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É o som da conferência de imprensa da Rádio Observador, vamos passar em revista o que dizem os jornais em Portugal e no mundo. Eu sou o João Gama, a edição de hoje é com a jornalista Matilde Malva Sabino. Matilde, muito bom dia.
Bom dia, João.
Vamos começar a olhar para a manchete do semanário Expresso. O jornal escreve que a equipa de elite do Ministério Público está sem mão na lavagem de dinheiro.
Os seis procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal só conseguem analisar uma pequena parte das denúncias de suspeitas de branqueamento de capitais recebidas em Portugal. Uma inspeção revelou que, no final de 2024, menos de 2% dos processos foram efetivamente avaliados, do total de 19 mil denúncias recebidas. Grande parte dos casos acaba arquivada automaticamente, o que pode deixar milhares de potenciais crimes por investigar. O relatório aponta ainda falhas na definição de critérios, triagem e sobrecarga da equipa responsável.
E Matilde, o Jornal de Negócios destaca que os prejudicados no IRS com a revisão de incapacidade podem agora pedir o reembolso.
A Autoridade Tributária admite agora que contribuintes que perderam benefícios fiscais no IRS, devido à redução do grau de incapacidade, podem pedir reembolso do imposto pago a mais. Em causa estão situações em que, após reavaliação, a incapacidade desceu abaixo dos 60%, mas o Fisco passa a reconhecer o direito ao benefício segundo determinados critérios. A medida pode abranger retroativos até quatro anos, através de declarações de substituição ou pedidos para rever a liquidação. Esta mudança surge depois da AT ter perdido vários processos em tribunal, sobretudo relacionados com doentes oncológicos.
E em manchete, no Jornal de Notícias: a limpeza obrigatória de terrenos, Matilde, o trabalho custa 1500 € por apenas um hectare.
O valor é 50% mais alto do que no ano passado. A subida do custo dos combustíveis desde o início do conflito no Irão e a falta de trabalhadores fizeram disparar os preços. O rasto de destruição deixado pela tempestade Cristi no início do ano concentrou a mão de obra na região Centro e atrasou a limpeza dos terrenos no resto do país. O prazo termina a 31 de maio. Empresários e proprietários pedem o prolongamento. O governo admite essa possibilidade, mas diz que, para já, ainda é cedo.
O que conta a imprensa portuguesa esta manhã. Passamos ainda em revista a imprensa internacional. Começamos no Reino Unido. O The Guardian revela que a unidade do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, responsável por monitorizar possíveis violações do direito internacional por parte de Israel, encerrou devido a cortes orçamentais.
A unidade acompanhava os conflitos em Gaza e no Líbano. As autoridades alertam que o departamento também vai perder o acesso a uma base de dados com 26 mil incidentes verificados devido a estes cortes. A informação era usada na análise de exportações de armas e de eventuais violações do direito internacional humanitário. Várias organizações de direitos humanos criticam a decisão e alertam para o impacto na monitorização de crimes de guerra. O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico ainda não comentou a notícia.
E o francês Le Figaro destaca que a guerra no Irão está a fragilizar a presidência norte-americana. Entre reviravoltas e ataques de raiva, Donald Trump está cada vez mais enfraquecido.
O conflito prolonga-se e está a transformar-se numa guerra económica sem fim à vista. Donald Trump enfrenta críticas internas devido ao impacto da guerra nos preços dos combustíveis e na opinião pública. Uma sondagem da semana passada aponta que 65% dos americanos responsabilizam Trump pela subida dos preços e o apoio ao líder caiu para menos de 40%. O impasse político agrava-se com divisões no Partido Republicano e dificuldades em manter o apoio no Congresso.
Olhando agora para o outro lado do oceano, para a imprensa norte-americana, o The Washington Post destaca o anúncio do presidente Donald Trump de que Israel e o Líbano prolongaram o cessar-fogo por mais três semanas.
O acordo foi alcançado durante as conversações entre representantes dos dois países na Casa Branca. A trégua pretende travar a violência entre Israel e o Hezbollah, que continua a lançar ataques apesar deste acordo. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirma que o objetivo final é avançar para uma paz permanente. No entanto, persistem dúvidas sobre a capacidade do Líbano para controlar o grupo armado Hezbollah. O jornal americano escreve que, apesar da extensão do acordo, o cessar-fogo é considerado frágil e não dá garantias de estabilidade duradoura.
Os destaques da imprensa nacional e internacional, na voz da jornalista Matilde Malva Sabino. A conferência de imprensa está de regresso, mas só para a semana.