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K7 60.

"What do you do? You're not an engineer, you're not a designer. You can't put a hammer to a nail. I built the circuit board, the graphical interface was stolen. So how come 10 times in a day, I read Steve Jobs is a genius? What do you do? Musicians play their instruments. I play the orchestra."

Alguém sabe o que foi o Lisa?

Lisa Simpson?

Não.

Lisa Stansfield, "Been Around the World".

É, eu sabia que um dia Nelson Ferreira ia cantar. Não. Um computador pessoal desenvolvido pela Apple, lançado a 19 de janeiro de 1983, foi um dos primeiros a apresentar uma interface gráfica chamada user friendly, ou seja, mais fácil de usar para o utilizador. O Lisa começou a ser desenvolvido em 1978, passou por muitas mudanças, até que, quando foi concluído, foi vendido por $9.995. Isto em 83. A preços de hoje, é quase $23 mil ou pouco mais de €20 mil. Um bocadinho. Tinha um disco rígido de 5 MB. Hoje em dia dá vontade de rir. Mas era tão extraordinariamente alto o preço que foram vendidos apenas 10 mil em dois anos.

Foi um fracasso comercial e um avanço técnico.

É verdade.

E esses avanços depois foram mais tarde utilizados no Macintosh.

Foi o que se seguiu, não é? Foi o computador que se seguiu.

Com o fluxo de trabalho já orientado para a organização por pastas e documentos. O Lisa tinha hardware do mais avançado que havia, até mais do que o próprio Macintosh, que só veio depois.

O sistema operacional era complexo e os programas exigiam uma grande capacidade de memória do CPU, portanto, da torre, ou seja, do computador propriamente dito.

Em 82, Steve Jobs foi forçado pelo conselho de administração da Apple a abandonar o Lisa. E então, porque era um tipo muito porreiro, como se sabe, apropriou-se do projeto de Macintosh de Jeff Raskin, que originalmente concebeu um computador pelo preço de $1 mil, em 79. Jobs imediatamente redefiniu o Macintosh com uma versão menos cara e mais focada do que o Lisa, do ponto de vista gráfico. Quando o Macintosh foi lançado em janeiro de 84, rapidamente superou as vendas de Lisa.

"You've just seen some pictures of Macintosh. Now I'd like to show you Macintosh in person. All of the images you are about to see on the large screen will be generated by what's in that bag."

Isto que estamos a ouvir é da apresentação de 84. Portanto, está aqui a Chariots of Fire a entrar, muito épico, enquanto surgem imagens do tal Mac Macintosh LX, ou XL neste caso. Que era um computador todo inteiriço, não sei se recordam, com sítio para as floppy disks, e não tinha separação entre o CPU propriamente dito e o monitor. E isto ainda era da fase em que nada era compatível com o PC.

Jobs então começou a recrutar um número cada vez maior de funcionários do Lisa, como tinha feito com a divisão Apple II, depois de assumir o controle do projeto de Raskin.

Os modelos mais novos do Lisa foram introduzidos para resolver as deficiências, mas mesmo depois de reduzir consideravelmente o preço, o aparelho não conseguiu obter números de vendas favoráveis em comparação com o Mac, que era muito mais barato. O modelo final foi rebatizado como Macintosh XL para se tornar o modelo de ponta da Apple.

"An iPod, a phone and an internet communicator. An iPod. A phone. Are you getting it? And we are calling it iPhone."

Isto é da primeira apresentação do iPhone. A primeira vez que Jobs fala do iPhone em público. Voltando ao Lisa, que foi o que nos trouxe nesta viagem. Quem viu o filme biográfico de Steve Jobs ou leu o livro terá ficado a saber que Lisa é um acrônimo para Locally Integrated Software Architecture.

Ou então é um back acrônimo.

Um back acrônimo é muito bom.

Porque o nome terá partido do nome da primeira filha de Jobs, Lisa, e a partir daí criar um nome complicado para justificar o L-I-S-A.

É bem provável. Já agora, porque falamos no filme, ouvimos no início o trailer do filme em que Steve Jobs é interpretado por Fassbender e muito bem interpretado.

Vê-se bem, já vi.

Muito melhor do que o outro em que ele é interpretado.

Ashton Kutcher.

Eu ia dizer que era o ex-namorado da Demi Moore.

E depois é que falam nos casamentos.

É um bocado quando tu sabes que és o pai de não sei quem, que ninguém te conhece, mas conhece o teu filho, é igual. Eu conheço a Demi Moore, o outro miúdo não sei bem quem é.

Muito bem, já que falamos em computadores na K7 60 de hoje, este também chegou em 1983 às lojas dos Estados Unidos e também usava uma K7. Alguém se lembra disto?

Meu Deus.

Como assim?

Ainda tenho pesadelos.

É verdade. ZX Spectrum.

Isto para mim era uma alegria, porque obviamente eu não tinha em casa um ZX Spectrum.

Pois eu nunca também não, por isso é que era um pesadelo.

Eu tive, ainda tenho, e aquando do primeiro confinamento voltei a ligá-lo e funciona perfeitamente. É verdade.

Tinhas tanto tempo que podias ficar a fazer loading, aspas, aspas.

Enter. ZX Spectrum, a invenção de Clive Sinclair, foi lançada em 1982 em Inglaterra, mas só chegaria no ano seguinte aos Estados Unidos. Em Portugal também divertiu e desesperou muitas crianças, porque só o tempo que demorava a carregar um jogo dava para comer dois trigos com Tulicreme e beber um jarro de Tango.

Dois trigos com Tulicreme? Não terias dito duas bicas com Tulicreme?

No cinema, um dos marcos de 1983 soava assim. "Maniac", de Michael Sembello, faz parte da banda sonora de "Flashdance", número três do box office de 1983, apenas atrás de "Laços de Ternura", que maravilha, e de "O Regresso de Jedi".

Que maravilha!

O filme do George Lucas.

Já na música propriamente dita, os Toto venceram o álbum do ano e gravação do ano nos Grammys, enquanto o prémio de melhor novo artista foi para os australianos Men at Work.

Esta é a altura em que a gente diz "cavalinhos na feira", não é?

Aliás, eu não consigo dizer de outra maneira.

Nem eu, só digo "cavalinhos na feira a correr".

Sim. Bem, e de Men at Work vamos para Bonnie Tyler.

Já era uma apaixonada pelo nosso Algarve?

Não sabemos, em 83. Se calhar já era.

Com certeza.

Paixões antigas.

A Bonnie Tyler era um pouquinho mais velha que nós. Mas sabemos que em setembro desse ano editou nos Estados Unidos o álbum "Faster Than the Speed of Night", cheio de power ballads, com esta "Total Eclipse of the Heart". Em Portugal, 83 é o ano em que Armando Gama, que faleceu anteontem, vence o Festival da Canção. O músico, que nos deixou esta semana, levou a melhor sobre Carlos Paião e Cândida Branca-Flor com "Vinho do Porto", graças ao tema "Esta Balada que Te Dou".

Já tínhamos falado disto esta semana aqui no "Tarde na Noite".

Anteontem.

A gala desse ano ficou marcada por uma atuação de uma convidada internacional. Nada mais, nada menos que a italiana Raffaella Carrà, que também nos deixou recentemente, em julho de 2021.

E entramos num filme do Paolo Sorrentino, assim, de uma vez para outra. Se fosse a versão de Bob Sinclar, seria do filme "A Grande Beleza"?

Não.

"A Grande Beleza".

Acho que sim. Tenho ideia que é esse o filme do Sorrentino, que tem uma grande festa com esta canção em fundo, numa versão remisturada já pelo DJ Bob Sinclar. Bem, vamos fechar esta viagem por 1983 com uma história trágica. No dia de Natal, em 1983, Marvin Gaye ofereceu ao seu pai uma pistola Smith & Wesson, de calibre 38. Essa mesma arma foi usada pelo pai, meses mais tarde, para atingir mortalmente Marvin Gaye durante uma discussão familiar. Aconteceu a 1 de abril de 84 e ainda hoje é uma história que parece uma mentira. Rádio