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Nós, no município, temos tido a oportunidade de receber imensos investidores e pessoas ligadas à indústria. E percebemos, às vezes, mais do que falar de solo, ou falar do valor do solo, ou falar daquelas coisas mais tradicionais relacionadas com a indústria pesada de antigamente, hoje o que se preocupa é uma série de fatores, que às vezes escapam aos municípios e claramente do Estado central, e na ordem do dia nunca se fala disso, mas que são absolutamente essenciais. Que é estar perto de boas infraestruturas, essa é a mais óbvia, mas ter solo disponível, ter solo disponível com infraestruturas, com capacidade de receber um novo tipo de indústria, de indústrias limpas, com boas capacidades de comunicação a nível de fibra ótica e com boa capacidade de rede. Obviamente, não estou a falar de fibra ótica simples, estou a falar de grandes quantidades de informação a ser transmitida. Estarem próximo de centros de competência, que é absolutamente essencial. Nós, nos últimos anos, temos beneficiado de muita indústria e de muita captação de investimento relacionada com áreas da saúde, da engenharia e, no fundo, muito relacionadas à qualificação intelectual de quem vai prestar esse serviço. No fundo, há uma grande adequação entre município, empresas municipais, designadamente a Invest Braga, a universidade, os centros de competência da universidade, na área da saúde, isso é bastante óbvio, e as empresas. E, portanto, este triângulo que se estabelece devia ser, se calhar, estabelecido a um nível mais central e devíamos olhar para o país nesses termos. Porque manifestamente, eu acho que Braga, por exemplo, tem se saído bem neste campo, porque tem uma estratégia óbvia, onde consegue conciliar estes três elementos, e não há estímulo por parte do Estado central para que isso aconteça. Obviamente que não é o Estado central que tem um diretório a dizer para onde é que vai cada tipo de investimento, dependendo do tipo de oferta qualificada e, no fundo, da cadência de cada um dos territórios para um determinado setor de atividade dentro da indústria, mas devia haver uma articulação maior. E devia haver um investimento maior na qualificação das zonas industriais. Repito, não é ter mais lotes, não é cair no óbvio, isso é a base de tudo, mas tem a ver, sobretudo, com a especialização, com a qualificação dos parques industriais. E eu acho que nós já devíamos estar a pensar nisso de forma mais séria, porque isso já começa a acontecer no estrangeiro, designadamente na Europa também, não é só na China ou nos Estados Unidos, isso na Europa já acontece. Portanto, quem compete conosco começa a ficar à frente nesse aspecto. E eu acho que não é assim tão difícil fazermos essa articulação. Há tanto dinheiro, desde os PRRs, agora PT2030, o PTRR, investido em tanta coisa, que eu acho que, muito possivelmente, desse dinheiro investido, aquele que mais traria retorno, seria um investimento qualificado, pensado, bem conversado, acerca destes novos parques industriais, mas, sobretudo, de captação de investimento qualificado, repito, que também pagam melhores salários, que produzem melhor, porque também só assim é que nos distinguimos dos outros. Porque nós já percebemos que não é pela mão de obra em excesso, não é pela mão de obra barata que nos vamos distinguir, e ainda bem, é pela qualificação. E essa qualificação deve ser procurada a vários níveis, ao nível dos recursos humanos, portanto, da oferta que há em cada um dos territórios, mas também a capacidade que uma empresa tem de se fixar cá. Nós não podemos esperar um ano ou dois anos, porque alguém que vem para cá que precisa, por exemplo, de uma grande capacidade de troca de informação de dados. Não vamos escolher o terreno para depois instalar a capacidade de comunicação. De repente, já passaram 10 anos e nós temos que nos preparar para isso.
O Conselho Industrial dá voz a protagonistas importantes da economia portuguesa, que o Observador reuniu em torno da Cimeira da Indústria. É uma parceria com a AE Minho, com o apoio do Município de Braga, PwC, Tabaqueira, Siemens, Elior e Derichsburg Facility Services, Universidade Católica Portuguesa e BPI.