Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora mais uma Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado o presidente do Instituto Amaro da Costa e antigo líder do CDS, Manuel Monteiro. Bem-vindo de novo.

Bom dia. Obrigado.

Bom dia. Da primeira vez que cá esteve, lembra-se em novembro fez 17 pontos.

Já não me lembrava.

Já não se lembrava.

Vamos ver se melhora.

Hoje vai aos 25, certeza.

Vou piorar.

Não, vai ter perguntas fáceis, fáceis.

Não acredito.

Estou com menos memória.

Então começamos por recuar até 1985, foi ontem. E até ao clássico filme "Regresso ao Futuro". Lembra-se do filme "Regresso ao Futuro"? Que eles entravam no carro, o cientista Doc Brown, o jovem Marty McFly, que era o Michael J. Fox. Eles viajavam no tempo usando um carro desportivo futurista. Lembra-se qual era a marca desse carro? Já digo o nome pelas suas caras.

Não me lembro. Não me lembro de todo.

De todo. Então eu vou dar-lhe uma ajuda, não sei se assim vai ajudar. Um DeLorean, um Ferrari Testarossa ou um Aston Martin?

Um DeLorean.

É, exatamente.

Exatamente.

Ficção.

Exatamente.

Se pudesse entrar agora nesse DeLorean e assumir novamente a liderança do CDS rumo ao futuro, o que é que faria para devolver ao partido a força e a expressão política de outros tempos?

Essa pergunta. Essa pergunta. Porque o que eu faria significaria que aquele que lá está não está a fazer bem. Está a ver? Já são muitos anos.

Já está a analisar a pergunta.

Eu, sinceramente, o que faria, não faço ideia. Eu, como sabe, sou apoiante do atual presidente do CDS, o doutor Nuno Melo. Apoiei-o logo quando ele concorreu pela primeira vez, sabendo da dificuldade que ele tinha em reafirmar o CDS no espaço que tinha ou que tinha tido no passado e que tinha perdido por responsabilidade também própria. Eu penso que na vida pública nós nunca devemos enjeitar aquelas que são nossas responsabilidades, considerando que a culpa é sempre dos outros. E eu creio que o CDS, que vá-se lá saber por quê, em determinada altura quis meter na gaveta o PP. O PP, como sabe, a designação Partido Popular correspondeu a uma época em que o CDS teve um crescimento eleitoral significativo e uma afirmação política significativa.

Que era mais popular.

Diga?

Era mais popular.

Era mais popular, alguns até diziam que era populista, como se recordará.

E nasceu consigo.

E foi comigo. Comigo, com o Paulo Portas e com tantos outros. E muitas pessoas se esquecem que a designação Partido Popular, eu não estou a fugir à pergunta. Parece que estou, mas não estou. A designação Partido Popular correspondia a um nome de um primeiro partido católico em Itália, que era Partido Popular Italiano. E depois mais tarde, muitos anos mais tarde, é que apareceu aqui o Partido Popular em Espanha, descendente da antiga Aliança Popular de Fraga Iribarne. E portanto nós pensamos que Partido Popular era uma forma de refrescar o CDS, afirmar o CDS na direita democrática e sair daquele limbo de centrismo puro e duro. E de um momento pro outro, as lideranças sucessivas do CDS quiseram meter o Partido Popular na gaveta, só falar do CDS, estão no seu direito, penso que fizeram mal. E para além disso, procuraram assumir uma postura de um partido muito mais liberal do que aquilo que correspondia à base essencial do eleitorado de um partido como aquele. E isso foi, penso, que muito negativo pra afirmação do CDS.

Mas pra onde é que foi essa base do CDS?

Foi pro CHEGA, em muitas circunstâncias foi pro CHEGA, não tenho a menor dúvida. Alguma até pro PSD, mas a maioria foi pro CHEGA.

Falou de liberal economicamente?

Não, economicamente já vinha de Francisco Lucas Pires. Liberal sob o ponto de vista social. Ou seja, ainda à altura quis-se dar a ideia de que o CDS era um partido muito moderno, aberto às novas tendências de mercado social, dizendo que as identidades de cada um não interessavam pra coisíssima nenhuma, e não interessam, cada um tem a identidade que entende ter, mas isso não correspondia a um partido conservador, a um partido democrata cristão de matriz conservadora, que faz falta no eleitorado português e que o CDS transmitia essa percepção.

E agora acha que está recentrado o partido a esse nível?

Diga?

O partido está novamente recentrado?

Eu penso que o partido começa paulatinamente a querer regressar a esse mesmo caminho, sabendo que agora não é tão fácil, porque há um partido que pela via do protesto, ocupou esse espaço. Eu há dias dizia, eu não tenho redes sociais, mas dizem-me que caíram-me em cima, paciência. Eu dizia que o CHEGA não é um partido de direita. O CHEGA tem uma pessoa estruturada com pensamento de direita, é o meu amigo Diogo Pacheco de Amorim. O CHEGA é um partido do protesto, é um partido da contestação e que tem, obviamente, muita gente da direita conservadora que vota nele, como tem gente da esquerdaComo tem gente que sempre votou no Partido da Esquerda Socialista ou no Partido Comunista Português. O Chega beneficia de um descontentamento muito profundo de uma camada muito significativa da população portuguesa com o sistema político, com aquilo que ao fim de 50 anos deixou de funcionar, e o Chega beneficia claramente com isso, tirando partido de uma capacidade interventiva do doutor André Ventura todos os títulos notável. Eu costumo dizer que se não nos pomos a pau, um dia ele diz que é o Dom Afonso Henriques, porque inventa a pátria, porque foi ele que fez tudo, foi ele que descobriu tudo. Ele foi o primeiro a descobrir a prestação social única, ele foi o primeiro a dizer que era preciso pôr algumas pessoas a trabalhar, etc. Demonstrando ou uma falta de memória total em relação àquilo que foi a intervenção política de determinados partidos, nomeadamente do CDS e Partido Popular, ou então, desculpem-me os ouvintes, tanto se nas tintas para aquilo que aconteceu.

Muito bem.

E agora acho que o CDS está a procurar reposicionar-se, sabendo que a circunstância não é fácil.

Que é difícil. Muito bem. Manuel Monteiro, dois pontos na primeira pergunta, vamos à segunda.

Já perdi três, está a ver?

Já perdeu três. Não, vamos para a segunda. Vamos olhar para o copo meio cheio. Este é um apelo de memória, é uma memória recente no tempo. Em que ano foi Pedro Passos Coelho eleito presidente do PSD? Ora bem, fazendo contas.

Ele cai em 2015.

Exato.

Quatro anos pra trás, 2011.

Exato. Está lá quase.

Nas eleições. Portanto, eu penso que terá sido ou 2009 ou 2010.

É sim, 2010.

Foi sim, senhor, 2010. 2009 ainda houve as eleições de José Sócrates, disputadas por Manuela Ferreira Leite.

Manuela Ferreira Leite.

Exato, em setembro desse ano. Muito bem, já percebeu qual é o tema, não é? Pedro Passos Coelho tem tido cada vez mais intervenções públicas.

Está vendo por que eu falto muitas vezes das entrevistas? Falando sério, parece que até aqui temos estado a falar a brincar. Eu agora sou, como disse, presidente do Instituto Amaro da Costa, que é uma instituição de bem, muito séria. É uma associação juridicamente independente, voltada pra formação política.

Também já vamos falar sobre isso.

Democrata-cristã. Foi fundada por um fundador do CDS, tem uma proximidade muito grande com o CDS, mas eu tenho procurado manter uma certa autonomia da intervenção partidária. E volta e meia, parece que tenho que vestir um fato de ex-líder do partido para vir fazer estes comentários e põe em causa essa tal autonomia que eu tenho procurado para a ideal Instituto Amaro da Costa. Claro, é evidente. E até porque se eu não quisesse, teria vindo não vindo.

Claro, é evidente. E também responde àquilo que quiser, é evidente.

Exatamente.

Mas, de facto, têm sido muito notadas e ruidosas as intervenções públicas de Pedro Passos Coelho. Como é que olha pra elas? Acha que são desnecessárias, que são certeiras? Não sei.

Sabe, eu tenho estima por Pedro Passos Coelho. E admiração. Não quer dizer que esteja sempre de acordo com o que ele diz, mas tenho estima e admiração. Não sou íntimo, nunca fui. Não sou do seu círculo de amigos próximos, nada disso. E portanto, não se esperará que eu tenha qualquer intervenção, a não ser que alguma coisa de muito extraordinário acontecesse, negativa em relação a Pedro Passos Coelho. Dito isto, eu penso que Pedro Passos Coelho tem, com toda a legitimidade, a ânsia de que este governo governe o melhor possível. Se ele quer ou não regressar um dia à liderança do PSD, sinceramente não faço a mínima ideia. Agora, há uma coisa pra mim que é clara: goste-se mais ou goste-se menos, o primeiro-ministro é o doutor Luís Montenegro. Ponto. Foi na coligação liderada ou coliderada por ele, que eu votei. E portanto, a minha expectativa é a de que este governo governe o melhor possível, de forma que em futuras eleições, a Aliança Democrática possa voltar a vencer as eleições.

E acha que estas declarações de Pedro Passos Coelho, que tem tido ultimamente, são um contributo para melhorar essa governação ou podem ser vistas como fator de desgaste?

Nós estamos ligados à vida política há muitos anos e podemos interpretá-las sempre a nosso gosto, não é? Quer dizer, portanto, podemos ver o copo meio cheio ou o copo meio vazio.

Como é que as interpreta?

E portanto, os críticos de Passos Coelho dirão: "Ele está a dificultar a vida a Luís Montenegro." Eu acho que Luís Montenegro fez uma coisa mal, sob o meu ponto de vista, em relação a outras declarações lá atrás de Pedro Passos Coelho, porque foi a correr antecipar o congresso ou as diretas do Partido Social Democrata e, portanto, deu a ideia de intranquilidade nesse momento ao querer picarEntre aspas, o seu suposto adversário dizer: "Se estás com dúvidas, vem a jogo que eu até vou antecipar as eleições." Acho que não havia necessidade. E portanto, acho que nesse aspecto demonstrou alguma intranquilidade. Agora, se pensarmos bem, sendo esta uma circunstância, se quisermos rara, porque é um ex-líder do partido que foi um ex-primeiro-ministro, mas se pensarmos bem, a história política do PPD, depois PSD, foi sempre uma história de conflito interno profundo. Eu recordo-me, por exemplo, ninguém se esqueça, quando havia um governo de bloco central, Mário Soares, Mota Pinto, o doutor Cavaco Silva, apoiado pela ala Boa Esperança ou Nova Esperança, aqui da distrital de Lisboa, doutor Pedro Santana Lopes, doutor Miguel Judice, fizeram a vida negra ao Partido Social-Democrata que estava no governo, de tal modo que derrubaram esse mesmo governo.

Portanto, Pedro Passos Coelho só está a seguir a tradição do PSD.

É a tradição. Agora, é evidente que dir-se-á: "Mas até aqui não tinha havido nenhum ex-primeiro-ministro, nem nenhum ex-líder do partido." Penso que sim, é verdade essa circunstância. Agora, eu se estivesse do lado do governo, interpretaria todas as intervenções que ele tem feito e que creio irá continuar a fazer, quer as que já estão anunciadas, quer eventualmente outras que não estarão anunciadas, mas interpretaria essas intervenções como desafios, lembrando o que dizia Churchill. Churchill, que era uma pessoa estimável e muito admirável, dizia: "Em política não há problemas, há desafios." E, portanto, eu creio que as novas lideranças políticas do século XXI devem ver os problemas na política não como problemas, mas como desafios.

E Passos Coelho é um desafio para essa liderança do PSD. Manuel Monteiro, vamos à terceira pergunta.

Vamos lá.

E vamos falar de um partido que teve aqui uma duração mais ou menos fugaz. Em que ano foi fundado o partido Aliança de Pedro Santana Lopes?

Ena.

Mais uma.

São aquelas-

Mais uma da época.

Mais um esforço de memória.

Mais um esforço de memória.

Posso lhe dizer que acabou em 2025.

2025.

A extinção, exatamente. A extinção formal.

Portanto, ele ainda foi às europeias anteriores. A extinção formal, porque ele já se tinha afastado uns tempos antes.

Houve umas europeias em 2019.

2019 que ele concorreu. E eu penso que terá sido ou nesse ano ou em 2018.

Está certo, 2018.

Exatamente.

E aqui temos um partido-

Os senhores estão a ser simpáticos.

Não, nada disso.

São uns examinadores muito... Os meus alunos da Universidade Lusíada, se me ouvem dizer isto.

Estavam, estavam.

Ponham os olhos nisto, pessoal.

Ponha os olhos nos seus examinadores e seja assim benevolente conosco.

Manuel Monteiro, ainda há espaço à direita para um novo partido?

Olhe, essa é a pergunta, não faço ideia. Eu penso que não, mas eu sou suspeito, porque eu, como sabe, também procurei fazer um novo partido, o Partido da Nova Democracia, que não teve sucesso nenhum. Aliás, a primeira demonstração daquilo que poderia ser o meu insucesso é que mal tinha fundado o partido e vim pra rua, aqui na baixa, fazer campanha, as pessoas diziam: "Doutor, força nisso, CDS!" Portanto, a minha cara estava marcada.

Está associada.

Marcada, muito claramente associada ao CDS e ao CDS-PP. Agora, a experiência tem demonstrado, provavelmente quando surgiu o Chega e quando surgiu a Iniciativa Liberal, muitas pessoas diriam que já não haveria espaço e houve. Eu creio que tudo depende essencialmente das lideranças. Com todo respeito pelos programas, pelas matrizes doutrinárias que os partidos podem e devem ter, sob o meu ponto de vista, as pessoas contam. Aliás, agora há aí uma teoria, voltando a Pedro Passos Coelho, que Pedro Passos Coelho poderia ser o líder de uma nova formação política. Francamente, não acredito nisso. Não acredito minimamente que isso fosse possível.

Que ele não o faria ou que não há espaço para um novo partido à direita?

Bom, se ele o fizesse, ele teria, com certeza, votação. Não tenhamos a menor dúvida sobre isso. Há um capital político que ele possui, que não perdeu. Se o vai manter muito tempo ou pouco tempo, isso não faço a mínima ideia, mas que ele não perdeu. Agora, eu creio que ele não estará empenhado nisso.

Estamos com 12 pontos. Manuel Monteiro, vamos para a quarta pergunta. Esta é de caras. Esta é mesmo pra acertar a primeira. Quem foi o mais recente presidente da República a condecorar o Ideal?

Oh, professor Marcelo, ele sei.

Naquele célebre momento em que ele não tinha a condecoração e teve que ir buscar-

A Ordem da Liberdade.

Exatamente.

Já estão em 17 pontos agora.

Manuel Monteiro, ainda há tempo para pensar a política ou os políticos vivem hoje muito na espuma dos dias sem terem uma linha de pensamento bem definida? É também essa a influência do Ideal.

Tem que haver tempo pra pensar a política, porque ausência de pensamento político, associadaA ausência de paixão política, que também é um elemento muito importante, conduz à desgraça. E esta questão é uma questão essencial pra mim.

Mas ainda é possível formar políticos profissionais, pessoas mesmo direcionadas para este mundo da política ou aqueles casos que temos vindo a ver há vários anos e agora também recentemente com a operação emergente, afasta também as pessoas da política e quem poderia pensar em entrar pelo caminho da política acaba por se arrepender.

E esse tema dar-nos-ia espaço para uma longa conversa.

Claro que sim.

Eu creio que há dois aspetos aqui complementares terríveis. O primeiro: há pessoas que se afastam da vida política ativa porque não estão disponíveis para poderem ser expostas publicamente, não tendo problema nenhum, sem consequência. E esta questão é uma questão muito séria do regime. Ou seja, nós temos hoje uma desproporção total entre o espalhafato da detenção e o anonimato do resultado. E para além do tempo. E isto é um problema gravíssimo do regime. E andamos todos a dormir na forma sobre esta matéria. Ou seja, eu não faço a mínima ideia de quem é a responsabilidade do que está a acontecer na Justiça em Portugal, se é do legislador, se é dos políticos, se é dos magistrados, se é das leis, se é dos códigos, chamemos daquilo que quisermos. Agora, a situação como está não pode continuar. Eu não posso ter pessoas que são detidas e que se faz uma publicidade imensa dessa detenção e depois passarem-se 10, 12, 13, 14 anos e nada acontecer. Isto não pode ser. E não venham dizer que cada vez que há alguém que chama a atenção a esta natureza está a pôr em causa a independência ou a autonomia da Justiça. Eu sou um defensor da separação de poderes. O Ministério Público não é independente, é autónomo. Independentes são os tribunais, não é o Ministério Público. E eu tenho o direito de considerar que, em muitas circunstâncias, o funcionamento do Ministério Público deixa muito a desejar. E eu tenho o direito, eu Manuel Monteiro, como qualquer um dos senhores, nós temos o direito a saber por quê, o que é que está a acontecer para que isto aconteça. E isto conduz a que muitas pessoas tenham receio em se envolver com medo de poderem ter denúncias anônimas injustas, etc. Por outro lado, há também um vazio ideológico muito grande. Como sabem, quando caiu o Muro de Berlim, Fukuyama lançou um livro que foi intitulado "O Fim da História". Há quem diga que ele não queria que aquele fosse o título. Ele queria fazer a pergunta: é o fim da história? E o editor dele é que quis que ficasse aquele título. A verdade é que a história não acabou. Quando se pensava que as nações iam desaparecer, não desapareceram. Quando se pensava que os nacionalismos iam desaparecer, aumentaram, etc. E nós temos hoje um novo desafio e um novo debate ideológico pela frente. Já não é obviamente o velho marxismo contra a velha ideia de capitalismo, com certeza que não, mas há espaço para um debate político que desapareceu. Por quê? Porque os partidos se transformaram, em muitas circunstâncias, em centrais de colocação e em centrais de emprego. E isso obviamente que afasta pessoas de bem e pessoas mais empenhadas na causa pública.

Muito bem, Manuel Monteiro, vamos para a última questão. Vamos aqui viajar brevemente até às suas origens. E a pergunta é: qual é a raça bovina comum nas paisagens e nas pastagens?

Basta já.

Nem deixar acabar a pergunta. Nem deixar acabar.

Esta vale mais cinco pontos.

Viera do Minho. Tem lá as suas raízes, o seu avô que foi uma grande inspiração.

É verdade.

E o fato de ter essa inspiração, de alguma forma mudou a sua forma de olhar para o poder, da sua intervenção?

De?

A forma como olha para o exercício do poder de Lisboa, se quiser, o centralismo lisboeta. Existe ou não?

Eu não sou regionalista, eu cresci numa aldeia do interior entre a Serra da Caveira e a Serra do Gerês. E é evidente que quando vim a primeira vez na minha vida a Lisboa, onde moravam os meus pais, fiquei deslumbrado e surpreendido, porque cumprimentava as pessoas na rua e as pessoas olhavam pra mim pensando que eu era maluco. Eu vinha de uma terra onde era normal cumprimentar "bom dia e boa tarde". E portanto, aqui as pessoas: "Estás me a dizer bom dia, não te conheço rigorosamente de lado nenhum." Agora, é evidente que isso marcou e penso que há um país no interior, um país real que não é conhecido de uma parte de Lisboa, não é toda Lisboa, mas de uma parte de Lisboa, e que é um país que está muito abandonado e que não pode continuar a ser abandonado. Se é com a regionalização que esse país volta a ser recordado, penso que não. Mas isso marcou-me, obviamente que me marcou, porque nos dá uma perspectiva de um Portugal que é um Portugal muito diferente daquele que se vive em certas zonas do litoral.

Muito bem.

Manuel Monteiro, conseguiu 22 pontos. Melhorou.

Da próxima vez vai aos 25.

Nós duas sem três. Obrigada por ter aceitado o nosso convite. Muito obrigado. O gosto é nosso. Obrigada e bom dia. Obrigado e bom trabalho. Obrigada e bom trabalho. E muitos parabéns pelo vosso aniversário. Muito obrigada. Muito obrigado.

Muito obrigado