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Começa agora o Contracorrente do José Manuel Fernandes. Já sabe que pode e deve participar através do 91 002 41 85. Estamos também no Twitter, Facebook, Instagram e tem ainda o nosso site, claro. Em qualquer das plataformas pode deixar os seus comentários, mas já sabe que o gostamos de ouvir. Por isso, 91 002 41 85. Miguel Cordeiro.

José Manuel Fernandes está de regresso de férias. Bom regresso, José Manuel.

Obrigado.

Regressa também o Contracorrente. José Manuel, apanhaste nos últimos dias de descanso o congresso do PS. Calculo que não tenha dado para seguir com toda a atenção tudo o que se passou em Portimão, mas mesmo assim houve algumas coisas que foste apanhando e que queres comentar, a começar por Mariana Vieira da Silva, certo?

Certo. E queria começar precisamente por ela. Deve ter sido a Sara, ou talvez não, mas escolheu estar no carro quando ela foi discursar. Sinceramente, devo dizer que há muito tempo que não assistia a um exercício tão penoso. Juro que não consigo perceber como é que ela pode ser primeira-ministra adjunta e chegar a ser primeira-ministra em exercício, quando o primeiro-ministro está de férias. Juro também não consigo entender como colocam-na na linha de sucessão de António Costa, pelo menos pelo discurso que ela ali fez. A missão de Mariana Vieira da Silva no Congresso não era uma missão pequena, porque ela tinha que apresentar a moção do líder. Portanto, era um dos discursos mais importantes, tinha que ser uma intervenção, porventura, fundamental no Congresso, tinha que ser substantiva, tinha que ter conteúdo, tinha que ter densidade. Mas não, foi tudo o contrário disso. Olha, eu dizia que parecia que ela tinha pela frente uma fiada desses cartazes que a gente ora vê aqui para as eleições autárquicas, cartazes que, como sabes, infelizmente, não se distinguem pela eloquência, ou se quiseres, distinguem-se pela eloquência da imbecilidade e ia lendo esses cartazes uns a seguir aos outros. No fundo, ia lendo slogans, porque aquilo era um discurso de slogans, banalidades, frases feitas e que não tinha literalmente uma ideia. Quando a moção, em princípio, que ela estava a apresentar, devia ser uma moção de ideias. Pior, e esta é a parte que me tocou mais, me enervou mais: acho que foi um discurso populista, demagógico e que eu acho mesmo que ofendia a inteligência de quem estava a ouvi-lo.

Críticas duras, mas neste caso, nessa parte, ofendia a inteligência em que sentido?

Eu acho porque era mistificador, porque explorava aquilo que são sentimentos populares ou certos sentimentos populares, porque misturava meias-verdades com meias-mentiras. Para não dizer que não era mentiroso, ponto final, sem usar meias-palavras. Portanto, eu vou citar-te uma passagem, que é uma passagem em que a ministra procurou explorar o filão do SNS, que era um tema que estava a ser muito gozado nessa altura no Congresso. Já vamos voltar a isso. Olha bem o que ela disse, eu vou citar palavra por palavra. Tive de tomar notas para voltar a ouvir. Nós temos o discurso todo no site, portanto, quem quiser pode ir ao fio: "Aqueles que viram na pandemia uma oportunidade para uma vez mais apoucar e desvalorizar o SNS, para tentar fazer de conta que só o privado resolveria os problemas, esses tiveram uma resposta à altura, uma resposta à altura do SNS, uma resposta à altura dos profissionais de saúde e uma resposta à altura dos portugueses e das portuguesas." Isto é uma misturada sem nome. Ora eu pergunto: primeiro, quem é que disse que só o privado resolveria os problemas da pandemia? Eu confesso que estive muito atento durante este tempo todo e não me lembro de ninguém ter dito tal coisa em altura alguma. Nunca ninguém disse que só o privado resolveria os problemas da pandemia. O que eu me lembro, e muito bem, é das falhas do SNS durante a pandemia, e isso foram muitas. Não está em causa, em contrapartida, isso. Nunca esteve em causa a resposta dos profissionais de saúde. Esses foram incansáveis. Mas não misturemos uma coisa com a outra, porque houve muito esforço, mas também houve muita desorganização. Esteve e está em causa, quando se fala do SNS, falta de planeamento e isso, por exemplo, levou ao caos de janeiro e todos nos lembramos do caos de janeiro. Esteve e está em causa, por exemplo, a demora em contratualizar o consultor privado. E sim, isso houve demora e por isso a recuperação das listas de espera está atrasada. Esteve e está em causa, por causa disso, um custo para a qualidade de vida e para a qualidade da saúde de muitos, para não falar, diria mesmo, sem desminuir, se calhar de milhões de portugueses. Eu podia estar aqui horas a falar sobre outras falhas do SNS, já falei muito sobre isso no Contracorrente, não vou voltar a repetir coisas. Agora, as coisas só não correram pior, precisamente porque houve muitos profissionais de saúde que fizeram das tripas coração. E também porque a maioria dos portugueses, como também já disse muitas vezes, estiveram quase sempre à frente das recomendações do Governo e, sobretudo, da nossa inefável DGS. Mas eu não vou voltar a falar disso agora. Vou só dizer aquilo que é óbvio: para o PS, para os seus ministros e para a mesma Mariana Vieira da Silva, não conta aquilo que todos nós vimos e vivemos. E aquilo que nós vimos e vivemos é que somos um país que chega a esta altura da pandemia, e isto são números objetivos, com mais mortes por milhão de habitantes que a média da União Europeia. Esse é que é o balanço objetivo. Temos mais mortes por milhão de habitantes que a média da União Europeia. E, vejam lá, temos muito mais mortes por milhão de habitantes que a Suécia, que toda a gente disse tanto mal. Isto são os números que realmente contam, mas no Portugal de cor de Rosa Mariana Vieira da Silva, parece que estes números não existem Que foi tudo bom.

Mas olhando também para outros números, não achas que entretanto recuperámos muito? Por exemplo, no caso da vacinação, estamos à frente.

É bom falar sobre a vacinação. É muito bom mesmo. Sabes por quê? Primeiro, porque a vacinação, em última análise, não foi uma operação montada dentro do SNS, foi uma operação basicamente militar. Se bem te lembras, no princípio nomearam para a task force um rapaz do PS, um senhor do PS, vou ser mais respeitoso, um militante que já tinha sido secretário de Estado várias vezes, que entrou em pânico a dizer que fazia aquilo a part-time, que nem era preciso mais e que aquelas primeiras semanas foram o caos absoluto, uma confusão sem nome. Todos os dias aquelas trapalhadas conferências de imprensa, uns Power Points impercetíveis, as trapalhadas que as pessoas passavam à frente, tudo isso. Até que houve uma altura em que o Freimentas foi-se embora e deixou-se de dizer, por exemplo, que as vacinas iam ser dadas nos centros de saúde. Houve uma altura em que se disse que as vacinas iam ser dadas nos centros de saúde, como se isso fosse logisticamente possível, porque na altura havia a opção de meter tudo dentro das sacrossantas estruturas do SNS. Como é óbvio, isso acabou, puseram os militares à frente da operação e a coisa entrou nos eixos. Mas mais, há outra razão para que a vacinação em Portugal tenha corrido bem. E essa razão é que em Portugal existe um programa público e universal de vacinação. E esse programa é antigo, vai a caminho de ter 60 anos. Começou na década de 60. Eu acho que ainda Salazar era vivo quando ele começou. Os portugueses habituaram-se às vacinas, habituaram-se ao boletim de vacinas, num tempo em que não havia SNS, infelizmente. Porque infelizmente não é assim noutros países, e para desgraça deles, há tanta resistência às vacinas.

Mas permita que quem te estiver a ouvir pode achar que pra ti o SNS não tem mérito nenhum.

Não é isso que estou a dizer, nem é isso que eu penso. O que eu não suporto é demagogia, o que eu não suporto é as pessoas verem só um lado do problema. O que eu também não suporto são mentiras. Por exemplo, outra das estrelas do congresso, que foi a socialista Marta Temido, que foi apresentada, fez uma entrada gloriosa, depois foi entregue ao cartão de militante, depois fez um discurso em que teve direito a grande palco. É uma ministra que, é bom recordar, gosta de cantar o hino da Intersindical quando está nervosa, é o que ela diz. O que ela foi dizer? Ela foi dizer, cito: "Não é difícil imaginar o que seria a saúde em Portugal com o modelo de sistema de saúde que a direita defende, assente em seguros e com prestação maioritariamente privada." Ora bem, isto é mentira. Não há ninguém, não conheço ninguém, em nenhum partido na direita, que defenda um modelo destes. Não defende o CDS, não defende o PSD, não defende o Chega, não defende sequer a iniciativa liberal. Ninguém defende um modelo maioritariamente privado. Ninguém defende um modelo sobretudo baseado em seguros. Apesar desse modelo existir, por exemplo, em países como a Alemanha, mas em Portugal ninguém defende isso. Agora, o que todos defendem é a complementaridade com o setor privado, até porque o setor privado representa, neste momento, mais de um terço do setor da saúde em Portugal, representa quase 40%. Portanto, não pode ser limpo, não pode desaparecer, as pessoas gostam de lá ir. Marta Temido talvez preferisse que esse setor nem sequer existisse. Por exemplo, o Bloco gostaria de acabar com ele. E eu sei que há muitas pessoas do PS cada vez mais próximas do Bloco. De resto, Marta Temido fez tudo para destituir esse setor. Mas a verdade é que ele existe. E existe por quê? Porque milhões de portugueses, não são dois ou três, são milhões de portugueses, recorrem a esse setor sempre que podem, sempre que têm essa possibilidade, sempre que lhes dão essa possibilidade. Mais, eu vou dizer outra coisa. Nos primeiros 15 anos do SNS, não foi nos primeiros dois, nos primeiros três, nos primeiros 15 anos do SNS, todos os ministros da Saúde foram do PSD, exceto durante dois anos. Em 13 dos primeiros 15 anos do SNS, o SNS foi construído por ministros da Saúde do PSD. Se a direita não quisesse o SNS, tinha acabado com ele nessa altura. É bom acabar com certos mitos e certas mentiras e certas efabulações sobre de quem é ou não é o SNS.

E neste caso, até o discurso final de António Costa, que foi já um discurso mais cheio de promessas e a pensar nas próximas autárquicas e no orçamento do Estado, o congresso até aí tinha vivido muito em torno da ideia de que o combate à pandemia foi um sucesso e que o SNS surge quase como uma grande obra do PS.

Os socialistas são bons na propaganda e vão continuar a martelar os mesmos slogans e vão continuar a ter algum sucesso, porque infelizmente a oposição é fraca, mas sinceramente, a cabeça deles já está noutro lugar, a cabeça deles já está naquilo a que chamam bazuca, porque a bazuca depois foi outro grande tema. Mas eu infelizmente acho que muitos deles olham pra bazuca e em vez de verem a bazuca, veem basicamente o pote e a oportunidade de ir ao pote. Como sabes, António Barreto já foi militante do PS, já foi dirigente, deputado, já foi ministro até, depois foi dissidente, depois voltou a ser militante e voltou a ser deputado. E este fim de semana escreveu uma coisa que eu acho que vale a pena citar. Dizia ele, e vou citá-lo: "Muitos dos clichês usados para definir o Partido Socialista são verdadeiros. Não tem alma nem ideologia" Não tem doutrina, nem cultura. Não tem estratégia, nem programa. Não tem afeto, nem simpatia. Não tem substância cultural, nem identidade política. Não tem orgulho, nem compaixão. Acrescentava o António Barreto que estes clichês no PS eram provavelmente virtudes e não defeitos. E eu sinceramente acho que ele tem razão. O facto é que eu posso pensar que tudo isto, esta falta de compaixão, esta falta de orgulho, esta falta de programa, esta falta de estratégia, esta falta de alma, de ideologia, tudo isto faz sentido depois de ouvir Mariana Vieira da Silva, depois de ouvir Marta Temido, depois de ouvir tantas outras coisas naquele congresso que foi o que foi. Porque tudo aquilo, de facto, não é dito com outro objetivo senão obter um efeito político de curtíssimo prazo. E pior que isso, não nos leva a lado nenhum, como não levou a lado nenhum nestes últimos seis anos, um discurso que se nós esprememos bem, a única coisa que foi esse discurso e que foi aquilo que o PS tem sido capaz de dizer e continua a dizer, e Mariana Vieira da Silva voltou a dizer, é: "Virámos a página da austeridade." Como se a austeridade tivesse sido uma escolha. Como se em 2011 tivessem chegado cá umas pessoas que tivessem escolhido a austeridade como se o país não tivesse estado na bancarrota. Enfim, já não vamos voltar a essa discussão. Mas como por enquanto há dinheiro e portanto não é preciso austeridade nenhuma e há dinheiro porque há o BCE e há dinheiro porque há o pote ou a bazuca, o que quiserem. Portanto, neste momento andamos todos felizes. Só que essa felicidade que se respirava em Portimão, na minha perspectiva, não leva o país a lado nenhum.

Ainda a dissecar o congresso do PS este fim de semana. Decorreu este fim de semana em Portimão, no Algarve. O tema do Contracorrente de hoje, a maneira também como o PS retratou o país ao longo desse congresso. Temos também convidados conosco, mas recordo que estamos em linha aberta para receber os nossos ouvintes. Basta ligar para o 91 002 4185. Chamo agora também a este Contracorrente Jorge Fernandes. É politólogo, é também doutorado em Ciência Política. Muito bom dia, Jorge Fernandes. Escutámos aqui a opinião do José Manuel Fernandes sobre aquilo que foi o retrato feito de Portugal neste congresso do PS e também esse discurso de Mariana Vieira da Silva e como Marta Temido foi engrandecida ao longo deste congresso. Olhando para esta opinião do José Manuel Fernandes e também para esse congresso do PS, Jorge Fernandes, como é que vê essa forma do PS de retratar o país e também daquilo que são os objetivos para os próximos anos?

Bom dia, antes de mais, obrigado pelo convite. Eu acho que acima de tudo é necessário desconstruirmos a narrativa do PS, retirando o foco excessivo que o próprio partido quer que nós tenhamos na saúde. Isto é, o PS conseguiu ao longo dos últimos anos, especialmente agora com a pandemia, o partido neste momento é dono do tema da saúde. Quem for contra o PS é contra o SNS e sendo contra o PS, já não gosta do SNS e não gostando do SNS, é contra a saúde dos portugueses. Aliás, toda esta narrativa relativamente às vacinas é absolutamente risível. Reparem, houve vacinação em todos os países da Europa. A vacinação está nuns países mais atrasada do que noutros, mas no fundamental a vacinação está a chegar ao ponto a que se pretendia. Até nos Estados Unidos houve vacinação e sabemos todos que o modo de organização do sistema de saúde nestes países é bastante diferente uns dos outros. Nem todos os países têm sistemas centralizados, digamos assim, como Portugal tem ou mesmo o Reino Unido tem. Por exemplo, o caso da Alemanha, eu vivi na Alemanha e apesar de trabalhar para a função pública na Alemanha, tinha um seguro de saúde e não consta que na Alemanha, na ausência de um serviço de saúde à portuguesa, a vacinação esteja atrasada. Portanto, a ideia de que apenas e só o Serviço Nacional de Saúde pode, de alguma maneira, conseguir entregar resultados bons e resultados capazes numa questão como a pandemia, é risível, simplesmente. E também há que sublinhar o seguinte: é certo que o Serviço Nacional de Saúde conseguiu ultrapassar a pandemia. Agora, há duas coisas importantes. Eu acho que o José Manuel Fernandes tocou aí no ponto central. Eu acho que o Serviço Nacional de Saúde conseguiu ultrapassar muito bem a pandemia, apesar dos dirigentes políticos e não devido aos dirigentes políticos. Conseguiu porque, de facto, os profissionais de saúde foram de uma entrega e uma abnegação absolutamente inacreditáveis. Mas por outro lado, há que fazer a pergunta seguinte que é: a que custo é que o Serviço Nacional de Saúde conseguiu resolver a pandemia? Isto é, nos próximos cinco, 10 anos, veremos eventualmente que tipo de sequelas, porque as doenças não Covid continuaram. E como é que um Serviço Nacional de Saúde terá aguentado bem o embate da pandemia, se nós percebermos, por exemplo, que na Alemanha-

Do que é que abdicou para esse impacto.

Precisamente. Se nós percebermos, por exemplo, que numa Alemanha ou numa Noruega ou numa França ou numa Itália, eventualmente o Serviço Nacional de Saúde terão continuado, de forma naturalmente reduzida, a dar resposta aos problemas de saúde que a população mantém como sempre manteve. E portanto, isto é uma primeira parte da pergunta. Todas as pessoas que estão fora do PS ou fora da órbita governamental devem fugir fortemente do foco exclusivo na saúde, porque isto é fazer quase um jogo da situação, se me permitem pôr isso desta maneira. Depois, olhando para as promessas de Costa, eu acho as promessas de Costa pouco mais do que risível. Infelizmente, a comunicação social não fez as perguntas difíceis. A primeira pergunta que eu faria a António Costa é: quer me explicar como é que nos últimos 10 anos Portugal perdeu 200 mil pessoas? Duzentas mil pessoas num país que tem o problema de envelhecimento que Portugal tem, que é um problema gravíssimo.

E um problema de natalidade também.

E que tem um problema de natalidade, e nós sabemos que, enfim, não conhecemos em detalhe todas as pessoas que saíram, mas a probabilidade dessas pessoas serem jovens, mais jovens, terem mais probabilidade de terem filhos e eventualmente até serem mais educadas, é relativamente elevada. Ninguém no Partido Socialista questionou ou falou sobre este dado absolutamente central que ficamos a saber há dois meses ou três com os resultados preliminares dos censos 2021. Isto é uma não questão quando devia ser, eventualmente, a questão central a abordar neste momento. Relativamente à questão das creches, quem se lembra certamente, eu lembro-me mais por leituras e pesquisa, António Guterres em 1995 prometia creches e jardins de infância pra toda gente. Cá estamos nós, quase 30 anos depois, nas creches e nos jardins de infância. Por exemplo, relativamente a outra promessa de Costa, o Público ontem noticiou que uma das propostas que Costa fez, o alargamento do IRS jovem de três para cinco anos, tinha sido chumbada pelo PS precisamente há dois anos, quando o PSD fez uma proposta exatamente igual. Todas aquelas promessas são completamente irrelevantes considerando o tamanho dos problemas que o país tem. São completamente irrelevantes, chega mesmo a dar dó ver um primeiro-ministro a fazer aquele tipo de discurso, e chega a dar dó olhar pra quem poderá vir a suceder António Costa. Aquilo basicamente são cinco boys and girls, digamos assim, porque são pessoas que nunca fizeram nada na vida à exceção da vida partidária. Quer dizer, Mariana Vieira da Silva é doutoranda nas horas vagas no ISCTE. Quando o PS está no governo, vai pra o governo, quando o PS sai do governo, volta pro ISCTE pra ir acabando o doutoramento nas horas vagas e ser investigadora. Pedro Nuno Santos é o que nós sabemos. Fernando Medina é exatamente a mesma coisa, foi secretário de Estado, foi deputado, presidente da Câmara de Lisboa. Olhando pra aquelas pessoas é um deserto total de ideias, não há qualquer tipo de ideia de futuro pra o país sobre os graves problemas de crescimento econômico, de envelhecimento demográfico, de falta de investimento em tudo que é área chave. Naturalmente agora, a ideia de austeridade ter acabado é uma ideia que qualquer pessoa que olhe pra situação com alguma atenção percebe que a austeridade não acabou, simplesmente o que aconteceu foi que Portugal neste momento vive ligado à torneira europeia. Enquanto a União Europeia continuar a fornecer fundos, seja através de ofertas, digamos assim, de fundo perdido, seja através de empréstimos, seja através da política generosa do Banco Central Europeu. E aliás, veja essa notícia que saiu hoje sobre a inflação na zona euro ter chegado pela primeira vez aos 3% em muito tempo. E note-se, isso certamente fará lançar alarmes na Alemanha e criará pressões para começarmos eventualmente a prazo a ter uma política diferente do Banco Central Europeu, que poderá pôr em causa muitos dos planos que os socialistas têm pra Portugal. E portanto, eu acho que a prazo, eventualmente, o Partido Socialista e Portugal, naturalmente, têm um problema gravíssimo. Agora, é absolutamente indispensável começarmos a pensar e a ter uma discussão a sério sobre o futuro do país.

Discussão que se espera também que dure durante os próximos meses e anos, também com a chegada desse apoio financeiro da União Europeia. Já vamos começar a escutar os nossos ouvintes, dar voz também a André Azevedo Alves, também nosso convidado neste Contracorrente. Muito bom dia, André Azevedo Alves. Olhar ainda pra essa questão de utilizar a saúde quase como arma política. O congresso do PS acabou por utilizar essa estratégia, mas já escutamos aqui também, houve talvez uma tentativa de apagar aquilo que foram os erros do PS durante a gestão da pandemia, erros como por exemplo, falhas na preparação do inverno ou também o arranque da vacinação, também com alguns problemas.

Antes de mais, bom dia. Parece-me que sim, eu concordo bastante com a forma como o Jorge Fernandes colocou a questão. Acho que há a tentativa de criar uma narrativa centrada na saúde e centrada no SNS, pela perceção do PS que é um tema que é vantajoso do ponto de vista político. E daí até não só a coagem do PS ao Serviço Regional de Saúde, mas também a distorção que é feita das propostas alternativas. Portanto, é uma espécie de dicotomia entre quem defende a saúde dos portugueses e quem quer atacar em nome dos lucros e do setor privado a saúde dos portugueses. Portanto, que é uma visão bastante distorcida, pra não dizer completamente distorcida da realidade. Ao mesmo tempo, creio também que há esse passado de cima de muitos erros políticos que foram sendo cometidos. Alguns compreensíveis, estivemos perante uma situação nova e perante uma situação de difícil resposta e foram cometidos erros em vários países, Portugal não foi exceção. Mas acho que aí também é importante referir que o PS e António Costa beneficia muito da fraqueza da oposição e em especial da fraqueza, da debilidade da oposição do PSD. Porque também seria de esperar que não fosse o partido que está no governo a apontar os dedos aos próprios erros. O que seria normal num contexto democrático com maior vitalidade, seria que a própria pressão da oposição, e nomeadamente o maior partido da oposição, forçasse o governo a ser confrontado com esses erros, forçasse, nomeadamente a ministra da Saúde também a ser confrontada com esses erros, o próprio primeiro-ministro. E portanto, eu acho que também a encenação a que assistimos no Congresso do PS e a forma como é apresentada a Marta Temido e a própria retórica que é apresentada, também resulta em parte da inexistência, ou pelo menos da fraqueza, da debilidade da oposição e em particular do PSD.

André Azevedo Alves, ajude-nos também a olhar para esta forma como o Congresso do PS retratou o país e também para a ascensão das ministras Mariana Vieira da Silva e Marta Temido neste congresso e nessa discussão em torno da sucessão de António Costa. Vamos dar também palco aos nossos ouvintes. Temos já conosco em linha José Batista, tem 74 anos, é ex-militar, reformado, liga a partir de Setúbal. Muito bom dia, José Batista. Olhar também consigo para este Congresso do PS. Queria perceber qual a sua opinião sobre o que já foi dito aqui também e sobre a forma como foi retratado, de certa forma, o país nesse Congresso do Partido Socialista.

Ok. Primeiro que tudo, quero cumprimentá-los, desejar-lhe um bom dia e ter o prazer de estar aqui em antena. Falar sobre um assunto que efetivamente eu ouvi, analisei durante o Congresso do PS e analisei, eu refleti sobre essas duas pessoas que põem efetivamente a discussão. Mas primeiro que tudo, eu queria dizer assim ao José Manuel Fernandes o seguinte: acho que a palavra bazuca devia ser definitivamente banida da comunicação social e de qualquer outra comunicação. Porque a bazuca não é efetivamente nada que venha resolver problemas das pessoas. Bazuca é uma arma militar que foi fundada em 1949 pra destruir a vida das pessoas, não é pra construir e fazer bem às pessoas. Ponto final. Agora, em relação ao Congresso do PS. O Congresso do PS, pra mim, foi uma ficção, manipulação e propaganda. E quando efetivamente as pessoas se valem dos outros pra subir na vida de uma maneira ardilosa, desculpe a expressão, mas é assim que eu entendo, eu acho que isto merece uma avaliação muito profunda e que estes senhores que dizem que são socialistas, eu considero que eles têm pontos muito concretos e eu não vou prolongar muito aqui, porque possivelmente há pessoas que querem entrar no programa. Eles têm pontos muito concretos da vida e aqui na Assembleia da República, semelhantes àquilo que Hitler fazia efetivamente na Alemanha. Bom, a manipulação e a ficção que esta gente efetivamente pôs naquele congresso, vai manipular a consciência profunda das pessoas. E nós andamos aqui enrolados. Enrolados, mais uma palavra, efetivamente, que pra mim é muito conclusiva. Enrolados nesta perspetiva e temos um futuro e temos melhorado o país ao ponto de sermos um país desenvolvido e não somos. Basta analisarem efetivamente o que é aquilo na nossa economia, o país, o PIB aumentou há 20 anos ou há 30 anos. Não aumenta mais que 1%. Eu não vou dizer mais nada. Mais que 1% não aumentou. Eles dizem que aumenta 4%, 3%, 2% e depois vamos fazer a média dos anos e chegamos que temos um aumento de 1%. Meus caros amigos, não se pode fazer socialismo com socialistas. Estes senhores não são socialistas em nada. Eles nunca estudaram, efetivamente, a profundidade da história. E por aqui me fico e obrigado pela atenção que me deram e obrigado. Bom dia.

Muito obrigado nós, José Batista, a ligar a partir de Setúbal, ex-militar, reformado, 74 anos. Ligou para o Contracorrente, para o 91 0024 185. Pode ligar e entrar em direto neste Contracorrente com José Manuel Fernandes. Foi o que fez também André Ferreira, de 49 anos, é engenheiro, liga a partir de Espanha, Saragoça. Muito bom dia, André. Qual a sua opinião?

Olá, bom dia. Conseguem ouvir-me bem?

Sim, otimamente.

Ok, obrigado pela oportunidade. A oposição em Portugal, como vocês sabem bem, não existe. A comunicação social é também, na minha opinião, muito fraquinha. Senti muita falta do vosso programa durante este agosto. Parecia que nada acontecia em Portugal, parecia também que a época é um pouquinho estranha, mas parece que está toda gente adormecida. Portanto, isto é a tempestade perfeita ao termos um António Costa que é um mago, um mágico da comunicação e a ludibriar os factos É uma tempestade perfeita para daqui a uns anos, eu diria daqui a uns 10 anos, estarmos novamente numa situação muito delicada e eu vou explicar por quê. Se não houver uma muito boa aplicação dos dinheiros que a Europa nos está a dar, e esta é uma das últimas oportunidades, talvez, que vamos ter, vamos cair no ridículo de alguns países do norte da Europa dizerem: "Bom, cá está, nós tínhamos razão, vocês portugueses só querem gastar dinheiro em mulheres e vinho, demos esta oportunidade e vocês estão na mesma." Isto merecia que nós, desde já, tivéssemos um muito bom escrutínio. Vale a pena fazer um programa diário. Onde é que se estão a gastar os dinheiros? Quais são os projetos que existem? Eu tento saber onde é que está a gastar o dinheiro. Eu vejo o telejornal, ouço notícias e vou à internet. Eu não consigo saber onde é que está ou quais são os projetos que vão trazer valor acrescentado e melhorar a vida dos portugueses. Ou não existe, ou eu ainda não procurei bem. Mas deixo aqui o repto para vocês para fazerem uma meia horinha para dizer o estado da bazuca, apesar do anterior ouvinte não gostar do nome, do dinheiro, quais são os projetos, o primeiro projeto já está nesta fase, para nos informar como é que as coisas vão evoluindo, porque isso vai ser um momento único no nosso país para tentarmos sair da cauda da Europa. Muito obrigado pela vossa atenção.

Obrigado nós. André Ferreira, de 49 anos, liga a partir de Espanha, Saragoça, e a propor também um acompanhamento diário desse dinheiro europeu e da forma como está a ser aplicado ao longo dos próximos anos. José Manuel Fernandes, já vamos olhar um pouco para estas opiniões dos nossos ouvintes, mas importa também, Vanessa Cruz, perceber o que está a ser dito pelas redes sociais.

Alguns comentários. Lourenço de Almeida faz uma publicação carregada de ironia, diz que não há a menor dúvida de que a ministra da Saúde, Marta Temido, e a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, merecem este palco dado por António Costa. Diz Lourenço de Almeida que há ministros inimputáveis, famílias inteiras no governo. Dá o exemplo de Eduardo Cabrita e de Ana Paula Vitorino, que já foi ministra do Mar. Eduardo Cabrita, como sabemos, mantém-se como ministro da Administração Interna e fala também no pai e filha Vieira da Silva, referindo-se aqui ao antigo ministro do Trabalho e à filha Mariana Vieira da Silva, que é uma das protagonistas deste contracorrente. Diz Lourenço de Almeida que o país tem exatamente aquilo que merece, uma sociedade nepotista, corrupta, pouco mais que tribal, em que o sucesso ou a sobrevivência dependem de relações de cumplicidade, sejam elas de sangue, afinidade ou compadrio, mas nunca de mérito. Temos ainda Madalena Correia de Sá a dizer que José Manuel Fernandes disse tudo, como é possível que o PS seja tão obtuso a pôr Mariana Vieira da Silva a tomar conta do país. E Nuno Ribeiro: "Marta Temido a primeira-ministra e Graça Freitas a presidente da República", diz aqui também com alguma ironia Nuno Ribeiro, que o senhor das compotas de Natal também pode ser promovido a ministro das Finanças e o deputado do PS Ascenso Simões para as obras públicas. Termina dizendo Nuno Ribeiro, este ouvinte, que os Monty Python que se cuidem.

Além das nossas redes sociais e site, têm também o nosso número de telefone para deixar os seus comentários. Estamos a falar sobre o futuro do PS com Marta Temido e Mariana Vieira da Silva à frente do partido. Queremos ouvir, por isso, a sua opinião. O número é o de sempre 910 002 41 85.

E temos mais ouvintes em linha, mas rapidamente, José Manuel Fernandes, fazer aqui um balanço do que já foi dito aqui pelos nossos ouvintes, quer nas redes sociais, quer por telefone. Algumas críticas também a essa visão do PS que foi retratada nesse congresso deste fim de semana, mas também aqui algumas críticas àquilo que tem sido o papel da oposição. Alguns ouvintes, principalmente aqui o André Ferreira, referiu também que há uma espécie de uma oposição um pouco adormecida nos últimos meses.

Sim, aliás, há pouco falámos no restouré um pouco sobre isso. O problema da oposição é a dificuldade, na minha perspetiva pelo menos, em ser uma oposição que se apresenta não apenas como uma diferença de quantidade, mas sim como algo que é qualitativamente diferente. A preocupação do principal partido da oposição, para os efeitos, ou pelo menos o maior partido da oposição, que é Rui Rio, de se posicionar quase no mesmo espaço de António Costa, acaba por fazer com que seja um partido que oferece diferenças de quantidade. Quer dizer, oferece mais ou menos da mesma coisa que o partido socialista está a oferecer e não faça propostas de soluções diferentes.

Não se apresenta como alternativa, quase.

Não se apresenta como alternativa. Hoje saiu aquela sondagem, que eu acho que é uma sondagem importante e interessante, no Correio da Manhã e também nos Negócios, sobre as perspetivas que as pessoas têm para os dinheiros que vêm aí. E as pessoas têm uma perspetiva muito negativa, têm a ideia que o dinheiro vai ser sobretudo aproveitado pelo Estado, mas muito pelos políticos e pelas empresas que vivem encostadas ao Estado e muito pouco pelo tecido empresarial e sobretudo pela população. Portanto, vai servir para os mesmos. Vai servir para uma rede tentacular que existe e que um bocado abafa isto tudo. E não olham para esta oportunidade como a última oportunidade, e portanto, não estão mobilizados para usarem

Todos estes recursos financeiros para mudar o país, que era de facto uma oportunidade que nós poderíamos ter pela frente. Porque olham para isto e dizem assim: "Bem, isto está a parar ao sítio do costume." Basicamente, é o que aquela sondagem nos diz. E também é um bocado essa a mensagem que passa por parte daquilo que está no PRR e da parte dos discursos do governo, porque nos diz: o dinheiro já está todo destinado. Já foi até entregue, já estão os protocolos entregues, mas ninguém sabe bem para quê, porque se sabe que basicamente ele foi distribuído pelas direções gerais, pelos institutos públicos, pelas obras públicas, pelos diversos departamentos do Estado, no fundo, para fazer aquilo que não foi feito no primeiro mandato de António Costa, em que o investimento público ficou a níveis mais baixos, em termos proporcionais, desde a Segunda Guerra Mundial. Nós não tínhamos níveis de investimento público tão baixos face à riqueza nacional, como é óbvio, tudo tem que ser proporcional, naturalmente. E vamos recuperar um pouco isso, mas é o Estado a gastar o dinheiro, não são os portugueses, não são as empresas, e o Estado vai gastar o dinheiro nas suas coisas. Não vai gastar o dinheiro a mudar o país, porque o Estado não muda o país. Quem muda o país são os portugueses, como nós sabemos, e foi sempre isso que aconteceu. Esta perspectiva, dizer isto, ser capaz de ser a voz disto, poderia ser aquilo que uma oposição mais proativa poderia fazer, porque isto é ser diferente do Partido Socialista. O Partido Socialista concebe-se e concebe-se como parte do Estado, como parte disto. Durante muitos anos, o PSD de Sá Carneiro era o partido da sociedade que não era o Estado. Era o partido das pessoas que eram diferentes e representava esta sociedade civil, estas pequenas empresas, todo este mundo que era dinâmico e queria uma coisa diferente. E agora parece que não é capaz de dar voz a estas pessoas que existem, sobretudo, por exemplo, no norte do país, onde a presença do Estado é menos forte, é menos pesada, há menos funcionários públicos proporcionalmente na população ativa, por exemplo, porque o peso da administração pública é maior na Grande Lisboa. Até porque temos um líder do PSD que até é do Porto, portanto, poderia representar isso, poderia vir com esse discurso, com essa bandeira, mas não é capaz de fazer isso porque parece enredado em ser alguém que oferece mais e não oferece diferente.

E vamos chamar também a este Contracorrente José Silva, 74 anos, reformado, liga a partir de Cascais. Estamos a olhar para a forma como o Partido Socialista retratou o país e também como foram engrandecidas Marta Temido e Mariana Vieira da Silva e o papel da saúde em todo esse congresso do PS. José Silva, qual a sua opinião?

Bom dia. Cumprimento os senhores jornalistas e todo o público que nos está a ouvir. Falou-se muito na sucessão. Eu pensava que esse problema da sucessão tinha acabado em 1909, 1908, quando assassinaram o rei D. Carlos e o príncipe. Republicanos, laicos e socialistas assassinaram de uma forma bárbara e cobarde. E agora continua este senhor. E com todo o respeito que tenho por ele, este senhor de marajá, de uma casta inferior, a fazer as sucessões. Veja-se o que nós regredimos em 100 anos. Sobre o Partido Socialista: o senhor António da Costa está de cabeça perdida. Agora vejo os gestos. Eu desligo o som e vejo que realmente ele deve ter andado a ver qualquer filme de Mussolini. Está a compreender? É aquela pessoa que é antipática, que não nos merece respeito, pensa que isto é tudo dele e as pessoas vão atrás desta conversa. Eu queria deixar uma mensagem a todos os portugueses, mesmo na indústria, nas cooperativas, nas direções gerais, em tudo isso, onde estão esses homens do Partido Socialista que abram os olhos. Este homem que aí vem vai arranjar mais milionários que o governo de José Sócrates e Durão Barroso juntos. Muito obrigado.

José Silva, muito obrigado também por ter ligado para o nosso Contracorrente. Temos também em linha os nossos dois convidados, Jorge Fernandes e Andre Azevedo Alves. Uma rápida análise também àquilo que perguntava há pouco ao José Manuel Fernandes, se perante esta situação, este Partido Socialista e o retrato que faz do país, perceber também qual o papel da oposição que alguns ouvintes já aqui retrataram quase como adormecida. Jorge Fernandes, como é que avalia também esse posicionamento da oposição ao longo dos últimos meses?

O papel da oposição em Portugal ou em qualquer democracia europeia em geral, é um papel curto e um papel difícil. Em primeiro lugar, porque a oposição hoje em dia tem uma grande assimetria de informação relativamente ao governo. Isto é, muita da política feita a nível nacional passa fundamentalmente pelos canais europeus, etc. E a oposição está completamente arredada de qualquer tipo de informação e de qualquer tipo de possibilidade de interferência nisso. Em segundo lugar, há uma discussão sempre constante, não é só em Portugal, o caso alemão, o caso inglês, etc. Há sempre uma dificuldade extrema em fazer a oposição. Fundamentalmente se nós pensarmos hoje em dia

função governativa tem sido altamente técnica e há uma grande dimensão política que está de algum modo esvaziada. No fundamental, apesar da retórica de António Costa, se Rui Rio e António Costa se fechassem numa sala os dois e fossem verdadeiros um com o outro, fundamentalmente estariam de acordo em 99% das coisas, apesar da retórica, especialmente de António Costa. Portanto, aquela ideia de que António Costa não queira tratar ou trabalhar com Rui Rio é uma coisa meramente para consumo político, quando toda a gente sabe que em Portugal o PS e PSD sempre foram os grandes motores da transformação, para o bem ou para o mal.

E Jorge Fernandes, estamos mesmo muito perto do final. Peço desculpa interromper, mas queria perceber também, André Azevedo Alves, se de facto se devia exigir neste momento mais à oposição.

Parece-me que sim. E parece-me que um dos fatores que leva a que o PS esteja numa posição bastante confortável é precisamente essa percepção da ausência de uma alternativa, que leva a que a narrativa do PS passe mais facilmente e que estejamos, uma grande parte do eleitorado, podíamos dizer, já que estamos hoje com as analogias à saúde, anestesiados.

André Azevedo Alves e Jorge Fernandes, nossos dois convidados neste Contracorrente, onde com o José Manuel Fernandes, como sempre, estivemos a olhar para esse congresso do PS, para a forma como foi retratado o país e também como se aproveitou a saúde para engrandecer o trabalho de Marta Temido e de também Mariana Vieira da Silva. Destaque ainda para esse congresso do PS neste Contracorrente que regressa de férias. Eu sou o José Manuel Fernandes. Obrigado por ter ouvido este podcast. Pode subscrevê-lo ou partilhá-lo. A Rádio Observador, pode ouvi-la online ou em 98.7, na Grande Lisboa, ou 98.4, no Grande Porto.