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Cassete 60.
No último Cassete 60 fizemos-
Espera aí, no último? Como assim? O que está aqui a passar? Bruno Vieira Amaral, estou a ser apanhado de surpresa. O que é que se está a passar?
Eu também não sabia nada. Judite, conta-nos mais coisas.
Conta-nos coisas.
É o último. É o último, certo.
Ok. Segunda-feira já não há?
Não, segunda-feira já não há.
Ok.
Pronto.
Mas repare.
Se calhar há uma nova grade. Segunda-feira não sabemos.
Tem 497 episódios para ouvir.
497.
É isso.
Agora fiquei-
Surpresa para os ouvintes
Estava a ficar triste. Vamos lá fazer essa viagem.
Mas esta viagem é muito divertida. Vamos fazer uma viagem pelos programas mais ouvidos e o que ocupa o primeiro lugar é este sobre a filha de Stalin.
Svetlana Alliluyeva permaneceu na Suíça três meses. Em abril de 1967, foi para os Estados Unidos e à chegada a Nova York deu uma conferência de imprensa e com o que disse, aparentemente chocou o mundo ao denunciar os crimes de Stalin e o regime ditatorial.
A sua vida dava um filme. Depois de ter fugido do pai, que assassinou o seu primeiro marido e o seu grande amigo e paixoneta de adolescente, Svetlana, que era órfã de mãe desde os seis anos. Uma história bastante triste, mas a fuga da filha de Stalin para os Estados Unidos é também uma narrativa apaixonante e os nossos ouvintes e os nossos ouvintes gostaram tanto, que gostam, aliás, muito de histórias sobre a União Soviética, porque a segunda mais ouvida é esta. Foi a primeira das repúblicas soviéticas a voltar as costas à Mãe Rússia depois de décadas de ocupação. Proclamou a independência unilateral em março de 1990 e ao fim de sete dias, a União Soviética instou a Lituânia a recuar ou então enfrentaria as consequências. Não estavam a brincar. Em janeiro de 1991, lançaram uma operação militar em larga escala, mas os lituanos não desistiram.
A 17 de março de 1990, precisamente neste dia há 32 anos, a antiga República Socialista Soviética da Lituânia rejeitava firmemente uma exigência da União Soviética de que renunciasse à sua declaração de independência. Ora, a situação na Lituânia rapidamente tornou-se num ponto sensível das relações entre os Estados Unidos e a União Soviética.
Os soviéticos tinham conquistado o Estado Báltico da Lituânia em 1939. Os lituanos reclamaram dessa absorção no Império Soviético, mas sem sucesso. Após a Segunda Guerra Mundial, as forças soviéticas não se retiraram e os Estados Unidos pouco fizeram para apoiar a independência da Lituânia.
Em 11 de março de 1990, a Lituânia declarou que era uma nação independente, a primeira das repúblicas soviéticas a fazê-lo.
Ora, neste episódio, como já percebemos, o assunto foi a Lituânia e o facto de ter sido a primeira república a saltar fora da União Soviética.
Isto é o som das nossas vozes?
É.
Isso é horrível.
Como assim?
Eu não gosto.
Não gostas do som da tua voz. Eu gosto muito do som da tua voz.
Detesto. Muito.
Logo em terceiro lugar, sobre a União Soviética, temos uma outra história, a de um avião sueco que foi abatido pelos soviéticos.
Esta é uma história de oito suecos numa missão secreta de espionagem. Mas antes de irmos aí, é preciso enquadrar estes tempos. Em 1952, como agora, a Suécia mantinha um estatuto de neutralidade. Não pertencia à NATO nem ao Pacto de Varsóvia, mas o governo sueco sabia que em caso de uma Terceira Guerra Mundial, a União Soviética invadiria a Suécia e por isso mantinha boas relações com os Estados Unidos e com o Reino Unido.
Sempre houve um clima de desconfiança entre os suecos e os soviéticos e ambos espiavam o vizinho, discretamente, como é óbvio. Ao longo dos anos foram descobertos submarinos russos na costa da Suécia, mas menos conhecida é a história de hoje, de um avião militar sueco abatido pela União Soviética.
Até porque durante 40 anos, o governo sueco garantiu que aqueles aviões estavam apenas a fazer exercícios de treino. Só que na década de 90 surgiram informações de que aquela tinha sido uma operação de espionagem militar realizada a pedido da NATO.
Na manhã de 13 de junho de 1952, pelas 9h20, o avião DC3 partiu do aeroporto de Bromma, perto de Estocolmo. Este DC3 tinha equipamento que permitia detetar sinais de rádio e por isso conseguia monitorizar radares soviéticos nas repúblicas do Báltico. Basicamente, era um avião de espionagem com uma tripulação de oito homens, três para operar o aparelho e cinco civis para o equipamento. Era suposto que o avião voasse por três horas e depois regressasse a casa.
Mas às 11h20. Ora, a música que acompanhou o programa sobre o avião sueco abatido pela União Soviética, foi uma música que está relacionada com a sexta-feira dia 13, que era o dia em que o programa foi-
Estava a ser emitido.
Foi para o ar. E nós vamos ouvir histórias trágicas na música.
Também fomos a algumas, é verdade. Don Valenzuela ficou mais conhecido no mundo como Ritchie Valens. O músico teve uma morte precoce, morreu aos 17 anos num acidente de avião que também vitimou Buddy Holly, entre outros músicos.
Uma tragédia que ficou conhecida como o dia em que a música morreu. Uma expressão citada, por exemplo, na canção American Pie, de Don McLean. A história de Ritchie Valens foi retratada no cinema no filme La Bamba, de 1987, e esta aqui é a versão do tema, com o mesmo nome, editado em 1959.
A história da La Bamba. Cruzamo-nos com o Ritchie Valen em vários episódios do "Cassete 60".
Em vários episódios. E dissemos muitas vezes que ele parecia muito novo, mas era muito mais velho.
Como assim?
Era o contrário.
Não, era o contrário. Sim, ele parecia mais velho, mas era muito novo.
Sim. Vemos também muito no "Cassete 60" assaltos a bancos. É um dos nossos temas favoritos e dos nossos ouvintes também.
Há 65 anos, a 17 de maio de 1967, pelas 15h55, na Figueira da Foz, Camilo Mortágua assaltou o Banco de Portugal. Tinha, na altura, 34 anos e também já tinha participado noutros atos contra o regime. Estavam de arma em riste. Palma e Inácio entraram no gabinete da gerência, acompanhados de um outro operacional, mas o cofre só abria com duas chaves, daquelas que se põe na fechadura ao mesmo tempo. Depois ainda tem um botão, mas isso normalmente é para nuclear. O cofre estava fechado. Eram precisas as duas chaves, os dois gerentes. Um deles tinha ido fazer um recado e, portanto, não estava. Foi preciso esperar. Esperaram pelo seu regresso. Conta o jornal que foram minutos de grande ansiedade, até que lá chegou, lá abriu o cofre, lá conseguiram tirar o dinheiro. A operação prolongou-se por 25 minutos, era mais do dobro do que estava previsto, mas não foi mau. Ora, depois deste assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz, vamos a um outro. Hoje no "Cassete 60", vamos falar de um assalto a um banco que parece retirado do argumento de um filme, mas não, aconteceu em março de 1976, no Cais do Sodré, em Lisboa. O banco era o antigo Banco Nacional Ultramarino.
Ora, a música no "Cassete 60" foi sempre tão importante como as histórias que cá trouxemos e às vezes os temas foram escolhidos em função do tema do programa. E este é um desses casos.
Escolhi uma música que não é de 76, mas que fala de um assaltante de bancos e que por pouco também não deu problemas com a justiça. "Bank Robber" é uma canção dos Clash. Ela foi editada em single em 1980 e foi gravado depois um vídeo com um baixíssimo orçamento, tão baixo que alguns dos elementos da banda nem sequer entram no vídeo, foram substituídos por dois roadies dos Clash, que usavam umas bandanas a cobrir a cara e simulavam assim um assalto a um banco na localidade de Lewisham. Durante as filmagens, os roadies foram mesmo abordados pela polícia, que pensou que se tratava mesmo de um assalto à série, e eles disseram: "Não, estamos aqui só a gravar um vídeo para os Clash". "Bank Robber" de 1980, aqui a recordar um outro assalto. Fomos muitas vezes a assaltos e eu descobri no "Cassete 60" assaltos a bancos que nem fazia ideia.
É verdade. Esta história, por exemplo. Bom, os nossos ouvintes também gostam de histórias que envolvem os políticos portugueses. Por exemplo, esta, sobre o antigo primeiro-ministro Cavaco Silva e uma ida à praia. Em agosto de 1994, Cavaco Silva era primeiro-ministro há quase 10 anos. Algarvio de gema, nascido em Boliqueime, passava férias na Praia do Barranco, perto dos Olhos de Água, e era uma autêntica estrela, pelo menos a contar pelos guarda-costas que o acompanhavam. Nada mais, nada menos do que sete.
Sete, disseste sete? Sete guarda-costas, sete seguranças. Ainda assim, parece-me um bocadinho excessivo para um primeiro-ministro, mesmo que a banhos.
Diz o jornal que a roupa foi bem dobrada, olha o pormenor, e seguiu-se um banho de mar, altura em que três seguranças também foram à água.
Ainda bem, porque com aquelas roupas deve fazer um bocadinho de calor, não é? E mesmo na água eram precisos três guarda-costas?
Eu imagino que não, mas já vimos que em termos de segurança, Cavaco Silva não facilitava.
Os guarda-costas eram para afastar as alforrecas.
As caravelas portuguesas.
Sim, para não incomodar o senhor primeiro-ministro. Tinhas outra história ainda sobre o Cavaco Silva. É que eu gostei muito do cassete da rodagem do Citroën.
É verdade. Falamos também da rodagem do Citroën.
E como falávamos de praia, o Nelson foi encontrar esta história.
Fazemos uma viagem mais global e também mais musical por esse ano, 1994. E olha, nessa pesquisa descobri que foi apenas em 94 que o Vietname recebeu pela primeira vez um concerto de uma estrela do Ocidente, desde que tinha terminado a guerra em 1975. Esse espetáculo aconteceu a 19 de janeiro e a honra coube a um senhor que também canta sobre o verão: Bryan Adams.
Conseguimos falar de Bryan Adams sem falar de Cascais. Não sei se vão falar de Cascais.
Se calhar, depois falamos.
Em 500 episódios é bem provável.
E mais?
És tu.
"Rabo de Peixe", é disso que vamos falar agora?
É sim.
Dramático caso de tráfico de droga descontrolado nos Açores. Morreram já duas pessoas com overdoses na ilha de São Miguel. É um caso sério de saúde pública.
Esta é a verdadeira história por trás da nova série da Netflix. "Rabo de Peixe" avisa no trailer que é vagamente inspirada em factos reais. Então vamos aos factos. Não vamos, porque não temos tempo. Está disponível em podcast e podem sempre ir ouvir este cassete inteirinho, porque ainda temos outro sucesso.
Diana, Princess of Wales has been seriously injured in a car accident in Paris. Her companion, the heir Dodi Fayed-
Esta não é uma história sobre a morte da Princesa Diana, mas sobre o médico que a socorreu logo a seguir a esse acidente. Foi a última pessoa a ver Diana com vida e foi também um dos cassetes 60 mais escutados. Um médico dirigiu-se ao carro, conseguiu abrir a porta e olhou para dentro. Ali estavam quatro pessoas, duas aparentemente mortas, sem reação, sem respirar, e outras duas no lado direito que estavam vivas.
Neste cassete, a música foi toda dedicada à princesa e às suas cassetes. Em 2017, o Palácio de Buckingham revelou ao público uma pequena caixa com as cassetes de música que pertenciam a Diana. Por lá encontram-se nomes tão diversos como George Michael
Luciano Pavarotti, também amigo da Princesa Diana, Rod Stewart, Diana Ross, Celine Dion ou Lionel Richie. No entanto, consta que a banda favorita da Princesa era mesmo os Duran Duran. O próprio vocalista da banda, Simon Le Bon, referiu-se a isso num concerto de homenagem a Diana, em 2006, em que disse: "Estamos honrados por ser considerados a banda favorita da Princesa, porque ela também é a nossa princesa favorita". Ora que bonitos.
Na série "The Crown", há até uma cena em que Diana atende um telefonema de Carlos e tem um pôster dos Duran Duran atrás, e o tema "Girls On Film" faz parte da banda sonora. Mas, neste "Cassete 60", recordamos ainda o encontro de Lady Diana com Michael Jackson. Aconteceu em 1988, no Estádio de Wembley, em Londres, no âmbito da tour mundial do disco "Bad".
Disco que tinha no alinhamento a espetacular "Dirty Diana", um tema que Michael Jackson retirou do alinhamento quando soube que na plateia estariam os príncipes de Gales. O casal até teve um encontro com a estrela da pop antes do espetáculo, onde Diana terá perguntado a Michael Jackson se iria cantar a "Dirty Diana". Michael disse-lhe que não, que não o iria fazer por respeito a Diana, ao que Diana respondeu: "Oh, que pena, é a minha favorita." "Dirty Diana" também tinha um rumor de que era dedicada ou inspirada em Diana Ross, porque tem produção do Quincy Jones, mas esse rumor foi mais afastado. Michael Jackson, nesta entrevista, onde fala deste episódio com a Barbara Walters, de um programa de televisão norte-americano, diz também que a Diana não é inspirada na Diana de Spencer, obviamente, é antes uma groupie, é dedicada a todas aquelas raparigas que circulam nos clubes e nos concertos sempre a tentar engatar o artista. E pronto, desenrolamos uma bela fita que havia e acabamos aqui o "Cassete 60" com Michael Jackson. Fizemos quantos episódios, Judite?
Fizemos 497, quase 500, e um dia destes fazemos mais três para terminarmos com números redondos.
Três de uma vez, acho muito bem. Eu acho que sim. Vamos deixar gravado em podcast.
Está bem. Ok, combinado.
Ouçam o "Cassete 60" sempre disponível em observador.pt. São viagens no tempo com assinatura da Judite França. Até sempre. "Cassete 60".