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Cassete 60.
E terminamos hoje a busca no baú da política nacional à procura de ministros que ficaram na corda bamba até que caíram mesmo e abandonaram o governo antes de tempo.
Bem, já vimos nos episódios anteriores que há circunstâncias e circunstâncias, e cada caso é único. Mas há um tipo de demissão governamental que é mais banal, que é o despedimento ou demissão depois de uma frase ou de um momento extemporâneo.
E nesses parâmetros encaixam bem dois ministros que recordamos aqui, um do PSD e outro do PS.
Falemos então primeiro do governante socialista. Quem é?
É João Soares e é o célebre caso das bofetadas. Recuemos a 2016, quando João Soares era ministro da Cultura de António Costa e escreveu no Facebook que estava a dever duas bofetadas salutares, estou a citar, a Augusto M. Seabra e a Vasco Pulido Valente.
Bem, não sei muito bem o que é que serão duas bofetadas salutares.
Eu também não. E também não vais querer saber, porque o primeiro-ministro não deixou passar em claro esta frontalidade de Soares e disse uma frase que ficou célebre, pelo menos para a política nacional contemporânea.
Enquanto membros do governo, nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do governo e, portanto, devem ser contidos na forma como expressam as suas emoções. E se é assim à mesa do café, quanto mais nestes novos espaços comunicacionais que hoje, obviamente, não são conversa privada nem reservada, tornam-se naturalmente públicos.
Nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do governo. Ora, nesta declaração em abril de 2016, António Costa não respondeu logo se mantinha a confiança no seu ministro da Cultura, mas além das desculpas de Soares, que foram rápidas, o então primeiro-ministro fez questão de, em nome pessoal, também pedir desculpa aos visados destas salutares palmadas.
Tanto quanto sei, o João Soares já pediu desculpa aos visados pela forma como expressou. Eu, pessoalmente, não obstante ter sido no blog pessoal dele ou no Facebook pessoal dele, quero também expressar publicamente desculpas a duas pessoas. Uma, Augusto M. Seabra, que tenho, aliás, particular estima, e ao Vasco Pulido Valente, quem tenho consideração.
Ora, os visados, Augusto M. Seabra, crítico e programador cultural, que aliás faleceu há dois meses, e Vasco Pulido Valente, tinham escrito e criticado a política que João Soares estava a imprimir na altura no Ministério da Cultura.
E isso bastou para que o ministro sentisse necessidade de se defender em público.
E não é fácil ser criticado e não poder reagir.
Pois não. Mas voltando a citar Costa, nem à mesa do café um governante se pode esquecer que é ministro, e muito menos numa rede social. Na altura, o Facebook era a rede de eleição e, portanto, o post teve um alcance enorme. Ora, já Vasco Pulido Valente, que era conhecido por distribuir bengaladas por escrito nas suas crónicas e também era alvo de alguns mimos deste calibre na sã convivência entre políticos e comentadores, de tal forma que há artigos de Vasco Pulido Valente, por exemplo, em que há uma troca de bengaladas com Manuel Alegre, recordo-me desses especificamente, que até mais lembram as farpas de Ramalho Ortigão e aquelas discussões muito vividas na Assembleia da República.
Mas para o que interessa, João Soares acabou por apresentar a demissão e alegou, e estou a citar, "razões que têm a ver com o meu respeito pelos valores da liberdade". Um pouco críptico, não é?
É um bocadinho. Bom, vamos dar agora um grande salto atrás e vamos até à década de 90.
Cavaco Silva, maioria absoluta, já no terceiro governo, e o ministro do Ambiente foi substituído logo em 93 por ter contado uma anedota que, no mínimo, podemos dizer, é de mau gosto. Vamos ouvi-la.
Sabem o que é que no Alentejo, em Évora, melhor dizendo, fazem aos cadáveres das pessoas agora que morreram ultimamente? Levam-nos para reciclar para aproveitar o alumínio.
Foi isto que disse o ministro do Ambiente, Carlos Borrego, que estava a tentar fazer uma graça perante uma plateia que o ouvia na Universidade do Minho e, segundo os relatos, estava um pouco adormecida. Bom, a piada acabou por acordar, de facto, mas foi o PSD em Lisboa e sobretudo o governo. É que esta infeliz graçola referia-se aos 22 doentes com insuficiência renal do Hospital de Évora, que foram intoxicados com água contaminada com alumínio no serviço de hemodiálise e acabaram por falecer. Este é um caso que, na altura, abanou o governo cavaquista.
O comentário foi considerado um insulto às vítimas, que morreram na sequência dessa, que foi uma falha do Serviço Nacional de Saúde, sob tutela do próprio governo a que Borrego pertencia, o que terá, claro, obrigado Cavaco Silva a demitir o seu ministro.
E então reza a história que o então primeiro-ministro Cavaco Silva chamou Carlos Borrego a São Bento e disse-lhe simplesmente: "O senhor ministro, como compreenderá, vai ter de sair." O antigo primeiro-ministro e presidente da República sempre foi um homem parco em palavras, mas também aqui não era preciso mais. Bom, quanto a nós, no Cassete 60, também não temos muito mais palavras, mas vamos dizer um até breve. You say our love is draining and you can't go on. You'll be the one complaining when I am gone. No, don't change the subject, 'cause you're my favorite subject. My sweet submissive subject. My loyal royal subject. Forever and ever and ever and ever and ever. You'll be back like before. I will fight the fight and win the war. For your love, for your praise. And I'll love you till my dying days. When you're gone, I'll go mad. So don't throw away this thing we had. 'Cause when push comes to shove. I will kill your friends and family. To remind you of my love. Da-da-da-da-da, da-da-da-da-dy-da-da. Da-da-da-da-dy-da-da. Da-da-da-da-da, da-da-da-da-dy-da-da. Da-da-da. Everybody! Da-da-da-da-da, da-da-da-da-dy-da-da. Da-da-da-da-dy-da-da. Da-da-da-da-da, da-da-da-da-dy-da-da. Da-da-da-da-da-dy-a-da.