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Começa agora mais uma Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado o humorista António Raminhos. Bom dia, bem-vindo.

Olá, bom dia.

Já sabes o que a casa gasta, não é? Já cá estiveste outras vezes.

Gosto da música.

A música apetece.

Exato.

Vamos lá. Tendo tu três filhos, de certeza que já viram. Como se chama o filme de animação da Pixar, que anda muito à volta do feriado mexicano do Dia dos Mortos?

É o "Coco". Mas sabes de uma coisa? Nunca vi.

Mas sabe qual é o tema, pelo menos.

Eu sei. Eu tenho um grave problema com filmes de animação, são os únicos filmes que eu choro.

Mas também são os mais pesados, na verdade.

E então, toda a gente, eu choro em todos.

O "Coco" é muito pesado.

Sim, mas é ridículo. Eu choro e não é suposto chorar em filmes de animação.

Mas é por isso que não vês?

E eu não vejo o "Coco" por isso, porque toda a gente diz: "O Coco é tão bonito." Olha, fartei-me de chorar eu. Então não vou ver.

Choras no "Shrek", por exemplo?

Choro em todos. Eu não sei se vai à minha criança interior que está a precisar de libertar alguma coisa. Eu choro em todos.

Raminhos, o certo é que nunca escondeste que tens medo de morrer. E o teu novo espetáculo, "Volto Já", brinca muito com isso. Histórias sobre funerais, tradições fúnebres e o que acontece nas últimas horas de vida, mas depois garantes que vão todos sair daquela sala um pouco mais leves.

Olha, esse é o feedback que eu tenho tido do espetáculo. Os últimos três solos que eu tenho feito, são muito pessoais e são muito dedicados a algo que também é muito crítico, que é estas questões mais relacionadas com a saúde mental, a ansiedade, no meu caso, a perturbação obsessiva compulsiva. E então eu tenho muitas pessoas que vão aos espetáculos, que lidam também com essas questões. E é engraçado receber o feedback a seguir de pessoas que foram, que têm medo de morrer ou que têm questões relacionadas também com medo de doenças, etc.

Mas brincar com a morte torna menos assustadora?

É assim, como é que eu hei de explicar? Eu acho que dá outra perspectiva. Eu, por exemplo, desde que comecei a fazer o espetáculo, eu não deixei de ter medo da morte, como é óbvio. Até te digo mais, eu já fiz cerca de 15 datas. As primeiras datas que fiz ainda me tornou o medo mais presente, por estar a falar daquilo, mas fui ganhando algum distanciamento e pronto, hoje é só um espetáculo. Mas acontece uma coisa muito gira. Eu no espetáculo tenho duas coisas: à entrada dos teatros, aquilo não é um roll up. Sabem nas feiras aquelas coisas que a gente mete a cara para tirar foto?

Sim.

Eu tenho isso, mas com um caixão em tamanho real, com um corpo lá e o senhor vestido e a cara para as pessoas meterem a cara. Há muita gente que não vai lá tirar fotos. Têm medo.

Superstições e por aí fora.

Têm medo. E depois, no fim, tenho uma urna com umas folhas em branco e umas canetas para as pessoas deixarem mensagens, só para mim ou para eu depois poder partilhar. E aí tens mensagens muito fortes, desde pessoas que perderam os pais há pouco tempo e foram assistir ao espetáculo.

Como processo de luto, quase.

De relativizar de alguma maneira, não sei. E essas mensagens são muito gratificantes, porque são mensagens de pessoas que dizem: "Olha, isto permitiu-me se calhar encarar aqui um bocadinho de maneira diferente esta partida" ou "fez-me lembrar de pessoas que eu já não me lembrava há muito tempo e que já partiram." Eu falo muito de religião, também tenho pessoas que me dizem assim: "Raminhos, tens que aceitar Jesus no teu coração." Portanto, dá para tudo.

Dá para tudo. Raminhos, 6 de junho é na Aula Magna, mas antes vai estar noutros teatros.

Olha, eu faço isto por levas. Portanto, imagina, tenho alturas que faço cinco, 10 datas, depois paro um bocadinho, depois volto a fazer e é o que vai acontecer agora. Esta semana estou no Luisa Todi, em Setúbal, depois dia 22 de maio na Guarda, 30 em Alcobaça e depois sim, dia 6 de junho na Aula Magna, sendo que é o único espetáculo que eu vou fazer em Lisboa. Fiz no São Jorge, logo no início, e faço agora, em princípio é para ser gravado ao vivo.

Para uma plataforma?

Não sei, logo vês. Para guardar em casa.

Exato, fica ali.

Em VHS.

Em VHS.

Cinco pontos.

Por falar nisso, em gravar, vamos ao cinema. Isto é para cinco pontos também. Quem foi o realizador do filme "Voando Sobre um Ninho de Cucos"?

Eu vi o filme, mas...

Pistas.

Não há pistas.

Vamos lá. Milos Forman, Roman Polanski.

Foi Polanski. Não.

Bernardo Bertolucci.

Não foi, então foi o primeiro.

Milos Forman. Corrigiste a tempo.

Foi pela cara.

A pausa da cara. Do género, vamos ignorar que tu acabaste de dizer.

É de 91?

Não, 75.

Não, eu estou a dizer quando eu vi.

Certo.

Isso aí tu é que sabes. Mas isto é para falar da forma como tu falas de uma forma tão desempoeirada e tão importante sobre o teu transtorno obsessivo-compulsivo. O que seria a tua carreira de humorista se tivesses escondido a doença?

Era parvo. O meu registo de humor sempre foi muito nonsense. E continua a ser, mas agora com um encaminhamento. Mas o meu registo era muito impessoal no sentido, era mais nonsense, mais de observação, nesse sentido. E foi crescendo para um registo mais de storytelling pessoal, esta questão mais pessoal de storytelling.Aliás, por exemplo, uma das questões que eu acho mais piada e em que o feedback também é muito engraçado é as pessoas dizerem: "Não estava à espera de ter momentos tão sérios e depois a seguir estar a rir-me exatamente dessa mesma situação". E eu acho que é esta construção que eu acho muita piada no humor de tu poderes falar sobre temas sérios e prenderes a atenção das pessoas e a seguir mandar uma piada que as pessoas não estão à espera. E no meu registo, como é um registo mais nonsense, acaba sempre por funcionar nessa onda.

Ou seja, isto tornou-te mais livre. O facto de as pessoas saberem que tu tens toque, torna-te mais livre também para poderes fazer humor?

Acho que me tornou mais verdadeiro. O humor é o que é e eu gosto de todos os registos, também. Esta é a minha maneira de fazer as coisas. E o ser verdadeiro, para mim, é criar uma identificação com quem está a ver. E às vezes, isso é a vantagem que eu acho que existe no humor, é que muitas vezes tu tens comediantes que não fazem o registo clássico do setup punch, preparar a piada e a piada, e estão simplesmente a falar de um tema, mas como esse tema é tão verdadeiro, que há pessoas que estão a assistir àquilo e estão a dizer: "Este cara está mesmo a sentir isto".

Cria uma proximidade diferente com o público.

Sim, tu percebes: "Eu já passei por isto, eu percebo o que este cara está a dizer e o que está a sentir". E muitas vezes o humor vem dessa realidade. E o falar destes temas, por isso é que quando eu abordo as questões ou da ansiedade ou da perturbação obsessiva compulsiva, ou neste caso, do medo de morrer, eu não tenho vergonha, mesmo às vezes de falar de casos superpessoais, porque eu sei que há sempre alguém que se vai identificar. Sempre. Somos oito bilhões de pessoas, é virtualmente impossível eu estar a pensar numa coisa pela primeira vez ou uma ideia que por muito ridícula que me passe pela cabeça, é virtualmente impossível ser a primeira pessoa a pensar nisso.

Muito bem, sete pontos, Raminhos.

Há sete porque foi com ajuda.

Sete porque foi com ajuda.

Cinco mais dois, exatamente. Agora é importante esta data, 3 de março de 2007. Diz-te alguma coisa? Atenção.

Diz. Eu agora de repente estava assim a pensar: "Está aqui". Acho que está aqui.

Está aí na tua aliança, não é?

Apesar de não conseguir tirar porque eu fiz uma luxação neste dedo, então não me sai a aliança.

Deixa-a lá estar. Foi um sábado.

Foi a Catarina, se calhar, que está a tocar.

Foi um sábado e nesse dia ocorreu um fenômeno astronômico raro, além, obviamente-

Do meu casamento.

Do teu casamento. Sabes qual foi esse fenômeno?

Astronômico?

Sim.

Em 2007?

Dia 3 de março.

No dia do teu casamento.

Epa!

Não estavas muito atento.

Eu acho que o casamento já é coisa suficiente.

Ou tu estavas tão ocupado.

Não sei quem é que daqui já se casou, mas é um dia-

Nunca passei por essa experiência

Um bocado atarefado.

Sim. Então não sabes?

Foi passagem de um cometa qualquer, não?

Queres que eu te dê-

O Halley não foi.

Queres três hipóteses?

Sim.

Então, uma chuva de estrelas, um eclipse solar ou um eclipse lunar total.

Epa, noite núpcias não sei se havia.

O Paulo disse um fenômeno astronômico raro.

Então deve ter sido o total. O eclipse lunar total.

Certíssimo. É verdade. Olha, visível, ainda hoje se fala disso.

Não estavas a olhar para o céu.

Fala-se do teu casamento, obviamente.

Fala-se do meu casamento.

Claro, visível em Portugal, na Europa, e foi o primeiro total da Lua, visível em Portugal, desde três anos antes de 2004.

É engraçado porque o casamento também há muita coisa que se eclipsa.

Claro. Não, eu trago este assunto porque tu próprio, agora há dois meses, fizeste 19 anos de casado e fizeste nas tuas redes sociais questão de assinalar a data.

Mas não tenho a mesma memória disso.

É verdade.

É engraçado.

Mas se fores pesquisar, o assunto está bem documentado.

Porque eu acho que tem a ver muito com isso, de planeamento.

O foco. Claro.

É muito trabalho. O casamento.

Claro, nem desligas do mundo uns dias antes, imagino.

É muito trabalho o dia do casamento ou o casamento a seguir?

Epa.

Tudo.

Tudo, mas o dia do casamento diziam-me uma coisa que era: o dia do casamento é aquele dia que vai passar e tu nem sequer te vais lembrar bem do dia depois. E eu acho que é um bocado isso.

Nem do dia, nem do eclipse.

Eclipsa-se tudo, porque é muita coisa. É gerir convidados, é gerir o arroz de marisco, é gerir tudo.

O bacalhau.

A playlist e tudo.

Epá, playlists, bebidas.

Fizeste um stand up lá ou não?

Na altura, exato, 2007, eu já fazia. Não fiz. Acho que eu tive lá uns colegas comediantes que fizeram um mini roast.

Isso é bom.

Mas eu fiz um casamento supersimples. Eram para aí 80 pessoas. Portanto, ainda há primos hoje que não me falam.

Não foram.

Foram convidados.

Não foram convidados, mas não foi por mal, porque não tínhamos muito dinheiro. Não, foi simples. Não havia muito dinheiro, basicamente. E falámos com essas pessoas mais afastadas, dissemos: "Olha, vai ser uma coisa muito pequena, vamos convidar aquelas pessoas que estão mais presentes no nosso dia a dia".

Que nós gostamos verdadeiramente.

Exato.

Um beijinho pra eles.

Claro, fica aqui. Tu tens três filhas, tu consegues impor autoridade lá em casa, como é que é? Ou é uma badalhada?

Nesta fase já não consigo muito, não. Porque eu tenho uma que é adolescente.

Quer dizer, é sempre difícil.

Neste momento eu sou o culpado de toda a sua existência. Tem 15.

A Carla está contigo nessa.

Vocês estão no mesmo barco. Eu até vejo.

Eu nunca pensei que fosse. O engraçado é que quando entra um filho na adolescência, eu começo a lembrar o que eu devo ter feito aos meus pais e que não me recordo.

Equilipçou-se também.

Porque acho que é natural. A psicologia e a neurociência explicam que é perfeitamente normal, porque tem a ver com o desenvolvimento do córtex pré-frontal e com as emoções, não são feitas ao mesmo tempo, então é tudo à flor da pele. É ridículo, mas acontece. Sou o culpado de tudo e mais alguma coisa. Depois tenho uma de 13, que está na pré-adolescência, e depois tenho uma de nove que acha que é mais velha que as outras duas.

Tu és o herói para alguma delas ou não? Figura pública?

Já ligaram mais a isso.

Habituam-se elas.

Às vezes elas falam entre os colegas, dizem que os colegas: "O meu colega pede para tu o seguires no Instagram. Pode seguir." E eu: "Dá cá, que eu sigo o teu colega." E depois os putos ficam todos contentes. É mais nessa brincadeira. "Há um amigo meu que gostava de ir lá a casa" e eu dizia assim: "Eu gostava de ir à casa do Rami." Dizia: "Ele que venha cá, eu tenho uma máquina arcade, vamos jogar." É mais por aí.

Vamos enfrentar, estás com nove pontos neste momento. Vamos ver como está a tua clubite. A que horas foi para o ar a primeira emissão da Benfica FM? Esta é muito fácil.

É muito fácil.

Foi às 19h04.

Este.

1904.

Ano de fundação.

Oh, Paulo!

Sendo que, para falar de futebol...

Queríamos só perguntar se Marco Silva-

E outras modalidades.

E outras modalidades. Se bem que eu continuo a ir ao futebol.

Queríamos só perguntar se Marco Silva é uma boa hipótese caso Mourinho saia.

Não sei. Eu acho que há muita coisa ali que teria que mudar.

Como por exemplo?

Para além do treinador. Dentro da estrutura, não sei se necessariamente o presidente, porque eu tenho uma ligação emocional muito grande ao Rui Costa, o que me tira algum discernimento no meio do processo, mas eu acho que a estrutura precisava de mudar.

Uma vassourada, precisava de uma mudança.

Sim, acho que há ali muita gente presa a cargos, não sei, eu não estou lá, não posso julgar, mas o que aparenta é que quando mudas treinadores, mudas elementos, mesmo nas modalidades, mudas treinadores, mudas equipas técnicas e as coisas continuam iguais, é porque o problema não é dos treinadores.

Não é dos treinadores.

Não é dos treinadores.

E dos jogadores.

Não sei, diz-me tu o que tu achas.

Não, eu quero ouvir a tua opinião.

O Marco Silva é um nome que se fala há muito tempo, mas o Marco Silva está há anos à espera de uma oportunidade de ir para um Chelsea ou para um clube de outro nível. Portanto, faz-me sentido que ele não venha para já.

E o Rúben Amorim?

Eu gostava, mas eu acho que o Rúben não vem. Eu acho que o Rúben para vir para o Benfica tem que fazer muitas exigências e não sei se vão ser aceites.

Exigências de ter o controlo?

De controlar a equipa, de ter um diretor desportivo que vá ao encontro daquilo que ele pensa. Não sei se é o Mário Branco.

O homem domina.

Mário Branco vem associado ao Mourinho.

Tu consegues fazer piadas com as desgraças do Benfica ou não?

Claro. Eu faço piadas, sobretudo com as minhas desgraças, porque eu acho que fazendo piadas com as minhas desgraças legitimo também uma data de coisas e fazer piadas mais agressivas.

E as tuas desgraças são também as desgraças do Benfica.

E esta noite?

Eu não sei.

Vão conseguir desbugar ou não? O Benfica vai conseguir desbugar ou não?

Ainda falta o Estoril depois. Não sei.

Estás muito pouco crente.

Estou muito pouco crente. Eu tenho o meu lugar cativo.

Esta época foi difícil.

Foi muito difícil.

Mas o Benfica ainda não perdeu.

Mas também não ganha. Eu continuo a ter lá o meu lugar e há de lá estar sempre, todos os anos, faço a renovação. Sempre que vou com as miúdas, é a única altura que vou para os camarotes, consigo um ou outro convite para as miúdas irem, porque senão gastava o mês.

Elas também gostam de futebol?

Gostam. Não sou daqueles pais que diz: "Tens que ser do Benfica".

Naturalmente.

Naturalmente, seguem o exemplo.

Naturalmente. Vamos pôr umas asas para escalhar naturalmente.

Seguem o exemplo que está em casa e gostam de futebol.

Claro.

Muito bem.

Isto é, basicamente, pode ser do clube que quiseres, desde que seja o Benfica, é isso?

Não, por acaso sempre as deixei escolher.

Sim, mas elas perceberam a mensagem.

Houve uma que até, o clássico, fez aquela: " És do Benfica, eu vou ser do Sporting." E eu: "Filha, pode ser de quem quiseres."

"Então pronto, vou ser do Benfica."

"Eu vou para o Estádio da Luz agora. Desculpa, ficas aí a ver então o Sporting na televisão, que eu vou para o Estádio da Luz." E pronto.

Vamos para a última pergunta e vamos mudar de assunto. Vamos falar um bocadinho de jornalismo. Em que ano encerrou definitivamente o jornal "A Capital"?

Tenho que pensar quando é que eu fui despedido. Não fui despedido, fomos todos, na realidade.

Pois, o jornal fechou.

Foi 2005?

Tá certo, muito bem.

Foi 2005, foi o meu último ano.

Foste jornalista noutra vida.

Enterraste "A Capital".

Não foi a única, porque eu trabalhei na "Capital", o jornal fechou, eu trabalhei na "Maxmen", a revista fechou.

Há pessoas que são pé-frio.

Eu estive no "Independente".O Independente fechou.

Mas importa-se de sair do estúdio, por favor?

Pode ir andando.

Estamos todos aqui há muito tempo.

Pelo menos três publicações que me lembras e de repente estou ligado.

Olha que nós não temos retorno no humorismo.

Continuo às vezes, ainda encontro colegas meus, dentro da capital, que continuam a ser jornalistas e eu olho para eles e penso: "Melhor decisão da minha vida".

Era isso que te queria perguntar, se depois dessa última experiência no jornalismo ainda ficou o bichinho ou foi a melhor decisão que tomaste, nunca mais voltar atrás.

Eu acho que é uma profissão que infelizmente não tem o reconhecimento que merece, nem por parte do público, nem pelas entidades patronais, porque aquilo que mais me angustiava no jornalismo era tu sentires que fazias um bom trabalho, uma boa reportagem e não havia valorização desse trabalho, principalmente na imprensa escrita. Tu estás a preencher os espaços entre a publicidade. E portanto, as páginas era isso, tu recebias as páginas e era: "Olha, tens aqui 3000 caracteres, aqui 2500, arranja aí duas coisas."

E o que é que mais gostaste de fazer? Se te pedisse para escolheres um trabalho que tenhas feito, o que é que te deu mais gosto fazer no jornalismo?

Trabalhavas em que secção?

Eu era de desporto, mas fiz sociedade e internacional também. Curiosamente, eu acabei o meu curso em 98, em 2002, acho eu. 2001, 2002. E o primeiro estágio que eu fiz foi no Independente. Era um semanário, eu gostava muito, acho que era um semanário muito bom.

Quem era o diretor ou diretora?

Era a Inês. Era a Inês e o Vítor.

Certo.

E no meu primeiro dia de estágio, quando eu entro na redação, conhecia uma ou outra pessoa, caem as Torres Gémeas.

11 de setembro.

11 de setembro. E então eu não tive o trabalho de estagiário, de ficar sentado. Tudo em pânico e eu comecei a fazer coisas, claro, coisas mais pequenas, breves, muita infografia.

A pesquisar muita coisa.

A pesquisar muita coisa, mas foi logo um estágio.

Um tratamento de choque.

Um tratamento de choque. Um dia, não, meses.

Não, mas esse dia.

Esse dia marcou.

Mas gosto muito de internacional, gostava muito de internacional e de desporto. Se bem que estar no desporto tira uma paixão do desporto, porque tu começas a saber muita coisa.

Olha, aí um dia se quiseres voltar ao jornalismo, não venhas para aqui. É o que podemos dizer.

Pedimos encarecidamente.

Mas oiço sempre: "E o vencedor é..." e "E o campeão é..." Isso oiço sempre.

Não, mas ouvir, podes ouvir. Não venhas é para aí.

António Ramos, fizeste 19 pontos.

Já outra vez, quando eu disse que eu fiz. Deve ter sido mais ou menos isso.

Obrigada por teres vindo.

Não, muito obrigado eu.

Muito obrigado por nos receber nesta casa.

O Ramos tem novo espetáculo, chama-se "Volte Já", dia 6 de junho, no Alma-Magna, em Lisboa, mas antes vai andar por outros palcos. Esta semana, por exemplo, vai estar em Setúbal, na quinta-feira.

E estão convidados para ir ao de Lisboa, pelo menos. Mesmo convidados, eu dou bilhetes. Pronto.

Setúbal com a caução.

Eu sei que ganho um jornalista.

Obrigada, António Ramos.

Muito obrigado.