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Car7, 60.

Em janeiro de 2007, foi preso um dos muitos autores de um assalto histórico ao Banco Central do Brasil, na cidade de Fortaleza. Foi dois anos antes, na madrugada de cinco para 6 de agosto de 2005, que o grupo de ladrões conseguiu entrar no cofre forte, mas não pela porta.

Em dinheiro roubado, é o segundo maior assalto no Brasil, mas foi tão engenhoso que ficou conhecido como o assalto do século. Levaram 164 milhões de reais, o equivalente a cerca de 440 milhões em valores atuais, o que em euros dá 82 milhões.

O plano era simples, mas habilidoso. O grupo escavou um túnel de 80 metros de comprimento, a partir de uma loja que ficava do outro lado de uma avenida movimentada, até ao cofre forte. O túnel foi construído com uma precisão milimétrica. Passava por baixo do esgoto e acima de um lençol freático e estava revestido de plástico e escurado com vigas de madeira. Tinha iluminação e um sistema de ar-condicionado, melhor que algumas casas.

Qualidade deste túnel. Não deve ser fácil, dar ali a escavar.

É preciso ter as melhores condições.

Claro.

Não sei se a Autoridade para as Condições de Trabalho lá fez uma visita. Além das plantas subterrâneas, entre a quadrilha, havia quem tivesse conhecimentos de engenharia e topografia.

O túnel demorou três meses a ficar pronto e, durante esse tempo, ninguém suspeitou da tal loja que vendia relva. Os funcionários usavam fardas iguais e carregavam terra para uns caminhões, o que fazia sentido, tendo em conta o tipo de trabalho.

A parte mais trabalhosa, feita de sexta-feira à noite para sábado, altura em que o banco está fechado, foi a perfuração de um metro de cimento reforçado com aço no chão do cofre. Depois, levaram as notas através de um sistema de roldanas instalado no túnel. Também não foi tarefa fácil, porque todo aquele dinheiro pesava três toneladas e meia.

A quadrilha teve ajuda de um funcionário do banco e a prova disso é que apenas as notas danificadas, destinadas a serem destruídas, foram levadas. De acordo com o Banco Central do Brasil, as notas tinham sido recolhidas da rede bancária para análise do estado de conservação e após esse processo, parte regressaria ao sistema financeiro e o resto seria incinerado. Os assaltantes não tocaram nas notas numeradas, que se encontravam também guardadas.

São espertos.

Claro. O crime foi só descoberto na segunda-feira de manhã, quando os funcionários do banco encontraram o cofre forte vazio. Nessa altura, já os ladrões levavam 48 horas de avanço em relação à polícia.

Foram muitos os envolvidos no assalto e ao longo dos anos a Polícia Federal foi prendendo alguns assaltantes, mas outros ainda hoje continuam fugidos. O último a ser detido, em dezembro do ano passado, 2023, foi Márquio Rogério, conhecido como o Bocão. Não há assaltante no Brasil que não tenha uma alcunha. Ora, Bocão é o engenheiro apontado como responsável por projetar e supervisionar o túnel.

Quase 20 anos depois, o maior assalto a banco da história do Brasil ganhou um novo capítulo. Um dos integrantes da quadrilha, foragido desde o crime, foi preso aqui em Sumaré, no interior de São Paulo. Bocão, como é conhecido, foi responsável pela engenharia do túnel e foi condenado a 29 anos de prisão.

Apesar do assalto ter sido pensado e executado com maestria, os ladrões não pensaram muito bem na fuga. Tanto que no dia seguinte a ser descoberto o crime, alguns membros da quadrilha decidiram comprar 11 carros em notas. Gastaram 980 mil reais em notas de 50, disfarçaram mais de 4 milhões dentro dos automóveis, entre a chapa e os bancos, no forro das portas, e despacharam os carros num caminhão daqueles grandes de transporte de carros. Claro que a compra em dinheiro chamou a atenção dos funcionários da concessionária automóvel, que logo avisaram a polícia.

Nós descobrimos que parte da quadrilha havia comprado alguns carros grandes, de luxo, numa revendedora lá de Fortaleza. E aí descobrimos também que uma pessoa de Fortaleza, que era dono de uma empresa de transportes desses caminhões cegonha, tinha saído de lá no domingo carregado de carros pra São Paulo. Conseguimos interceptar essa carreta perto de Belo Horizonte. Nessa carreta, nós conseguimos recuperar aproximadamente 6 milhões que estavam escondidos nos carros, fazendo outros levantamentos pra poder ir identificando, porque eles tavam com dinheiro de 50 reais, notas usadas.

Houve outro deslize, que foi fundamental pra apanhar vários membros do grupo. Quando realizaram uma vistoria à loja, encontraram um cartão de telemóvel. Levaram o chip, mas deixaram o resto e a partir daí foi possível pôr sob escuta aquele número. Foi o primeiro, muitos se seguiram. Os assaltantes faziam muitas chamadas e não se coíbiam de falar à vontade sobre os detalhes da operação, da função de cada um no roubo e até da divisão do dinheiro.

Após 54 dias do crime e através de uma escuta, a polícia apanhou vários elementos que se preparavam para ir almoçar perto de uma casa onde ficou guardada uma parte do dinheiro.

As investigações duraram anos e ao longo desse período foram identificados muitos dos envolvidos. Chegaram a ser condenados com penas efetivas mais de 90 pessoas.

Desde 2005, a Polícia Federal indiciou mais de 130 pessoas ligadas ao roubo milionário. Cerca de 90 foram condenadas por envolvimento no crime. Quase 40 milhões de reais foram recuperados.

O assalto ao Banco Central de Fortaleza causou grande repercussão no Brasil. O crime foi considerado um golpe contra a segurança do país e a credibilidade do sistema financeiro também teve um impacto econômico significativo. O banco teve que arcar com os prejuízos, o que representou um custo de 160 milhões para o governo brasileiro.

O crime já deu origem a filmes, séries e livros. Um dos últimos documentários é da autoria da Netflix e chama-se "Três Toneladas: Assalto ao Banco Central".

Um crime perfeitamente planejado.

Foi um furto à caixa forte do Banco Central. Os ladrões alugaram uma casa nas proximidades do Banco Central. De lá, cavaram 80 metros de túnel até chegar ao cofre.

A primeira monta foi calculada em quilos.

Ontem ouvimos aqui este trailer desta série que está na Netflix.

Este assunto tem ainda mais detalhes, mas não era possível, neste tempo, pôr o resto dos detalhes. Mas uma das coisas que encontraram no túnel foram aquelas bebidas isotónicas, porque era preciso ter força e continuar a ter energia.

Sim, para construir um túnel com ar condicionado. Atenção! Olha, e já que estamos no Brasil, podemos espreitar o que se ouvia por lá em 2005. Playlists estão espalhados vários artistas e, sem surpresa, quem é que está lá no M desta lista? Ivete Sangalo. Ora, que surpresa! Não podíamos ir até ao Brasil e não falar de Ivete Sangalo.

Ela que, em 2004, lançou este "Céu da Boca", música original de Ronaldo Marcel, produzida nos anos 80.

Esta reedição faz parte do primeiro álbum ao vivo de Ivete Sangalo, "MTV Ao Vivo", foi gravado em conjunto com Gilberto Gil e foi um dos maiores sucessos no Brasil no ano seguinte, o de 2005.

Esta história que a Judite nos trouxe hoje ao "Cassete 60" é digna de um filme. E por isso damos também agora uma espreitadela no cinema e o que é que estava na berra em 2005. Vamos fazer aqui uma contagem decrescente. Começamos com o sétimo filme com maior sucesso de bilheteira em 2005.

"Mr. & Mrs. Smith", comédia de ação que junta Angelina Jolie e Brad Pitt no grande ecrã e depois também se juntaram na vida real.

O que lá se desenrolou.

Exatamente. Isto rendeu mais de 487 milhões de dólares em bilheteira em todo o mundo.

E passamos do sétimo lugar para o segundo e passamos também para o mundo da ficção com uma banda sonora que todos reconhecem.

O que será? Ninguém sabe. John Williams não falha em entregar mais uma banda sonora daquelas bem memoráveis. E a de "Star Wars III: A Vingança dos Sith" não foi exceção.

Não numa galáxia bem longe, mas sim por cá, este terceiro filme da saga de George Lucas fez mais de 868 milhões de euros em bilheteira.

"Star Wars: A Vingança dos Sith" esteve nomeado para vários prêmios, mas acabou apenas por receber um Saturn Award na categoria de melhor banda sonora.

Claro, dúvidas houvesse. Terminamos esta viagem pelo cinema de 2005 com outro mundo de fantasia. Passamos pela plataforma de nove e três quartos e chegamos a Hogwarts. Eu sinto que isto hoje é um programa dedicado a John Williams.

Podíamos fazer, por acaso.

Não era nada mal pensado. Isto porque John Williams, mais uma vez, a dar-nos uma banda sonora inconfundível. Em 2005, chega "Harry Potter e o Cálice de Fogo".

Com mais de 895 milhões de dólares em bilheteira em todo o mundo, este quarto filme da saga de J.K. Rowling foi o filme com mais sucesso do ano de 2005.

Esteve nomeado para um Oscar na categoria de melhor direção de arte, recebeu um Teen Choice Award e ganhou ainda um prêmio BAFTA na categoria de melhor design de produção, tornando-se assim o primeiro filme da saga Harry Potter a receber um prêmio destes.

Muito bem. E para terminar esta viagem no tempo até 2005, podemos fechar com a música mais ouvida do ano. Judite França e Bruno Vieira Amaral, como devem imaginar, o R&B estava em grande. Eu até comentei com a Judite que música que haveria de escolher, porque é só R&B naquele top 10. E por isso temos Mariah Carey no topo da tabela com esta "We Belong Together". Esteve 14 semanas no número um da lista da Billboard Hot 100. Só com esta música, Mariah Carey recebeu dois Grammys, cinco Billboard Music Awards, entre muitos outros. E por isso, merece fechar o "Cassete 60" de hoje.