Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Tarde. Hoje falamos de títulos, falamos do Futebol Clube do Porto e por isso nada melhor do que chamar quem sabe do assunto. Passou 13 temporadas no plantel principal, com 24 troféus conquistados pela equipa. É um capitão mítico dos Dragões, é um verdadeiro símbolo do clube. Hoje estamos à conversa com o Jorge Costa. Jorge, bem-vindo.
Olá, boa tarde. Obrigado pelo convite.
Olá, Jorge. Viva.
E Jorge, pode ser hoje? Está otimista que isto fique resolvido com o Sporting ou não?
Estou, eu acho que este é um título mais ou menos anunciado. Ainda havia a esperança que pudesse ter acontecido ontem, mas este é um título, principalmente depois dos últimos resultados, que é mais ou menos esperado. Sabendo que o jogo de hoje é de um grau de dificuldade elevado. O Porto vai enfrentar um Sporting que está motivado, que está melhor nesta fase, mas sinceramente, acho que este é um título, como já disse, mais ou menos anunciado.
E parece-lhe que o Porto, olhando para o campeonato, como correu, parece-lhe um justo vencedor?
Claro, claramente. E isto pode sempre ser tema de discussão, se será mérito do Porto, se será demérito dos principais rivais, e não falando só do Benfica, como é claro. Mas acho que acima de tudo, o mérito tem que ser dado ao Porto, tem que ser dado ao Sérgio pela forma como ele treina sempre, pela forma como o Porto trabalhou a época toda, sabendo que o próprio Porto também passou uma fase difícil na época, mas ao contrário de uma maneira que o Benfica, soube dar a volta, soube perceber o que estava menos bem, soube rectificar e acaba. Naturalmente, eu não quero já anunciar o título do Porto, porque ainda não aconteceu, mas acho que é muito mérito dos jogadores, como é evidente, da equipa técnica liderada pelo Sérgio e da sua administração.
Já nessa altura em que falava sobre esse facto de o Porto ter passado algumas dificuldades. Na altura em que o Porto passou essas dificuldades, dizia que Sérgio Conceição teria de continuar, que era o homem certo para este lugar. Comprovou-se que Sérgio Conceição era mesmo o homem certo e que uma saída de Sérgio Conceição na altura, no início do ano, quando Sérgio Conceição colocou o lugar à disposição, poderia ter sido um erro que poderia custar este campeonato ao Futebol Clube do Porto?
Seria seguramente um erro que, felizmente, não se cometeu e que eu dificilmente também acreditaria que o presidente pudesse cometer um erro destes. Agora acho que a grande diferença, e repare, eu não conheço a realidade dos clubes por dentro, sei tanto ou menos do que vocês. Nessa fase, houve uma tomada de posição do Sérgio, uma tomada de posição até agressiva, mas assertiva. E o certo é que algo mudou e o Porto começou a ganhar os seus jogos. Por outro lado, vimos no Benfica várias vezes o Bruno Lage afirmar que havia um problema, que estava detectado e que tinha que resolver. E o que é certo é que até à data de hoje ainda não resolveram, entretanto saiu.
Mas acha que a saída de Bruno Lage foi tardia ou não?
Não. Sinceramente, é sempre difícil para mim, que estou a opinar e não conhecendo a realidade do clube, é sempre difícil estar a dar uma opinião, porque corro o risco de estar completamente enganado. Não me parece que o Bruno Lage, na época passada, fez o trabalho que fez, que lhe foi dado todo o mérito e com toda a razão, que de um ano para o outro tenha baixado ou tenha perdido as suas qualidades. Parece-me que o problema do Benfica será bem mais profundo, mas como é normal, e isto não acontece só no Benfica, não acontece só em Portugal, acontece na Europa e pelo mundo fora, quando algo não está bem, acaba sempre por ser o treinador a pagar a fatura.
E há pouco falávamos do mérito de Sérgio Conceição. Também acha que ele merece uma estátua? Nós ouvimos muitas vezes dizer isto, não é? Que ele merecia quase uma estátua pelo trabalho que fez.
Acho que o trabalho do Sérgio é fantástico, é fabuloso, é acho que é de um nível brutal e provavelmente esta expressão de merece uma estátua, claro que sim, claro que merece. Mas sinceramente e honestamente, e conhecendo o Sérgio, o Sérgio não fez mais do que aquilo que são as suas competências, do que aquilo que é a sua forma de ser, a sua personalidade. O Sérgio acho que foi de uma dedicação enorme e de uma qualidade e de uma competência muito acima da média e muito acima daquilo que provavelmente Muitas pessoas estarão à espera. Acho que tem que ser valorizado quando assim é. E eu sou um dos que, de uma forma até suspeita, porque tenho uma relação de proximidade, de carinho e de amizade com o Sérgio. Mas as verdades têm que ser ditas e esta é a minha verdade. Acho que este Porto sem o Sérgio Conceição não teria ou não tinha tido o sucesso que teve.
E essa personalidade e essas capacidades de Sérgio Conceição espelham bem aquilo que é o espírito do Futebol Clube do Porto. Na altura, por exemplo, quando o Jorge Costa era capitão, dizia-se que a entrega, que o espírito que tinha em campo, fora de campo, no balneário, que espelhavam bem aquilo que era ser o Porto, ser Porto, sentir o Futebol Clube do Porto. Neste momento, e olhando também para a sua experiência enquanto um líder dentro do Futebol Clube do Porto, dentro do grupo do futebol, Sérgio Conceição tem, neste momento, essas características que espelham aquilo que é ser e representar o Futebol Clube do Porto?
Claramente. Essa é uma questão que muitos me colocam e que é quase inevitável. Podemos falar desta questão da mística, seja lá bem o que isso é, o que isso quer dizer. Eu não gosto muito de comparações, mas elas são inevitáveis. Portanto, pegando um bocadinho no Porto da minha altura enquanto jogador e que se falava dessa mística, que realmente existia, e a mística não é mais do que jogadores que jogam com a grande camisola e que dão o que não têm. Transportando essa equipa ou este Porto, comparando com o Porto de há 15, 20 anos atrás, percebe-se que os jogadores são outros, mas a realidade do futebol também é outra. Hoje em dia, no futebol, nós não temos no Porto grandes referências em termos de jogadores que vêm da formação, que possam sentir o clube. Portanto, tirando a direção, que é a mesma há muitos anos e que sabe o que isso representa, temos o seu treinador. E este Porto, neste ponto, consegue ser um bocadinho mais do que aquilo que é o treino, que é as dinâmicas, que é a estratégia, que é o jogo em si, consegue ser aqui uma garra extra, que foi decisiva em muitos momentos da época e que é claramente a imagem do treinador. E deixe que lhe diga que é muito difícil, e eu falo por experiência própria, nós, treinadores, vermos este corpo pessoal a uma equipa. O Sérgio, acima de tudo, e repare, nem vamos falar das suas competências técnicas, o Sérgio é o grande responsável por este Porto estar a fazer o que está de bom.
E, portanto, parece-lhe que o Sérgio Conceição é um treinador para muitos anos no Futebol Clube do Porto.
Isso já serão outras questões que só o Sérgio é que poderá responder. Eu, enquanto portista, e nunca escondi as minhas preferências, e acho que, e sinto-me no direito de falar por quase toda a nação portista, o que nós desejaríamos era ver o Sérgio durante um período muito alargado à frente do clube.
E o Jorge gostava de voltar ao Porto?
Claro que sim. Nem sequer me vai perguntar em que funções, porque eu também não sei.
Não, isso não.
O que é que poderia? O Porto foi, é e será sempre o clube do meu coração e, portanto, o que mais queremos. Estou, estarei e estive sempre disponível para, dentro daquilo que, se é que possa ser útil, de ajudar o clube.
Quer seja mais perto do relvado, quer seja um bocadinho mais distante, ali a uns metros, mantém viva essa intenção de voltar um dia ao clube do coração.
Eu, sinceramente, e com toda a humildade, eu acho que um dia será quase inevitável. Essa vontade existe da minha parte. Eu sempre considerei o Porto como a minha família, como a minha casa. Nós podemos estar fora, mas há sentimentos que não se perdem. E sim, eu acho que será quase inevitável um dia, num contexto especial ou num contexto normal, que isso possa acontecer.
Jorge, nós estávamos aqui a preparar esta entrevista e eu não resisto em perguntar-lhe, porque foi aqui conversa na nossa redação, toda a gente falava muito: "O bicho". De onde é que surgiu isto? O bicho entretanto acalmou com os anos? Como é que é?
O bicho foi sempre calmo. O bicho foi sempre algo calmo fora das quatro linhas. Isso surgiu através do Fernando Couto, há muitos anos atrás, no início da minha carreira, pela minha forma de treinar e de jogar O meu espírito competitivo, por não gostar de perder e por ser grande também, por ser um pouco mais agressivo. Mas só para retificar, eu sempre fui alguém muito calmo, que tinha um defeito ou um feitio, chamem-lhe o que quiserem, que era muito competitivo. Houve um treinador uma vez que me chamou um animal competitivo e sim, acho que a tradução do bicho será mais um animal competitivo do que propriamente alguém mau.
E falando dessa maior agressividade, vamos chamar-lhe se calhar maior impetuosidade. Sente que hoje em dia, até porque dessa impetuosidade também faz parte muita paixão, não tem a ver só com querer usar um pouco mais de força para tirar a bola a alguém ou para fazer um remate ou um cabeceamento. Tem a ver também essa impetuosidade com muita paixão e por essa entrega, sobre a qual já falámos nessa conversa. Sente que hoje em dia o futebol, não só no Futebol Clube do Porto, o futebol ainda se joga com essa paixão, com essa impetuosidade, com o tal amor à camisola também de que se falava muito e é também muito por esse amor à camisola que por vezes se colocam esses cognomes, essas alcunhas aos jogadores. Sente que hoje em dia ainda há tudo isso neste futebol, que parece um futebol tão mais hermético, tão mais controlado, um futebol agora com estes meios tecnológicos. Sente que muito mudou desde o momento em que vestiu pela primeira vez a camisola do Futebol Clube do Porto?
Eu gostava de lhe dar uma resposta diferente e dizer que sim. Eu quero pensar que sim, mas sei que é quase uma utopia. Eu não gosto muito de fazer comparações, porque a vida evoluiu, nós evoluímos, os clubes evoluíram e eu acho que é fundamental nós não nos agarrarmos ao passado e a memórias e também seguirmos esta evolução natural da vida, neste caso do futebol. Eu acho é que as coisas se transformaram. Na minha altura, claramente, e na minha altura no Porto, nós jogávamos por amor à camisola, como é evidente, mas acho que isso não é um drama. Acho que hoje os jogadores jogam por amor à profissão. Portanto, é uma diferença pequena ou grande, mas continuo a acreditar e continuo a ver que o futebol é um desporto de emoções, de paixões. Perdeu-se foi um pouco aquilo que eram os jogadores da casa, o dar um pouco mais, porque realmente estamos a defender a nossa arena e hoje só se transformou, e eu vejo estes jogadores todos como estando profissionais, só que não é aquele amor ao clube, é o amor à profissão.
Jorge, e olhando para o jogo daqui a pouco, onde é que vai ver o jogo? Se vai ver o jogo, como é que vai ver o jogo? Como é que pensa festejar, caso se justifiquem esses festejos hoje? Conte-nos tudo.
Espero festejar, como é evidente, de uma forma tranquila, em casa, em família. Claro que estou a ver o jogo. Mesmo estando fora e estou fora já há 14 anos, não perco um jogo no campeonato português, nomeadamente do Porto, sempre que me é possível, não perco. Sofro, vivo os jogos com uma emoção enorme e hoje, como é evidente, estou esperançado que possa festejar. E sinceramente, acho que sim. E também lhe vou dizer, eu não sou daqueles que diz que se não for hoje, será no próximo, porque eu sou um pouco aquilo que "não deixes para amanhã aquilo que podes fazer hoje". Portanto, acho que o Porto tem que fazer hoje e tem todas as condições para o fazer.
É esperar para ver o resultado. Nós vamos também acompanhar, claro, aqui na Rádio Observador, esse jogo. O Futebol Clube do Porto e o Sporting jogam mais logo. Jorge Costa foi o nosso convidado de hoje. Jorge, muito obrigada pela disponibilidade. Até à próxima.
Foi um gosto. Obrigado.
Muito obrigado, Jorge. Até à próxima.
Olá, eu sou a Ana Filipa Rosa. Obrigada por ouvir este podcast. Se gostou, pode sempre partilhá-lo com alguém e ouvir a Rádio Observador. Estamos online, mas também no FM, na Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4. Obrigada.