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Altura de conhecermos do que vai a Helena Matos falar no Contracorrente desta sexta-feira, dia 28 de agosto. Para nos dar a sua opinião em direto, é ligar para nós 910 002 41 85. Também pode enviar a sua mensagem de voz pelo WhatsApp, o número é o mesmo 910 002 41 85. Luís Soares.
Hoje vamos olhar para a política pura e dura, sentir o pulso aos vários partidos, numa altura em que é lançado um think tank de esquerda. Vamos também tentar perceber o que representa, e se o CDS vai continuar pendurado na AD, se o PSD pós-Chega nunca mais voltará a arriscar fazer reformas. Quanto ao Bloco de Esquerda e ao PCP, estão em contagem decrescente para a irrelevância eleitoral. Será, Helena Matos, bom dia, que os partidos sabem que algo vai mudar, só que não sabem exatamente o que nem quando?
Duas observações. Este Contracorrente é absolutamente dedicado a, parafraseando as vossas declarações anteriores, aquilo que piora pode melhorar. E é uma lição de vida. Estou aqui inspiradíssima.
Já percebemos que sim.
Exatamente. A outra tem a ver precisamente contigo. A ideia de que o CDS e o Bloco de Esquerda caminham para a irrelevância eleitoral, vamos fazê-lo como interrogativa, está bem? Porque não vamos estar aqui a anunciar como um facto consumado aquilo que, agora aqui falte por mim, me parece que realmente é já um facto consumado. Mas como vocês dizem, tudo o que piora pode melhorar. E há aqui coisas que pioram bastante, quem sabe, não melhorarão bastante. Nós temos hoje no Observador um artigo que dá conta da percentagem que o PS aspira para poder avançar mais seguramente para ir para eleições, e que será uns 35%. Mas aquilo que nós temos aqui é que para lá do PS, para lá da AD, há mais partidos, ou seja, há mais partidos para lá destes. E seja qual for as soluções governativas que venhamos a ter, esses partidos também farão parte da solução. Porque, por exemplo, quando nós vemos o PS a dizer que com 35% se sente seguro, muito provavelmente numa solução governativa, seria muito interessante que o LIVRE crescesse. Mas para o LIVRE crescer, ainda tem que crescer um bom pedaço, porque nós centramo-nos sempre muito naquilo que é a disputa entre os dois, três que estão à frente. Habituámo-nos a falar sempre de dois, agora já são três. Temos também o Chega a fazer parte desta solução. Mas a um outro patamar, temos outro tipo de disputas. Por exemplo, nós temos neste momento o LIVRE e a Iniciativa Liberal disputarem aquele lugar do mais relevante dos mais pequenos ou dos que estão abaixo, mas não é exatamente o mesmo, aquilo que pode representar um resultado do LIVRE a crescer numa solução com o PS, do que aquilo que pode representar a Iniciativa Liberal. A Iniciativa Liberal não tem correspondido àquilo que seria o propósito de uma solução de governo na área do centro-direita, e neste caso, com a AD. Temos esta matéria aqui, até onde é que vai a Iniciativa Liberal, que se note, está agora na sua rentrée. Temos o LIVRE, que é um partido unipessoal. É tão unipessoal quanto o Chega, só que não cresceu tanto quanto o Chega, mas é um partido de um líder, mas que tem tido um crescimento muito interessante. E sim, podemos estar aqui a assistir a algo também de substancialmente diferente, e que é aqueles partidos que vêm desde a fundação da democracia, embora se possa, no caso de um deles, discutir a sua democraticidade, estou a falar do Partido Comunista Português, e o CDS, temos o PCP e o CDS, qual é que vai ser o seu futuro? O PCP está neste momento com três deputados, eu sei que vai ter a Festa do Avante, mas é como se a festa de um jornal que ninguém lê, se tivesse tornado muito mais relevante e com muito mais eco do que o próprio partido. Temos aqui um pouco qual é que vai ser o futuro do Partido Comunista Português, qual é que vai ser o futuro do CDS. Neste momento, o CDS são os novos Verdes. Só que os Verdes nunca foram a votos e o CDS foi. Só que nós, neste momento, não sabemos o que vale eleitoralmente o CDS. Vai ser possível manter um partido assim? É uma pergunta que eu estou a fazer. E depois temos um partido que já é posterior à fundação da democracia, mas foi um partido que teve um alto impacto mediático, e teve um número razoável de deputados, que é o Bloco de Esquerda. Neste momento, as últimas sondagens indicavam para o PAN, que também tem só um deputado, que numas futuras eleições poderia deixar de estar representado no Parlamento. E eu pergunto: e o Bloco de Esquerda vai continuar representado no Parlamento? Ou o seu eleitorado vai alimentar, por exemplo, o LIVRE, o PS ou formações mais à esquerda que venham a aparecer? É como se nós víssemos as peças todas a começarem a mexer-se no tabuleiro em função de um encontro/eleições, que vai ter lugar numa data que ninguém sabe qual é, por enquanto, mas que se sabe que pode ser decisiva E sê-lo-á sempre para a formação do governo de Portugal, mas também pode ser decisiva para o futuro de alguns destes partidos. E aí estou a referir-me muito mais ao caso do PCP, ao caso do Bloco de Esquerda, ao caso do PAN. Note-se até que midiaticamente o PAN saiu completamente do radar. Eu lembro-me, não foi há tanto tempo assim, a sua líder, Inês de Sousa Real, todos os dias aparecia nos noticiários a dizer que tinha influenciado o governo de António Costa para isto, tudo parecia que resultava da influência do PAN. Neste momento, não vemos nem pessoas, nem animais, nem a natureza, não vemos o PAN. O Bloco de Esquerda, que foi um partido que viveu muito pelo impacto mediático que tinha, também desapareceu do radar das notícias. E eu pergunto se é porque os jornalistas já não dão atenção ao Bloco ou se porque o Bloco não faz chegar as suas iniciativas, intenções, propostas à comunicação social. É um pouco disto que vamos falar, sempre contudo, que uma das últimas sondagens, estou a falar da Católica, sim, tudo isto estava a mexer um pouco, mas havia ali um resultado muito importante e que dava conta que uma percentagem muito significativa de portugueses, mais de 40%, considerava que 48% não viam melhor alternativa a Luís Montenegro para estar no governo. Estamos na fase do para pior já basta assim, parece-me, mas com essa extraordinária, mas extraordinária mensagem de otimismo que vocês deram, aplicada sabe-se lá a que contextos, Deus Nosso Senhor perdoe, mas de que tudo o que piora, melhora e assim vamos seguir para a contracorrente daqui a pouco.
E assim será depois das 10h. Até já, Helena.
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