Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Cassete 60.
Pensavam que o Cassete 60 tinha desaparecido para sempre. Não, porque este formato é ótimo para contar histórias antigas e é isso que vamos fazer hoje. Vamos ao baú da política portuguesa, que é aliás um dos melhores baús que há, para recordar saídas ministeriais. Até sexta-feira trazemos os casos de ministros que, por uma razão ou por outra, não resistiram muito tempo no cargo.
E hoje, Judite, vamos ao início da década de 90 e a 2013, é isso?
Precisamente. Dois ministros de dois governos diferentes. Comecemos por Diamantino Durão, que foi Ministro da Educação entre outubro de 1991 e março de 92, portanto, apenas cinco meses. Mas foram meses difíceis, teve uma vida difícil. Eram tempos de contestação à Prova Geral de Acesso, que ainda durou uns anos e quem não se lembra que procure no Google. Levaram dezenas de estudantes, dezenas de manifestações pelo país inteiro. Havia greves de alunos, greves de professores e cereja no topo do bolo, foi o ministro que ficou com a incumbência de aumentar propinas.
Há que referir que as propinas não são atualizadas há cerca de 50 anos. Cada aluno, em média, custa cerca de 500 contos. Em média. Havendo alunos que chegam a custar mais de mil contos por ano. As propinas, neste momento, os alunos estão a pagar 1200 escudos por ano. Não podemos estar a tratar de uma maneira igual estudantes com dificuldades financeiras e sem dificuldades financeiras.
Esta entrevista à RTP aconteceu em janeiro de 92. Em fevereiro, começaram os primeiros protestos à tal PGA, como ficou conhecida, que ia ter lugar nesse ano. Primeiro em Barcelos, depois Coimbra, Lisboa e Braga e finalmente espalharam-se pelo país com greves de estudantes, conferências de imprensa, cortes de pontes, manifestações à porta do ministério. Em março, Diamantino Durão deixava a pasta da Educação.
No livro "Só Neste País", lançado há pouco tempo, os jornalistas Liliana Valente e Filipe Santos Costa foram às memórias do então primeiro-ministro Cavaco Silva para recordar que o próprio se arrependeu rapidamente de o ter escolhido. E nos jornais da época, que os autores foram consultar, escrevia-se que no ministério, a mulher de Durão era conhecida como senhora ministra, por entrar e sair do gabinete do marido como se estivesse em casa. De mais a mais, Durão não terá levado qualquer proposta ao Conselho de Ministros, onde consta que nunca falou.
Sem o respaldo do PSD por ser independente e com dossiês difíceis em mãos, Cavaco Silva decidiu então que o ministro não tinha condições para continuar.
É preciso recordar que só nesse governo de Cavaco Silva passaram pela Avenida cinco de Outubro três ministros, Diamantino Durão, Couto Santos e finalmente Manuela Ferreira Leite. Era, está bom de ver, um ministério difícil.
E Diamantino Durão voltou à carreira acadêmica e a dirigir o Instituto Superior Técnico, onde ficou muitos anos. Tem, aliás, um percurso acadêmico invejável.
E agora vamos saltar 10 anos para 2003, porque vamos falar, Judite e Raquel, de Amílcar Teias, ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, que sucedeu a Isaltino Morais e ficou só um ano no cargo.
É, e esse ministério foi também um ministério com muita rotatividade. Passaram três ministros em apenas dois anos, porque o governo de Durão Barroso terminou mais cedo com a saída do então primeiro-ministro para presidente da Comissão Europeia.
E o que aconteceu então a Amílcar Teias?
O jornal Público escreve que Teias foi demitido por Durão Barroso quase à meia-noite, depois de um dia em que o ministro das Cidades passou quase por completo no Porto. Segundo o jornal Público, Amílcar Teias foi chamado à residência do primeiro-ministro pela hora do jantar e foi apanhado de surpresa pela demissão.
Diz o Público que o fator que precipitou uma saída assim de madrugada foi a decisão do então ministro em mexer na administração das águas de Portugal. Teias, que teria uma relação difícil com o presidente do conselho de administração da época, que tinha sido nomeado pelo anterior ministro, Isaltino Morais.
Mas claro que a versão oficial não foi essa. Durão Barroso disse apenas que era o momento de fazer algumas mudanças, mesmo quando se está contente, disse ele, e pode ler-se no jornal.
Curiosamente, Teias, que já se dizia ser um nome incontornável numa futura remodelação governamental, acabou por sair sem nenhum outro ministro a acompanhá-lo e antes da dita mudança no Executivo. Aliás, em várias publicações, é possível ler que Durão Barroso exonerou o ministro sem qualquer explicação. E até o secretário de Estado da época, que trabalhou com Amílcar Teias, José Eduardo Martins, disse que foi, e cito, "apanhado de surpresa". Portanto, a versão oficial foi pelo menos curta em palavras.
E fica por aqui esta emissão especial de Cassete 60 com a assinatura da Judite França. Cassete 60.