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Este é o som da conferência de imprensa da Rádio Observador. Hoje trago aquilo que já é uma tradição do jornal New York Times, que por volta desta altura elege sempre os destinos mais imperdíveis e que devem ser visitados no ano que começa. E parece que Portugal está mesmo na moda. Depois do Alentejo ter sido eleito o nono melhor destino gastronômico do mundo pelo guia Taste Atlas, agora é o jornal norte-americano a dar-nos palco. Elegeu Coimbra como um dos 52 destinos a visitar ao longo de 2025. A cidade medieval, cheia de alma no rio Mondego, como é descrita, é a única portuguesa a fazer parte da longa lista e que ocupa um muito simpático décimo primeiro lugar.
Olha, bem bom.
Para o jornalista Alexander Lobrano, que assina o texto sobre a nossa cidade, diz que Coimbra foi poupada das multidões que têm assombrado Lisboa e Porto nos últimos anos e que a tradição ligada à vida acadêmica e os anos de história se sentem nas esquinas de cada rua. O jornalista destaca ainda o Cula Bula Collab, um espaço dedicado a peças e artigos vintages, como vestidos da década de 40, e onde os visitantes podem também experimentar refeições vegetarianas e diferentes qualidades de cerveja. Não conheço. Fica aqui a dica, temos que ir. Não sei se também conhecem, mas o romântico hotel-
Os Peludos Penitos. Não.
A universidade. O romântico hotel Alto Canto, o recém-inaugurado Museu de Aristides de Sousa Mendes e o Malcata Eco Experience são também mencionados no mesmo artigo. Conhecem algum destes?
Não.
É irem a Coimbra.
Fiquei pelo Colégio Penitos. Ainda não tive a oportunidade.
Sabes que Coimbra tem mais encanto é na hora de despedir.
Exato. Mas para além de Coimbra, no número 11, no top 10 dos melhores destinos para se visitar em 2025, estão a Inglaterra em primeiro, a Ilha de Galápagos, no Equador, Nova York, o estado de Assam, na Índia. Conheces, Carla? Estiveste na Índia?
Não, Assam não estive.
O Golfo da Tailândia. Em sexto, a muito falada nos últimos dias, a Gronelândia.
Acho que o Trump já marcou uma viagenzinha.
Vai atrás do filho. Depois é Aix-en-Provence, no sul de França, em sétimo, o estado norte-americano de Sun Valley, em oitavo, Lumbini, no Nepal, e Sydney, na Austrália, está em décimo lugar. Só boas ideias para as viagens que ainda estão por marcar este ano. Eu vi na Sic Notícias, mas a lista completa pode ser consultada, claro, no site do New York Times.
Muito bem.
E eu agora vou também viajar para um lugar onde as coisas não estão a correr muito bem para os Estados Unidos, para a costa oeste, onde os incêndios já desalojaram mais de 150 mil pessoas e morreram 10 pessoas. E um dos motivos de interesse e que se justifica, por um lado, por outro, revela também um pouco uma certa curiosidade mórbida, é o facto destes incêndios terem atingido uma zona com mansões de muitas celebridades. Tem sido um dos pontos de interesse destas notícias. Claro que no meio disto tudo há muitas pessoas anônimas que estão a sofrer e não é completamente enviesada esta forma de pôr a situação, porque mostra como ninguém está a salvo de uma catástrofe destas. Portanto, por muito dinheiro que se tenha, ninguém está a salvo quando ocorre uma tragédia destas dimensões. Não é só o "El País", muitos outros jornais já fizeram essa lista, mas o "El País" fez uma lista, dedicou um artigo às casas das celebridades que foram afetadas por estes incêndios. Alguns perderam mesmo essas casas, como foi o caso de Paris Hilton. No caso de Paris Hilton, foi uma das casas de férias, mas onde passava muito tempo. Ela fez um relato sobre como viu, como ficou informada através da televisão de que a casa estava a arder. Tinha muitas recordações. O filho também cresceu ali naquela casa, mas não foi a única. Por exemplo, uma das primeiras mansões de celebridades a ser destruída pelo fogo foi a de Adam Brody e de Leighton Meester. Adam Brody, que agora é mais famoso pela série "Ninguém Quer Isto", está na Netflix. A casa ficou completamente destruída, mas também a casa de Billy Crystal e da mulher, Janice, ficou reduzida a escombros e ele, numa declaração enviada à CNN, disse que não há palavras para descrever a enormidade da devastação que estamos a viver. E eles viviam nesta casa desde 1979 e diz: "Criamos aqui os nossos filhos e netos. Cada centímetro estava repleto de amor". E claro que há muitos relatos deste gênero, não só de pessoas, destas celebridades. E é muito interessante ver o que as pessoas, naquele momento em que têm que sair de casa, decidem levar. E ontem estavam a passar várias reportagens e quase todas as pessoas diziam que, pronto, para além de se salvarem, do mais importante ser a preservação da integridade física da família, eram as fotografias. Quase todos diziam que iam buscar fotografias que guardavam, e isso é impressionante. Uns diziam que tinham conseguido tirar uns quadros. Pronto, isto para além de animais de estimação.
Sim, para além de mais valor.
Sim, mas as fotografias, várias pessoas dizem que tinham voltado atrás até para ir buscar fotografias. Continuando nesta notícia do "El País", o James Woods, também um dos atores, uma das celebridades que tem casa neste lugar, chorou numa reportagem, entrou em direto também para a CNN e dizia: "Um dia estás a nadar na tua piscina, no outro dia a seguir não tens nada, não te resta nada". A atriz e cantora Mandy Moore também agradeceu o trabalho dos serviços de urgência, dos bombeiros, porque toda a família ficou desalojada
Também reforçou esta ideia de que o importante é preservar a integridade física, mas muita gente perdeu mesmo tudo. Ficou sem casa, sem os bens, como a Anna Faris, uma atriz. A casa foi completamente arrasada pelo fogo e ela agradeceu uma vez mais. Aliás, a sua representante agradeceu, dizendo que estava tudo bem com a família, mas a casa ficou completamente destruída. O mesmo aconteceu com Denise Crosby, Anthony Hopkins, outro dos atores que perdeu a casa em Los Angeles, e Harrison Ford. Muitos outros tiveram de ser deslocados, porque também houve vários apelos das autoridades para que as pessoas saíssem de casa. Ben Affleck teve de alojar-se na casa da ex-mulher, Jennifer Garner, porque ele agora estava a viver numa casa que foi também destruída pelos incêndios. E Jamie Lee Curtis, que tem feito uma campanha agora também de recolha de donativos para auxiliar todas as pessoas que sofreram agora perdas com estes incêndios. São muitas.
E a lista não vai ficar por aqui.
A lista não fica por aqui. Tom Hanks, Reese Witherspoon, Jennifer Aniston, Adam Sandler. Uns perderam as casas, outros ficaram desalojados, estão à espera e ainda não sabem o que vai acontecer. É uma notícia que está no "El País", mas como eu disse, é assim em quase todos os órgãos de comunicação.
Posso ir eu. Estados Unidos, mas o que está a acontecer nos Estados Unidos pode acontecer agora no resto do mundo. Tem a ver com as alterações que a Meta, que Mark Zuckerberg anunciou para Instagram, Facebook e Threads, desde 7 de janeiro, as regras são diferentes. E o artigo que eu li na "Renascença" explica em concreto o que muda para os utilizadores destas plataformas, para já nos Estados Unidos, mas como sabemos, as redes sociais não têm fronteiras. Começa por aqui. Em nome da liberdade de expressão ilimitada, o fact check muda. A Meta substitui o que eram até agora os serviços de verificação de fatos, que estavam atribuídos a empresas certificadas, para um sistema de notas comunitárias. Ou seja, como agora acontece com o X, já se aplica nas outras redes sociais. Ou seja, a responsabilidade pela veracidade da informação que é partilhada nas redes sociais, passou de autoridades, de especialistas, para os utilizadores individuais, sem qualquer tipo de moderação. Grandes alterações no código de conduta para o ódio. Aqui muda muito e a linguagem, a partir deste momento, é muito diferente daquela que estávamos habituados a poder ler. A partir de agora, já não é proibido, por exemplo, comparar pessoas com animais, com doenças ou com objetos inanimados, o que significa que cabem insultos como tratar as mulheres por objetos, insinuar que, por exemplo, pessoas transgênero têm distúrbios mentais ou que uma pessoa é um porco ou um boi, por exemplo. Também é permitido, a partir de agora, negar a existência de uma pessoa ou de um grupo com base nas suas características específicas. O artigo da "Renascença" dá o exemplo: pode-se insinuar que os portugueses não existem porque Portugal pertence a Espanha, por exemplo, ou que a Gronelândia não tem soberania, por exemplo. Há uma exceção, negar o Holocausto ainda é proibido, mas as últimas versões deste código de conduta, que também baniam, por exemplo, demonstrações de que um grupo particular era responsável pela pandemia, já caiu. Essa proibição, neste momento, já não existe. Pode utilizar-se livremente insultos como feio, horroroso, estúpido, analfabeto, deficiente, louco, para ofender pessoas com base em características físicas, morais, intelectuais, de saúde mental. O calão também pode passar a ser dito e escrito sem restrições e qualquer discurso baseado na orientação sexual é permitido quando feito em nome de crenças religiosas. Passa a ser permitido. A partir de agora, é possível alegar saúde mental ou anormalidade quando queremos caracterizar algum gênero ou orientação sexual. Foi adicionada, e esta é a nota final, uma nota dirigida aos cidadãos da União Europeia, em que se lê: "Se está a ver algum conteúdo que viola as leis de discurso de ódio no seu país, pode submeter um pedido legal de remoção no Facebook ou no Instagram. E depois, boa sorte".
Ok, assim vamos.
É assim que vamos nas redes sociais.
Paulo Ferreira, tinhas uma história para hoje.
Tinha, fantástica.
Fica para segunda-feira.
É melhor.
Aliás, tinha duas, até. Mas isso é outra história.