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Começa agora mais uma comissão de inquérito das manhãs 360. Hoje, é a nossa convidada Maria do Céu Machado, pediatra, professora catedrática jubilada na Faculdade de Medicina de Lisboa e antiga presidente do Infarmed. Eu podia continuar a lista. Bom dia, bem-vinda.
Bom dia.
Obrigada.
Obrigada por ter aceitado o nosso convite.
Muito obrigada, eu é que agradeço.
Temos cinco perguntas para lhe fazer. Por cada resposta certa recebe cinco pontos, portanto o máximo são 25. Mas se tiver alguma dúvida e precisar de ajuda, nós damos três hipóteses e se acertar recebe dois pontos.
Simpático.
Vamos a isso?
Vamos a isso.
O estetoscópio é um dos símbolos da medicina. Foi inventado no início do século XIX, em que país europeu?
Eu espero que nenhum dos meus alunos me esteja a ouvir.
Se calhar nem eles sabem esta.
Não sei.
Se calhar não falam disto nas aulas.
Se calhar não falam.
Não falam. E já se usa pouco estetoscópio.
Pois, é verdade. Agora há outras coisas.
Olha-se mais para os exames.
Exatamente. Então vou dar-lhe três hipóteses: França, Inglaterra ou Alemanha.
Alemanha.
Tem a certeza?
Não.
França, Inglaterra.
Disseste o nome do invento?
René Laennec.
Então é França.
É isso mesmo. Eu percebi que estava a dizer Alemanha e queria dizer França. Maria do Céu Machado, estando ligada à saúde, depois do alarme que se criou aqui há uns dias por causa do hantavírus, sente que se aprendeu alguma coisa com o Covid-19? O nosso sistema de saúde e as autoridades estão hoje mais preparadas para uma nova pandemia.
Aprendemos imenso e já esquecemos tudo, praticamente. Mas eu acho que alguma parte da organização ficou e é fácil de ser recuperada. Ou seja, nós não estamos preparados, mas apesar de tudo, estamos melhor do que antes.
Ou seja, já sabemos como é. Não estamos preparados, mas já sabemos como é que funciona e rapidamente conseguiremos reativar os mecanismos que criámos. Parece-lhe que sim?
Exatamente. E os portugueses têm essa grande qualidade, é capaz de ser a maior qualidade dos portugueses, que é conseguirem em situação de estresse, aliás, nós todos funcionamos melhor em situação de estresse.
Reagir.
Reagir.
Improvisar.
De forma positiva.
Claro, improvisar.
Exatamente. A nossa estratégia foi dada como exemplo e teve resultados relativamente bons no âmbito mundial.
Seguimos para a segunda questão? Ainda vamos continuar a falar do mesmo tema.
Sim, tem a opção.
E a segunda questão é: de que país partiu o cruzeiro, o Ondius, precisamente, em direção a Cabo Verde, quando foi dado o alerta para a presença de pessoas infectadas com o hantavírus?
Argentina?
Argentina. Ushuaia, precisamente. E as autoridades estão a lidar bem com isto? As autoridades não só nacionais, como OMS, por exemplo, e os vários países.
Parece-nos que estamos a ver o mesmo filme, não é? Que é quando foi o início da pandemia, a Covid. Também, numa fase inicial, as autoridades, a Organização Mundial de Saúde dizia: "Não, isto é lá num país longínquo, não vai acontecer nada, não tem problema, não se transmite. Transmite-se, usa-se máscara, não se usa máscara". É sempre um bocadinho assustador. Como médica, eu sempre tive e tenho, mais respeito pelos vírus do que pelas bactérias, porque as bactérias há antibióticos e nós tratamos as infecções. Pode haver uma infecção bacteriana grave, mas nós temos armas. E os vírus não temos. E os vírus têm uma capacidade, os vírus vencem os humanos. Uma capacidade de modificação, de adaptação. Que é terrível. E agora acontece também com o hantavírus, que nós estamos convencidos que não se transmite de animal para homem, de repente transmite-se de homem para homem, ou mulher para mulher. Para sermos justos.
Disse há pouco o paralelo que fazia com a pandemia, que no início houve uma certa desvalorização. É o que pode estar a acontecer agora, mas não há aqui o equilíbrio na comunicação das autoridades entre o desvalorizar e o lançar o alarmismo também, de alguma forma.
Pois, mas eu percebo isso na altura da pandemia. Agora, acho que não, por acaso. Acho que, se calhar, ficávamos todos um bocadinho mais descansados e não alarmados, porque já vivemos a pandemia, se nos dissessem: "Provavelmente não vai acontecer nada, este é apenas um surto". Nós temos surto, epidemia, pandemia. E surto é fechado e mais pequeno, num grupo restrito de pessoas, e depois os outros têm as dimensões diferentes, e a pandemia é mundial. Eu acho que se calhar nos ajudava a todos e as autoridades de saúde a prepararem-se, e isso seria positivo, e não geraria alarme, porque nós já vivemos. Eu acho que o alarme é um bocadinho gerado pelo desconhecido, e aqui o desconhecido é dizerem-nos assim: "Não vai acontecer nada". E afinal, há uns anos, que não foram muitos, foram seis, vivemos uma situação que foi complicada.
Há aqui uma situação de déjà vu. Começamos todos a ver aquelas pessoas com máscaras e aqueles fatos. Faz-nos lembrar aquilo que vivemos. Muito bem, vamos mudar de tema. Sete pontos. Tem sete pontos, isto está a correr muito bem. Agora vamos para uma das suas áreas de especialização. Como se chamava a primeira linha telefónica de saúde de apoio exclusivo a crianças e que acabou por evoluir?
Essa eu sei. 3030 Doi Doi.
Exato, Doi Doi 3030. Criado em 1999, de facto.
Pela ministra Ana Jorge.
É verdade. Quando estava no Garcia de Orta.Agora, falando da questão das crianças, ficamos a saber que o governo quer regulamentar as regras do acesso à amamentação. A proposta do código laboral volta a obrigar as mulheres a apresentarem atestados médicos desde que começam a regressar ao trabalho para poder ter o horário reduzido. Isto vai no bom sentido ou dá um sinal errado?
É tão difícil responder a isso, porque o problema sempre são os abusos. A percentagem de mães que amamenta aumentou imenso nas últimas décadas, o que é excelente.
Houve um trabalho importante de promoção da valorização da amamentação.
Houve um trabalho importante de muitos dos profissionais de enfermagem. São as enfermeiras, naquela primeira hora no hospital, na maternidade, que insistem, porque dar de mamar não é fácil. E muitas vezes as primeiras horas são cruciais para haver uma desistência ou não. E, portanto, aumentou imenso o número e isso é excelente. Nós sabemos que até os seis meses é relativamente importante a amamentação exclusiva. A partir dos seis meses não é suficiente para a criança crescer, porque não tem proteínas suficientes, não tem ferro e, portanto, há evidência, os estudos científicos mostram que depois a criança fica com anemia, a partir dos seis meses, se não tiver outro tipo de alimentação complementar. Agora, gerou-se aquela ideia de que é bom amamentar, sei lá, até os 18 anos. Estou a brincar.
Mas há quem leve até bastante tempo.
Sim, uma altura que uma mãe a amamentar um rapaz de sete a oito anos apareceu na capa da Times.
Pois foi. Já em pé.
Já em pé, exatamente. E isto por quê? Porque a Organização Mundial de Saúde, como o nome indica, é mundial. E não faz regras para os países europeus e outras regras para os países africanos ou asiáticos, faz regras para o mundo e até por razões de delicadeza e politicamente correta, quando faz uma regra ou quando dá um conselho, ou quando aconselha, é transversal e geral. E o que é fato é que em países em que há poucos alimentos, há fome, há pobreza, uma amamentação prolongada é melhor do que não estar a amamentar e não haver comida.
Uma má nutrição.
Uma má nutrição. E, portanto, a Organização Mundial de Saúde começou a aconselhar até os dois anos e até os três. Mas isto é preciso ser visto, contudo, num certo contexto.
Mas os eventuais abusos que possam existir nesses casos não têm que ver com o fato de, pela legislação existente, os pais não terem o tempo suficiente para passar com as crianças numa fase que é muito importante do desenvolvimento delas?
Eu acho que os pais, alguns não têm tempo. Há muitas mães com dois empregos, a vida não é fácil. Mas às vezes têm tempo. Eu acho que já não sabem é brincar. Eu sinto isso como pediatra e sigo muitas crianças, segui ao longo da vida e continuo. As pessoas chegam à casa e têm que fazer o jantar, pôr as crianças no banho, não sei o quê, mas um quarto de hora, meia hora que estivessem ali a brincar, a fazer um puzzle, a fazer uma coleção de cromos, sei lá, uma cumplicidade qualquer, não existe. Para quem anda no mundo de trabalho, sempre no estresse, é como se fosse perder tempo brincar com uma criança. Ou até, agora os dias são maiores, o tempo é ótimo, ir buscar à escola ou à creche e dar um passeio, passar por um jardim e brincar ali um bocadinho ao ar livre. E às vezes não é falta de tempo.
É a incapacidade para aproveitar o tempo que existe.
Para aproveitar, sim. Exatamente. E, portanto, tudo isto, apesar de tudo, gera um bocadinho de culpabilidade. Estávamos a falar a propósito dos abusos, mas eu já volto à pergunta. E portanto, continuar a amamentação parece que é dar qualquer coisa à criança que não se deu de outra maneira. Agora, realmente, enquanto há mães que eu sei que estão a amamentar e a criança já tem um ano ou dois, há outras que eu sei perfeitamente que não estão a amamentar e que me vêm pedir a declaração.
Mas é uma espécie de bônus, também, porque essas duas horas muitas vezes fazem diferença na organização da própria vida familiar.
É, mas outras vezes é pra ter outro emprego.
O que também é relevante.
Ou para fazer outras coisas quaisquer. Sabe que a minha percepção, ao fim de 40 anos de pediatra, é que há 40 anos ou há 30, as famílias eram transversais e, portanto, o rapaz e a rapaza quando se casavam e tinham um filho, já tinham tido contato com irmãos mais novos, bebês ou crianças pequenas, ou com sobrinhos, filhos de irmãos mais velhos. Agora, não. Chegam à consulta casais com bebê que nunca tinham pegado um bebê ao colo, nunca tinham mudado uma fralda, porque as famílias são verticais. Há a bisavó, mas não há irmãos, nem primos.
São cada vez mais pequenas.
Exatamente. E, portanto, a sensibilização para lidar com as crianças tem que começar mais cedo. E quanto a mim, primeiro, na preparação para o parto, há aqueles cursos todos, tudo teórico. Está muito focado no parto e muito pouco focado depois na criança.
Nos primeiros tempos.
É, eu até defendo que se calhar deviam fazer estágios nas creches.
E já agora, como pediatra, deixe-me perguntar se ao longo destes anos todos de experiência, notou alguma alteração no envolvimento dos pais. Quem é que leva ainda as crianças?
Não, isso nota-se. O pai tem o envolvimento muitíssimo maior e isso é fantástico. Isso é uma experiência fantástica que eu tenho, porqueNo tempo dos nossos pais ou dos nossos avós, o pai ou não fazia nada, ou ajudava e dizia: "Olha, se precisares, diz que eu ajudo". Agora tem um envolvimento ativo. Inclusivamente, aquele mês, o último mês de licença de maternidade ou paternidade, o quinto mês, pode ser gozado pela mãe ou pelo pai, e há muitos pais a gozar esse quinto mês, o que gera uma cumplicidade com a criança que vai ficar pra vida. Porque uma coisa é o pai ajudar e estar em casa, mas se tem algum problema, dizer: "Olha, visto isto ou dou banho assim ou dou de comer assado", ou a mãe foi trabalhar e o pai tem que lidar com aquela criança, ir ao jardim e dar de comer e mudar a fralda, e vestir. E portanto, gera-se uma cumplicidade. Antigamente, só a mãe é que ia à consulta com a criança. Agora, muitas vezes vai o pai, é muitas vezes o pai que me telefona. E portanto, esta cumplicidade eu acho fabulosa. Agora, às vezes não é tão completa por culpa da mãe, das mulheres, porque têm a mania que são perfeccionistas. Combinam, por exemplo: "Hoje dou banho eu, amanhã dás banho tu", o bebê tem um mês. E depois no dia em que o pai dá o banho, a mãe ainda está as mãos à cabeça. "Mas tu não puseste creme, mas tu vestiste a roupa ao contrário!" E ele responde: "Olha, realmente tu fazes isto melhor que eu, faz tu." Isto é que não pode ser.
Maria do Céu Machado, vamos avançar pra quarta pergunta e vamos mudar de tema. Agora vamos entrar aqui no mundo da arte para chegar a outro assunto. Como se chamava o pintor e escultor colombiano que ficou célebre pelas suas figuras, quer escultóricas, quer pictóricas, com, digamos, excesso de peso?
Botero.
Muito bem. Fernando Botero. Nos últimos meses, os portugueses, isto foram dados revelados esta semana, gastaram mais de 55 milhões de euros em medicamentos para emagrecer. Estes medicamentos deviam ser comparticipados?
Pois, isso é um problema complicado que já vem de há muitos anos, inclusivamente, já estávamos a discutir isso quando eu fui presidente do Infarmed. Bem, os portugueses deviam fazer dieta pra começar. O problema é assim: claro que deviam ser comparticipados. Esses medicamentos, ou os medicamentos que são também pra diabetes, são comparticipados a 100%. Eu discordo de medicamentos comparticipados a 100%, porque depois não se dá o mínimo valor. A pessoa devia pagar, mesmo que fosse 5 ou 10%.
E é também mais fácil pros médicos receitarem.
É mais fácil. Agora, em relação ao problema da obesidade, o que acontece é que a legislação portuguesa diz que medicamentos para controle de peso ou emagrecimento não são comparticipados. Mas isto é uma questão de contas. Porque alguém que tenha uma situação de obesidade, então se for uma obesidade mórbida, uma obesidade extrema, pelas complicações cardiovasculares que vai ter, e não só cardiovasculares, e outras metabólicas, diabetes, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, etc.
Vai representar um custo superior.
Um custo enormíssimo no Serviço Nacional de Saúde e no sistema de saúde de forma geral. E portanto, deviam ser aqui feitas umas contas e ser comparticipado. Agora, obviamente, que isto teria que ser acompanhado, por consultas de nutrição, por conselhos ao exercício físico e portanto, não só tomar o medicamento. Até porque estes medicamentos, quando começam a ser tomados, se a pessoa não ganha outros hábitos, outros estilos de vida, vão ter que ser tomados e administrados, porque é injetável. Toda a vida. Toda a vida.
Portanto, são uma oportunidade, mas tem que ser aproveitada com alterações do estilo de vida.
Uma das empresas farmacêuticas que teve o primeiro medicamento, teve uma campanha muito engraçada. Quis entrar no mercado americano, é uma empresa europeia. Quis entrar no mercado americano. É uma empresa dinamarquesa, toda gente conhece.
Sim. O PIB da Dinamarca tem beneficiado muito com esse medicamento, o Ozempic.
Quis entrar no mercado americano. Realmente os publicitários são fantásticos de criatividade. E então teve uma ideia supercriativa, que foi tentar convencer o governo americano, mas não resultou depois. Do que iam poupar em combustível, os aviões, se as pessoas perdessem peso. O que é verdade, porque o combustível depende da quantidade de combustível, depende do peso, da carga. Vezes 200 num avião, faz sentido.
Muito bem. Vamos avançar pra última pergunta, está correndo muito bem. 17 pontos. Maria do Céu Machado, até que ano os telemóveis são proibidos nas escolas portuguesas? Até que ano de escolaridade?
Ah! Eu agora não estava a perceber a pergunta.
Sim. Não é ano, é escolaridade.
Eu acho que é até o nono, a partir do décimo já não é proibido.
Há uma fase em que é proibido, há outra em que não é recomendado.
Mas a pergunta é...?
É proibido. É proibição.
É proibido.
Sim.
Ah, proibido.
Proibido. Alarga o período de escolaridade em que não é recomendado. Mas há até uma altura em que é mesmo proibido.
Até ao quarto ano de escolaridade. É sexto, não me diga.
É o sexto. Íamos continuar aqui. É o sexto. Concorda? Ou devia ser mais, devia ser menos, não devia ser proibido?Como é que se posiciona?
Mas é tão complicado. Eu fiz uma apresentação num livro há pouco tempo chamado "A Geração Ansiosa", do White. Embora discordasse nalguns aspectos do que ele diz, ele até depois tem uma série de recomendações para o governo, para as escolas e para os pais, porque no fundo o que nós vemos é os pais agarrados ao telemóvel também. E a darem telemóveis para as mãos das crianças.
Muito cedo.
São os chamados os pais drones. São os pais drones, querem sempre andar a ver o que a criança está a fazer. E nós todos crescemos e ir para a escola sem haver telemóveis, até porque dá uma autonomia e uma independência à criança que ajuda a crescer com maturidade e a amadurecer. E portanto, antes dos 12 anos, nenhuma criança devia ter um telemóvel. E no fundo, sexto ano de escolaridade, estão entre os 11, 12 anos. É uma vergonha uma pediatra não saber até que ano era proibido.
Mas isto esteve a mudar, é muito recente.
Ainda é pior que o estetoscópio.
Só por causa do estetoscópio é que não faz os 25.
O estetoscópio foi uma coisa. Isso eu não sabia, mas enfim. Foi a primeira pergunta e eu vim acelerada. O problema das proibições é que proibição é uma coisa tão excitante para nós não cumprirmos. Em qualquer idade. Voltamos ao problema de estas crianças crescem até ao sexto ano e quais são as atividades que elas fazem com os pais? Vão jantar fora, estão todos de telemóvel. Nós vemos muito, para distrair as crianças, dar-lhes o telemóvel e ver um filme.
Para o miúdo não estar à frente. No restaurante? No restaurante. Para as entreter.
Por acaso outro dia contaram uma história, tinha mandado uma criança a outro especialista, porque precisava de fazer uma pequena cirurgia, e que ia causar dor, e é uma criança com seis anos. A mãe perguntou: "Mas não faz aqui, pelo menos uma anestesia local?" E o médico disse: "Não. Dê-lhe o telemóvel pra mão, ponha um filme que ele goste, o mais alto que o telemóvel der e vai correr tudo bem". Ela pôs o telemóvel altíssimo, o miúdo não tugiu, nem mugiu.
Sim, isso pode poupar muita anestesia. Aí uma poupança.
Mas portanto, há aqui toda uma cultura e um hábito, que é realmente haver aqui uma comunicação entre pais e filhos. Têm que se habituar a conversar, à mesa a conversar, não pode haver telemóveis à mesa. Quando estão na refeição comum, têm que estar a conversar, a perguntar o que aconteceu no emprego, o que aconteceu na escola, contar histórias, perceber quem são os amigos, perceber o que é a normalidade daquela criança, se está triste ou não está triste, se tem problemas ou não tem, fazer passeios ao ar livre e no fundo, gerar nas crianças hábitos que não levem a que estejam sempre agarradas ao telemóvel.
Tão dependentes do telemóvel.
Eu diria que mais que a proibição, obviamente que se os pais não estão educados, tem que se proibir.
E para concluir, Maria do Céu Machado.
Estive num painel com um diretor de uma escola e que ele dizia: "Finalmente ouviu outra vez barulho no refeitório, das crianças a falar. É isso que nós precisamos, é o barulho das crianças a falar".
Maria do Céu Machado fez 22 pontos. Ai, o estetoscópio! Foi um gosto recebê-la. Muito obrigada por ter vindo. Muito obrigado. Um bom dia. Muito obrigada. Obrigado