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É o som da conferência de imprensa da Rádio Observador. Passamos em revista o que dizem os jornais de Portugal e do mundo. Eu sou o João Gama. A edição de hoje é com a jornalista Matilde Malva Sabino. Matilde, muito bom dia.

Bom dia, João.

Vamos começar a olhar para o correio da manhã. Morreram mais de 300 doentes à espera de cirurgia cardíaca nos últimos cinco anos.

Os dados foram revelados ontem pela Secretária de Estado da Saúde, Ana Povo. A governante admite reforçar a resposta no Norte com a Unidade Local de Saúde Santo António como centro de referência para intervenções cardíacas. Ana Povo lamenta que o único cirurgião cardíaco daquela unidade esteja impedido de operar desde 2015 por ser o único na equipa. O governo reconhece falhas na rede de referenciação e promete ajustes para reduzir as listas de espera e aumentar a capacidade de resposta.

Mudamos de tema e de jornal. No Diário de Notícias, o destaque é a reforma à lei do trabalho. A UGT não estará confortável e tem a lei laboral nas mãos.

A ministra do Trabalho colocou ontem no Parlamento a responsabilidade do lado da Intersindical, de haver ou não um acordo só em sede de concertação social. O secretário-geral Mário Mourão não se adianta, mas admite que a proposta ainda não é satisfatória. A decisão passa agora para o Secretariado Nacional, que se reúne hoje em Lisboa. A ministra Maria do Rosário Palma Ramalho está confiante de que a UGT vai fazer uma escolha positiva para o país.

O Jornal Económico escreve que Portugal tem condições únicas para atrair a indústria do futuro da inteligência artificial. São palavras, Matilde, do ministro Gonçalo Matias.

Num evento em Lisboa, promovido pelo Jornal Económico, o ministro adjunto e da Reforma do Estado afirmou que grandes empresas querem instalar no país centros de dados e gigafábricas. O governante referiu que esse interesse resulta do talento nacional, da localização estratégica e da energia renovável disponível. Gonçalo Matias adiantou ainda que o governo já aprovou o Plano Nacional de Centros de Dados e está a preparar a lei de interoperabilidade. A nova legislação pretende aplicar o princípio de uma só vez, evitando que os cidadãos tenham de repetir pedidos de informação ao Estado.

É o que contam os jornais em Portugal. Vamos passar em revista a imprensa internacional. O francês Le Monde escreve que Donald Trump está a ganhar tempo, mas mantém a pressão.

O presidente norte-americano decidiu na terça-feira prolongar por tempo indeterminado sua frágil trégua em vigor com o Irão, na impossibilidade de retomar as negociações na capital paquistanesa. A manutenção do cessar-fogo não pronuncia em nada o que está para vir, João, tendo em conta que as autoridades iranianas se recusam, nesta fase, a deslocar-se a Islamabad para negociar. Washington persegue o bloqueio do Irão com o objetivo de impedir o acesso aos portos iranianos. A administração de Trump espera que o bloqueio agrave as dificuldades financeiras do Irão, de maneira a forçar o regime a ceder às vontades norte-americanas.

Já o espanhol El Mundo destaca outra consequência das tensões no Médio Oriente: a odisseia dos 20 mil marinheiros que estão retidos devido ao bloqueio do estreito de Ormuz, que relatam, Matilde, pedidos de socorro, têm medo pela própria vida.

Estão presos há semanas neste corredor marítimo, devido à escalada do conflito entre o Irão e os Estados Unidos. A Organização Marítima Internacional avança que mais de 2 mil navios estão imobilizados, incluindo petroleiros, cargueiros e navios de passageiros. Em muitas embarcações começam a faltar alimentos frescos e água potável, o que agrava a situação a bordo. Alguns tripulantes relatam ainda atrasos nos salários e dificuldades em contactar as autoridades para pedir ajuda ou repatriamento. A Federação Internacional dos Trabalhadores dos Transportes diz já ter recebido centenas de pedidos de socorro desde o início do conflito.

Também tem destaque no outro lado do Atlântico, na imprensa norte-americana, o New York Times destaca que o Irão reforçou novamente o controle sobre o tráfego marítimo no estreito de Ormuz.

A navegação caiu para níveis mínimos devido à escalada do conflito. Os dados são da S&P Global Market Intelligence. A passagem de navios pelo estreito, por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial, tornou-se um indicador do impacto econômico da guerra. Com a redução do tráfego, os preços dos combustíveis e da energia têm vindo a aumentar a nível global. Apesar do bloqueio militar norte-americano, o Irão mantém a capacidade de influência sobre a circulação marítima e usa como pressão nas negociações com Washington.

Os destaques da imprensa nacional e internacional com Matilde Malva Sabino. A conferência de imprensa que está de regresso já amanhã.