Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
K7 60.
Hoje recuamos a 24 de janeiro de 1972 para contar a história incrível de um militar que esteve escondido durante quase três décadas na selva da ilha de Guam. O soldado japonês Shoichi Yokoi acreditava, em 1972, reparem, que a Segunda Guerra Mundial ainda não tinha acabado.
E quando regressou ao Japão, há 52 anos, tornou-se instantaneamente num herói. Não era para menos. Yokoi. É assim que se diz?
Yokoi.
Yokoi viveu uma história dramática de sobrevivência no estrito cumprimento do código do exército japonês, ou seja, nunca se render.
Mas as primeiras palavras de Yokoi à chegada a Tóquio foram de embaraço por não ter morrido como um soldado. Aliás, a frase, que foi transmitida na televisão, tornou-se um ditado popular e é literalmente assim: "Estou muito envergonhado por ter regressado".
As técnicas de sobrevivência de Yokoi fascinaram a nação. O japonês alimentou-se durante 27 anos de bagas, algumas frutas, sapos, ratos e tecia a própria roupa a partir de cascas de árvores.
Olha, pode ser uma tendência da moda. Depois de ter sido encontrado, o país decidiu fazer uma busca por outros soldados que tivessem conseguido sobreviver e também não soubessem que a guerra tinha acabado. Outro militar foi descoberto em 1974, mas desta vez nas Filipinas. Ao contrário de Yokoi, cuja arma ficou enferrujada e se tornou inútil, o tenente Hiroo Onoda mantinha uma espingarda a funcionar e foi acusado de matar vários habitantes locais antes de ser descoberto na selva.
Mas voltemos ao nosso herói. Yokoi foi convocado para o exército em 1941 e enviado para o nordeste da China e depois para Guam. O Japão ocupou a ilha durante a guerra e a maioria dos seus 22 mil soldados foram mortos quando as forças norte-americanas recuperaram Guam em 1944, como parte da ofensiva contra os japoneses no Pacífico.
Foi nessa altura que começou a longa provação de Yokoi. Após a derrota, muitos soldados foram deixados à própria sorte. Desde o início que tiveram cuidado para não serem detectados. Nos primeiros anos, reduzidos a algumas dezenas, matavam gado para se alimentar, mas com receio de serem detectados pelo exército norte-americano, começaram a embrulhar-se na selva cada vez mais. Yokoi fez uma armadilha com juncos para capturar enguias e camarões e alimentava-se ainda de sapos e ratos. Também cavou um abrigo subterrâneo sustentado por fortes canas de bambu.
"Yokoi dug it out by hand with a trowel that he fashioned from an old cannon shell. It was supported by strong bamboo canes that kept it from collapsing. Yokoi's hiding place..."
Yokoi escavou o esconderijo com as mãos e a ajuda de uma parte de um canhão. As canas de bambu suportavam o local e a entrada estava disfarçada com folhas. Yokoi era extremamente engenhoso e manter-se assim ocupado foi também a forma de não pensar muito sobre a sua situação e a família que tinha deixado em casa. Os últimos oito anos foram particularmente difíceis, porque os dois companheiros de armas morreram e Yokoi ficou completamente sozinho.
Quando foi encontrado por dois caçadores, Yokoi ainda acreditava que o Japão estava em guerra com os Estados Unidos. Resistiu a ser levado até à localidade mais próxima, altura em que percebeu que a guerra tinha mesmo terminado.
Depois, um mês mais tarde, partiu para o Japão, onde recomeçou a vida num país e num mundo que não conhecia. As imagens de Yokoi a descer do avião à chegada a Tóquio ficaram internacionalmente conhecidas. Na primeira conferência de imprensa, rodeado de repórteres e fotógrafos, depois de quase três décadas isolado na selva, Yokoi parecia confuso, o que é natural, e incapaz de responder às perguntas que lhe foram feitas.
Mas lentamente foi regressando à normalidade e no final desse ano de 1972 casou e trocou o esconderijo subterrâneo em Guam por uma casa na província de Aki, com a mulher Miyoko. Passou a ser convidado regularmente para programas de televisão, nos quais falava da sua experiência e das habilidades de sobrevivência que foi ganhando ao longo dos anos. Escreveu um best-seller sobre as décadas na selva e em 1974, reparem nisto, concorreu a Deputado, mas não foi eleito. Antes de morrer em 1997 de ataque cardíaco, visitou por diversas vezes a ilha de Guam com a mulher.
Disseram onde se sentia em casa, se calhar passou tanto tempo lá também.
Há um pequeno excerto que li de um sobrinho que dizia que ele, de facto, sentia saudades da selva de Guam.
Estar sozinho, não ter que aturar ninguém.
Maravilha. A história de Yokoi em 1972, o ano em que foi encontrado e onde também ele percebeu que a Segunda Guerra Mundial já tinha terminado. Este foi o K7 60 desta quinta-feira.
K7 60.