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Começa agora a conferência de imprensa das manhãs 360. Olhamos para algumas histórias ligadas à Assembleia da República, onde estamos hoje em direto ao longo de todo o dia. Só não vamos embora às 20h.

Até nos expulsarem. Acho que vamos ter de ser expulsos daqui.

Está-se muito bem aqui.

Ainda bem que não está às 20h, enfim, para não passar por essa vergonha.

É verdade.

É verdade. Pego eu?

Sim.

Hoje, abrindo aqui uma exceção, não vou à dita comunicação social. Não faças isso. Não fazemos isso.

Vai sair da bolha.

Vou sair da bolha. E em Roma, ser romano, e no Parlamento, vamos ao próprio site do Parlamento, parlamento.pt, que é um site de trabalho, obviamente também, e de escrutínio e transparência sobre os trabalhos parlamentares. Mas também tem, por exemplo, a visita virtual, que nós podemos conhecer o Palácio de São Bento sem sairmos de casa, se quisermos. Mas venham cá, de qualquer forma.

É mais giro ao vivo.

É mais giro ao vivo. Andar pelos espaços, navegar, vamos clicando, entrando de sala em sala. E também é lá que nós podemos conhecer a história deste Palácio de São Bento. Começou por ser um mosteiro. Já sabiam todos isto.

Já sabíamos. É só olhar à nossa volta. Santos por todo o lado.

Santos.

Eu tenho algum aqui à minha direita, um santo e um pecador.

E pecadores também. Vamos admitir, também há pecadores, certamente por aqui. Começou por ser um mosteiro. Um mosteiro mandado construir pelos monges negros beneditinos. Eram conhecidos assim devido à cor dos hábitos, das vestes, trajavam de negro. Negros hábitos. Negros hábitos. No século XVI, decidiram então aproximar-se da corte da capital e vieram para aqui, para os arredores de Lisboa. Isto na altura, agora é centro de Lisboa.

Eram os arrabaldes.

Eram os arrabaldes. Antigamente, toda esta área aqui da Estrela e de São Bento era campo, campo amplo, casas pequenas, modestas, lugar de hortas e de agricultura doméstica. E o primeiro mosteiro beneditino que houve em Lisboa foi, não este onde estamos agora, mas no alto da colina, onde depois de muitos anos, muitas décadas, foi o Hospital Militar da Estrela, ali mesmo ao lado da Basílica da Estrela.

Portanto, um bocadinho mais acima.

Um bocadinho mais acima.

Um bocadinho mais acima do sítio onde estamos.

E portanto, aí estávamos em 1572. E entretanto os monges compraram a Quinta da Saúde. Especulação imobiliária.

Já lá querias ir.

Começou cedo. Tinham sido acolhidas aqui vítimas da peste negra, nesta zona atual de São Bento, e em 1598 teve início a construção do Mosteiro de São Bento da Saúde, aqui na então Quinta da Saúde. Nossa Senhora da Saúde ficou, de facto, a santa padroeira do mosteiro. O arquiteto Baltazar Álvares projetou este edifício, de grandes dimensões, que veio a sofrer depois ao longo do tempo muitas alterações. O mosteiro no seu passado, de facto, foi uma prisão, foi uma hospedaria, foi uma sepultura de estranhos, foi refúgio, foi depósito de destroços de regimentos militares, foi uma academia militar e até uma academia patriarcal e com o sismo de 1755, foi aqui instalado provisoriamente o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, que depois andou em bulandas também até estar instalado definitivamente na Torre do Tombo, que agora está na Cidade Universitária no Campo Grande, em Lisboa. E em 1798, o mosteiro recebeu um preso famoso, preso do Santo Ofício, o poeta Barbosa du Bocage, esteve aqui detido em São Bento. Depois, com a Revolução Liberal de 1820, foi eleita a primeira Assembleia Constituinte, que aprovou a primeira Constituição portuguesa em 1822, e foram criadas duas câmaras, a Câmara dos Deputados, no fundo, os representantes do povo, e a Câmara dos Dignos Pares do Reino, uma câmara alta com representantes do clero e da nobreza. Tornou-se então necessário encontrar um edifício com dignidade, com tamanho, que pudesse ser a casa da política, onde os deputados de Câmara Baixa, se quisermos, e pares do reino, nobreza e o clero, pudessem reunir em simultâneo e com condições. E foi assim que em 1833 foi este o local escolhido para acolher o Palácio das Cortes, que era o nome do Parlamento na época. Em 1895, houve um incêndio que danificou aqui a ala direita do edifício, destruiu a sala da Câmara dos Deputados, e a partir daí, deu origem a um concurso para renovar e reconstruir o edifício. Houve a seleção de um projeto do arquiteto Miguel Ventura Terra. Esse projeto, além da construção da nova sala e da respetiva antecâmara, a sala que hoje é conhecida como a Sala dos Passos Perdidos, acabaria depois por remodelar grande parte do edifício monástico original. E foi durante o século XX, durante obras que duraram 50 anos. Portanto, esta coisa das obras demoradas. É a Santa Engrácia, de somente. É uma tradição bem portuguesa.

Se não for assim, não é português.

Exatamente. É a casa que representa de alguma forma o país, a democracia. E foi nessa altura, então, que foram construídas a escadaria nobre, a biblioteca e o salão nobre, onde nós estamos, precisamente esta sala onde nós estamos, que foram concebidos já esteticamente com as características atribuídas à arquitetura do Estado Novo. E depois, nós sabemos, 25 de abril de 74, parece que há uma revolução nesse dia. Já era a Assembleia Do país e a Assembleia da República ganha nova vida com eleições livres, a eleição de deputados, e é cá que estamos hoje para mais uma legislatura. Isto está tudo no site do Parlamento, que tem muito material para escolas também, muito material didático sobre a República, muitas imagens.

Muita coisa para ver.

E portanto, mesmo aqueles que não querem aquelas partes chatas do registo de interesses dos deputados ou quem é que votou o quê e que leis é que foram à sessão. Também é interessante. Se tiverem tempo e disponibilidade.

E vontade.

Mas há muito material não político sobre o Parlamento.

Muito interessante, mas vocês já viram o Tobias hoje?

O Tobias?

Isso é o quê?

É o gato do Parlamento.

Eu encontrei-o.

Encontrei, sim. Quando vinha com a Inês Galrito e com o Miguel Pedro Dias, estava numa caminha a dormir ali embaixo, num dos corredores. Não acordou com a nossa passagem. Ele tem conta de Instagram, Tobias, o gato parlamentar, e podem vê-lo em várias situações. E não é o único gato aqui da colónia de gatos no Parlamento. Esta é uma notícia da Agência Lusa do ano passado. Vivem nos jardins do Palácio de São Bento, além do Tobias, a Guidinha, o Totó, o Rudy e a Farrusca.

Temos que saber quem é o padrinho ou a madrinha, não é? Porque esses nomes são bons.

Os nomes são bons e este é também um dos temas pendentes. Temos andado a falar de assuntos que transitam de uma legislatura para outra. Este também. Esta é uma iniciativa do PAN, que propôs ao Parlamento o reconhecimento e o registo da colónia de gatos que habita nos jardins da Assembleia.

Dá direitos especiais aos gatos?

Dá direitos especiais, porque todo o tratamento que os gatos têm neste momento é informal e tem a ver com muitos assessores parlamentares e até iniciativa do próprio presidente da Assembleia da República, que tem garantido a caminha do Tobias, era mesmo incrível. Já não temos tempo, mas parece que vale a pena espreitar o Tobias e também esta iniciativa do PAN, que lembra que estes gatos precisam de um tratamento ou merecem um tratamento especial e até cuidados médicos, até porque o PAN recorda, e quer só deixar isto na exposição dos motivos da proposta do PAN, ele lembra que os gatos parlamentares acompanharam diferentes legislaturas, trabalhadores da assembleia, visitantes ao longo dos anos, eles conhecem mesmo os cantos da casa.

Se os gatos falassem.

Literalmente, é um saco de gatos.