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Começa agora a conferência de imprensa das manhãs "360". Paulo, vamos olhar para aquilo que se escreve sobre as eleições nos Estados Unidos, não é?
Ainda.
Ainda. Vai durar uns dias.
Há muita coisa em aberto ainda, como é evidente.
Ainda vai-se ser em contato.
Uma delas é que papel poderá ter Elon Musk numa futura administração de Trump.
Que até foi mencionado por ele no discurso de vitória.
Nasceu uma estrela.
Absolutamente, ele disse isso no discurso de vitória. E "O Observador", a Joana Moreira, de facto, lança-nos algumas pistas sobre isso, também a reboque daquilo que vai sendo publicado na imprensa norte-americana. Sabemos que Musk foi muito importante durante a campanha. No Twitter, eu vou continuar a chamar Twitter, senão X para cá e para lá, parece que estamos aqui a falar dos cromossomas. No Twitter, ele foi incansável durante meses, de facto, na defesa das propostas de Trump, nas críticas às propostas dos democratas. Foi ele que pagou, por exemplo, nas últimas semanas, aquele cheque semanal, diário, se não me engano.
Era diário?
Penso que era diário, foi durante algum tempo. Sim, um milhão de euros todos os dias sorteado entre quem assinasse uma petição em defesa da liberdade de expressão e do direito às armas. E foi referido, como já disseram, com grande destaque do discurso de vitória de Trump, dedicou-lhe largos minutos, contou histórias de conversas que tiveram ao telefone, considerou um tipo especial, um supergênio, e disse Trump: "Temos de proteger os nossos supergênios, porque não temos assim tantos". Elon Musk, sabemos, é o CEO fundador da Tesla, portanto, veio já revolucionar de alguma forma o setor automóvel, fundador também da empresa de foguetes da SpaceX, que tem explorado o espaço. É o homem mais rico do mundo. E então a questão que se coloca, de facto, é que papel poderá ele ter ou virá ele a ter na administração Trump. Em setembro, o Wall Street Journal dizia que Trump teria prometido então a Musk um lugar no governo, caso vencesse as eleições, e na altura o empresário reagiu no Twitter dizendo que estava ansioso para servir a América se a oportunidade surgisse, e dizia mesmo: "Não preciso de salário, nem de título, nem de reconhecimento". Nós percebemos isso, que ele não precisa de salário. E do resto também, é das figuras mais midiáticas do mundo, certamente, mais conhecidas. Agora, o mesmo Wall Street Journal avança que Musk deverá receber um papel na auditoria das despesas e regulamentos federais de uma futura administração Trump, através de um departamento de eficiência governamental. Musk terá, sim, provavelmente, um lugar à mesa onde muitas dessas decisões são tomadas. Estamos a falar de compras e contratos do Estado, como é evidente, dando-lhe desta forma a oportunidade de adaptar a política aos seus próprios interesses financeiros. No artigo publicado ontem, o Wall Street Journal avança, de facto, que Musk deverá sair largamente beneficiado com a vitória de Trump, já que as suas empresas, a Tesla, a SpaceX, a Starlink também, serão reguladas por várias agências federais, vários departamentos federais. O jornal obviamente alerta para aquilo que parece evidente no caso destes potenciais conflitos de interesse, caso Elon Musk se envolva ativamente numa comissão sobre estas despesas públicas. Por quê? Porque diz que muitas destas empresas, para lançar ou utilizar um foguete espacial, é preciso autorizações de uma série de entidades públicas. A mesma coisa, por exemplo, basta olharmos para o futuro dos automóveis sem condutor, que estão aí já. Para circular nas estradas, precisam também de uma série de autorizações e de alterações legais, antes de mais, para que isso possa acontecer.
E claro que todo este apoio não foi inocente.
Não é inocente, obviamente. Ele pode não querer salário por não precisar dele, mas certamente haverá outra forma de se sentir compensado. E talvez prevenindo este tipo de notícias, já no dia 1 de novembro, portanto, alguns dias antes das eleições, Elon Musk escrevia no Twitter, dizia ele: "Para ser claro, nunca pedi nenhum favor ao Donald Trump, nem ele me ofereceu nenhum". Vamos ver agora o desenrolar da equipa Trump na Casa Branca, o que vai acontecer.
Durante a campanha, disse-se muita coisa.
Está no Observador.
Eu vou aqui a uma notícia do Guardian que faz, no fundo, uma previsão de quem poderá integrar esta segunda administração Trump. Claro, Elon Musk, em primeiro lugar, é o primeiro nome apontado, e o Paulo já disse tudo, e no fundo é aquilo que também está neste artigo do Guardian. Elon Musk deverá querer um papel ativo também na área da supervisão dos setores em que ele investe. Mesmo que Trump não lhe dê um cargo desses, deverá querer premiá-lo pelo papel que representou nesta campanha. Mas há outros nomes. Mike Pompeo, antigo diretor da CIA, está na calha para o cargo de secretário da Defesa. Ele que é um apoiante fervoroso de Israel, inimigo figadal do Irão. Vamos ver aqui, ontem também falávamos do apoio de muitos árabes americanos a Trump. Vamos ver se isso vai traduzir numa mudança de política, o que é muito duvidoso em relação a Israel. Robert Kennedy Junior também foi uma das figuras da campanha. Agradeceu no discurso de vitória. Os responsáveis pela campanha de Trump dizem que não há lugar para ele no Ministério da Saúde, mas Trump é capaz de estar inclinado para aí. Richard Grenell é um dos nomes fortes para o cargo de secretário de Estado, ou seja, o ministro dos Negócios Estrangeiros. É um antigo embaixador na Alemanha, ex-colaborador da Fox News e um dos defensores do lema trumpiano de "primeiro a América", isto na cena internacional. Defende a criação de uma zona autónoma no leste da Ucrânia para acabar com a guerra. Claro que isto não é visto com bons olhos por Kiev. Tom Cotton é um dos nomes apontados para secretário de Defesa, senador do Arkansas, que esteve na luta também para ser candidato a vice-presidente e defendeu, por exemplo, o envio de tropas para conter os protestos relacionados com o Black Lives Matter, movimento que ele equiparava a uma rebelião. E por falar aqui em equivalências estranhas, Ben Carson é um neurocirurgião reformado, antigo secretário da Habitação, já comparou o aborto à escravatura e é um dos poucos que propõe uma proibição a nível nacional do aborto. No entanto, é possível que a fazer parte da administração, seja para a área da habitação e do desenvolvimento urbano, onde aliás, já esteve. Scott Bessent é um dos principais conselheiros econômicos de Trump, é um investidor de Wall Street que defende o recurso às tarifas alfandegárias como instrumento da política americana. Mike Waltz também é apontado como possível futuro secretário da Defesa ou de Estado, defende o apoio à Ucrânia, mas também uma melhor fiscalização do dinheiro dos contribuintes americanos, que vai para Kiev. Tem defendido também na Câmara dos Representantes uma postura mais agressiva dos Estados Unidos em relação à China. Depois há outros nomes para chefe de gabinete, Brooke Rollins ou Susie Wiles, que também apareceu no discurso de vitória.
Não quis falar, mas esteve por perto.
Exatamente, apareceu lá. Donald Trump Jr. e Stephen Miller, que foi o arquiteto por trás, não sei se todos se lembram, creio, daquela proibição de entrada de muçulmanos, de cidadãos muçulmanos nos Estados Unidos, também é apontado como um dos possíveis nomes para a futura administração Trump.
Está no Guardian.
Está no Guardian.