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Com Miguel Videira. Jornal das Quatro, com Miguel Videira. Miguel, muito boa tarde. Começamos este jornal no Tribunal de Sintra, onde terminou há instantes a primeira sessão do julgamento de Duarte Lima, acusado do homicídio de Rosalina Ribeiro. Mas começamos antes disso, com mais uma reação, há instantes, a essa despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional.

Do primeiro selecionador da equipe A de Portugal de Cristiano Ronaldo, Luiz Felipe Scolari, o treinador brasileiro que orientou a equipe das Quinas no Euro 2004, a primeira grande competição em que participou até aqui capitão de Portugal, diz que Ronaldo deu o passo certo.

E Ronaldo, fizeste bem, estás tranquilo. Tomaste a decisão correta e fostes um dos atletas que Portugal jamais esquecerá e que eu, como teu amigo e como pessoa que te admiro, jamais esquecerei também por tudo que fizeste junto comigo e junto com os teus colegas.

O elogio de Luiz Felipe Scolari numa mensagem divulgada há pouco nas redes sociais.

Do antigo para o atual selecionador nacional, Jorge Jesus deixa palavras de elogio ao percurso de Cristiano Ronaldo.

Foi em declarações ao canal da Federação. Jorge Jesus fala num símbolo.

O Cris, referência mundial, uma referência Portugal, uma referência da seleção. É um jogador que ao longo destes anos deu muito à seleção. É um símbolo para a juventude portuguesa e a maior parte dos fãs dele são jovens. Eu tive a oportunidade de partilhar ao longo de um ano que trabalhei com ele no Al-Nassr. Portanto, ele vai ser sempre uma referência da nossa seleção, do nosso povo.

As palavras elogiosas de Jorge Jesus, apesar do diferente com o jogador, que acabou por conduzir ao abandono de Ronaldo do estágio da seleção entre os jogos para a Liga das Nações. Depois do episódio, o selecionador tentou que Cristiano Ronaldo regressasse à seleção. Sem sucesso.

Nós já tivemos a oportunidade de falar antes da primeira convocatória sobre isto. Eu pedi a ele para continuar comigo, porque precisava que ele estivesse ao pé de mim, mas tenho que aceitar a decisão dele. Mas ele vai sempre estar no coração dos portugueses, na seleção e não há volta a dar, porque ele será sempre uma referência do futebol português.

Jorge Jesus tinha pré-convocado Ronaldo para os dois jogos a contar para a Liga das Nações agendados para este mês de novembro. Havia a expectativa que fosse um dos nomes anunciados amanhã pelo selecionador, aquando da divulgação da lista definitiva de convocados, um dia que antes Ronaldo despede-se da seleção.

E agora sim, seguimos até Sintra. Terminou há poucos minutos a primeira sessão do julgamento de Duarte Lima.

Acusado do homicídio em 2009 de Rosalina Ribeiro, e tal como se esperava, Ricardo Lopes, agora aqui em direto de Sintra, Duarte Lima remeteu-se ao silêncio.

Era algo já anunciado pela defesa de Duarte Lima e confirmou-se, Miguel. Depois de responder a algumas perguntas a que era obrigado, perguntas de identificação como idade, nome, estado civil, o antigo líder parlamentar do PSD disse que, por conselho do advogado, não ia prestar declarações nesta sessão de julgamento. Antes disso, o advogado João Neto começou por pedir a junção de dois documentos ao processo, documentos que dão conta do estado de saúde do arguido. Os juízes Carlos Camacho, bem como a procuradora do Ministério Público, aceitaram essa junção, mas não acederam, no entanto, ao pedido de que esses mesmos documentos ficassem em reserva e não fossem acessíveis ao público, mesmo sendo relativos à situação clínica do arguido. Duarte Lima tem 70 anos. Eu entrei mesmo atrás do arguido no tribunal, vi que para passar a segurança, tirou dos bolsos também uma caixa de comprimidos e o telemóvel. Reparei que há pouco, dentro da sala, o arguido tomou um comprimido. A idade torna-se relevante para este processo também essencialmente por outro motivo. A defesa de Duarte Lima argumenta que, segundo a lei brasileira, o crime de homicídio prescreve ao fim de 20 anos. Ora, passaram 17, mas há uma nuance que o advogado João Neto refere: esse prazo é reduzido para metade quando o arguido tem mais de 70 anos. Isto não é algo líquido, mas é essa a interpretação apresentada pela defesa. Logo, pedem a arquivação do processo. Um processo que o advogado João Neto classificou há pouco na sala como um processo já julgado fora do tribunal, devido a toda a atenção midiática. Reitera que não há, nem nunca houve, nesta novela brasileira, palavras do próprio, provas confirmatórias de qualquer crime. Para terminar, Miguel, neste primeiro dia de julgamento, estava também reservado tempo para ouvir outra testemunha, Rosemary Spínola, que era amiga próxima da vítima. Foi também uma das primeiras pessoas a alertar para o desaparecimento. Foi chamada à porta da sala de audiências. No entanto, ninguém respondeu e depois foi a própria procuradora do Ministério Público explicar algumas dificuldades em notificar pessoas ligadas a este processo. Não há qualquer confirmação de que esta testemunha, por exemplo, esteja sequer viva. Entretanto, esta sessão terminou nos últimos minutos, como dava as contas, foi interrompida precisamente por dificuldades na localização de alguns ficheiros do processo original que veio, como disse, do Brasil, particularmente a encontrar uma gravação de um depoimento. Com alguma frustração notória, o juiz deu assim a sessão por terminada. Carlos Camacho avisou, no entanto, que este processo já ultrapassou todos os prazos razoáveis, depois de 17 anos de espera. A próxima sessão já tem data, está marcada para o dia 19 deste mês, Miguel.

Ricardo Lopes, jornalista do Observador, que acompanhou esta primeira audiência de julgamento de Duarte Lima, acusado do homicídio em 2009 de Rosalina Ribeiro, e tal como se esperava, e o Ricardo Aqui nos explicava. O antigo deputado remeteu-se ao silêncio.

O Ministério Público veio hoje justificar a demora na conclusão do inquérito da Operação Marquez, aliás, da Operação Influencer, e justifica essa demora com os recursos apresentados pelos arguidos.

Já passaram quase três anos desde as buscas ao gabinete do então primeiro-ministro António Costa, que acabaram por precipitar a demissão do agora presidente do Conselho Europeu. Ora, em comunicado, o Ministério Público explica que dos 150 dispositivos digitais apreendidos, falta ainda analisar 30, que, acreditam os procuradores, contêm comunicações imprescindíveis à descoberta da verdade e à consequente conclusão da investigação. Acrescenta que ainda não foi possível analisar estes equipamentos por força de recursos apresentados por arguidos ou por indivíduos alvo de buscas.

O Partido Socialista quer ouvir o Instituto Nacional de Estatística no Parlamento para clarificar a atualização nos dados da imigração, que apontam para a saída de mais de 780 mil pessoas do nosso país nos últimos cinco anos.

Número avançado hoje pelo Jornal Público, com base na atualização das estatísticas do INE para a imigração entre 2021 e 2024, e que resultam de uma nova forma de contabilização que reviam em alta o número de pessoas que deixaram o país de forma permanente. O deputado Carlos Pereira, deputado do PS, quer explicações.

O que temos assistido nos últimos tempos é bastante grave, porque cria uma instabilidade não só na opinião pública, mas também na opinião executiva, naqueles que têm que preparar políticas públicas sobre, afinal, o que se passa com a população portuguesa, qual é o valor que deve ser estabilizado e o que está a acontecer nestes anos.

E, por isso, o PS quer ouvir os responsáveis do INE assim que terminem os trabalhos orçamentais.

Nós, logo que acabe o processo orçamental, chamaremos o Conselho de Administração do INE para voltarmos a ter um debate na Assembleia da República sobre este ponto e verificarmos de uma vez por todas se o país pode estar sossegado sobre as estatísticas da população. Eu penso que nenhum dos senhores se lembra de tanto falatório em torno das questões da dimensão da população. E isto é uma responsabilidade do INE. O INE tem que saber estabilizar este tipo de matéria.

É o que diz Carlos Pereira, deputado do PS, numa conferência de imprensa hoje nos Passos Perdidos, na Assembleia da República.

Miguel, decorre a esta hora mais uma audição na Assembleia da República no âmbito do Orçamento do Estado.

Sim, desta vez está a ser ouvido o ministro da Defesa, Nuno Melo, que já defendeu que nenhum governo na história da democracia portuguesa investiu tanto no setor como o atual executivo. Seguimos em direto até o Hemiciclo na Assembleia da República, ao encontro do jornalista Vasco Maldonado Correia. Vasco, a audição é sobre defesa, mas já houve espaço para debater segurança, cibersegurança do telemóvel do ministro.

Sim, depois das notícias que dão conta de um ataque informático ao telemóvel pessoal de Nuno Melo. O tema foi aqui trazido, foi abordado pelo deputado do Chega, Nuno Simões de Melo, que avisa que o caso mostra falta de cuidado e é um sintoma de algo maior dentro do governo.

Todos os equipamentos que usa devem garantir a máxima fiabilidade e segurança. Vieram a público algumas notícias de que isso não aconteceu. Eu posso dizer, já aí descansar o senhor ministro, ninguém me pediu dinheiro com o número do senhor ministro. De qualquer forma, senhor ministro, isto revela algo muito grave, que é uma ausência de políticas ou de sentimento de segurança dentro do próprio gabinete e que é de cultura de segurança inexistente no país.

Face a este incidente, o deputado do Chega veio perguntar se o governo está a pensar incluir no Orçamento do Estado fundos para uma campanha de sensibilização para a cibersegurança. Na resposta, Nuno Melo lembrou que este tipo de ataques já aconteceu com várias figuras políticas em toda a Europa e avisa que este exemplo negativo deve ser visto de forma pedagógica.

Há muitos portugueses que não sabem, muitas vezes, como é que os seus telemóveis podem ser objeto destes ataques. E poder-se, numa ação que é até de uma certa pedagogia, dizer-se que, no caso dos iPhones, se não fizerem as atualizações do software, essas intrusões são mais fáceis, eu acho que é pedagógico e é bom. Eu podia ter ficado calado e o senhor deputado não estava aqui a fazer esse número. Mas agora o senhor deputado está aqui a fazer esse número. Eu dou-lhe estes exemplos que lhe ajudam a mostrar que o caso não é singular em Portugal. E já agora, senhor deputado, também não é garantido que ninguém neste Parlamento possa ser objeto das mesmas intrusões. Eu espero um dia não ter nenhuma mensagem do senhor deputado a pedir-me dinheiro, mas se tiver, garanto que nos vamos rir muito ambos, porque pode acontecer, senhor deputado.

Um bate-boca entre Nuno Melo e o deputado Nuno Simões de Melo, aqui na defesa do Orçamento do Estado, como vem sendo habitual num tema que foge ao tema da audição. Já garantiu, no entanto, o ministro, que nenhum governo investiu tanto em defesa como o atual, nenhum governo na história da democracia portuguesa, e anunciou também o novo sistema nacional de próteses, uma forma de apoiar os antigos combatentes.

Declarações escutadas e aqui trazidas a esta edição das 16h pelo jornalista Vasco Maldonado Correia.

Vamos atualizar as notícias às 16:30.