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Está no ar a conferência de imprensa das manhãs 360. Trago um artigo da CNN Internacional, mas que também já pode ler no Observador, sobre aquela que já foi descrita como a corrida mais perigosa do mundo e certamente uma das mais ridículas. Uma corrida de 200 metros atrás de uma roda de queijo de três quilos. Pronto, é isso.
A parte do queijo é aliciante. 200 metros atrás de uma roda de queijo.
Sim. Tudo acontece numa vila inglesa. Para vencer é preciso descer uma colina.
Mas é uma competição. Não é gula.
Não é gula, é competição e é a sério. É preciso descer uma colina e cruzar a meta antes dos outros. Até aqui parece tudo simples, fácil, mas isto é muito mais difícil, porque a colina é tão íngreme, tão inclinada, que há quem sinta vertigens só de estar na linha de partida. E depois, porque não há absolutamente certeza nenhuma ou garantias nenhuma de que se vai chegar ao fim inteiro.
Partem-se todos.
Partem-se todos com o queijo.
Partiram-se todos.
Chris Anderson, um dos muitos audazes que desde 2005 participa nesta loucura e que já venceu várias vezes, diz que para se meter nisto uma pessoa tem de esquecer a sua própria segurança. É esquecer, fé em Deus. Já fraturou um tornozelo. Numa das outras vezes chegou à meta meio inconsciente. Diz que só se lembra de ter batido com a cabeça na tinta e depois-
Foi por aí fora.
Foi por ali fora. Ninguém parece saber ao certo há quanto tempo é que estes ingleses perseguem rodas de queijo pela Cooper's Hill, na vila de Brockworth. O primeiro registro escrito é de 1826.
Bem.
1826.
Tem corrido bem, então.
O que é certo é que é uma tradição que os locais lutaram por preservar e que se orgulham imenso. E agora, com a esfera da internet, o evento tornou-se num fenômeno com milhares de participantes que vêm de lugares tão distantes como a Nova Zelândia, Austrália, Egito e Estados Unidos.
Isso já se internacionalizou.
Exatamente. A colina é estupidamente íngreme. Muitos corredores mudam de ideia no último minuto, quando percebem o que se espera, porque os primeiros 10 metros são quase verticais e as imagens dão mesmo a noção.
A noção do que aquilo é dificílimo.
É epic. Assim que começam não há comparar, é tentar manter-se de pé o máximo de tempo possível, mas as imagens em vídeo mostram o caos absoluto de uma série de trambolhões pela colina abaixo. Eles bem tentam manter-se em pé, mas é mesmo muito complicado.
Há muitos paramédicos, espero.
É o salve-se quem puder. Lesões graves são, lá está, praticamente garantidas. As de tornozelo são as mais comuns, depois com pancadas na cabeça também. Mas atenção, quem participa sabe perfeitamente ao que vai, porque há placas espalhadas por toda a colina que deixam claro que os corredores participam por sua conta e risco. Em caso de lesão, não há ninguém para processar. O evento não tem seguro. É mesmo maluquice total. Não é surpresa, por isso, que muitos corredores precisam de uma boa dose de álcool.
Antes.
Para correr. Falam nisso no artigo. E acredito que esses possam de fato dar mais trambolhões, mas depois também sentem menos dor.
Claro.
Estão anestesiados. Está na CNN Internacional.
Não sabem o que lhes aconteceu, o que me está a acontecer?
As imagens.
Que queijo é esse? Pois, e tudo porque alguém põe a rolar um queijo por ali abaixo. Será um queijo da serra.
Não é um queijo da serra.
Não, é daqueles rijinhos.
Double Gloucester cheese.
Sim. Ok, pela imagem parece assim um-
Pois, é um queijo assim amarelo
Redondinho. Parece aqueles italianos. Rebola bem. Parece. Não pode ser daqueles triangulares.
Não dava jeito.
Não, não dá.
Não dava jeito. Eu tenho uma notícia assombrosa. Não sei se estão preparados para ficarem a saber disto hoje.
Mais do que esta colina íngreme, mais assombrosa.
Mais. Sabiam que Veneza se está a afundar?
Isto está-se a ver. Já é.
É verdade.
Há anos. Veneza se está a afundar ou as águas estão a subir?
São as duas coisas, é mesmo isso. O fenômeno é mesmo esse. Só para terem uma ideia, mas de fato é impressionante, em 100 anos a cidade afundou cerca de 25 centímetros, o que é mesmo bastante. Ao mesmo tempo, o nível médio do mar subiu quase 30 centímetros.
Já temos meio metro aí.
Estamos aqui com meio metro, o que é muito, de fato, é muito.
E eles têm aquelas casas mesmo. Não, está logo ali.
Está logo ali. Portanto, resultado prático, não são apenas as inundações constantes, mas é também o tal lento e contínuo afundamento que torna esta situação grave e preocupante. Há muitos planos, e tem havido ao longo da história de Veneza, muitos planos para tentar salvar este espaço. Agora há um plano muito radical para erguer a cidade e é um conceituado engenheiro que acredita que encontrou a forma de salvação de Veneza. Pietro Tiatini é um professor associado de Hidrologia e Engenharia Hidráulica na Universidade de Pádua e agora tem uma abordagem diferente, que é, enfim, eu vou ler exatamente como li na notícia, bombear água para o subsolo profundo da cidade, portanto, ir por baixo, na expectativa de elevar o solo sobre Veneza e assim fazer subir a cidade. E ele acredita que com este método, a cidade poderá ou poderia subir 30 centímetros. Não é a solução definitiva, mas é um plano que ia dar um espaço, um fôlego de cerca de 50 anos para se encontrar aí sim, uma solução mais definitiva. O que é interessante aqui nesta história é que estamos a falar de uma cidade com mil anos, onde sempre se tentou desafiar a natureza. Houve governantes que redirecionaram rios, escavaram canais, redesenharam a hidrografia da lagoa para tentar manter esta cidade viva e dinâmica, como sempre. Foi no século XX que as coisas começaram verdadeiramente a correr mal com as asneiras. Nas décadas de 60 e de 70
A extração da água subterrânea provocou esse afundamento definitivo. Daí agora este engenheiro querer recuperar um pouco dessa água que foi retirada. Foi nessas duas décadas que o centro histórico de Veneza perdeu quase 13 centímetros de altura, só em duas décadas, o que é de fato imenso. Atualmente, a proteção da cidade contra as marés altas é um sistema, chama-se MOSE, é um sistema composto por barreiras móveis que se erguem do fundo da lagoa. Não sei se viram, eu não conheço Veneza. Erguem-se do fundo da lagoa para isolar do mar Adriático, em casos extremos. Este sistema foi pensado- Mas isso deve estar ao largo, não seria na cidade Deve estar ao largo, não sei, pois não deve ser tão visível. Foi idealizado na década de 80 do século passado, só foi testado pela primeira vez em 2020. Agora, há um problema deste sistema. Ele foi projetado para ser ativado cerca de cinco vezes por ano, só que as alterações climáticas fizeram com que nos últimos 20 anos, este sistema já tenha sido acionado 100 vezes e ainda está em fase de testes, portanto, significa que há ainda muito por fazer. O que este artigo conta é que o número de marés superiores a 110 centímetros, 1 metro e 10, o nível em que os danos passam de comuns a catastróficos, portanto, estamos a falar de uma situação de emergência. Esse número de marés já ultrapassou os 150 episódios neste século. É, de facto, muito. Este sistema, ainda por cima, é muito caro. Eu vou procurar o número, quanto é que este sistema, que não é efetivo, já custou cerca de seis mil milhões de euros. É, de facto, um problema. Seis mil milhões é muito dinheiro. É muito dinheiro, não é uma solução definitiva, já percebemos, e os técnicos continuam à procura de uma forma de salvar Veneza e se calhar isso também contribui para que muitos turistas tentem visitar a cidade. E ir lá cada vez mais para esperar. Ir lá cada vez mais. Há um problema de turismo grave e há este problema das alterações climáticas que está a afundar Veneza. Lina, CNN Portugal. E tens que passar à cara. Pois tenho, não tenho muito tempo, por várias razões. Vai tudo abaixo. Pronto, foi a mesma pena.