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Car7, 60.
Hoje falamos dos Beatles e do último espetáculo ao vivo da banda, o famoso Rooftop Concert. Faz hoje precisamente 55 anos que os Fab Four subiram ao topo do edifício da Apple Records, em Londres. O concerto foi o culminar de um projecto que iria produzir um álbum e um documentário e que se iria chamar, precisamente, "Get Back". O nome foi pensado exatamente como um regresso, um regresso às raízes e uma forma de restaurar a unidade do grupo.
Uma equipa de filmagens gravou os Beatles a ensaiarem e a gravarem novas canções para esse álbum honesto, sem os efeitos artificiais do estúdio. A experiência não correu bem para a banda, mas a música ficou a ganhar. E o concerto no topo do prédio foi o fim perfeito para o documentário, que acabou por se chamar "Let It Be", e que foi lançado um ano depois.
Há muitos pormenores menos conhecidos deste concerto. Por exemplo, até todos concordarem em tocar e filmar em cima do prédio, houve outras ideias. Primeiro pensaram numa antiga sala em Londres, depois a bordo de um cruzeiro, no deserto do Saara e até nas pirâmides de Gizé. Uma das localizações, um anfiteatro romano com 2000 anos, na Tunísia, chegou a ser visitada pela equipa de filmagem. O realizador Michael Lindsay-Hogg imaginava os Beatles a tocarem enquanto o sol se levantava e a multidão se aproximava.
Mas ninguém concordava numa localização, até que optaram por fazer algo mais simples. Não há acordo sobre de quem foi a ideia de tocar no edifício da Apple Records. Uns dizem que foi John Lennon, o realizador Lindsay-Hogg diz que foi ele próprio. Ainda há quem diga que foi Ringo Starr que sugeriu o local.
Minutos antes, George Harrison disse que não queria tocar naquele espaço e Ringo também não estava convencido que o concerto era a melhor forma de terminar o filme. Depois, John Lennon proferiu uma frase decisiva que ficou famosa, mas como contém um palavrão, dizemos só aquela que é a segunda parte: "Vamos fazer isto." E fizeram.
Lindsay-Hogg tratou de capturar o momento de todos os ângulos possíveis. No terraço, tinha cinco câmaras, mandou uma equipa para a rua e para os prédios próximos. O resultado é um dos mais icónicos filmes sobre concertos da história.
Naquela tarde de janeiro, estavam sete graus e um vento frio que se sentia ainda mais no terraço do último andar do prédio. John Lennon pediu o casaco de peles de Yoko Ono e Ringo Starr também vestiu o casaco da mulher. Um dos executivos da Apple passou muitos cigarros acesos a George Harrison para ele manter os dedos aquecidos.
Mas há mais pormenores engraçados. Os microfones que gravaram a bateria e os amplificadores das guitarras tiveram de ser embrulhados em collants, para minimizar o som do vento. Naquela manhã, o engenheiro de som entrou na Marks & Spencer e disse: "Preciso de três pares de collants, pode ser qualquer tamanho". Mais tarde, ao recordar o episódio, afirmou que na loja devem ter pensado que ele ia assaltar um banco e precisava de collants para disfarçar a identidade.
A revista Rolling Stone escreve que John Lennon sempre teve problemas com as letras das músicas. Como para o filme e o álbum convinha que não houvesse erros, um assistente dos escritórios da Apple esteve de joelhos sem que a câmera o filmasse e com cartões nas mãos para ajudar com "Diga Pony". Houve repetições em algumas das músicas para depois escolherem a melhor versão para o filme. "Get Back" foi gravada três vezes e "Don't Let Me Down" teve dois takes. A banda tocou durante 42 minutos, até que apareceu a polícia.
Havia uma esquadra mesmo ao pé da Apple Records e com certeza que já tinham ouvido o barulho que vinha do prédio, mas deixaram que o concerto durasse mais de meia hora, até que foi impossível ignorar as queixas dos lojistas nas proximidades. Aí tiveram mesmo de intervir, mas há imagens da polícia no telhado à espera que os Beatles tocassem mais um pouco.
Sim.
E só depois é que tiveram que acabar com o concerto.
Eu acho que durante anos foi uma imagem que vinha associada aos Beatles, as imagens desta performance.
Deve ter sido das primeiras histórias que eu ouvi contar dos Beatles. O meu tio falar do célebre concerto em cima do edifício.
Olha, uma coisa é certa, os Beatles ainda assim não detêm a exclusividade destas atuações em topos de prédios. Uma das mais espetaculares até terá sido protagonizada recentemente, em 2012, em Londres, e foi pelos Madness. E vejam lá se percebem onde é que foi mesmo.
"It's time to welcome one of Britain's best loved bands. They've sold millions of records, packed venues throughout the world, and now they're playing on the roof of Buckingham Palace. Go crazy for Madness!"
Foi no topo do Buckingham Palace.
Nada mal!
Exatamente, nada mal. A banda fez esta atuação para celebrar o Jubileu de Diamante da Rainha Isabel II. E temos ainda os U2, numa das actuações mais mediáticas em rooftops, e que serviu para gravar o vídeo de "Where the Streets Have No Name".
Foi a 27 de março de 1987, no topo de uma loja de bebidas em plena baixa de Los Angeles, e contou com mais de mil espectadores nas ruas. Mas antes disso tudo, até antes dos Beatles, o rei Roberto Carlos, com uma atuação espetacular e que vale a pena ser vista no YouTube. Procurem por "Roberto Carlos Rooftop São Paulo" no YouTube e não se vão arrepender.
Isto foi em 1967, num cenário idílico criado precisamente no topo do edifício Copan, em São Paulo, para registrar vídeos para canções, como por exemplo, esta, "Quando". E agora falando a sério, vejam mesmo isto no YouTube. Roberto Carlos, "Rooftop". É espetacular.