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Este é o Caça ao Voto da Rádio Observador. Vamos avançar para o nosso podcast dedicado à campanha eleitoral com o diretor executivo do Observador, Miguel Pinheiro, e com o editor adjunto de política, Miguel Santos Carrapatoso. Até o fim da campanha eleitoral, vamos estar aqui ao fim da tarde pra ver quem anda a ganhar e a perder votos. Eu sou o Ricardo Conceição e comigo está a Judite França. Bem-vindos, Miguel Pinheiro e Miguel Santos Carrapatoso. Miguel Pinheiro, quem anda a ganhar votos?

Eu diria que hoje, mais uma vez, António José Seguro ganhou votos. Ele teve a reação mais genuína, acho, e com que todos nós nos conseguimos identificar a esta triste história de uma segunda morte por falta de assistência por parte do INEM. E a reação dele foi perguntar: "Então agora é todos os dias?" E realmente acho que é a pergunta que está na cabeça de todas as pessoas. Então agora todos os dias vai morrer alguém, porque as ambulâncias não chegam aos sítios? Como é que isto é possível? E paralelamente a isso, vimos Marques Mendes mais uma vez muito atrapalhado. Realmente, Marques Mendes ganha o Oscar do azar. Realmente, tudo lhe acontece, porque de fato ele decide colar-se ao governo, agarrar-se ao governo e passar a ser o candidato presidencial do governo, e 24h depois começam a acontecer estas coisas. A reação de Marques Mendes ontem foi acho que silêncio. Não sei se ele chegou a falar sobre isto, Miguel, ontem. Acho que não.

Não, fugiu, evitou responder à pergunta.

E hoje, perante a insistência de perguntas dos jornalistas, uma e outra vez, disse que a responsabilidade é da direção executiva do SNS. Não é a ministra que tem que falar, não é a ministra que tem que dizer, não é a ministra que tem que justificar, não é a ministra que tem que resolver. É a direção executiva do SNS. Agora é a direção executiva do SNS é que tem que resolver estes problemas todos. E eu acho que as pessoas ouvem isto e, para citar um outro candidato, ouvem isto e estão a ouvir uma marioneta do governo. Eu acho que Luís Marques Mendes está a cometer um erro enorme. Uma coisa é apresentar-se como o candidato que vem dar erro do governo, outra coisa é ser isto, ser um prestador de favores do governo. Eu não percebo onde é que Marques Mendes acha que isto vai levar. Isto é uma descredibilização completa. Perante isto, Marques Mendes tentar convencer-nos que a culpa é da direção executiva do SNS, é realmente abdicar de toda a independência, de toda a autonomia e toda a credibilidade.

Miguel Santos Carrapatoso, quem é que na tua opinião anda a ganhar votos? Não sei se o Miguel já antecipaste o teu perdedor.

Não, tenho outros também.

Há 11. Ia dizer que era o dia em que estávamos completamente alinhados, se tivesse escolhido. Eu aproveitei pra meter um perdedor junto do ganhador. Este foi top. Não, mas quem está a ganhar votos é António José Seguro. Nós não combinamos, mas de fato eu ia usar precisamente os argumentos que o Miguel Pinheiro utilizou. Então vá, podemos seguir em frente. É isso. De fato, teve uma reação, a palavra de Miguel foi digna, eu utilizaria uma outra expressão: inteligente. Enquanto os outros seus rivais se precipitaram a pedir, num caso mais diretamente, noutros, de forma mais velada, a cabeça da Ministra da Saúde, António José Seguro apareceu a dizer: "Eu não digo o que faria se fosse presidente da República, isso é uma relação entre o governo e o Parlamento. Eu não falo em demissões de ministras, não é minha competência, estou indignado". Depois até acrescentou: "Estou até irritado com o que tem acontecido". Portanto, conseguindo marcar pontos na forma como censura aquilo que está a acontecer, consegue também mais argumentos para compor a imagem que quer vender nesta campanha de sendo um candidato a presidente vigilante, interventivo QB, não será um causador de problemas. Nós sabemos que Marcelo Rebelo de Sousa, nos seus 10 anos de mandato, tentou, e o caso mais flagrante foi mesmo o de João Galamba, tentou condicionar o governo e nesse caso concreto, quando exigiu a demissão de João Galamba ou sugeriu de forma bastante violenta a demissão de João Galamba, acabou desautorizado e sabemos o problema institucional que isso gerou. António José Seguro consegue marcar a diferença pra esse tipo de presidente sem deixar de censurar Luís Montenegro. E agora, já agora, quem anda a perder? Luís Marques Mendes. Pelas mesmíssimas razões que o Miguel Pinheiro usou. De fato, eu tinha pensado até usar a palavra azar, e é um enorme azar. Claro que tem uma sucessão de eventos. É um azar, mas é um azar que estava à espera de acontecer. Quem quer é o apoio do governo. Quem quer o apoio do governo, quem se apresenta como candidato do governo, arrisca-se a levar com as más notícias que atingem o governo. Claro. E a questão da saúde era uma delas. No início desta campanha falou-se muito da possibilidade da abertura do inquérito a Luís Montenegro, se isso iria ou não prejudicar as aspirações de Marques Mendes, isso acabou por não acontecer, mas sabíamos que a lei laboral, aliás, foi um aviso já nesse sentido. Luís Marques Mendes aí nessa altura já mostrou alguma dificuldade em Ter um pé num lado e um pé no outro. Quando decidiu oficialmente apresentar-se como candidato do governo, acontece isto. Sabemos que estão investigações em curso, que é preciso perceber exatamente o que aconteceu, mas a verdade é que aconteceu.

Não, mas atenção, Miguel, o ponto nem é esse. Esse era um caminho, dizer: "Vamos esperar pra perceber o que aconteceu". Não. Ele sabe que aconteceu uma coisa que precisa de responsáveis. Dizem que o responsável é a direção executiva do SNS.

Estavas a dizer isso? Sim, esse momento foi bastante confrangedor. Luís Marques Mendes parecia um veado encadeado, aquela imagem do animal encadeado pelos faróis de um carro. Mas até isso tem uma fragilidade: quem escolheu este diretor executivo foi o governo. Aliás, já é o segundo deste governo, o terceiro no cálculo geral. Portanto, até isso é apontar uma falha grave ao governo, que vai para o terceiro, ou para o quarto, eventualmente, se este cair entretanto, diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde. Portanto, nem isso foi particularmente inteligente.

Se ele queria colar-se ao governo, então devia ter ido por outro lado. Aliás, ele diz que é um homem da ação e que quer ir para Belém para agir e para fazer com que as coisas aconteçam. Então, que se agarrasse à parte de ação que o governo anunciou, que Luís Montenegro anunciou no Parlamento. Luís Montenegro anunciou uma série de medidas, compra de ambulâncias, agarrava-se a isso e dizia: "De facto, o que aconteceu não pode acontecer. Eu sou do governo por ter tomado esta medida e eu, se chegar ao Palácio de Belém, vou ajudar o governo a identificar outras áreas onde é preciso também agir antes que aconteçam os problemas. E, portanto, o que eu vou fazer é ajudar o governo a melhorar isto".

Quero só fazer notar que o Miguel Pinheiro não é candidato.

Por exemplo. Agora, isto que Marques Mendes fez hoje é absolutamente fatal. É mesmo desespero isto.

Miguel, então na tua paleta de 11 cores, qual é que escolhes como perdedor?

Além de Luís Marques Mendes e Sócrates.

E não vale dizer Jorge Pinto.

Não, por acaso.

Jorge Pinto já não conta.

Jorge Pinto, que hoje teve...

Não acredito.

Miguel, a realidade é o que é.

Não te estou a condicionar, Miguel.

Jorge Pinto, que teve hoje a visita de Rui Tavares, que apareceu na campanha, dizendo que estava lá apenas como apoiante. Só faltava dizer: "Eu vim aqui às compras e soube que o Jorge estava aqui, então decidi parar, mas eu até tenho que ir ali comprar uns atoalhados. Estou com pressa". E apareceu a criticar, nomeadamente, a esquerda, que segundo ele faz a política do costume. Portanto, anteontem, Jorge Pinto queria juntar-se à esquerda que faz a política do costume. Então, mas afinal como é que é? Não estou a entender. Quer dizer, se a esquerda, fora do LIVRE, faz a política do costume, por que o LIVRE se vai juntar a essa esquerda? Ou a esquerda faz a política do costume porque não se está a juntar ao LIVRE? A grande diferença entre a política do costume e a nova política é se abraça o LIVRE ou não. É isso que faz com que alguém seja brilhante ou seja péssimo. Não sei. Espero que pelo menos os lençóis que o Rui Tavares foi comprar durem e que sejam bonitos.

E nesta altura já pede lençóis de flanela, não é?

Que sejam flanela.

Esperemos que tenha sido isso. Ou polares, não sei.

Polares, não.

Polares, não. Tem muita fibra.

É? Mas a flanela também não é muito agradável.

Já não uso lençóis flanela desde que era menino. Nos meus tempos de menino.

A sério? Coitado.

Sim, este é um programa de análise política, todos os dias até o final da campanha. Aqui estamos no Caça ao Voto, a fazer contas sobre quem anda a ganhar e a perder votos.

Mas neste Caça ao Voto também mergulhamos nas caravanas e hoje vamos às campanhas de Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo, com os repórteres Miguel Viterbo Dias e Nadine Soares. Miguel Viterbo Dias, por onde andas a esta hora?

A esta hora em Samora Correia, uma freguesia do Conselho de Navente, que a AD conseguiu conquistar à CDU depois de 46 anos de liderança da Câmara Municipal e que motivou aqui uma curta paragem de Luís Marques Mendes para o segundo lar de idosos do dia.

Foi para uma visita curta?

Foi pra uma visita curta, sobretudo porque hoje o dia está também preenchido e foi em vários pontos do país, e por isso uma visita rápida, aliás, sem declarações aos jornalistas, num dia em que Marques Mendes só falou muito brevemente durante a manhã e apenas para comentar o caso do dia sobre as dificuldades na assistência do INEM. Foi a única declaração e rápida do candidato, não falou de qualquer outro assunto durante o dia de hoje.

E era sobre isso que te ia perguntar: Marques Mendes está preso ao apoio de Luís Montenegro, daí não ter criticado o governo, mas sim a direção executiva do SNS?

A realidade colidiu um pouco com a narrativa construída pela candidatura de Luís Marques Mendes, que ontem deu um passo grande em frente nessa colagem ao executivo de Luís Montenegro e hoje teve que enfrentar estes problemas relacionados com o INEM, com a falta de assistência do Instituto de Emergência Médica. Encontrou uma saída um pouco inusitada de culpabilizar a direção executiva, tal como Miguel Pinheiro e Miguel Santos Carrapatoço também já assinalaram. E há aqui também uma nuance no dia de hoje, que vai terminar num jantar-comício em Torres Novas, e em que Luís Marques Mendes não contará com ninguém do governo, contará com Leonor Beleza, que é a presidente da Comissão de Honra, é uma figura ligada ao PSD, mas também ligada ao setor da saúde, num dia como o de hoje, em que o tema tem marcado a agenda e em que Luís Montenegro já deu alguns esclarecimentos na Assembleia da República, mas é considerada também uma senadora, chamemos-lhe assim, não só do partido, mas também da política portuguesa. E hoje é ela que se junta a Luís Marques Mendes para discursar no jantar e não uma figura deste governo, tal como tem acontecido nos primeiros dias de campanha, onde contou, por exemplo, com Gonçalo Matias, também com Sebastião Bugalho. Desta vez é alguém que, sendo e mantendo essa ligação ao Partido Social-Democrata, até porque Leonor Beleza faz parte da direção do partido, mas ainda assim alguém que não está diretamente relacionada com o governo e que tem esse lastro, esse passado de ligação ao setor da saúde, para lá também da vida partidária, com o trabalho que desempenha hoje em dia na Fundação Champalimaud.

E Miguel Vitor Dias, registámos aqui a forma ardilosa como conseguiste trazer folclore ribatejano à emissão da Rádio Observador. Estamos a ouvir aí.

É a despedida do candidato que vai deixar agora Samora Correia para daqui a pouco estar aí em Torres Novas nesse jantar-comício. Juro que não fui eu que pedi, mas a realidade é mesmo assim.

Não sei se acredito.

Mas calha mesmo bem, porque acabou, não é? Está prestes a acabar.

Só falta o Miguel dizer: acabou. Pronto. Faz boa viagem, Miguel. Passamos agora para a campanha de Henrique Gouveia e Melo. Nadine Soares, já percebi que não tens rancho contigo, mas onde é que andas?

Não, até porque Gouveia e Melo acabou mesmo agora de visitar a Santa Casa da Misericórdia de Vale de Passos, um cenário bem diferente. O almirante tem apostado em muitas ações de rua deste gênero, quer dar a conhecer-se de outra forma, até porque a grande maioria das pessoas que o abordam nas ruas, nas visitas a mercados e feiras e a visitas deste gênero a Santas Casas da Misericórdia, são grisalhas e, acima de tudo, para agradecer pelo processo de vacinação. O almirante, apesar de utilizar essa fase a seu favor para reforçar que é uma figura organizada e disciplinada, que pode ter capacidade para resolver os problemas do país, quer também tentar agora ser visto na rua pelo perfil de possível presidente, quando, por exemplo, as pessoas lhe desejam até boa sorte na rua, já tem até uma resposta estudada. Sorte são os portugueses, precisamos de nos unir. Ou seja, Gouveia e Melo a dizer que a pandemia de Covid já foi, já passou, e a tentar convencer o eleitorado aqui mais velho que é uma figura capaz de meter ordem em Belém.

Veio hoje sugerir que as sondagens que o têm dado em quarto ou quinto lugar estão a ser marteladas. A expressão é de Henrique Gouveia e Melo. Explicou melhor o que quer dizer com isso?

Este tema das sondagens é um assunto que Gouveia e Melo tende a evitar e a responder até de forma muito curta, quase sempre para desvalorizar. Hoje, de visita a uma feira, por exemplo, em Mirandela, admitiu que duvida dos resultados, diz mesmo que acredita que há essa intencionalidade por trás desses números. Questionado sobre mais detalhes, insistiu que não ia falar mais sobre este processo. Este assunto, diz que não lhe tira o sono, uma expressão utilizada hoje na rua durante uma visita a uma feira. No entanto, a realidade é que Gouveia e Melo sabe que as sondagens são voláteis. Noutras sondagens, por exemplo, que o colocavam em segundo lugar, voltou a defender que as sondagens não podem ser um instrumento político e que não era porque estava a ser beneficiado que ia agora comentar. No entanto, nessa feira, não deixou de utilizar esse instrumento, a queda de Marques Mendes para um quinto lugar, para atacar o adversário ao dizer que Marques Mendes está a começar a ficar assustado nesta campanha. E tem sido esta a estratégia de Gouveia e Melo, que não tem apenas um alvo na mira. Também António José Seguro é atacado constantemente nas intervenções de Gouveia e Melo. Para o almirante, utilizou hoje mesmo a expressão na rua, inclusive, que são sapos num pântano de estagnação, isto é, Marques Mendes é uma marioneta do governo e Seguro é um candidato de discurso redondo que não acrescenta a Belém. Tem sido esta a estratégia de Gouveia e Melo na rua.

Nadine Soares, estás em Vale Passos, onde é que vai acabar o dia?

Já daqui a pouco e até com um pormenor interessante, Gouveia e Melo vai jantar por volta das oito da noite com apoiantes em Fafe, nada mais, nada menos que a terra natal de Marques Mendes.

E com Fafe ninguém fanfa. Já se diz obrigado e faz boa viagem, Nadine. O Casal Voto aqui na Rádio Observador até o final da campanha eleitoral na Tarde Política.