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Começa agora mais uma Comissão de Inquérito das manhãs, Presente e Centro. Hoje, a nossa convidada, a editora Zita Seabra. Bom dia, bem-vinda.
Bom dia.
Bom dia. Muito obrigada por ter aceitado o nosso convite.
É um prazer, sempre, estar aqui no Presente e Centro.
O gosto é nosso. Sabe como funciona? Cinco perguntas, cada resposta certa, cinco pontos. Se tiver a sorte de acertar dois, o máximo são 25.
Eu vejo quando-
É. Então pronto, já sabe como é.
Muitas vezes ouço a Comissão de Inquérito.
Muito bem.
Espero que não me façam perguntas tão difíceis que eu não vá acertar dez.
A sério?
Não, nunca. Vamos lá. Vai ver. A primeira é muito fácil, até porque está mesmo aqui em cima da atualidade, portanto, de certeza que sabe bem do que se trata. A Zita Seabra deixou a militância do PSD, tornou-se mandatária nacional de Iniciativa Liberal para as eleições em 2019. A pergunta é: quantos presidentes já teve a Iniciativa Liberal?
Era o Carlos Guimarães Pinto na altura, foi mandatária do Carlos.
Sim.
Quatro.
Essa é a resposta?
Talvez quatro ou cinco.
Siga o instinto.
O primeiro.
Às vezes a primeira coisa que nos vem-
Quatro.
É quatro. É quatro: Miguel Ferreira da Silva, Carlos Guimarães Pinto, quando Zita Seabra se torna mandatária, ainda João Cotrim Figueiredo e agora Rui Rocha. São quatro presidentes em oito anos de vida de um partido. Isto não é demais?
Eu acho que não, se eles forem bons, tudo depende. Não é o número que conta, é a qualidade. E eu acho que neste momento foi preciso mudar, porque o partido liberal foi muito pouco liberal nesta campanha. E o resultado está à vista. As direitas ganharam em Portugal, não querem o socialismo, querem o liberalismo, querem libertação do Estado, e isso é o que as direitas têm que fazer, a começar pelo partido liberal.
Acha que a Iniciativa Liberal moderou muito o seu programa para ser um parceiro fiável da AD?
Eu não acho que isso seja moderação. Eu acho que isso foi, sobretudo, medo. E a ideia que existe na sociedade portuguesa de que os portugueses são pró-socialistas. Então a gente fez propostas socialistas, e os portugueses não querem socialismo. Os portugueses votaram nas direitas e os partidos das direitas subiram. E os partidos socialistas e a esquerda radical baixaram. Eu só espero que agora se tire as ilações disso rapidamente. A campanha eleitoral que tivemos foi, na minha opinião, a campanha eleitoral mais triste que eu vi na minha vida.
Por quê? Por que não gostou?
Porque ver de repente que na campanha eleitoral, no centro da campanha, humoristas a entrevistar políticos, em vez de a política ser discutida por políticos, fez-me muita impressão. Eu acho que isto vem muito de, neste momento, os políticos acham que as agências de comunicação talvez ainda sejam os fatores que são muito importantes e, portanto, vemos os políticos a tomar banho, a dançar, a não sei quê. E nunca ouvi, por exemplo, uma discussão sobre o quanto é que o orçamento de Estado vai contemplar em matéria de defesa, o que se pensa da guerra que está na Europa. Por exemplo, nós tivemos uma greve gravíssima da CP durante 15 dias, que prejudicou milhares e milhares de pessoas, pessoas pobres que vão pro trabalho às 6:00 da manhã, ou às 7:00 da manhã. Isso não foi discutido. É preciso rapidamente privatizar, acabar com isto de uma vez, criar concorrência. E isto está em cima da mesa, foi nisto que os portugueses votaram, quiseram a mudança.
Sim.
E esta é a mudança que está em cima da mesa. Os liberais têm que ser liberais e o PSD, a AD, tem que ser a AD de Sá Carneiro e de Pedro Passos Coelho, porque é isto que os portugueses querem. Senão vemos os extremos assumirem, porque os extremos fizeram política. Com a esquerda mais à direita.
Sim. Houve aqui medo, foi a expressão utilizada. Quem é que agora gostava de ver na liderança da Iniciativa Liberal? Há algum candidato ou algum nome que tenha muito mais-
Gostaria muito de ver Carlos Guimarães Pinto.
De regresso.
Porque o Carlos Guimarães Pinto é cabeça arrumada e sabe exatamente o que quer pro país. E as suas intervenções, mesmo nas redes sociais, são sempre extremamente importantes e interessantes. E é isso que o país precisa, é de se libertar destas coisas. Repare o estado em que está o Serviço Nacional de Saúde e nós vemos a campanha eleitoral, o Jairinhas e o Ricardo Araújo Pereira, e os políticos a fazerem uma figura tristíssima, tentarem fazer humor, que não sabem fazer, obviamente, em entrevistas pré-combinadas. Foi uma coisa absolutamente deprimente. E a cintatura, os próprios jornalistas não fizeram o seu papel, não perguntaram aquilo, em muitos casos, aquilo que é da maior atualidade. Nós não sabemos muitas das questões que estão neste momento em cima da mesa. Andaram com o candidato do PCP, o Cole, diziam que ele agora já dizia umas graças e era ótimo. Não é nada ótimo. É péssimo. Como se viu hoje pela greve da Carris. Portanto, é péssimo. Nós não queremos, eu acho que os portugueses não querem, que os políticos façam entrevistas de humor.
Zita Seabra, cada vez mais a preocupação é a forma e não o conteúdo, é isso?
É a forma, é a imagem. Ainda ontem vi o primeiro-ministro numa coisa de bicicletas. Eu quero saber é o que é que vai fazer no Serviço Nacional de Saúde pro Serviço Nacional de Saúde funcionar. Tivemos um escândalo agora, percebemos de repente que uma grande parte do orçamento da saúde, ninguém responde por ele e não é controlado. Nós queremos gestores Que governem o país. E temos uma oportunidade única, porque os portugueses votaram nas direitas. Apesar dessa campanha terrível e triste. Foi uma coisa triste ver o primeiro-ministro ser tratado por tu: "Ó Luís", ou não sei o quê. O que é que faz lá em casa, uma coisa. É sério, eu desliguei a televisão toda, porque acho que não era isso que os portugueses queriam. Porque é uma ideia também do povo, que é uma ideia muito reacionária, de que o povo é ignorante. É uma ideia que vem do tempo de Salazar, que achava que o povo não sabia, tinha que ser educado. O povo sabe escolher e vota bem, vota a cada momento.
E votou muito pelo menos. A abstenção desceu, que é um sinal de que até queriam participar.
É um sinal fantástico, que eles querem mudança.
Vamos em frente, Cita Silva.
Mas não querem uma mudança socialista.
Para já tem cinco pontos. E já que falamos aqui em lideranças, na nossa história tivemos dois militares na presidência. O último foi Ramalho Eanes, antes Sidónio Pais. Que patente militar ocupava o presidente-rei, como lhe chamou Fernando Pessoa?
O presidente-rei, como chamou Fernando Pessoa?
Sim, Sidónio Pais.
O Sidónio Pais?
Patente militar, sim.
Patente militar tinha, deixe-me pensar. Patentes militares não é propriamente o meu forte.
Se precisar de ajuda, diga.
Era general. O atual candidato é almirante.
Exato.
Sidónio Pais.
Nem uma coisa, nem outra.
E tivemos Américo Tomás também, que era almirante.
Nem uma coisa, nem outra. Nem almirante, nem general.
Eu acho que major, talvez.
Era isso mesmo. Achar. Era que ficava ali.
Estava a dar sorte. Eu fiz o curso de Centro Nacional, mas para mim as coisas são muito à volta de major.
Sidónio Pais foi uma das personalidades mais marcantes do século XX. Por que agora a hipótese de termos de novo um militar, neste caso um reservista, em Belém, parece levantar tantos problemas e perigos na opinião de muitos ou pelo menos de alguns?
Eu acho que os perigos não é por ser militar na reserva ou não ser militar na reserva. Os militares na reserva têm tantos direitos e têm tanto pensamento político como qualquer pessoa que não seja militar. Quer dizer, não é propriamente o estatuto. O que eu penso é o que pensa o candidato e o que é que propõe para o país. E acho que ontem, ao ter como mandatário Rui Rio, afastou muito eleitorado. Não por ser militar, mas por causa do Rui Rio, que é civil.
Mas por quê? Por que acha que Rui Rio tem assim tantos anticorpos?
Olha, eu como editora e como pessoa que esteve sempre ligada às questões da cultura, o Rui Rio foi um desastre pra cultura na Câmara do Porto, nunca vi coisa assim. Desde a Feira do Livro, que depois só voltou a ser a Feira do Livro a sério quando veio o presidente seguinte, quando o Rui Rio saiu, até à questão da liberdade de expressão, que é uma coisa pra mim fundamental. Lutei muito pela liberdade de expressão na minha vida e vejo sempre o Rui Rio do lado oposto ao meu. Portanto, não sei, acho que foi uma má escolha do mandatário. E não é por ser militar ou civil. Não sei se o Rui Rio fez a própria. É porque como político, Rui Rio perdeu as eleições.
E não sei entender como é que se explica esta escolha de Gouveia e Melo para mandatário nacional.
Do Rui Rio pra mandatário, não sei.
A escolha da responsabilidade de Gouveia e Melo, do Rui Rio para ser o mandatário.
Provavelmente com a ideia de dividir o PSD, entre retirar eleitores ao Marques Mendes. Mas Rui Rio é uma figura do passado. Nós precisamos de virar pro futuro. Não é Rui Rio que tem a imagem do que é o futuro do país e o eleitorado em Portugal votou sabiamente na mudança. Isto é o contrário da mudança, o Rui Rio é ir ao mais antigo que há na política portuguesa atual.
Independentemente de Rui Rio, não acha que o PSD está mesmo dividido na questão das presidenciais?
Eu acho que o PSD, as direitas, falando assim mais concretamente, porque acabaram de ganhar as eleições, ainda não encontraram um candidato que seja um candidato virado pra futuro. A Europa tem desafios enormes neste momento. Aquilo que se viu anteontem, por exemplo, em França, é uma coisa totalmente dramática.
Fala dos tumultos e distúrbios depois daquela final de futebol.
Os governos europeus, muitos deles, nem sequer conseguem assegurar o que é fundamental ao Estado, que é a segurança das pessoas. Quinhentos carros queimados, enfim, tudo aquilo que se pode ver na imagem das televisões. E nós queremos, certamente pra Portugal, um presidente virado pra futuro, que não seja governo, não é preciso que governe, não é isso que se quer. Pra isso elege-se o Parlamento, mas que seja um garante da segurança e daquilo que são os pilares fundamentais de um Estado democrático.
E quem é que seria um bom candidato pra si, dessa área das direitas?
Eu não queria estar a sugerir nomes. Para primeiro-ministro sugeria já um.
Que era quem?
Pedro Passos Coelho.
Sim. Então e pra presidente, quem é que casaria bem com um primeiro-ministro Pedro Passos Coelho?
Eu não queria estar a dizer nomes, mas eu acho que tinha que ser alguém num perfil parecido com o do Pedro Passos Coelho, porque Pedro Passos Coelho é certamente, sobretudo, um governante e conseguiu reformar o país em muitos aspectos e que depois permitiu-nos crescer até um ponto importante. E agora era preciso continuar essa política. E em presidentes Se me perguntar presidentes que eu tenha gostado da sua ação e, portanto, que era preciso ir para um perfil parecido, eu diria que Cavaco Silva, quando foi presidente, foi um excelente presidente. Portanto, é um perfil nesse sentido. Eu não quero um presidente que esteja virado para ser simpático para a comunicação social ou para os portugueses. Eu quero um presidente que seja a garantia do futuro de Portugal numa Europa que está cheia de problemas e que está visivelmente a entrar em recessão. Vive do turismo, não mais que isso, e que precisa de rapidamente inverter o rumo que está a seguir, mas não consigo dizer nenhum nome que seja unânime de um perfil referencial para presidente.
Para presidente. Zita Seabra, 10 pontos até o momento. Vamos à terceira pergunta.
Já posso falhar todas. 10 pontos já é razoável.
10 pontos, mas esta também é capaz de acertar. Qual foi o número máximo de deputados do PCP no Parlamento?
Espera aí. Foi no meu tempo, aliás, foi no meu tempo de deputada. Deve ter sido à volta de 17. Deixe-me pensar melhor.
Deputados, não porcentagem.
Não porcentagem.
Deputados, sim.
Era um grande grupo parlamentar.
Era um grande grupo parlamentar. Eu acho que passou os 20.
Passou. Isso passou.
Passou os 20.
Quer ajuda? Se calhar.
Não sei se ajuda.
Vamos lá.
Não, é melhor tu.
Então vamos lá aqui. Vamos ver. Três hipóteses: 41, 44 ou 47.
41, 44 ou 47.
Quer as datas? Não sei se a Bruna cita os anos.
As datas eu tenho ideia, porque foi o grupo parlamentar de 1980, por aí. Em coligação com a APU. O PCP e o MDP tinham 47. O número 47 acho que é o número que eu tenho na cabeça.
Então risque esse, que é capaz de ser. Risca o 47. Nas eleições de 79, que foram ganhas pela AD, o PCP atingiu o seu número máximo de deputados, 47. O que é que a surpreende mais? A resistência do PCP ou o declínio do PCP, que tem sido notório nos últimos anos?
A resistência do PCP, porque apesar de tudo é um pouco original no mundo europeu e em países democráticos. Acho que nenhum partido comunista resistiu tanto na Europa como resistiu o PCP.
Isso tem a ver com o papel do PCP no combate à ditadura? Como é que se explica esta permanência?
Não, os PCPs em todo lado combateram as ditaduras de direita, sobretudo no pós-guerra, combateram na Grécia, cá, em Espanha. Eu acho que tem a ver com o facto de o Partido Socialista ter procurado uma aliança à esquerda, unir as esquerdas, que é aquilo que eu acho que agora se devia fazer à direita, unir as esquerdas. E logo a seguir à grande queda do comunismo na União Soviética, o fim da União Soviética, Jorge Sampaio avançou para a Câmara de Lisboa e deu a mão ao que havia de mais ortodoxo no PCP, pondo aquilo que eram os dissidentes de lado. E essa mão nas autarquias foi fundamental para a sobrevivência do PCP.
Acha que o PCP ainda pode recuperar eleitorado ou este declínio é inevitável?
Não, este declínio é inevitável. E sobretudo, ele não foi muito confrontado, o dirigente do PCP.
O Paulo Raimundo.
O Paulo Raimundo não foi confrontado durante a campanha com o que são as ditaduras comunistas no mundo. A China e os perigos que vêm daí. O Putin, que não é comunista de nome, mas é a herança comunista mais visível. O Putin, a China, a Venezuela, etc. Porque é muito difícil derrubar estas ditaduras comunistas, como está à vista, porque há sempre um esforço relativista. O relativismo é a coisa mais perigosa que há nas sociedades ocidentais, em minha opinião, que é uma vítima do comunismo não é igual a uma vítima de uma ditadura de direita. E portanto, isso leva a que haja sempre uma tolerância em relação àquilo que são as propostas comunistas ou àquilo que são as heranças comunistas. Podem vir presos, mortos há sempre, presos e mortos. Eu editei um livro no início deste século sobre a herança comunista, 100 milhões de mortos no século XX. E no entanto, fala-se com comunistas em Portugal e fala-se do comunismo como se fosse uma coisa normal e a pessoa pudesse ser comunista. Não se fala do perigo chinês, da ditadura chinesa, não se fala dos presos na Venezuela, dos presos em Cuba, etc. Portanto, limpa-se a memória daquilo que foi de mais trágico no comunismo e que está ainda a ser, e que está em cima da mesa, está ainda a ser, como se vê em Angola e Moçambique, e que é dramático para esses povos. Para ver este relativismo que eu estou a referir, por exemplo, imagine que eram uns rapazes e umas meninas do Chega que atiravam tinta a um político em campanha eleitoral. Alguém tem dúvida que neste momento estariam presos? E que seriam considerados antidemocratas, fascistas, etc. Quando uns meninos atiram tinta verde a um líder de um partido que está em campanha eleitoral, o que é que aconteceu? O próprio líder reagiu de uma forma que eu achei completamente terrível, porque em democracia não se pode atirar tinta ou pó verde numa campanha eleitoral a um candidato de um partido democrático.
Aconteceu até antes disso com ministros na altura. Zita Seabra, vamos avançar para mais uma pergunta, já é a quarta, está mesmo a correr bem. Esta é também de memória, e sabe de certeza. Vamos até 1972, o livro "Novas Cartas Portuguesas", um marco na história do feminismo em Portugal.
As Três Marias.
As Três Marias, diga uma delas, não é preciso as três.
Eu sei dizer as três.
Então diga.
Maria Velho da Costa, que foi amiga das três.
Foi amiga das três e foi um livro importante e uma época dura.
Foi um livro muito importante e, na altura, o feminismo fazia todo sentido. Eu tenho muito orgulho em ter travado essa luta pelos direitos das mulheres.
A despenalização. E nomeadamente com a despenalização do aborto. E agora, como é que está?
Nomeadamente, minha primeira luta política é uma luta feminista, se quiser, pelo direito ao uso de calças no Liceu Carolina Michaelis.
Pronto, isso é mesmo a recuar, é verdade. Numa geração, muita coisa evoluiu, o que é ótimo. E agora, como é que estão os direitos das mulheres?
Os direitos das mulheres estão consagrados na lei. Apenas temos um problema que tem que ser encarado muito seriamente pelos governos. Eu digo apenas, mas não é apenas, é fundamental, que é a questão da violência doméstica, que é terrível o número de mulheres que em Portugal morrem, são batidas. É uma vergonha para o país, e é preciso saber quem são, de onde vêm, como é que isto acontece, que tipo de famílias têm para se poder atuar preventivamente. De resto, os direitos das mulheres estão consagrados na lei e na Constituição e isso dá uma grande segurança.
Não teme que a questão da despenalização do aborto possa retroceder?
Há dois conceitos que eu creio que são muito importantes. Um é a despenalização do aborto, o outro é considerar o aborto como um direito. O aborto não é um direito. Portanto, aquilo que eu apresentei na altura, e aliás, foi muito curioso, porque era uma linha vermelha de Cunhal. Cunhal participou pessoalmente comigo na elaboração do projeto de lei que eu apresentei. Era para despenalizar o aborto, não era para considerar o aborto um método de contraceção. Há imensos métodos contraceptivos, ao acesso de toda a gente, há imensa informação. Na altura, não havia. A pílula é grátis, a pílula anterior, a pílula dia seguinte, por amor de Deus. O aborto como direito é um retrocesso civilizacional imenso.
São conceitos diferentes, claro.
São conceitos completamente diferentes. O horrível era que uma mulher, numa situação dramática, como era nos anos em que eu apresentei a lei, perante uma gravidez indesejada, resultante de um caso extremo, que fizesse um aborto clandestino, fosse condenada de seis a oito anos de cadeia. Isto é completamente inadmissível. Agora, neste momento, dizer que a mulher tem direito ao seu corpo, a partir do momento que está grávida, não é a minha opinião. A mulher tem direito ao seu corpo e por isso mesmo tem que tomar medidas preventivas. E isso está acessível, é grátis. Está em todo lado, os pais sabem, a escola sabe, toda a gente sabe. E portanto, o aborto é qualquer coisa de violento e eu sou completamente contra a ideia de que é um direito e completamente contra a ideia de alargá prazos.
Muito bem.
Muito bem.
Já disse isto na Assembleia, no tempo de Marques Mendes, quando ele era líder parlamentar e na altura o PS apresentou um projeto para alargar o prazo. Estamos num contexto completamente diferente.
Portanto, deixaria as coisas como estão. Zita Seabra, vamos para-
Não deixaria como estão, faria grande campanha pela contraceção.
Certo, pela informação.
E pelo direito a qualquer mulher se dirigir a um centro de saúde e ser atendida na hora para ter acesso à contraceção preventiva. Completamente. Aliás, já na lei que eu apresentei na altura, isto existia. A ideia de haver uma consulta, e não é preciso ir pra lista de espera, não é preciso ir às 3:00 para o centro de saúde, tem que haver uma porta aberta constante para qualquer mulher, sobretudo imigrante. Eu digo sobretudo imigrante, porque atenção aos imigrantes, porque quando olhamos para isto, tem muito a ver com os imigrantes que estão em Portugal, e elas têm que perceber que podem ir ao centro de saúde e fazer a prevenção da gravidez. Isto é um desígnio nacional.
Na prevenção. Zita Seabra, quase a chegar ao fim. Última questão para poder chegar a 22 pontos. Esta de certeza que também vai acertar. De acordo com os dados da GfK, qual é o autor português que mais vende?
Eu não sei se é o da GfK, mas o autor português que mais vende é o... Ai, agora neste momento falha-me o nome dele.
Quer dar alguma indicação que nos leve lá?
Sim, era da Gradiva, passou pra Planeta.
Ai, sim.
E é jornalista, nem é difícil.
É o José Rodrigues dos Santos.
José Rodrigues dos Santos.
É isso, não é? Ok.
Eu gosto porque tem a capa branca.
Aquela branca que aparece de vez em quando.
E agora muito telegraficamente, Zita Seabra.
Acertou, muito telegraficamente, só pra tomarmos o pulso ao mercado editorial português. Está de boa saúde, Zita Seabra?
Não, não está. Está de muito má saúde, como, aliás, o mercado mundial. As pessoas estão mais tempo a ouvir podcasts, incluindo os vossos.
Somos cultos, pronto.
Do que a ler livros. Por exemplo, eu sou do tempo em que chegava a tomar um café com os amigos e toda a gente falava do livro que estava a ler. Neste momento, toda a gente diz: "Já viste a série não sei o quê?"
A série ou o podcast, é verdade.
E o podcast não sei o quê. Eu própria passo a maior parte do tempo a ouvir podcasts e ver séries. E quando leio um livro e encontro um livro bom pra ler, é uma felicidade.
Ainda bem que eles existem. Zita Seabra, 22 pontos. Muito obrigada por ter aceitado o nosso convite.
Obrigada.
Obrigada por ter aceitado o desafio.
Gosto muito da vossa companhia de manhã. Devia estar a ler livros, mas enfim.
Muito obrigada.
Um bom dia pra si, Zita Seabra. Obrigado.
Obrigada.