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Conferência de imprensa da Rádio Observador. Vamos descobrir o que contam os jornais de Portugal e do mundo. Hoje com o jornalista Hugo Fortunato de Oliveira. Muito bom dia, Hugo.

Bom dia, Carlos.

Vamos começar pelo jornal Público e pelo chamado WhatsApp do Governo, que custou mais de €600 mil, mas não funcionou.

A medida fazia parte de um dos objetivos definidos ainda pelo governo de António Costa: reforçar as comunicações e a segurança informática do Estado. O objetivo era simples: criar uma aplicação semelhante ao WhatsApp, mas de uso exclusivo por membros e funcionários do governo. A solução ainda foi integrada no reforço da rede informática do governo. Só que a adesão foi muito baixa e acabou também por levantar dúvidas sobre a segurança de uma rede deste tipo. Agora Portugal vai ter de explicar à Comissão Europeia, no âmbito do último pedido de pagamento do Plano de Recuperação e Resiliência, como reforçou a rede informática do governo sem estas componentes. Bruxelas pode aceitar as explicações, mas também pode entender que o investimento acabou por ser revertido e, nesse caso, Portugal arrisca-se a perder a verba associada a esta meta do PRR ou até mesmo a devolver ou ver descontado o dinheiro que já recebeu.

Olhamos agora para o Expresso. Escreve o semanário que metade dos estudantes deslocados paga renda sem recibos.

Em Lisboa, Porto e Coimbra, a falta de alojamento está a deixar muitos estudantes dependentes de um mercado privado, onde a informalidade é frequente. Na região de Lisboa, existem cerca de 3500 camas públicas para aproximadamente 60 mil estudantes deslocados. Segundo a Federação Académica de Lisboa, cerca de metade dos estudantes recorre a mercado privado sem contrato formal de arrendamento. No Porto, onde existem cerca de 1500 camas públicas para 28 mil estudantes deslocados, um em cada três estudantes inquiridos pela Federação Académica não tinha contrato ou recibos. Já em Coimbra, onde a oferta pública deverá também chegar às 1500 camas, 32% dos estudantes deslocados em alojamentos privados também não têm contrato formal nem recibos. A situação pode ser ainda mais grave quando há despejos inesperados. As associações académicas dizem receber cada vez mais denúncias de estudantes que ficam sem quarto de um momento para outro e que têm de encontrar rapidamente uma alternativa.

E o Diário de Notícias faz hoje manchete com o governo. Segundo o DN, o Executivo está a ser pressionado pelos mercados para cortar na despesa pública.

Portugal é hoje um dos países da zona euro que mais reduziu a dívida na última década. O rácio caiu de mais de 132% do PIB em 2015 para cerca de 90, e o Estado financia-se atualmente a uma taxa média de 2,9%, abaixo de países como França, Espanha, Grécia e ainda Itália. Mas os credores avisam que é preciso continuar a consolidar as contas. O FMI pede cortes na despesa, maior eficácia dos serviços públicos, redução dos benefícios fiscais e ainda reformas nas pensões. A pressão aumenta ainda com os custos da defesa, o envelhecimento da população e outras despesas.

Passamos agora aos títulos internacionais. O ABC escreve que a polícia espanhola está a investigar radicais marroquinos que terão entrado em Ceuta infiltrados na avalanche migratória do mês passado.

Segundo o jornal, alguns estarão a usar as redes sociais para incentivar outros marroquinos a entrar na cidade espanhola autónoma. As autoridades suspeitam também de que alguns destes indivíduos tenham assumido posições de liderança entre os migrantes. A investigação acontece depois de vários episódios de violência em Ceuta. Entre eles está um ataque contra militares, que terá envolvido mais de 30 pessoas. A polícia está a monitorizar as redes sociais para tentar identificar novos focos de tensão. O ABC indica ainda que a Polícia Nacional vai reforçar o dispositivo em Ceuta, isto até novembro. O objetivo é acelerar a identificação e o registo dos migrantes que ainda permanecem na cidade.

E no The Guardian, foco nas cheias no Nepal e no Tibete. Há uma corrida contra o tempo perante a possibilidade de novas enxurradas.

As autoridades alertam para um lago artificial que se formou no local das inundações, que pode transbordar com a subida do nível das águas por causa das chuvas, provocando assim uma nova vaga de inundações. As equipas de socorro tentam chegar às zonas mais afetadas, mas a tarefa não é fácil. Dezenas de pontes desapareceram, bem como cerca de 40 km de estradas. Muitos resgates têm, por isso, sido feitos de helicóptero. O exército nepalês já salvou mais de 100 pessoas por essa via aérea. Pelo menos 479 pessoas morreram e mais de 1500 estão desaparecidas. As Nações Unidas mobilizaram equipas de emergência e disponibilizaram cerca de US$ 2 milhões para assistência médica, abrigo e ainda água.

Foi a conferência de imprensa, hoje com o jornalista Hugo Fortunato de Oliveira.