Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Tudo pronto para mais uma edição do Contracorrente, a última da semana. Já sabe que pode e deve participar, fale com o José Manuel Fernandes. O número é o 91 002 41 85 e pode ainda usar as nossas redes sociais e site para deixar os seus comentários, mas queremos ouvi-lo: 91 002 41 85. Carla Jorge Carvalho. Ontem o país foi surpreendido pela decisão do governo britânico de retirar Portugal da lista verde de países para onde se podia viajar sem restrições e isso levantou uma onda de protestos. O Contracorrente tinha naturalmente de tecer sobre este tema, mas José Manuel Fernandes vai insistir em ser do contra. E não me digas, José Manuel, que vais ser o único português a compreender a decisão de Boris Johnson.

Bom dia outra vez.

Bom dia.

Não sei se serei o único, mas quase de certeza que haverá poucos portugueses que não estejam agora cheios de fervores patrióticas. Pelo que vi ontem, por exemplo, nas redes sociais, tínhamos umas marchas como no tempo do Ultramar Tingolês. O hino já não precisávamos, porque o hino, para quem não sabe, foi feito para marcharmos contra os subitos de Sua Majestade. Claro que nunca marchámos, como é óbvio, mas se não marchámos, marcharemos. Mas enfim, mais depressa corremos para trás dos balcões para servir imperiais e pastéis de nata do que reabram os aeroportos. Enfim, não é por patriotismo, não é por achares patrioteiros que eu quero falar. Eu quero mesmo falar é das razões porque é que passámos da lista verde pra lista âmbar, que é assim que se chama, ou pelo menos é assim que os ingleses chamam.

Provavelmente foi por causa do que se passou na final da Champions. Todos viram aquelas imagens em todas as televisões.

Vamos lá ser sérios. Eu acho que o Reino Unido não é Portugal e a forma de governar é um bocadinho diferente. Eu sei que não todo mundo se governa muito, talvez se governe demasiado em função do que se passa ou não passa nas televisões, mas talvez lá não se tenha chegado ao ponto de só as televisões contarem. Eu sei que em Portugal a decisão britânica foi um rude golpe, sobretudo pro nosso turismo. Há o risco de ser mais um verrão partido, sobretudo se esta decisão não for revertida lá mais pra diante, lá mais pro fim de junho, quando eles voltarem a olhar pra ela. Compreendo isso tudo, e já falaremos um pouco disso lá mais pro fim, mas vamos olhar para as coisas como elas são, isto é, com objetividade. Primeiro que tudo, havia muito poucos países na lista verde, o que quer dizer que havia muita exigência pra entrar na lista verde. Para teres uma ideia, na Europa, além de Portugal, só estavam na lista verde Gibraltar, que é Reino Unido, a Islândia, que fica lá no meio do mar, assim como as Ilhas Faroe, portanto, verdadeiramente não contam. No mundo todo, estava Israel, naturalmente, está todo vacinado, a Austrália, a Nova Zelândia, do outro lado do mundo, Cingapura, Brunei e depois umas ilhas perdidas no meio do mar, as Falkland, aquela ilha para onde foi o Napoleão, umas coisas assim. Mais nenhum país. Como vês, o critério era e é apertadíssimo, pelo que o risco de sair da lista era enorme.

Mas, José Manuel, se nós temos cada vez mais pessoas vacinadas, como é que isso aconteceu? O risco não é cada vez menor?

Quer dizer, é e não é. Como sabes, eu tenho defendido o desconfinamento mais controlado, mas também mais rápido e menos medroso do que aquele que estamos a ter. Mas enfim, não vamos agora discutir isso. Contudo, ontem, ao ler o comunicado do governo britânico, fiquei a saber coisas que sabia e coisas que não sabia. Ou melhor, confirmei algo que já sabia e que não considerava muito preocupante, o aumento dos contágios, mas descobri que temos cá uma estirpe potencialmente muito perigosa. Mas primeiro aos contágios. Como se escreve no comunicado do governo de Londres, e cito: "O rácio de testes positivos à COVID-19 quase duplicou desde a primeira avaliação." Acontece que esse rácio é agora mais elevado do que o do Reino Unido e só isso por si podia levar o país a mudar a posição, o que se compreende. Eles não querem mandar pessoas pra países que têm rácios maiores que os deles. Como imagino, podíamos ficar por aqui a discutir porque isso aconteceu, se foi por causa do Sporting, se foi por causa da Champions, se foi por causa da obrigaça do Espírito Santo, mas o mais inquietante, na minha perspectiva, o mais grave, não é isto. Para mim, o mais inquietante é o que vem a seguir no comunicado. E no comunicado, o que vem a seguir é que de acordo com os dados de acompanhamento da pandemia, nós já temos em Portugal 68 casos da variante indiana mais grave, que é a variante Delta. E o pior é que além dessa variante, foi detectada nelas mais uma mutação.

Portanto, uma variante e mais uma mutação. Estás a falar de quem em concreto?

Isto é um pouco complicado e eu vou tentar ser o mais claro possível, porque anda tudo um pouco confuso. Primeiro, temos aquilo que habitualmente chamamos de variante indiana. Na verdade, não são uma, mas três. Sendo que uma delas, que é conhecida por Delta, é claramente a mais perigosa. E é essa que está a crescer no Reino Unido neste momento. E é por isso que eles estão preocupados, até porque eles querem desconfinar a sério no dia 21 de junho e querem controlar as coisas até 21 de junho. Esta variante, pelos dados ontem divulgados pelo Reino Unido, é só consultá-los, é mais transmissível, provoca mais internamentos, portanto, é mais perigosa, e também dá indicações de que resiste melhor à vacina. A vacina pode tornar-se 15% a 20% menos eficaz, segundo dados ontem publicados pelo governo inglês, é só consultar. A última vez que soubemos qual era a situação em Portugal, que foi na sexta-feira da semana passada, disseram-nos que tinham sido identificados 45 casos da variante indiana. Das três qualidades da variante indiana, e que o problema da perigosa estirpe Delta eram 37. Ontem, o governo britânico disse-nos que, afinal, já temos em Portugal 68 casos, não 37, da variante Delta. Só isto irrita, porque ficamos a saber pelo governo inglês qual é a nossa situação. Só depois de termos esta informação é que alguém do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge veio confirmar que, sim, em Portugal realmente temos 68 casos. E também confirmou 12 casos daquilo a que agora se chama variante nepalesa. Por que os senhores doutores do Instituto Nacional Ricardo Jorge só se dignam falar aos portugueses uma vez por semana, às sextas-feiras? Isto a mim deixa-me doido. Aliás, esses senhores doutores nem souberam ler o comunicado do governo inglês, porque se apressaram a desmenti-lo quando ele estava certo, tinha os números certos, mas enfim, já lá iremos. Entretanto, o que é que se passa? Passa-se que os laboratórios trocam informação, a informação vai passar às bases de dados britânicas, que eu próprio consultei ontem e vi lá os números. Só que em Portugal não há bases de dados públicas, é tudo secreto. Enfim, é uma discussão que tivemos milhares de vezes aqui há um ano, que eu ando a protestar contra isto, e desse secretismo já não falámos inúmeras vezes.

Mas José Manuel, ainda não chegaste à questão da mutação.

Pois não. Vamos então à questão da mutação. O que parece ter acontecido é que o vírus voltou a sofrer uma mutação, aparentemente uma mutação que pode torná-lo mais agressivo. Basicamente, incorporou uma mutação que estaria nos chamados vírus da África do Sul. O vírus indiano transmitia-se mais facilmente. O vírus indiano, com uma mutação, pode tornar-se mais infeccioso e, por isso, mais perigoso. Segundo a base de dados do governo britânico, a tal que eu citei, haverá 90 exemplares identificados em todo o mundo, só que 12 deles são em Portugal. Noventa em todo o mundo não é muito, 12 em Portugal não é muito, mas o problema é que essa variante é uma variante que ainda não se sabe muito bem, como eu disse, se as vacinas são eficazes, isto é, se nos defendem realmente contra esta nova mutação. Como já te disse, a outra já era mais perigosa e esta nova mutação não se sabe, porque agora temos uma dupla mutação. Aquilo que o governo britânico fez foi considerar que, estando estas estirpes a circular em Portugal, o melhor era mesmo não correr riscos.

Isso é a estirpe nepalesa de que falaram os tabloides britânicos?

Sim. Se bem que os cientistas agora, neste momento, preferem batizar estirpes com o nome de letras gregas para libertar de ligações a este ou aquele país. Mas deixa-me voltar atrás àquilo que me preocupa. Preocupa-me que Portugal, comparativamente com o Reino Unido e outros países, faça relativamente poucos estudos de sequenciação genética dos vírus. Só para teres uma ideia, estes estudos, aliás, são muito complicados e pesados, e nós não temos meios para isso. Só para teres uma ideia, em Portugal, nós já sequenciámos 8320 vírus. Este número eu encontrei nas bases de dados inglesas, não encontrei em Portugal. No Reino Unido sequenciaram 425 mil, um número completamente diferente. Isto significa que podem estar a escapar-nos mais vírus com variantes. Sendo que essas variantes só são detetáveis através deste processo, que é moroso e complexo, de sequenciação genética, não se apanha de outra forma. Não se apanha fazendo só aquelas coisinhas no nariz e na garganta. Depois, preocupa-me que continuemos com esta cultura de secretismo, que não nos permite acompanhar a situação em cima da hora. Este tipo de dados só nos é dado uma vez por semana, o que é pouco. Vai-nos ser dado hoje, vamos saber o que nos dizem hoje.

E considerando que estamos com mais infetados e anda por aí um novo vírus, tu no lugar do Boris Johnson, também tinhas tirado Portugal da lista verde?

Eu acho que sim. Reparemos, para o governo inglês, isto não é uma medida que eles gostem de tomar, é mesmo uma medida impopular. Os ingleses, os britânicos em geral, estão desesperados por férias, por sol, e isto deu muita polémica ontem. Bastava ver a televisão, ver os jornais. E não é seguramente indo para Israel, para a Islândia ou então indo para a Austrália, que é muito longe, que vão tirar as férias de sol e praia que eles querem. E como nós vimos na final da Champions, os britânicos não se portam lá muito bem quando a cerveja corre em abundância. E por isso eu compreendo que o Boris Johnson não queira correr riscos e não queira turistas infetados no regresso a casa. Obviamente, para o nosso turismo, isto não é bom, mas é talvez a altura de dependermos menos dos ingleses. Aliás, como hoje foi discutido de manhã aqui no "Explicador", e muito bem. Também percebemos, com estas medidas, porque eles não quiseram a final da Champions em Wembley. Eles atuam com prudência, apesar de a final da Champions ser entre clubes ingleses. Ou seja, eu acho que é a altura de nós percebermos que temos de ser um pouquinho menos parolos com esta coisa do futebol e um pouquinho mais profissionais. Por isso, eu diria, teria feito como Boris Johnson, apesar de correr riscos políticos, e teria olhado um pouquinho mais para os estudos, em vez de estar a mandar bocas para a plateia, como vejo muita gente fazer nesta reação à decisão dos ingleses.

Está feito aqui o contra corrente de José Manuel Fernandes. A provocação também já está feita. Queremos ouvir os nossos ouvintes, mas antes chamamos também o professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. É também o diretor do Instituto de Investigação do Medicamento, João Brás Gonçalves. Bom dia, obrigada por estar connosco.

Bom dia.

João Brás Gonçalves, de acordo com o que sabemos da presença das variantes e das mutações em Portugal, também lhe parece que é mais prudente fechar o país a turistas estrangeiros e, em sentido inverso, compreende a decisão do governo britânico de não querer cidadãos em Portugal, por agora?

Depois de ter estado a ouvir o José Manuel Fernandes anteriormente, eu tenho que concordar com a maioria das coisas que foram ditas. Eu acho que nós estamos, em Portugal, sempre habituados um pouco a correr atrás do prejuízo e não a antecipar esse prejuízo. Ou seja, temos sempre esta tentação de fazer algo como uma reação àquilo que é fundamentalmente o problema. E eu acho que este problema já se estava a antecipar um pouco. Ou seja, desde há umas semanas, quando ouvimos falar aquela situação dos trabalhadores no Alentejo e a origem desses trabalhadores, nós já estávamos a antecipar que as condições de transmissão das variantes indianas seriam colocadas e, portanto, na altura, não se percebeu exatamente qual era o plano de contenção e de rastreabilidade dessas potenciais variantes. Nós já sabíamos claramente que esse iria ser um problema. E, portanto, mesmo quando houve, na altura, a colocação de Portugal na lista verde, mesmo em Inglaterra, colocou-se essa questão, exactamente, que essa população de trabalhadores nepaleses e indianos estaria perto do Algarve. E portanto, nessa altura, já houve algumas informações do Reino Unido de que: "Vamos ter cuidado, porque isto pode acontecer." E portanto, parece que os ingleses estavam mais atentos a esta situação do que propriamente os portugueses. Isso combinado também com esta questão, que é uma questão claramente de saúde pública, do Reino Unido. E nós, claramente, tivemos aqui quase que uma atitude de: "Está tudo bem, já não vamos sair da lista verde," como dito anteriormente, isso nunca é revisto dia a dia.

Então, mas quer dizer, João Brás Gonçalves, que até mais importante do que o nosso ritmo de vacinação, a pressão hospitalar, o número de casos diários, é esta questão das variantes e da falta de controle e de conhecimento que temos sobre variantes e mutações que nos pode colocar em causa?

É isto que levava. Nós vamos assistir nos próximos meses e se calhar até ao fim do ano, mesmo com esta vacinação que vamos ter, vamos ter certamente o aparecimento de mutações. Estas mutações que estão a aparecer juntamente com a variante indiana, são mutações que já apareceram noutros vírus e, portanto, ela já tinha aparecido na variante sul-africana, que agora se chama Beta, e que existia de uma forma isolada e agora quando começou a aparecer na variante indiana, toda a gente ficou preocupada. Exatamente porque nós temos esta noção, e é preciso compreender que em Inglaterra cerca de 40% da população está vacinada e demora algum tempo a chegarmos à imunidade do grupo. Nós estamos com 20% da população totalmente vacinada. Eu acho que as pessoas também têm que ter esta noção que o perigo aqui está na questão da vacinação e ser uma vacinação completa. E só quando nós tivermos as duas inoculações, passadas algumas semanas, é que nos podemos considerar protegidos. E é exatamente essas contas que os ingleses estão a fazer. E, portanto, neste contexto das férias, eles estão a pensar exatamente que vão apanhar, no fundo, estas variantes exatamente em cima da altura em que deveriam estar a criar imunidade e isto está a criar-lhes alguns problemas. Ora, nesta situação, eu acho que o que era importante para nós era termos antecipado este problema. E este problema, na minha opinião, nomeadamente com a chegada dos turistas ao Algarve, não está a ser equacionado até do ponto de vista de uma antecipação daquilo que são as possíveis entradas destes variantes. E, portanto, não é com testes rápidos, sinceramente. Eu acho que esta questão dos testes rápidos é importante para identificar os casos, mas nestes casos particulares, que são variantes que vêm de sítios e locais que não sabemos quais são, tem que haver aqui uma atitude mais proativa, com testes PCR específicos para estas variantes, de modo a que depois seja mais rápido, e em resposta aquilo que o José Manuel Fernandes estava a dizer, seja mais rápida essa identificação. Eu não estou é de acordo com esta questão do secretismo que foi falado anteriormente, porque existe uma base de dados no Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, que é pública e portanto não é secretismo, é uma base de dados que nós podemos aceder e está toda a identificação desses variantes lá. Está disponível na internet e portanto essa informação é pública. E portanto, claro que temos aqui um problema de rapidez e volume de sequenciação, mas isso é o nosso país, a disponibilidade de meios não é a mesma que nos Estados Unidos.

E se calhar vale a pena falarmos um pouco mais sobre isso já daqui a pouco. João Brás Gonçalves, deixe-me convidá-lo também a ouvir os nossos ouvintes que já se inscreveram para poder participar. E temos um diretor hoteleiro a ligar-nos de Óbidos, o Miguel Andrade. Bom dia.

Muito bom dia.

Bom dia. Como é que olha para esta decisão do governo britânico?

Pois, eu estive aqui atento a ouvir os comentários da hora de manhã e também no "Conta-Corrente". E acho que nós temos que entender que o Reino Unido já não é mais um país da Comunidade Europeia, saiu e tem regras próprias. E parece-me que, mais uma vez, Portugal não se preparou e não estudou os critérios que estão em cima da mesa para colocar ou não colocar os países na linha zero. Vimos que a Omnira foi um tema muito falado e acho que esse impacto que teve na contaminação do nosso país é relevante. E vimos que para os ingleses o critério das variantes é muito importante e parece agora a variante Delta, a variante Tupau, que realmente tem muito impacto na sua decisão. E acho que aí o nosso governo tem imensas responsabilidades na antecipação das expectativas, no fazer o trabalho de casa, não só para minimizar os impactos que isto causa diretamente na nossa economia. Sabemos que o Algarve tem uma exposição ao turismo inglês brutal. Nós aqui nesta geografia também temos uma enorme exposição ao turismo inglês, do Reino Unido, é o nosso terceiro mercado, que alterna com o mercado alemão e com o mercado do Reino Unido. E claro que o impacto em junho será imediato. Vamos ter que limpar, se quiser, desde já, entre sete a 10 pontos percentuais que já tínhamos nos nossos livros. Portanto, o impacto directo são cerca de 10% das nossas reservas. Agora vamos ver se daqui até à próxima revisão, dentro de duas semanas, se voltamos ao semáforo verde ou ficamos fora e ali o impacto será em julho e em agosto também. Isto também tem um impacto negativo, que é a incerteza que a nível dos consumidores isto traz para o nosso destino. Mas parece-me que há um impacto directo e acho que mais uma vez as nossas oportunidades de governo não fizeram o seu trabalho de casa para estudar os critérios que o Reino Unido agora traz.

E conseguir antecipá-los. Miguel Andrade, muito obrigada por nos ter ligado e deixado aqui esta perspectiva. O Nelson Brito está a ligar de Loulé, é médico. Nelson, bom dia.

Muito bom dia, obrigado pela oportunidade em participar. Eu gostava de dizer apenas duas coisas. Falou-se há poucos minutos aí no programa da fundamentação da decisão do Reino Unido, que a confirmar-se o que foi dito, se compreende, mas independentemente de se concordar ou não, ou mesmo que a fundamentação da decisão britânica estivesse, porventura, cientificamente pouco fundamentada, acho que não se pode falar propriamente de uma situação de justiça ou injustiça, não só porque o Reino Unido já não está no mesmo espaço económico e político que já esteve dentro da União Europeia. Por outro lado, e é o último ponto que queria salientar. Eu pergunto-me se do ponto de vista sanitário, se até não faria sentido que Portugal, à semelhança do que já fez antes, e Portugal e outros países europeus, à semelhança do que já fez antes em relação ao Reino Unido, não lhe tivesse fechado as portas. E digo isto porquê? Por causa justamente da variante indiana que se tem falado e também porque, se bem me lembro, no outono passado ainda não havia caso nenhum identificado da variante dita brasileira aqui em Portugal e já o Reino Unido tinha fechado as portas a Portugal e ao Brasil do ponto de vista de tráfego aéreo. E o certo é que a terceira onda que nós tivemos em Portugal no início do ano, e que se falou muito por causa da questão das viagens dentro do país e da época natalícia, etc. Mas o que víamos cá era que no final do ano tínhamos bastantes residentes britânicos, que terá sido justamente a variante dita britânica a causar essa terceira vaga a que nós assistimos. É um bocadinho, se calhar, um pouco inesperado este meu ponto de vista, mas penso que do ponto de vista sanitário, ainda que-

Perdemos o contacto com o...

O que é interessante.

Muito bem, Nelson Brito, fica registada essa questão. Se não faria mais sentido ser Portugal a fechar a porta a turistas britânicos e não o contrário. É a questão deixada aqui pelo nosso ouvinte, a quem agradeço também o telefonema. Vamos ouvir mais um, o Sérgio Rodrigues, que está a ligar de Almada, é empresário. Sérgio Rodrigues, bom dia.

Muito bom dia. Agradeço a oportunidade e vinha só aqui, dentro daquilo que é o aspecto da minha opinião, salientar que o Reino Unido não fechou as fronteiras. Os turistas que regressem de Portugal têm que fazer uma quarentena de 10 dias.

Dificulta as viagens, claro.

Dificulta, mas não fechou as fronteiras. Isto é importante porque a pessoa pode perfeitamente planear as suas férias e obviamente tem um obstáculo que não facilita, mas esse obstáculo é criado por uma medida de precaução e preventiva. E aqui eu queria debruçar-me sobre esta questão da preventiva, que é o Reino Unido, que pelos vistos está a adotar medidas restritas preventivamente. Mas também não nos podemos esquecer que o Reino Unido, eles são extremamente cautelosos, talvez por viverem numa ilha, e eles próprios foram os primeiros a libertar o modelo do Imperial College, que permite basicamente que a humanidade morresse do vírus, felizmente isso não acontece, dentro de duas semanas, com aqueles RT de seis e oito. Portanto, nós temos que ver que o Reino Unido tem uma realidade diferente e temos de debruçar-nos sobre a nossa. E nós temos que perceber é que o vírus vem cá para ficar. É impossível erradicar o vírus. Nós temos que apostar na proteção através da vacinação, na proteção dos mais frágeis. E a grande discussão que nós temos que ter para os próximos tempos, porque isto vem cá para durar, é qual é o nível de risco que nós queremos viver. Se queremos ficar fechados numa bolha, usando aqui a expressão, para sempre, ou se estamos dispostos a correr alguns riscos, nomeadamente o período que nos encontramos, porque é diferente estarmos a falar de liberdades neste momento do verão, que felizmente temos umas taxas de ocupação hospitalar basicamente nulas relativamente à Covid, e não estamos a falar no pico do inverno onde de facto tivemos aqueles episódios. E acho que há aqui um grande problema que nós estamos a discutir isto como um problema para sempre

Isto é um problema que tem picos, que nós temos como sociedade de discutir e estar preparado para resolvê-los pontualmente. E neste momento, sejam as estirpes nepalesas ou indianas, o que é certo é que nós temos que ter cautela, mas a prudência não se aplica só em termos médicos, a prudência também se aplica em termos da nossa sanidade mental, aquilo que são os negócios das pessoas e aquilo que é necessário para nós vivermos em equilíbrio com esta doença, tal como vivemos com outras doenças.

Sérgio Rodrigues, muito obrigada. Um bom dia para si e, aliás, esta reflexão, José Manuel Fernandes, serve para a questão que surge a partir do momento em que percebemos que temos um vírus que se tornou pandémico. É esta a questão do equilíbrio, como é que isto se joga? Porque estamos sempre à procura de um compromisso entre a questão sanitária e a questão económica e de sanidade mental.

Sim, é um vírus que vai evoluir de pandémico para endémico e que vai viver conosco. Eu acho que aquilo que disse o Nelson Brito é um ponto relevante, até porque nós temos que tentar atuar com cabeça fria. E de facto, por exemplo, o que aconteceu em dezembro passado, quando muitos países fecharam as portas ao Reino Unido para evitar que viesse a variante inglesa. A chamada "variante inglesa". Agora as variantes têm nomes de letras gregas.

Uma letra grega.

Uma letra grega. Eu recordo-me que a opção portuguesa era: "Os nossos imigrantes têm que vir passar o Natal conosco." E depois tivemos janeiro. Foi, eventualmente, um dos fatores que contribuiu para o que aconteceu durante o mês de janeiro. Nós temos que tentar atuar um pouquinho mais com base na ciência e menos com base naquilo que é o impulso, a pressão política, a pressão da popularidade mais fácil. E esta transição daquilo que é a pandemia, o momento da pandemia, em que uma das grandes preocupações era manter os serviços de saúde a funcionar para o momento do vírus viver conosco, é uma transição difícil. Até porque estas variantes colocam, de facto, um desafio novo. Nós agora dizemos assim: temos ainda muito poucos vírus destes identificados, mas o problema é que nós só estamos a testar e a fazer testes a cerca de 5% das amostras de vírus. Em princípio, não são 90, serão 90 vezes 20. Aqueles que andaram por aí, em princípio. Serão muito mais. Temos que ser um pouquinho mais prudentes, até porque é um vírus que tem uma capacidade de reprodução, que se diz que é três a quatro vezes superior ao vírus normal. A variante Delta, e esta a gente não sabe.

João Brás Gonçalves, deixe-me fazer-lhe essa pergunta: que capacidade é que Portugal tem de identificar variantes? Sabemos que o processo é complicado. Escapam-nos necessariamente muitas variantes ou mutações do vírus?

Não existem duas, ou três, ou quatro variantes. Existem, certamente, muitas mais, e o número de mutações deste vírus é imenso ao longo do seu genoma. A identificação imediata ou rápida que nós temos, a nossa capacidade que nós temos, realmente é limitada, comparativamente àquilo que é a capacidade da Inglaterra em ter essa identificação. E é sempre um atraso. Nós estamos a falar hoje de 12 casos, que são os casos que nós identificamos, se calhar, passadas duas semanas. Estes 12 casos era o que existia anteriormente na altura. Neste momento, se calhar, há muitos mais. O atraso significa também isso. Os ingleses sabem exatamente que estes 12 casos, se calhar, não é a realidade e temos sempre algum atraso nessa identificação. Eu não sei se me é permitido, mas eu gostaria de voltar a esta questão do risco e qual é o risco com o qual nós queremos viver. Eu acho que o que foi dito aqui foi uma boa observação, exatamente porque nós vamos continuar a viver com estas variantes. E é preciso ter uma ideia que esta psicologia do medo e esta transição, como o José Manuel Fernandes disse anteriormente, da pandemia para a fase mais endêmica, vai ser relativamente difícil, porque as pessoas não estão habituadas a pensar no coronavírus como algo endêmico, mas vai acontecer. E eu acho que vai acontecer até mais rapidamente do que nós estamos à espera. Agora, o medo é que vai ser o nosso grande inimigo. Claramente, quando nós ouvirmos falar em novas variantes, vamos ter sempre uma sensação de perigo à nossa volta. E não podemos esquecer que esse perigo vai ser claramente estimulador, muitas vezes, para algumas decisões que não são as mais racionais. Eu queria deixar aqui uma parte mais de otimismo: é que se nós pensarmos, por exemplo, na variante sul-africana ou a brasileira, que é a variante Gama, nós fomos capazes de a controlar e certamente vamos conseguir controlar também esta. E se tivermos tempo, exatamente, para deixarmos a imunidade, o pico da nossa imunidade vai ocorrer no final de agosto, princípio de setembro. Se nós conseguirmos aguentar exatamente esta vaga de novas variantes, certamente vamos ter aqui uma fase endêmica que será muito importante. Eu acho que era fundamentalmente isso que nós devíamos ter. Vai ser um verão difícil Claramente. Vai ser um verão difícil, porque vamos ter estas novidades sempre a acontecer, mas eu acho que era fundamental que esta grande vantagem que nós temos agora e que nós tínhamos em dezembro, que era a vacinação, possa nos salvar exatamente no inverno, que potencialmente pode ser difícil.

E é bom ter isso em mente. Júlio Magalhães, vamos recolher agora as opiniões que chegam pelas nossas plataformas digitais.

Sim, e são muitas, sobretudo no Facebook, há dezenas de comentários. O Pedro Correia, por exemplo, diz: "Os britânicos só nos meteram na lista verde por causa da Champions. Todos os outros países da Europa estavam amarelo ou vermelho. Acabou a Champions, acabou o verde." O Manuel Sacramento, por exemplo, diz: "Atitude certa ou errada, não me pronuncio, mas a realidade é que os contágios passaram de 300 para quase 800 e medidas até o momento foram zero. Na Noruega, onde está o meu filho, com um simples aumento para 400 casos, ficou tudo em casa com desemprego a 100%." Já agora, o Fernando Félix da Costa: "Os britânicos fizeram muito bem durante o processo de saída da União Europeia, Brexit, e pela forma como fizeram a gestão da pandemia no Reino Unido, a União Europeia disse aos ingleses o que Mohamed não se atreveu a dizer da carne de porco. O Reino Unido está a resolver a pandemia de uma forma exemplar e tem uma das maiores taxas de vacinação do mundo. Tudo isto causa muito incômodo à decadente e incompetente Europa continental." A Maria Lapa, do Porto, pergunta: "Afinal, para que serve a diplomacia? O nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros serve pra alguma coisa ou nesta pandemia cada país faz o que quer?"

Comentários nas redes e também no nosso site, mas além de ler, também queremos ouvi-lo. Faça como os ouvintes que escutamos há pouco, sinta-se à vontade para participar. Gostaríamos de conhecer a sua opinião. O número pra onde deve ligar é o 910 002 41 85. E foi o número para onde ligou o Luís Rosa, que trabalha na área financeira e que está a ligar do Reino Unido. Luís Rosa, muito obrigada pelo seu telefonema. Como é que se ouve esta decisão do governo britânico aí no Reino Unido?

Olá, bom dia.

Bom dia.

Aqui há muito desespero e desilusão por parte do setor turístico, porque Portugal, dentro dos grandes destinos turísticos do Sul da Europa, era o único que estava incluído na lista verde. E portanto, fala-se em aumento do desemprego e mais falências no setor. Eu gostaria de frisar, então, em relação a este facto, esta saída de Portugal, duas ou três coisas que não têm sido ditas na comunicação social. Uma é que as autoridades britânicas, quando tomaram esta decisão, tiveram em conta a linha de tendência para as próximas semanas da evolução da pandemia. E neste momento, com os dados disponíveis, a linha de tendência de Portugal é de subida do número de casos e não de estabilização ou descida. Portanto, esse foi um fator a ter em conta. Outro fator a ter em conta é o modo como as autoridades portuguesas gerem as fronteiras. Aqui no Reino Unido, por exemplo, existe a lista vermelha. Quem vai pra um país da lista vermelha, quando volta, tem que ficar de quarentena em hotel. E por que em hotel? Porque as pessoas depois se vão pra casa, se vão pra um hostel, vão contactar com outras pessoas e a quarentena, na prática, não vai funcionar. Ora, as autoridades portuguesas não obrigam ninguém a ficar em quarentena em hotel com acordo com o Estado. E, portanto, esse é um dos fatores que poderá levar a que entrem em Portugal estas variantes da Índia, variante do Brasil. Aliás, o governo português demorou muito tempo a excluir o Brasil das ligações aéreas com Portugal em dezembro e em janeiro, o que fez com que Portugal ficasse na lista vermelha durante um mês ou dois meses. Portanto, o governo português falha na gestão das fronteiras, porque deveria impor medidas mais rígidas para quem regressa de países de risco com variantes de risco, como a Índia, a África do Sul ou o Brasil. E eu não vejo ninguém na comunicação social falar disso. Como é que se controlam as pessoas que vêm destes países? Como é que é feito o controle na entrada? Vão pra quarentena, mas vão fazer uma quarentena onde? Como é que se controla se saem do local onde estão em quarentena? Entende?

Sim.

Não tem sido feito.

Ou pelo menos há a noção de que não está a ser feito e não está a ser acompanhado. Isso cria incerteza.

As autoridades britânicas, e Portugal esteve na lista vermelha, já não está, agora vai pra amber list, mas seria importante que isso fosse pensado para que nós possamos voltar à green list o mais brevemente possível.

Luís Rosa, muito obrigada pelo seu telefonema. Agradeço ter trazido essa perspectiva do Reino Unido. Vou chamar a última ouvinte e já temos muito pouco tempo. A Madalena Correia de Sá, que é reformada e que liga de Lisboa. Bom dia.

Bom dia. Olhem, eu acho que Portugal tem uma certa culpa, porque não tomou as devidas providências em relação aos ingleses, aos primeiros que vieram. E depois, acho que o nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros, sabendo que houve o Brexit, existiu, tinha a obrigação de ter com os ingleses um cuidado mais especial, porque todos sabemos como é que os ingleses agem. É sempre a favor deles. E acho que nós, como precisamos imenso dos ingleses pro nosso turismo e pra nossa economia, deveríamos ter tido uma relação especial sobre o assunto E que isso não fosse feito.

Madalena Correia de Sá, muito obrigada. Deixamos também aqui esta opinião. Agradeço o seu telefonema. Um bom dia. João Brás Gonçalves, ouvimos aqui várias opiniões e este nosso ouvinte, que está no Reino Unido, deixava esta ideia que o governo britânico, olhando para os dados portugueses, percebia que estamos numa linha de tendência de evolução de aumento de casos. Esta é uma conclusão quase lógica e que faz sentido? Devemos pensar que estamos ainda no momento ascendente da pandemia?

Sim, é o que eu dizia há pouco. Os números que nós temos agora nem são os números reais e, portanto, os números claramente vão aumentar nas próximas semanas. Não esqueçamos que estamos no verão e, portanto, a movimentação das pessoas e todos os factores de risco que levam a esse aumento de incidência estão a aumentar. Não há aqui fórmulas mágicas, sabemos exatamente que isso vai ocorrer. Eu acho que esse foi exatamente um dos problemas e, sabendo o governo inglês quais são os factores de risco e que esses factores de risco estavam a aumentar, não vai ser certamente nas próximas duas semanas que nós vamos ter uma saída de Portugal da lista laranja.

Podemos ter quase isso como certo.

Eu dou quase isso como certo, infelizmente. Não estou a ver que, de repente, em duas semanas, só se deixássemos de ter dados e desaparecessem os testes e tudo mais, mas isso neste momento não é possível.

Não é possível por aí. José Manuel Fernandes, peço também um comentário e o final. Registei uma questão deixada por um dos nossos leitores que perguntava para que serve a diplomacia. Não sei se queres ir por aí. Há espaço para que a diplomacia possa fazer alguma coisa numa situação como estas?

Há e não há, na minha perspectiva. Eu senti, e já senti isso no ano passado, que a nossa diplomacia junto do Reino Unido não tem funcionado como deveria. E as indicações que tive na altura, os contactos que fiz, é que nós não estamos a trabalhar suficientemente bem junto das autoridades britânicas, designadamente para explicar a nossa política e a nossa situação.

Até essa questão do controle de fronteiras, como dizia o nosso ouvinte que estava a falar do Reino Unido, Luís Maza.

Sim, até a questão do controle de fronteiras e depois os sinais são muitas vezes realmente contraditórios. Mas a diplomacia, designadamente o trabalho da embaixada no Reino Unido, não será o melhor de todos nesta fase. Quer dizer, nós temos que pensar que a diplomacia moderna não é uma diplomacia à antiga, feita de salamaleques. É uma diplomacia que tem que ser muito técnica, que tem que ser acompanhada por um esforço de explicação dos dossiês e não apenas por cortesia. E desse ponto de vista, parece-me que às vezes os nossos serviços diplomáticos nem sempre funcionam à altura, nem sempre. Sobretudo quando há alguma desmobilização no topo, que foi a indicação que eu tive relativamente ao que se passou há um ano. Como se recordam, há um ano nós tivemos já uma crise com o Reino Unido. Eu na altura perguntei, mas a nossa embaixada não sabe explicar as coisas como deve ser e a indicação que eu tive foi essa. Não sei se as coisas melhoraram de há um ano para cá, não tive tempo, entretanto, de voltar a verificar a situação, mas admito que não tenha havido uma mudança substancial nessa situação. Agora, a situação não me parece brilhante no Reino Unido e a pressão é muito grande, porque eles têm uma data que é um bocado mágica: é 21 de junho. Há uma enorme pressão para 21 de junho haver um desconfinamento. Eles fizeram um plano a muito longo prazo e esse plano tinha, de facto, essa data de 21 de junho. Ainda agora aquele professor do Imperial College, o Neil Ferguson, está a dar indicações públicas de que os indicadores não apontam na boa direção. E esses indicadores têm, sobretudo, a ver com a presença desta variante Delta, digamos, da variante má, da variante indiana. É muito perceptível que eles estejam muito preocupados com a evolução dessa variante e estejam a monitorizá-la de forma muito apertada. E eu acho que nós também temos que ter atenção a isso e não apenas àqueles indicadores muito simples dos quatro quadrados.

Da matriz de risco.

Da matriz de risco, que é uma coisa um bocado pobre, que muita gente anda a dizer há muito tempo que é pobre e que precisa de um pouquinho mais de sofisticação. E nós precisamos de falar com mais transparência aos portugueses, pensando que os portugueses são mais adultos do que são realmente. Quando são tratados como adultos, portam-se como adultos.

Chega ao fim este Contra Correntes. João Brás Gonçalves, muito obrigada por nos ter ajudado também a olhar e a perceber o que está a acontecer com estas variantes e mutações do vírus. Agradeço, naturalmente, a participação dos nossos ouvintes. José Manuel Fernandes, até segunda-feira.

Até segunda-feira. Bom fim de semana. Eu sou o José Manuel Fernandes, obrigado por ter ouvido este podcast. Pode subscrevê-lo ou partilhá-lo. A Rádio Observador, pode ouvi-la online ou em 98.7, na Grande Lisboa, ou em 98.4, no Grande Porto.