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Conferência de imprensa da Rádio Observador. Passamos em revista os destaques da imprensa nacional e internacional. A edição de hoje é com a jornalista Matilde Malva Sabino. Bom dia.
Bom dia, Nadine.
O cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irão é manchete em todo o mundo e o tema não escapa também aos jornais portugueses, mas "O Público" destaca aquela que é a notícia do dia da política nacional: as eleições para os órgãos externos da Assembleia da República. O PSD, o Chega e o PS indicam um juiz cada para o Tribunal Constitucional e o quarto vai ser por consenso.
O nome do quarto juiz vai ser proposto pelos sociais-democratas. Vão precisar de um acordo bilateral do Chega e do PS. O jornal escreve que depois de meses de um longo jogo de empurra, comparável aos primeiros tempos da geringonça, quando o PSD não queria ficar para segundo plano, as eleições vão mesmo realizar-se para a semana e ficam os três principais partidos do país satisfeitos. PSD, Chega e PS decidiram esperar pela renúncia, em breve, de José João Abrantes, atual presidente do TC. Assim, ficam quatro lugares por preencher e as negociações ficam facilitadas.
E passamos para o Jornal de Negócios. Há falta de petróleo e a situação pode agravar-se.
A Ásia foi a primeira região a sentir a escassez. O bloqueio do Estreito de Ormuz, devido à guerra no Médio Oriente, retirou do mercado 20% do petróleo consumido mundialmente. O percurso habitual de um petroleiro leva um mês, por isso só se sentiram os primeiros efeitos no fim de março. Os analistas do banco norte-americano Goldman Sachs alertam que é preciso encontrar soluções. No caso português, a Galp é das petrolíferas que mais ganha em bolsa. As ações subiram 16% desde o início da guerra.
E no Diário de Notícias, destaque para o ultimato de Donald Trump. O Irão ficou à espera da decisão do presidente norte-americano. Israel adiantou-se e atingiu pontes e linhas ferroviárias.
No total, oito secções dos caminhos de ferro e pontes do Irão foram bombardeadas pelas forças israelitas, assim como um complexo petroquímico em Shiraz, no sudoeste do país. Os ataques aconteceram nas últimas horas antes do fim do prazo dado pelo líder norte-americano para se chegar a um acordo com o Irão que incluísse o desbloqueio do estreito de Ormuz. Também nas últimas horas, as ameaças de Donald Trump e do vice-presidente J.D. Vance levaram à especulação sobre o possível uso de armas nucleares. As teorias, entretanto, foram desmentidas, mas as ameaças de Trump sobre pôr fim a uma civilização deixaram sob alerta a oposição norte-americana e diplomatas como o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Estes são os destaques desta manhã na imprensa nacional. Matilde, passamos agora em revista a imprensa internacional. O espanhol "El País" escreve que os Estados Unidos e o Irão acordaram um cessar-fogo de duas semanas pouco antes do fim do ultimato de Trump.
O Paquistão, como mediador, esclarece que o acordo tem efeito imediato e se aplica a todos os países envolvidos no conflito, incluindo o Líbano. Em troca, o Irão vai permitir a passagem segura pelo estreito de Ormuz, enquanto ambos os países negociam o acordo final. O ministro iraniano Abbas Araghchi confirmou que o país também vai suspender ações militares, mas alerta que o conflito não terminou. As delegações dos Estados Unidos e do Irão vão reunir-se em Islamabad para tentar alcançar um acordo definitivo, embora persistam divergências.
E o francês "Le Monde" realça que após prometer aniquilar o Irão, Donald Trump recua e concede um prazo de duas semanas à diplomacia.
Contrariando as declarações do primeiro-ministro paquistanês, Israel deixa claro que vai continuar as operações militares no Líbano, apesar de apoiar a trégua. Donald Trump afirma que a proposta iraniana de 10 pontos é uma base viável para um acordo de paz duradouro no Médio Oriente. O jornal escreve que o recuo dos Estados Unidos foi visto como um sinal de impasse, enquanto a estratégia do Irão mostrou eficácia ao usar o controle do Ormuz como ferramenta de dissuasão.
As manchetes dos jornais na Europa. Nos Estados Unidos, como seria de esperar, o anúncio do cessar-fogo com o Irão é manchete em vários jornais. O dia em que a ameaça de Donald Trump ao Irão deixou o mundo em suspense é a notícia que faz manchete no "The Wall Street Journal".
O presidente norte-americano desencadeou um jogo frenético de adivinhação a nível mundial sobre as verdadeiras intenções, quando disse que toda uma civilização seria destruída se não houvesse um acordo em 12 horas. A ameaça gerou tensão global, com governos, empresas e mercados a tentarem prever se haveria ou não uma escalada militar. Durante dias ameaçou atacar infraestruturas civis iranianas enquanto mantinha a porta aberta para negociações e precisamente o jornal norte-americano escreve que os especialistas em relações internacionais interpretam este ultimato como uma tática de pressão negocial.
Os destaques da imprensa nacional e internacional, hoje com a edição da jornalista Matilde Malva Sabino. A conferência de imprensa da Rádio Observador regressa amanhã.