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Bem-vindo ao segundo de cinco episódios do "Conversas Sem Riscos", um podcast patrocinado pela seguradora Allianz Portugal. Allianz Commercial Seguros para Empresas. Os desenvolvimentos macroeconômicos, como a inflação, deflação, políticas monetárias e programas de austeridade, ocupam este ano a quinta posição na tabela de riscos para as empresas em todo o mundo. Este é mais um resultado do Barômetro de Risco Allianz de 2024. Eu sou a Maria João Simões e para nos fazer um enquadramento macroeconômico e falar também das perspectivas mais relevantes para as empresas portuguesas, está comigo Alexandre Scarlett, CFO e membro do comitê executivo da Allianz Portugal. Olá, Alexandre, seja bem-vindo.

Olá, Maria João.

Em termos globais, no ano passado, os fatores macroeconômicos estavam em terceiro lugar na lista de preocupações das empresas. Este ano, e como referi há pouco, ocupam a quinta posição. Que razões encontra para esta descida, Alexandre?

Antes de mais, muito obrigado pelo convite.

Obrigada nós.

E dar-nos a oportunidade de falar um pouco também sobre esta questão dos riscos e de como os riscos afetam a economia portuguesa e a economia mundial de uma forma mais global. Sim, os riscos macroeconômicos, de facto, desceram neste último relatório do Barômetro de Riscos da Allianz, do terceiro para o quinto lugar, mas eu não diria que terá sido uma descida de alguma forma estrutural. Os riscos macroeconômicos normalmente são muito conjunturais, ou seja, evoluem à medida que a conjuntura, de alguma forma, os vê como riscos mais imediatos ou menos imediatos, em função desses mesmos efeitos conjunturais.

Mas Alexandre, de que forma fatores como crescimento ou recessão econômica, ainda há pouco falava sobre eles, afetam o desenvolvimento empresarial?

Muito. Vamos lá ver. Há uma ligação direta, diria assim, entre aquilo que é o contexto em que as empresas operam e aquilo que são os momentos econômicos que se vai vivendo ao longo do tempo, quer sob o ponto de vista de crescimento, quer sob o ponto de vista de recessão. Desde logo, na procura de cada um de nós por bens e serviços. Portanto, numa perspectiva de crescimento econômico, o que nós vamos observando é uma procura normalmente muito maior pelos bens, pelos serviços. E essa procura está muito alinhada ou muito colada a uma maior confiança que se vai vivendo não só nas famílias, mas na economia em geral, e isso acaba por também permitir uma expansão cada vez maior por parte do tecido empresarial, não só em Portugal, em todo lado.

Claro!

Depois temos o inverso, que é os períodos de recessão, onde o que vemos é exatamente o contrário, que é um maior receio de todos os agentes econômicos ao momento que vamos vivendo e, de alguma forma, uma necessidade de reduzir as suas decisões de compra por bens, de compra por serviços, e isso acaba por também, desde logo, afetar aquilo que é o desenvolvimento do tecido empresarial em Portugal. Outra razão que eu apontaria seria aquela que, por exemplo, diria respeito ao acesso ao financiamento.

Em Portugal, os aspectos macroeconômicos que surgem em terceiro lugar no Barômetro de Risco Allianz. Alexandre Scarlett, atualmente, quais são os principais desafios que as empresas portuguesas enfrentam?

Eu, se calhar, apontaria três. O primeiro deles, que é aquele que decorre daquilo que são os avanços tecnológicos, o nível da digitalização, a necessidade até, diria, por essa mesma digitalização, que traz imensas oportunidades, mas também imensos riscos. Um segundo grande desafio que eu aqui incluiria seria aquele relacionado com as alterações climáticas.

Imprevisíveis.

Imprevisíveis, completamente imprevisíveis. Nós vamos vendo aquilo que se passa lá fora e como um bom português, como todos normalmente falamos e fazemos, achamos sempre que-

Só acontece aos outros

...só acontece aos outros. Mas infelizmente não é assim. Um último fator, que eu diria que também acaba por influenciar imenso as dores de cabeça que os líderes nacionais vão tendo, claro, são os fatores macroeconômicos. Portugal normalmente é um país onde os efeitos acabam por demorar um pouco mais tempo, mas acabam por aparecer. Nós fomos observando a evolução da inflação na Europa um pouco antes do momento em que ocorreu em Portugal. Inverteu na Europa um pouco antes também, no momento em que começou a inverter em Portugal, mas os impactos foram brutais, significativos. A redução do poder de compra é mais do que evidente em todas as áreas da nossa economia. Portanto, é de facto uma preocupação grande tentarmos gerir a volatilidade que vai sempre existindo de tempos a tempos sob o ponto de vista daquilo que são as evoluções macroeconômicas.

E de que forma é que as empresas devem preparar para se protegerem contra esses riscos?

A diversificação das cadeias de abastecimento é super importante. O investimento na tecnologia, o investimento na inovação vai continuar a ser sempre bastante importante para as empresas serem cada vez mais ágeis a adaptarem-se a cada um dos momentos de volatilidade macroeconômica, porque continuarão a existir, é a coisa mais certa que nós termos. Obviamente, ter uma gestão financeira sólida, super importante. Portanto, saber como gerir temas como o financiamento em momentos de crescimento ou em momentos de recessão, saber como gerir a liquidez em função dos momentos Em função da conjuntura em que as empresas se encontram. Estar atento também àquilo que são, dentro de cada um desses ciclos económicos, aos apoios governamentais. Também é importante. À mecânica de política fiscal, à mecânica de política monetária.

Alexandre, isso que está a dizer já vai ao encontro da próxima pergunta, porque tem a ver com a inflação e com a volatilidade das taxas de juro. Porque tem implicações para as empresas em termos de investimento, de aumento de custos, redução de margem. E, portanto, a minha pergunta, acho que o Alexandre já me estava a responder, é: como é que as empresas devem reagir perante estas oscilações?

Sim, verdade. Sem dúvida. Uma verdade absoluta que não podemos fugir dela, que é, com os preços a aumentarem, quer da mão de obra, quer das matérias-primas, é inevitável que esse aumento de custo seja refletido no preço final. É inevitável que nós tenhamos os bens e serviços a aumentar, é inevitável que nós tenhamos um aumento de preços, eu não quero dizer alinhado com a inflação, porque isso não acontecerá, até porque o que nós temos vindo a observar é um não acompanhamento daquilo que é os incrementos salariais ao incremento da inflação. E, portanto, há que haver aqui um equilíbrio entre aquilo que é o aumento de preços que cada uma das indústrias pode fazer para colmatar o aumento do custo de produção e aquilo que é a capacidade do mercado continuar a procurar cada um desses produtos. A lei da oferta e da procura. E portanto, quanto mais proativas as empresas forem, mais capacidades têm de se manterem no longo prazo a operarem.

Portanto, proatividade, antecipação.

Proatividade, antecipação. São as palavras-chave, diria eu. E um perfeito conhecimento não só da operação, mas dos riscos a que a sua operação está sujeita.

Antes de terminarmos, Alexandre Scarlett, o que dizem as estatísticas sobre as perspetivas de insolvência no setor empresarial português?

O que a Allianz prevê para 2024 e 2025 será um aumento de 19% em 2024, portanto, mais empresas a ficarem em situação de insolvência em 2024, que se seguirá de um novo aumento de 10%, são as nossas previsões, para 2025. As projeções que o grupo Allianz faz para Portugal a nível de crescimento rondam os 1,3%, 1,8% para 2025. E portanto, são crescimentos que de alguma forma não indiciam expansão. Não indiciam crescimentos acelerados. E pequenas e médias empresas, empresas com volume de negócios abaixo de € 500 mil, são aquelas onde nós vemos que este impacto poderá ser maior e que poderão estar mais sujeitas ao risco de insolvência nos próximos anos. Claro, estamos a falar também em empresas de retalho, empresas do setor da construção, empresas dos setores têxteis, portanto, são empresas que de alguma forma, por serem pequenas, com habitualmente poucos níveis de automação, poucos níveis de produtividade, pouca inovação, poderão estar mais sujeitas a que a disrupção as apanhe e em que fiquem de alguma forma sujeitas a este risco de insolvência nos próximos dois anos.

E assim chegamos ao fim deste segundo episódio do podcast "Conversas sem Riscos" da Allianz. Alexandre Scarlett é o CFO da Allianz Portugal. Muito obrigada por partilhar connosco a sua visão sobre os desafios macroeconómicos que as empresas enfrentam, bem como as soluções para mitigar os efeitos de fatores externos. Foi um gosto tê-lo connosco, Alexandre. Muito obrigada.

Muito obrigado.

Este podcast é patrocinado pela seguradora Allianz Portugal. Allianz Commercial, seguros para empresas. Para a semana regressamos com mais um episódio. Contamos consigo. Até lá.