultura apoia que elas aconteçam, não pode ser neste espaço tão curto tempo. Primeiro, têm que surgir as alternativas sustentáveis e depois então fazemos a mudança. O contrário é que não dá.

E para os visitantes ou eventualmente para quem nunca foi à Feira da Agricultura, por que deve fazê-lo já no próximo ano?

Quem nunca foi à Feira da Agricultura não sabe o que perde. E quem foi à feira há mais de seis, sete anos, vai encontrar uma feira completamente diferente. As famílias têm ali um espaço que tem 50 hectares, onde podem passar um dia a visitar os animais, a ver a complexidade de tudo aquilo que gira à volta dos equipamentos agrícolas.

Em contacto com a natureza também.

Em contacto com a natureza, têm um espaço enorme para verem os cavalos, as vacas, as provas de equitação que ali há, mas também terem tempo para provar vinhos, queijos, enchidos, doces, para participar num show cooking, para ir a um restaurante das raças autóctones comer uma suculenta carne e contactar com este mundo rural que se modernizou muito, que tem a necessidade da tecnologia que não existia. Ontem mesmo ouvi um senhor dizer: "Não, isto não tem nada a ver com o que era antigamente, isto agora é uma coisa diferente. No meu tempo é que era duro". E é um pouco isto. Há uma revolução e está em curso uma revolução para as biossoluções no setor agrícola.

Luís Mira, vou fazer-lhe aqui ainda um desafio. Se tivesse que escolher uma música que ligasse com a Feira da Agricultura, com a atividade agrícola, com o CNEMA, com o Ribatejo, tem alguma música em mente?

Tenho. Todos os dias, no início, na abertura da feira, toca uma música que eu devia saber o nome decor, mas que sei cantarolar, que é aquela .

Muito bem.

Devia saber o nome, mas não sei.

Vamos tentar procurar essa música e fechamos aqui também com chave de ouro esta edição do "Brainstorming", em que estivemos à conversa com o Luís Mira, administrador do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, o bem conhecido CNEMA, que este ano recebeu a 70ª Feira do Ribatejo, a 76ª Feira Nacional da Agricultura e comemora também em 2024 os 30 anos deste espaço. Luís, muito obrigado por ter vindo ao "Brainstorming" e até breve.

E um convite a todos para o próximo ano não faltarem à Feira Nacional de Agricultura.

Está feito e vai ser cumprido. Obrigado, Luís. A fechar este "Brainstorming", e já a caminho do verão, falamos de uma marca que já está a apostar em refrescar-se, pelo menos ao nível da imagem, com uma nova identidade visual, mais adequada às exigências de um mundo multiplataforma, trabalhada pelos estúdios Farello e Luís Milheir. A Portugalia, sim, aquela dos bifes, dos croquetes e do flan a forma que o meu pai comia religiosamente, não só isto, mas muito mais, apresenta agora esta Portugalia uma imagem renovada, com um novo símbolo, mantendo apenas os dois elementos fundamentais para a Portugalia: o escudo, como sinónimo da portugalidade e união, que é de resto incorporado na fotografia, e também a data de fundação, que celebra a história e a diversidade da marca. Nós já vimos e confirmamos que está mais clean, mais atual e com mais cor. A nova imagem da marca vai ser progressivamente aplicada ao longo do ano, num processo que se prevê estar concluído nas celebrações do centenário, em 2025. Clean, atual e cheio de cor auditiva, é assim que queremos semanalmente este "Brainstorming", que já sabe que pode ouvir na Rádio Observador às terças-feiras, depois das 15h30 e a qualquer altura em podcast, para ouvir, repetir e partilhar. Com a ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia do Diogo Casinha, eu sou o Hugo Silva e juntos contamos consigo no próximo "Brainstorming". Até lá.