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Conferência de imprensa da Rádio Observador. Passamos em revista os destaques da imprensa nacional e internacional. Eu sou a Teresa Freire. A edição de hoje é da jornalista Marta Caramelo Nobre. Bom dia, Marta.

Bom dia, Teresa.

Começamos com a manchete do Diário de Notícias, que revela que as duas últimas ondas de calor de junho e julho causaram, pelo menos, 125 mortes em Portugal.

As previsões do Instituto Ricardo Jorge, antes das ondas de calor, apontavam para um risco de aproximadamente 60 óbitos em excesso para cada um dos períodos.

Valores que acabaram por se confirmar muito próximos da realidade, Marta.

Precisamente, os dados analisados pela Direção-Geral da Saúde e disponibilizados ao DN indicam que na primeira onda de calor, a partir de 10 de junho, houve 63 óbitos a mais, e na segunda, a começar a 2 de julho, registaram-se 62. Em declarações ao jornal, a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, explica que, ao contrário de outros países europeus, como Espanha ou França, Portugal está dentro das estimativas previstas pelas autoridades. Os picos de mortalidade registaram-se a 16 de junho e a 6 de julho, afetando sobretudo idosos com 75 ou mais anos e doentes crónicos. A DGS refere ainda que o calor extremo não provocou um aumento dos internamentos nos hospitais do SNS, tendo-se verificado apenas um ligeiro acréscimo nos acionamentos do INEM e nas chamadas para a linha SNS 24.

Passamos à manchete do Jornal de Notícias, que diz que as inspeções do fisco nas empresas caíram arrastadas pela falta de pessoal.

É o que adianta um relatório sobre o combate à fraude e evasões fiscais a que o JN teve acesso. As inspeções realizadas pela Autoridade Tributária e Aduaneira caíram no ano passado, a reboque de uma diminuição de efetivos, em particular os inspetores. Apesar do relatório referente ao ano passado dar conta de um decréscimo de apenas 1% nas inspeções, o Jornal de Notícias adianta que o problema é que a redução tem sido constante nos últimos sete anos. Quanto aos recursos humanos, a AT registou uma quebra de praticamente 2% relativamente ao ano de 2024. Ao Jornal de Notícias, o Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos explica que as aposentações dos trabalhadores da AT agravam a falta de pessoal e levam, por sua vez, à redução das inspeções.

O Jornal de Negócios avança que o governo vai lançar nos próximos 18 meses os concursos para nove das 15 concessões portuárias do país.

A medida faz parte do plano Portos 5+, que prevê um investimento total de € 4 mil milhões até 2035, sendo a esmagadora maioria financiada por privados. Entre os principais projetos para avançar até o final do próximo ano, está o futuro terminal de contentores Vasco da Gama, em Sines, com custo de construção estimado em € 700 milhões, e o terminal do Norte do Porto de Leixões. O plano do Executivo inclui ainda a expansão do terminal de Setúbal, usado pela Autoeuropa, com o objetivo de duplicar a capacidade para 700 mil viaturas. Com esta estratégia, o governo pretende aumentar em 50% a movimentação de carga nos portos portugueses e reduzir as emissões de dióxido de carbono em 80% no prazo de uma década.

No plano internacional, o francês Le Monde faz manchete com os bastidores e as decisões da Cimeira da NATO na Turquia.

O jornal escreve que o presidente norte-americano, Donald Trump, alternou entre fúria e ameaças, mas acabou por reafirmar o compromisso dos Estados Unidos com a cláusula de defesa mútua da Aliança Atlântica. Apesar do ambiente tenso, provocado também pelos recentes bombardeamentos dos Estados Unidos ao Irão, a cimeira fechou com um sinal de forte apoio a Kiev. Os aliados europeus e o Canadá comprometeram-se a fornecer € 70 mil milhões em ajuda militar à Ucrânia este ano e um valor idêntico em 2027. Além disso, o Le Monde recorda que, numa reunião bilateral, Donald Trump fez um gesto inesperado a Zelensky e autorizou a Ucrânia a produzir os sistemas de defesa antimíssil Patriot sob licença norte-americana, para ajudar o país a travar os ataques russos.

E fechamos com a imprensa econômica norte-americana, que naturalmente escreve que os mercados financeiros sofreram perdas após o anúncio do fim do cessar-fogo entre Washington e Teerão.

As ações e os títulos registaram quedas com o índice Dow Jones, o índice que acompanha o desempenho das empresas líderes nos Estados Unidos, a recuar cerca de 577 pontos, numa clara reação dos investidores à nova ronda de ataques militares no Médio Oriente e às declarações de Donald Trump. Como consequência imediata, a cotação do barril de petróleo de Brent, que serve de referência global, registou a maior subida diária desde maio, avançando a mais de 5%, superando os $80. Os analistas de mercado citados pelo Wall Street Journal alertam que a retoma das hostilidades, aliada à intenção da administração norte-americana de repor sanções e equacionar um bloqueio naval ao Irão, ameaça o tráfego de navios-tanque no estreito de Ormuz e pode pressionar a inflação.

Estes foram os destaques da imprensa nacional e internacional, hoje com a jornalista Marta Caramelo Nobre. A conferência de imprensa está de regresso amanhã.