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Da imprensa. É sempre a esta hora que destacamos artigos ou histórias da imprensa nacional e internacional. Hoje não com a Maria João Simões, estou aqui a ocupar a cadeira de sonho.

E ocupas muito bem. Os melhores para a Maria João.

As melhoras. Não é por ser a cadeira de sonho que vou falar de futebol. Vou antes uma notícia que descobri ontem, que já vem sendo falada por alguns meios de comunicação, sobretudo internacionais, há alguns meses a esta parte. Trata-se de um centro de confinamento de terrorismo em El Salvador, chamado CECOT. É uma instalação de máxima segurança.

Confinamento de terrorismo?

Confinamento de terrorismo. Foi criada para aprisionar os membros mais violentos dos principais gangues do país, entre eles o MS13 e o Barrio 18. Pode ver-se nas fotografias que foram divulgadas mais recentemente, mais de 2000 presos entrarem nestas instalações. Fica também, desde já, a nota: nesta prisão de máxima segurança já estão 40 mil pessoas, sendo que de todos os que entraram, ainda nenhum saiu. Há inclusivamente alguns que cumprem penas de 700 anos e as condições em que as pessoas estão neste centro de confinamento são muito complicadas. Luz artificial durante 24 horas, são obrigados a comer com as mãos. Facas e garfos lá dentro podem ser considerados uma arma mortal. Só podem sair das celas durante 30 minutos por dia. E se bem que a prisão tem capacidade para 40 mil pessoas, as autoridades de El Salvador recusam-se a divulgar quantas, de facto, é que estão aqui dentro destas.

40 mil, mesmo assim, é uma enormidade.

Sim. E fica também a nota de que os presos são obrigados a dormir em quartos muito próximos. Não se sabe quantos é que estão em cada quarto, apenas se sabe que as camas são uma chapa metálica com beliches de quatro andares. Isto é um pesadelo no que diz respeito também aos direitos humanos. Uma ONG já concluiu que 147 reclusos, pelo menos, foram torturados e mortos dentro desta prisão, que foi criada pelo presidente Nayib Bukele, que lançou uma luta impiedosa contra os gangues desde 2022. De resto, isto é um problema, a questão dos gangues, que já dura desde a altura da guerra civil na década de 80 e El Salvador é uma das capitais mundiais de homicídios. Um problema de ambos os lados, não só da questão da criminalidade.

Mas também das autoridades.

Exatamente. Cabe dizer também que este artigo que encontrei sobre este centro de confinamento está no Daily Mail.

Eu passo para o Guardian e vou aqui questionar a Carla. Carla, imagina que, como jornalista, estás a acompanhar um incêndio num hotel no centro de Lisboa e começas a falar com as pessoas que saem do local e dás-te caras com uma estrela de Hollywood. O que é que fazes? Pedes um autógrafo, começas a desconfiar que aquilo é tudo encenado?

Eu não pensaria que era encenado, mas também não pedia um autógrafo.

Também não pedias. Mantinhas ali o ar profissional.

Entrevistavas o actor.

Acho que era notícia. Acho que era notícia, de facto, estar lá uma estrela de Hollywood.

Faz lembrar aqueles apanhados do eterno Nuno Graciano.

Parece, mas aconteceu mesmo. Isto é verdade. Aconteceu, a notícia veio no Guardian, aconteceu em Dublin. Uns jornalistas irlandeses que estavam a dar as notícias sobre este incêndio num hotel no centro da cidade. E quem era a estrela de Hollywood? Não é uma megaestrela, super megaestrela, mas era o ator Henry Winkler, que conhecemos de séries como o "Arrested Development" e "Parks and Recreations", e que nos anos 70 era um dos protagonistas da sitcom "Happy Days". E foi também produtor executivo da série "MacGyver". Eu lembro-me bem do nome dele aparecer.

Sim, de aparecer no genérico.

No genérico da série. E ele falou tranquilamente para as câmaras a contar o que tinha acontecido. Disse que ouviu o alarme de incêndio, pensou que era o despertador e depois ligou para a recepção e foi informado pela recepcionista que tinha mesmo de sair do hotel porque havia um alarme de incêndio. No final, Winkler agradeceu efusivamente aos bombeiros, explicou aos jornalistas que gosta muito de bombeiros e bombeiras, que são das suas pessoas preferidas. E ao fim de algum tempo a prestar estas declarações à imprensa, já eram muitas as câmaras, e ele continuou a dar espetáculo. Não foi a primeira vez que Henry Winkler foi entrevistado por acaso na rua. Já lhe tinha acontecido em 2013, quando estava em Londres. Foi interpelado na altura por uma equipa da BBC, que queria saber a opinião dos cidadãos relativamente à ampliação do aeroporto de Heathrow. E ele lá deu a sua opinião, explicando que só estava ali a viver durante alguns tempos por causa do trabalho.

Um entrevistado profissional.

É quase, por acaso, duas vezes, ainda por cima uma num incêndio. É incrível. Na altura, tal como aconteceu agora, o jornalista depois também percebeu que estava a falar com um ator muito famoso. Aqui acabou tudo bem, não houve vítimas deste incêndio e ainda por cima os jornalistas tiveram o privilégio de entrevistar um ator de Hollywood.

No centro da notícia.

Precisamente, no centro da notícia, que esta está no The Guardian.

Carla, também nos trazes estrelas.

Também trago famosos. Lina Blitz. A história dos 20 anos do Rock in Rio em Lisboa, que começa amanhã, para quem não está particularmente atento. O Rui Miguel Abreu faz uma viagem no tempo com a Roberta Medina. É claro que o artigo que li fala muito do cartaz deste ano e das novidades, desde logo pela mudança de cenário, do local. Mas falemos então do passado e das estrelas, porque é diferente olhar para estes concertos na ótica do espetador e na ótica da produção. E a Roberta Medina diz que isto foram 20 anos de resiliência e começa por falar logo no primeiro ano. Lembram-se? Foi em 2004. Diz que o público português ainda não estava muito habituado a este conceito de concertos rock, achava que era para jovem. Aliás, 2004 tinha até outro contexto. Ainda estávamos muito na ressaca do 11 de setembro e as regras de segurança eram outras. Mas ela diz que o público, até pelo local em que aquilo estava, no Parque da Bela Vista, não achava um sítio seguro e achava que era coisa de jovens. E diz que sentiu que o espetáculo do Paul McCartney foi uma deceção, não em termos musicais, mas com esta ideia de que só os jovens é que iriam ver. E então houve um desfasamento muito grande entre o público que devia estar a apreciar tudo o que o Paul McCartney tinha para dar e aqueles que eram os jovens. Ela diz que a audiência foi relativamente pequena, tendo em conta a dimensão do artista e também o volume do investimento. Os dias restantes correram melhor. Ela diz: "Peter Gabriel foi lindo", eu estava lá, eu vi, mas muita gente ainda tentava perceber o que era aquilo. Passemos para 2008. O concerto dos Bon Jovi. Grandes músicas, energia incrível, mas destaca também a primeira performance dos Xutos & Pontapés. Diz que foi surpreendente, porque a plateia estava empolgada a cantar da primeira à última canção sem parar. Os Rolling Stones em 2014. Uma coisa incrível. O Bruce Springsteen foi ao palco, mesmo não estava planeado. O Bill Clinton estava a assistir ao concerto. Fala numa energia louca e até porque o Rock in Rio estava a planear uma estreia em Las Vegas, havia uma megacomitiva de americanos que ficaram deslumbrados com a forma como decorreu o espetáculo. Em sentido contrário, destaque, naturalmente, para o concerto da Amy Winehouse. Roberta Medina diz: "Foi uma coisa bizarra. Lembro-me de ficar em estado de choque. Nós sabíamos que ela não estava bem, mas o que aconteceu foi que metade da plateia viu o concerto, passou o tempo todo a dançar porque a banda era incrível. A outra metade passou o tempo de olhos cravados nos ecrãs a ver aquela figura muito triste, no sentido dramático e humano do termo." Vamos ficar só com os pedidos mais incomuns. Mick Jagger pediu uma pista de jogging. E ela diz: "Um homem que tem aquela energia, quando pede uma pista de jogging, nós damos-lhe uma pista de jogging". É mais difícil entender pedidos como os de Elton John. Chegou ao ponto de indicar as dimensões exatas da sanita, o número de centímetros dos caules das rosas vermelhas que queria no camarim. Ela diz que não conseguia entender estes pedidos.

E é verdade. Há pedidos que são absolutamente ininteligíveis.

Só para testar. Claro, é mesmo para ver se eles conseguem.

É um teste.

"Quero uma rosa com 20 pétalas".

Faltou aí um concerto dos melhores a que eu assisti. Aliás, dois. Stevie Wonder e Rod Stewart. Rod Stewart espantou-me absolutamente. Pelo lado contrário, Britney Spears também não correu assim tão bem daquilo que me lembro.

E houve também concertos dos Metallica. E dos Queen.

Dos U2. Justin Timberlake também.

Não é exaustivo, obviamente. Então ficamos também só com uma dica. Tentaram este ano que Bruce Springsteen voltasse, mas diz Roberta Medina: "Ele optou por ficar mais uns dias em Barcelona, estava aqui mesmo ao lado".

É verdade, porque ele agora estava a dar concertos em Espanha.

E não quis dar aqui um saltinho.

Já não temos tempo para a notícia escolhida pelo Paulo, mas na segunda-feira eu falto em direito a duas. Fica combinado?

Fica combinado.

Fica por aqui a conferência de imprensa.

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