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Mas a verdade é que não só imaginar o futuro não é ficção científica, como a ficção científica ajuda-nos a construir o futuro.
Exatamente.
E esta relação que existe sobre a cultura, outra vez, que as pessoas nem sequer se calhar pensam conscientemente. Portanto, aquilo que nós queremos é que o tema da imaginação e de nós percebermos que é muito importante nas escolas, nas empresas, no Estado, que o tema de conseguirmos ter tempo para imaginar é muito importante e isso ajuda-nos a construir uma realidade diferente.
Como será o Porto em 2050? Isso mesmo é o que se vai refletir e debater já sexta e sábado na primeira Futura Time Machine, no Círculo Universitário do Porto, com programa que cruza arte, ciência, cidade, natureza e imaginação pública. Amanhã e depois, 150 participantes, entre cientistas, artistas, futuristas, estudantes e moradores, vão imaginar em conjunto o Porto verde-azul de 2050. Para nos contar tudo, convidei Graça Fonseca, Chief Imagination Officer e cofundadora da Futura Foundation, que se tornou conhecida como ministra da Cultura e por ter sido pioneira no primeiro orçamento participativo de âmbito nacional do mundo. Com mais de 25 anos de experiência em políticas públicas, governação e sociedade civil, é uma das vozes mais interessantes para falar sobre participação, democracia e o papel das cidades na construção do futuro. Prepare-se para uma conversa que junta a experiência de governo, opções de vida, o aquecimento, ou melhor, a ebulição global e até uma elefanta. Olá, Graça Fonseca, bem-hajas por ter aceitado este meu convite. Bem-vinda de volta à Rádio Observador, que eu sei que já houve uma entrevista tua aqui há uns anos valentes.
Já há bastantes anos.
É bom poderes voltar.
Também tinha imaginação, só não tinha elefantes.
Exato. Muito bem. É engraçado. Eu estava a pensar nisto, porque foste ministra, serviste sempre a causa pública. Quando tu eras mais novinha, o que é que te imaginavas a fazer, Graça? És jurista e és socióloga, mas desde pequena que não sonhavas isso.
Sim, eu acho que desde pequena-- para já, obrigado pelo convite, deixa-me começar por aí.
Obrigado.
Eu acho que desde pequena tenho algo que pra mim é bastante forte, que é a ideia do coletivo. Eu lembro-me que sempre gostei muito de imaginar o grupo, de imaginar o coletivo. Acho que é aquilo que me diz mais, se calhar, por isso é que tive, de facto, quase 25 anos em políticas públicas.
Sim, desde a faculdade, que ficaste sempre em projetos públicos, de governação.
Escolhi ir para Direito. Antes de ir para Direito, fiz muito voluntariado, fui voluntária da-
Da Casa, por exemplo?
Da Misericórdia Nacional. Da Casa, sou hoje em dia. Na altura, quando era mais nova.
Sempre apoio aos sem-abrigo.
Exato. Hoje em dia, sim, faço voluntariado na Casa. Mas fui voluntária na Misericórdia Nacional, fiz muitos anos de voluntariado na APAV, na Associação de Apoio às Vítimas. Não sei se pode-se dizer que sonha, mas aquilo que sempre me atraiu e me puxou para algum lugar, teve sempre a ver com o coletivo, com o grupo, menos com o que é o individual. Talvez isso que me tenha trazido agora também um pouco para este mundo das fundações.
Sim, tens várias, a João Mário Marcel, António Pregana. Tu não tens redes sociais.
Tenho.
Tens, mas tens uma dedicada à fotografia, por exemplo?
Não, eu tenho.
Mas aqueles normais, Facebook. Ah, Instagram.
Facebook já não tenho há muitos anos, mas tenho Instagram e tenho LinkedIn. Não estou sempre nas redes sociais, mas tenho.
Quando estavas no governo, tinhas mais.
As oficiais.
As oficiais, pronto. Porque não deve ser fácil lidar com o que tu lidaste durante aqueles três anos e meio como ministra da Cultura, mas antes disso também na administração e na modernização.
Sim, as redes sociais têm um-
Um quê de anônimo e de julgamento em tempo real, que é complicado, às vezes. Também há coisas boas, obviamente, como todas as ferramentas.
Sim, as redes sociais deram-nos muitas energias contraditórias. Eu costumo dizer, porque por um lado, aproxima-nos, por um lado, põe-nos em contacto com pessoas que de outra maneira não estaríamos em contacto, mas, por outro lado, também nos isola bastante. Eu tento sempre não estar demasiado tempo no ecrã, nas redes sociais. Sei lá, dou este exemplo: às vezes estás à espera de um transporte público, em vez de estar no telemóvel, estou a observar as pessoas. Porque as redes sociais quase que nos desumanizam.
Exatamente. Focamo-nos num ecrã e esquecemos o ambiente à volta, que é tão importante.
E, por outro lado, como dizes, são uma dimensão do anônimo, que é algo que é difícil de lidar. Eu costumava dizer que as redes sociais e algumas caixas de comentários online de meios de comunicação social era uma espécie de sarjeta do mundo, para utilizar uma expressão relativamente apropriada.
Simpática. Exato.
Porque, de facto, é fácil dizer algo desumanizando o outro.
Exatamente, claro. Facilitou isso.
Que me preocupa bastante do ponto de vista da contemporaneidade.
Como socióloga e também foste ministra essa altura, não posso deixar de perguntar isto, e interessada na causa pública, muito. A pandemia, que já passou há uns anos, eu sei, ainda bem, como é que mudou o mundo, Graça?
Eu tive esperança, talvez como muitas pessoas, que tivesse mudado mais do que aquilo que mudou. Na altura, nós pensámos todos que nada seria igual antes. E, na verdade, isso não aconteceu.
Está tudo aquilo outra vez, nas rotinas, nos mesmos erros, nas mesmas coisas boas e más.
Até nalguns retrocessos, diria, talvez, mas não mudou assim tanto. E acho que foi um tempo muito particular. Parece que foi há muitos anos, não foi assim há tanto quanto isso, mas podíamos ter mudado mais como humanidade do que aquilo que mudámos.
De facto, este serviço público, esta motivação de ir pra política Move-te um bocadinho o que é que vamos deixar para os próximos 50 anos aos outros, às novas gerações?
Houve algo que sempre me atraiu muito, que foi esta ideia de pensar o futuro.
Estamos aqui para falar disso, exatamente.
Sim, mas eu lembro-me que em 2015, antes de entrar para o governo, eu defendia publicamente que o governo devia ter o Ministério do Futuro. E continuo a defender esta ideia, não é uma invenção minha, alguns países têm aquilo que hoje se chama as áreas do governo das gerações futuras, ou seja, das gerações que ainda não nasceram, porque esta ideia de nós termos tempo ou termos alguém que nos ajude a pensar o que vai ser daqui a 20 anos ou daqui a 25 anos, e isto não é ficção científica, existem instrumentos que nos permitem fazer isto, é algo que é muito importante para sabermos se vamos mais para um lado ou para o outro. Por quê? Porque os ciclos de governo, os ciclos das empresas, os ciclos das lideranças, se quisermos, são relativamente curtos. E portanto, todo o nosso esforço, todo o nosso cérebro e toda a nossa energia está focada no curto prazo. A nossa vida é no curto prazo, mesmo quando temos redes sociais, é no curto prazo. Se pensarmos aquilo que hoje pode movimentar um país, daqui a uma semana já ninguém se lembra. E portanto, a possibilidade de termos alguém na nossa equipa que se dedica apenas a pensar o longo prazo e a nos ajudar a perceber uma decisão que tomamos hoje, qual é que é o impacto que pode ter daqui a 20 anos, é algo que eu considero muito relevante, mas desde sempre, é algo que me acompanha há muitos anos.
Apaixona isso.
E por isso apaixona-me esta ideia de pensar, por exemplo, como é que nós devíamos estar a comunicar. Estamos a passar por uma onda de calor. Como é que nós devíamos estar a comunicar com as pessoas? Como é que o governo devia estar a comunicar? Como é que os jornais deviam estar a comunicar? O que isso significa para nós? Qual é que é o desenho ou a imagem de um país num cenário de aquecimento global de mais dois graus acima do que era antes.
Já passamos há algum tempo as metas do Acordo de Paris. Um grau e meio.
Isso significa coisas, às vezes, de estratégia, mas muitas vezes nós próprios. Alguém quer construir a sua próxima casa. Onde é que deve construir?
Exatamente.
O que vai acontecer naquela zona onde vai estar? É uma zona que aquece mais ou que aquece menos? É uma zona costeira, qual é que é a erosão da costa?
70% da nossa população, por exemplo, como sabe, vive na orla costeira. Será que não é a altura de começar a pensar um bocadinho em tornar atrativo o interior para poder, por exemplo, equilibrar mais as coisas?
E temos um país que tem um nível de eficiência energética relativamente baixo, temos um país que é relativamente pouco coberto, por exemplo, por esta possibilidade do ar-condicionado em que estamos. Se calhar isso significa que temos que preparar locais de refúgios climáticos, por exemplo, equipamentos públicos onde se possa estar. Ou seja, há um conjunto de decisões que podiam facilmente ser tomadas hoje, que permitem, no fundo, que daqui a 20 anos possamos viver todos melhor.
Exatamente.
E é esta dimensão que me apaixona.
Foste deputada, chefe de gabinete do Ministro de Estado de Administração Interna e do Estado da Justiça, militante do PS. Quando estavas na Secretaria de Estado da Modernização Administrativa, foste pioneira deste primeiro orçamento participativo de âmbito nacional do mundo. Antes já tinhas feito este na Câmara, por exemplo, com o António Costa, já tinhas feito este orçamento participativo de Lisboa. Mas aqui foi a nível mundial, com o orçamento de Estado, havia 5 milhões. Vocês perguntaram à população: onde é que vocês gostavam de investir? Isso é uma coisa extraordinária. Os cidadãos puderam escolher, destinar projetos onde convinha apoiar e aplicar aquele dinheiro. Isso foi extraordinário, uma ideia única. Tiveste a noção que nunca tinha sido feito em mais lado nenhum, em nenhum governo?
Não, eu sabia que não tinha muitos casos onde ir buscar inspiração quando começámos a desenhar no governo.
É uma ideia extraordinária.
Porém, tinha seis anos de experiência na Câmara de Lisboa, de gestão de práticas participativas e do orçamento participativo.
Estavas na economia, inovação, educação, reforma da cidade, modernização administrativa, tinhas isso tudo.
Precisamente. E quando cheguei ao governo, essa era uma das minhas áreas que eu quis, e tentámos encontrar exemplos no mundo e não existiam. Por uma razão, porque é difícil e dá bastante trabalho fazê-lo a nível nacional. Mas foi uma experiência que eu gostei muito de fazer. É curioso que é muito valorizado internacionalmente e hoje internacionalmente há muitas pessoas que me chamam para falar sobre essa experiência. Em Portugal, nem por isso. Nem por isso por uma razão, porque Portugal acho que tem um tema de sociedade civil e enfim, podemos falar sobre isso. Mas foi uma experiência incrível, porque nós decidimos fazer dois anos. Depois eu passei para a cultura e depois teve mais um ano e não continuou. Mas foi incrível a reação das pessoas, porque nós no primeiro ano, para as pessoas perceberem, significa que em cada orçamento de Estado há um valor de 5 milhões de euros, em que aqueles 5 milhões de euros, o que é investido é decidido pelas pessoas. Ou seja, eu podia não gostar, e muitas vezes não gostei das propostas que eles faziam, mas se fosse a proposta mais votada, era aquela que seria implementada pelo governo.
Democráticamente, é assim que funciona.
É assim que funciona a democracia. Nós nem sempre gostamos dos resultados da democracia.
Como tu dizes, a democracia tem que haver conflito e tem que haver consenso. São palavras tuas.
E nem sempre gostamos do resultado, faz parte.
Mas aconteceu às vezes, propostas que você disse: não, isto não.
Aconteceu.
Veste-me buliçapos nessa questão.
Algumas vezes tive. Mas, por exemplo, no primeiro ano, a proposta mais votada foi o acesso gratuito a todos os equipamentos culturais no ano em que cada jovem fizesse 18 anos. Ou seja, durante 12 meses, um conjunto de equipamentos culturais, que depois foram alargando a rede, dariam acesso gratuito de cinemas, teatros, museus, etc, naquele ano que fizessem 18 anos. E foi uma medida muito interessante. Depois, o que aconteceu foi eu, entretanto, nomeada Ministra da Cultura. E continuou. Depois, quando tomei posse como Ministra da Cultura, nós tornámos essa medida uma medida institucional, estrutural do ministério. Portanto, a cada vez bastava apresentar o cartão de cidadão e entrava no museu e tinha entrada gratuita. E portanto, a verdade é que eu sou testemunha de que os portugueses, as pessoas, quando são desafiadas de uma forma próxima, em que conseguem confiar naquilo que está a ser dito, em que têm uma palavra mesmo a dizer, ou seja, não é só consultar e depois não acontece nada.
Perceber o que é que a gente vai decidir.
As pessoas participam. E mais, e é muito incrível a forma como Vêem o país e as comunidades de forma muito lúcida. Porque aquilo, no fundo, eram sempre propostas que eram para melhorar o bem coletivo, digamos assim. E por isso foi uma experiência. Percorremos o país, fizemos muitas assembleias participativas e aprendi imenso. Acho que foi das experiências em que eu aprendi mais com as pessoas.
Foste, de facto, ministra da Cultura em dois governos, durante três anos e meio, em plena pandemia, que nem quero pensar o esforço que isto foi, tiveram que ajudar, mudar programas, inventar programas. Mesmo assim, coisas extraordinárias que tu fizeste: a criação dos estatutos dos profissionais de cultura, por exemplo, a Lei do Património, este projeto de garantir cultura, o modelo de financiamento da DG Artès, Plano Nacional das Artes, a Rede Portuguesa de Arte Contemporânea, a Rede Portuguesa de Teatros e Cineteatros, o Arquivo Nacional do Som, Portugal Film Commission, muita coisa. Uma delas, como lembro, é ter sido o museu de Évora, o primeiro museu nacional a ser luzado. Nunca me esqueci disso. Depois dissemos: "Não devias ter ordinário."
Tive também direito a muitas polémicas, essa foi uma delas. Mas também aprendi com cada uma delas.
Claro.
Mas há coisas muito importantes que eu gosto muito de recordar, que foi feito, e acho que a propósito do futuro, essa é uma das questões. Porque a preocupação durante aqueles anos do Covid, na minha perspetiva, naquilo que me dizia respeito, era: eu sabia que um dia a crise ia acabar. Nós estávamos a viver uma crise muito difícil, com um impacto fortíssimo na cultura, de supressão de atividade, mas algo que nós sabíamos. Naquele momento não sentíamos, mas a minha responsabilidade era saber que um dia vai acabar. E a preocupação era responder o agora, mas preparar o depois.
Sim, mas tu nunca sabias se era daqui a um mês, uma semana.
Fosse quando fosse, iria acabar.
Não é fácil guardar assim.
Iria acabar. E portanto, quando nós estruturamos a rede de teatros e cineteatros, que se falava há 20 anos, quando nós estruturamos a rede de arte contemporânea, quando nós pusemos em ordem a coleção do Estado, que agora o governo acabou de inaugurar a sede onde fica. Quando nós fizemos o Estatuto do Profissional das Artes, e essa foi a mais importante, na altura a questão era: nós aprendemos com a crise que o nível de cobertura social do setor era muito baixo. E portanto, era preciso preparar o futuro, porque se algum dia existisse uma nova crise pandémica ou outra, era muito importante, na minha perspetiva, que o setor estivesse preparado de uma forma diferente do que estava a encontrar aquela crise. E portanto, isso significa exatamente isso, preparar o futuro.
A curto prazo, longo prazo.
Nem sempre no momento se consegue perceber.
Isto não é popular, normalmente não são medidas populares.
Não é popular.
Não é fácil justificar isso, são coisas estruturais.
Confesso que não governei para ser popular. Governei para fazer aquilo que entendia que era o correto, na altura, com erros, como toda a gente comete.
Por que a cultura, Graça, é sempre este parente pobre dos orçamentos, dos programas dos governos, dos programas dos partidos? Por que nós temos 1%, às vezes nem isso, para a cultura? Quando é que se descobre que é uma necessidade e não um luxo?
Eu diria que é um tema, se quisermos, social, económico e político. Não é só o dinheiro da política. Eu acho que tem muito a ver também com a forma como a gente olha.
Não é só dinheiro, não é vir muito dinheiro. Isso às vezes não resolve nada. Não é só ser preciso muito dinheiro, e ela tem razão nisso. A questão é as metas.
O dinheiro conta e, como é evidente, é importante. E aliás, todos os anos se sabia aquilo que era o orçamento. Mas mais do que isso, ou tanto importante quanto isso, é como é que cada um dos cidadãos valoriza a cultura. Como é que as pessoas valorizam a cultura? Porque muitas vezes dependemos de alguma forma de arte, mas nem o percebemos ou valorizamos. Eu dava muitas vezes esse exemplo, que é, se calhar, a maior parte de nós, desde que acorda até que se deita, tem contacto com várias formas artísticas, porque lemos, porque ouvimos música, porque se calhar vamos ao cinema ou porque vemos uma série. Ou seja, o nosso contacto com aquilo que são as diversas formas de arte é permanente ao longo do dia. Temos é que ter consciência sobre isso e valorizar de uma forma diferente, precisamente a importância que isso tem na nossa vida. E isso é um trabalho que é preciso ser feito. Desde as escolas. Eu acho que talvez dos programas que eu mais considerei importante criar foi o Plano Nacional das Artes, não referiste aí, mas o Plano Nacional das Artes, que ainda hoje decorre com grande impacto nas escolas.
Exatamente, aproximar a cultura das escolas.
Os miúdos, a importância na escola.
Centenas de estabelecimentos de ensino que foram envolvidos.
Eu dava o exemplo. Olha, neste estúdio, estamos rodeados de paredes brancas. Pode ter aqui um quadro pendurado, pode ter aqui arte, o mesmo nas escolas. Por que as paredes das escolas hoje em dia algumas escolas já o fazem.
Sim, obviamente, é com os trabalhos dos alunos.
Sim, fazem residências artísticas e já há um trabalho e o Plano Nacional das Artes foi muito importante para isso. Mas é um exemplo. O mesmo se pode dizer nos hospitais. Hoje em dia, cada vez mais, tu tens evidências científicas que aquilo que é a exposição e o contacto com arte, sei que aliás, existem alguns programas de receita cultural.
É verdade, é terapêutico. Há médicos que já receitam ler um livro ou ir ao cinema.
Em Portugal acho que ainda não, mas existe. Às vezes são coisas muito simples que mudam a vida das pessoas. E eu acho que há um tema de valorização social, há um tema de valorização econômica, que é o impacto econômico da cultura muito significativo. Se pensarmos naquilo que é o circuito do cinema, por exemplo. Mas não só, e dava este exemplo também, que é quando fecha o monumento nacional, toda a atividade econômica à volta fecha. Porque o café depende do monumento nacional, porque a loja que vende jornais depende. E, portanto, o impacto econômico da cultura É muito relevante. Enfim, são vários pilares que têm que ser melhorados.
Muito bem, Graça Fonseca. Temos de fazer aqui um brevíssimo intervalo e já voltamos à conversa. Até já. Estamos a conversar com Graça Fonseca, socióloga e ex-ministra da Cultura, que nos vem falar da Futura Foundation, onde é CIO, Chief Imagination Officer, entidade que amanhã e sábado organiza o Futura Time Machine Porto, um evento que se propõe imaginar em conjunto o Porto verde-azul de 2050. Ainda antes de ir ao Porto, falámos da tua relação com a cultura e quando passaste pelo Ministério da Cultura. É muito curiosa esta tua aproximação das escolas, falámos disso agora mesmo. Tu és trustee The Smart School Councils, uma organização que promove esta aproximação, participação democrática dos alunos das escolas. A propósito, identificá-la a Águeda Malheiro, da All For Integrity, também é uma coisa extraordinária. Foi nossa convidada extra também. És membro de uma série de fundações. Gosto muito desta parte tua. Por exemplo, tu tens fama de gostar de cruzar cultura com inovação, com políticas públicas. Nós ainda em Portugal pensamos essas áreas muito separadas?
Pensamos.
O que é pena.
Eu acredito.
Este evento que aí vem, por exemplo, junta um bocadinho isto, que é importante. Cultura, inovação e políticas públicas.
Acredito firmemente que as artes são muito importantes na forma como nós nos relacionamos com os grandes desafios da humanidade. A forma como a arte abre a nossa imaginação, como nos permite viajar, é algo muito importante e, por isso, para mim sempre foi muito importante e, de facto, tudo o que eu faço hoje em dia cruza artes, a democracia, o futuro e a forma como nós nos relacionamos com o planeta, como é que nós tratamos o outro.
Este Climate Festival, por exemplo, e a tua Because Impacts, é uma boa ideia desta.
Sim, esse foi o primeiro.
Este Parker's Roves. Ciência, arte e humor, como é que podem lidar com as alterações climáticas, com tudo. É extraordinário, é uma ideia incrível.
Hoje em dia estou muito focada neste tema do futuro e como é que nós conseguimos, através da arte, da ciência, despoletar a imaginação. E a imaginação é muito importante, porque eu também acredito que só conseguimos construir algo diferente no futuro, se conseguimos imaginar o inimaginável. E isto significa que é óbvio que ninguém tem uma bola de cristal. Portanto, nós não sabemos o que é que vai acontecer amanhã, quanto mais daqui a 20 anos, mas nós temos instrumentos que nos permitem identificar tendências, identificar caminhos que se estão a desenhar. E precisamos de perceber se tivemos imaginação para querermos que o caminho seja melhor do que aquele que nos está a ser colocado como o mais provável, podemos fazer algo para mudar essa probabilidade. E, portanto, este cruzamento entre o que é que a ciência nos diz, de que maneira é que a arte, através da forma como nos expõe àquilo que a ciência nos diz, e se conseguimos imaginar um futuro diferente, eu, pelo menos, como sou uma otimista e continuo a ser, tenho esperança de que consigamos construir um futuro diferente do que aquele que neste momento nos aparece todos os dias.
A propósito, ainda antes de ir, num minuto, queria falar da tua ligação à Pangea Trust. Esta Pangea Trust, tu és do Conselho de Desenvolvimento, onde teve esta grande conquista na semana passada, entrou esta Julie, a última elefanta de circo em Portugal, inaugurou este primeiro grande santuário de elefantes da Europa, que é no Alentejo, este Pangea Elephant Sanctuary, ali entre Casuas e Vila Viçosa.
E Landrol.
E Landrol, isso mesmo. Que é muito curioso, desde que a nossa lei proibiu a utilização de animais selvagens nos circos, já foi aprovada há oito anos.
2019.
E depois tinha um período de transição de seis anos e então vem esta primeira elefanta para o Alentejo. Acho que fizeram uma pesquisa brutal em dezenas e dezenas de herdades pela Europa toda e de facto escolheram este sítio como ideal para acolher este santo extraordinário, santuário de elefantes, que vai ter capacidade para 30 animais. Vem já agora aí uma dos Imóveis, que está na Bélgica, também num circo, a Cariba, vai-se juntar. Está um bocadinho aberto, não ao público, mas às escolas e projetos de investigação. É preciso também dizer isto às pessoas. São 400 hectares planeados para isso. Isto foi uma grande conquista da Pangea e é uma pergunta que se impõe: e os golfinhos? Não é o último animal que falta? Vinte minutos de diversão para nós, como nos dizem, uma vida inteira na prisão. Há 34 golfinhos que são ainda presos em delfinários. Será que um dia a Pangea pensa nisso? Só faltam esses.
A Pangea existe para os elefantes.
Ah, foi criada com essa na mira.
Sim, a Pangea é um fundo inglês.
Pensava que era uma ONG geral.
Não. A Pangea é um fundo inglês, é um trust inglês, tudo doadores e investidores estrangeiros, não há um único português, infelizmente. E foi criado no início de novembro pelo seguinte: na Europa não existe um santuário de elefantes. Existem na América, na Ásia, na África, existem vários, mas não existe na Europa. No entanto, na Europa ainda existem cerca de 600 elefantes em cativeiro, entre zoos e circos. E em alguns casos, como é o caso de Portugal, os circos baniram os animais selvagens nos circos. Noutros casos também, os próprios zoológicos, alguns já não têm solução Para os elefantes quando chegam a certa idade. E, portanto, no fundo, é uma resposta a um problema concreto. A Pangeia não veio para resolver todos os problemas que existem na relação entre a humanidade e os animais, ou entre os homens e os animais, mas veio com algo muito interessante, que é precisamente esta ideia de que animais que viveram toda a vida ao serviço de nós, seres humanos, neste caso os elefantes, têm direito, no final da sua vida, a viver em liberdade e não em contato com os humanos. Portanto, a Pangeia não é um parque, é um santuário, é dedicado aos elefantes, não aos seres humanos, mas quer construir uma relação diferente entre nós e os animais, neste caso, os elefantes. E, portanto, para mim, é um projeto que me entusiasma imenso. É um projeto que ainda por cima toca uma área da cultura que eu também tive o gosto de ter muito diálogo durante o meu tempo no Ministério da Cultura, com o circo. E, portanto, no fundo, existiam dois animais selvagens em circo, um tigre e um elefante. E o elefante, de facto, a Julie, chegou a semana passada ao santuário. E é muito extraordinário duas coisas. Uma é a generosidade.
Já vi imagem dela. Os banhos de lama, finalmente.
A generosidade dos doadores e dos fundadores é muito impressionante. Eu sou muito grata a estas pessoas, a estas fundações. É muito extraordinário a postura de não conflito, mas de construção de pontes. Desde o início nunca foi apontar dedos ao circo ou a quem quer que seja, foi começar a construir uma história nova em conjunto. E batalhar para que isto fique como algo para o futuro, para outras espécies, como o frisso, mas outras. E por isso, de facto, para mim foi muito bom ver a Julie a tomar o seu banho de lama e sentir que estava feliz e que foi um processo de diálogo e não de confronto. E eu acho que isto é muito importante.
Futura Foundation, então, esta fundação filantrópica criada no ano passado, sediada em Lisboa, que promove o pensamento sobre o futuro, a capacitação das mulheres, a imaginação, a responsabilidade entre gerações. Isto é muito importante. Todos estes pontos são importantes. Uma casa de pensamento e ação. Muito gira esta ideia do nome ser feminino, Futura é feminino.
Começa com A.
Exatamente. Cuidar das pessoas é o que se procura saber, não tanto o projeto. Isto é fundado por ti, és uma das fundadoras. A Ruth Shaber, ela que era médica, era ginecologista, obstetra, que é muito apostada neste trabalho e que tem um grande afeto por Portugal também. E convicta de que as mulheres são agentes de mudança para os grandes desafios do mundo, como vocês estão. Glenn Dibarnes, este poeta e jurista, Eleanor Rhodes, anfitriã deste podcast. Vocês têm um podcast que se chama Future Tense, muito giro. Já teve, se não me engano, dois episódios. Eu vi um muito giro sobre a longevidade. E o primeiro, pronto, tu e a Ruth Shaber a falarem o que era a Futura. Muito gira também esta ideia deste podcast. E agora, entre os eventos, a Time Machine. Este evento vai acontecer no Porto já amanhã e depois. Depois há de vir a Coimbra, a Évora e finalmente em Lisboa. A ideia, no fundo, é o quê? Há algumas mulheres escolhidas para estas fellows, que são este Future Lab, que vão imaginar coisas exatamente sobre o futuro. Tu deves estar à frente disso, porque és a parte da Chief Imagination Officer. Adorei isto, CIO.
CIO.
CIO, exato. Há depois um fórum de imaginação aberto ao público. Há uma viagem pela cidade, este walk and talk, muito curioso. Arts for Future, também há aqui arte, vai até haver um concertozinho. E há uma cerimônia de entrega, em que se devolve à cidade um conjunto de recomendações cocriadas, portanto, como uma espécie de mapa do futuro, o que se espera para o Porto, uma cidade mais verde, mais feliz. O que se pretende que saia deste encontro, deste encontro de cabeças, de imaginação?
Deixa começar só dois minutos para o que é a fundação. Porque eu gosto sempre de contar a história, porque acho que a história interessa. Eu conheci a Ruth há dois anos e qualquer coisa. E a Ruth fez-me uma pergunta que foi: queria fazer um give back ao país, porque ela veio para cá como cidadã americana, apaixonou-se pelo país, aqui ficou, aqui decidiu ficar a viver e queria fazer um give back, porque o passado dela é de filantropia. E perguntou-me qual é que era, para mim, o problema mais complexo que a cidade e o país tinha, porque queria investir nesse problema. E a minha resposta foi a crise de habitação.
Habitação, claro.
E o que eu respondi foi: nós estamos a perder muito economicamente, socialmente, acho que nem estamos a perceber o que estamos a perder como cidades e como país, porque não temos sequer capacidade para estudantes que vêm para Lisboa, não podem ficar, porque entram nas universidades e depois têm de sair embora.
Exato.
E a partir daí nasceu esta ideia de criarmos uma residência, portanto, a Futura, comprámos um prédio no Chiado, enfim, a Ruth comprou um prédio no Chiado, e esse prédio será uma residência para um fellowship, que é algo que não existe muito em Portugal, porque no fundo não é uma bolsa, no fundo é um programa em que mulheres até aos 35 anos, que estejam muito alinhadas com grandes desafios que o país tenha, Portugal, onde podem estar até um ano, numa residência, sem pagar, em que, para além da residência, vão ter acesso a mentores, a ferramentas sobre como imaginar o futuro. Por isso é que se chama Futura, porque é sobre o futuro, mas também é como é que nós aprendemos a imaginar o futuro. Existem ferramentas para isso. Portanto, no fundo, vão ter um currículo, se quisermos, vamos ter uma oferta, para poder, ao longo desse ano, poder trabalhar em desafios do país e poder também, depois, no final, fazer um give back, ou seja, dar à cidade e dar ao país aquilo que resulta deste, se quisermos, um ano de residência em Lisboa. Portanto, começa por ser uma resposta ao tema da habitação, mas na verdade hoje já é mais um projeto para salvar o mundo. Enfim, descontado o excesso. No fundo, é isto. Portanto, é um fellowship residencial em Lisboa, com acesso a recursos e a redes para poder desenvolver respostas para desafios globais. A Futura Time Machine é um evento. No fundo, eu não gosto de dizer que é um evento, porque na verdade nós imaginamos como uma viagem ao futuro.
Não é uma coisa típica do congresso.
Não é.
Que foge do lugar disso e com razão. Não é aquela coisa que o pessoal senta para ter ideias, mais nada, ficam por ali e acabou.
É importante as pessoas perceberem isto, exatamente o que vai acontecer nos próximos dois dias, porque aquilo que nós queremos é exatamente que as pessoas imaginem o que o Porto pode ser em 2050. E trabalhar com as pessoas e as pessoas serem não espectadores, mas criadores desse mapa do Porto 2050. E como é que nós procuramos fazer isto? Como disseste, durante a manhã, a fundação no fundo oferece 12 fellows.
O Future Lab.
O Future Lab, são para 12 fellows, que já fechamos as candidaturas, até já temos 13, que vão durante as duas manhãs trabalhar com uma equipe que trabalha conosco, precisamente a mapear futuro. A partir do mapa do Porto, mapear o futuro nas diferentes áreas. Vamos imaginar que eu sou um rio. Se eu fosse o rio Douro, o que eu diria? E o que o rio Douro precisaria? Como é que nós podemos criar mais refúgios climáticos na cidade? Isso é importante, sim ou não?
Os parques, os transportes.
Isso é importante, como é que podemos fazer? E o que já está sendo feito em outros países do mundo? Nós sabemos o que em outras cidades vai acontecer. Durante as manhãs é fechado para aquelas fellows, que vão trabalhar em equipe. Depois a parte da tarde, de fato, é aberto ao público, por registro, as pessoas estão se registrando esta semana, estamos quase a atingir aquele limite que tínhamos definido. E aí temos dois momentos. O primeiro momento é o momento em que a ciência e a arte abrem, se quisermos, os portões da viagem ao futuro, através da imaginação. No primeiro dia será a Joana Vasconcelos e o José Miguel Lameiras.
Uma coisa incrível.
José Miguel Lameiras, que é professor da Universidade do Porto.
E paisagista.
Tem um projeto maravilhoso, que é imaginar a VCI como infraestrutura verde. Acho que isto é bem suficiente para nós imaginarmos o futuro. E depois destes dois momentos, quem estiver nesta viagem conosco, vai trabalhar em diferentes salas com uma equipe de facilitadores, precisamente para começar a desenhar o Porto. Cada sala terá uma região do Porto, uma zona do Porto, e cada uma destas zonas vão ser guiados a imaginar o que aqui nesta zona pode acontecer, o que naquela zona vai acontecer. Isto repete-se no sábado, é exatamente igual. De manhã também é o mini fellowship. Temos, como referiste, o walk and talk, também é com o José Miguel Lameiras.
É um passeio.
É um passeio precisamente para imaginar o Porto e o que o Porto já é. E depois da parte da tarde também teremos ciência e cultura. Teremos o João Kopke, que é um surfista.
Conta todas as histórias.
Conta todas as histórias. É extraordinário.
Embaixador da curiosidade, como ele se chama.
Sim, e temos a Teresa Vicente, que é uma mulher extraordinária, professora da Universidade de Múrcia.
E ativista.
E que foi a pessoa que conseguiu movimentar um amplo movimento de mais de 600 assinaturas em Espanha para que fosse, na Europa, atribuído personalidade jurídica ao primeiro ecossistema, que é o Mar Menor.
Exatamente.
O Mar Menor é a maior lagoa salgada da Europa e que teve vários desastres climáticos em 2019 e 2021. E a Teresa Vicente liderou um movimento extraordinário de pessoas que conseguiram personalidade jurídica.
Ganhou o Nobel do ambiente, ela.
Ganhou o Nobel do ambiente. A Teresa vai estar conosco. E depois a seguir, da parte da tarde também no sábado, as pessoas vão continuar a viagem do dia anterior, vão continuar a olhar para o mapa do Porto e no final, constrói-se o mapa do Porto, entre o trabalho das fellows de manhã e o trabalho das pessoas da parte da tarde, constrói-se um mapa conjunto. A Ana Bacalhau recebe-nos à chegada ao presente com um pequeno concerto.
Um concerto intimista.
E depois entregaremos o mapa do Porto 2050 à Câmara Municipal do Porto e à Universidade, a Universidade do Porto é nosso parceiro nesta viagem.
Que aliás passa-se no circuito citário do Porto.
Exatamente. E portanto, a seguir faremos o mesmo, como referiste, em Coimbra, para o ano em Évora e em Lisboa. No fundo, isto é uma forma de a fundação sair de Lisboa, ir pelo país, mas acima de tudo é algo fundamental, que é a ideia de que imaginar o futuro não é ficção científica. Embora a ficção científica, ao contrário daquilo que as pessoas possam achar, influencie muito o nosso presente.
Claro.
Eu dou um exemplo, que se calhar as pessoas não sabem, mas é um exemplo que é interessante. As primeiras portas que abrem automaticamente foram desenhadas e criadas a partir de uma série de ficção científica que muito nós vimos.
Não sabia. Espécie do 199, não.
Exato. Quando tu entras numa nave espacial, as portas abrem-se automaticamente. Não se abriam, porque havia alguém atrás que estava a abrir as portas.
Estava normalmente.
Mas a verdade é que não só imaginar o futuro não é ficção científica, como a ficção científica ajuda-nos a construir o futuro.
Exatamente.
E esta relação que existe sobre a cultura outra vez, que as pessoas nem sequer se calhar pensam conscientemente. Portanto, aquilo que nós queremos é que o tema da imaginação e de nós percebermos que é muito importante nas escolas, nas empresas, no Estado, que o tema de conseguirmos ter tempo para imaginar é muito importante, e isso ajuda-nos a construir uma realidade diferente.
A ideia que nós temos, temos um minuto. O Porto tem conseguido reinventar-se sem perder identidade, ou já começamos a correr o risco de as cidades ficarem todas iguais? As pessoas pensam em cidade do futuro, pensam em arranha-céus e em tecnologia, mas o maior desafio não é o humano?
Eu diria que as cidades estão todas, no mundo, não é só em Portugal, há uma dinâmica global de homogeneização. Não necessariamente só nas coisas boas, também algumas menos boas. E precisamente aquilo que nós queremos aqui, só pra terminar numa nota positiva, é que nós sabemos hoje aquilo que está a acontecer em várias cidades. Dou-te um exemplo, Barcelona tem hoje em dia uma rede de 500 refúgios climáticos. A Holanda transformou o despavimentar como um desporto nacional. Por quê? Porque cada vez que tu despavimentas, estás a permitir que o solo respire, que venha terra, que nasça novamente biodiversidade e baixa a temperatura até cinco graus e novamente tu tens, por exemplo, água a correr. Paris está a fazer exatamente isso em todos os recreios infantis. Por quê? Porque os recreios infantis, como têm cimento ou emprado, quando está muito calor, os miúdos não conseguem brincar. Se tu fizeres a substituição por terra e conseguir deixar respirar, os miúdos conseguem brincar e a temperatura na escola baixa.
Estou lembro do Carlos Neto que dizia isso, as escolas estão a ficar em cimento. Tiraram as árvores das escolas, os miúdos já não sobem às árvores.
Precisamente.
É péssimo.
Portanto, no fundo, esta ideia de que não é-
É verdade, tem desvantagens pra todos os lados, socialmente, ambientalmente, tudo
E repara, que bom seria se aquilo que está a acontecer nestas cidades, na Holanda, em Espanha, em França, em Medellín, aconteceu algo fundamental, em Seul, sobre essa homogeneização destas práticas que estão a acontecer.
Das boas ideias.
Significará que tu tens cidades muito mais preparadas pra um 2050, onde é quase inevitável tu teres o aquecimento global de mais dois-
A agenda da Europa neste momento é o calor, as ondas de calor.
Sendo que aqui na Ibéria, os 2% significam 3.
Ainda por cima.
Porque nós aquecemos bastante mais depressa que o resto da Europa.
Muito bem. Graça, vou dizer que o nosso tempo acabou.
Muito bem.
10 segundos. Como é que vocês vão avaliar, na Futura Foundation, o sucesso deste evento? E antes disso, chegam às conclusões e têm meios para não ficar tudo ali, o presidente da Câmara vai ligar, há algum canal aberto? Acho que sim.
Vamos ter representação institucional da Câmara, que aliás confirmei hoje. Aqui a ideia é sempre a mesma, que é: nós queremos que isso depois seja algo que possa servir para políticas públicas ou pelo menos para sensibilizar alguém. Para mim, o sucesso aqui é, primeiro, as pessoas entrarem na viagem e terem uma experiência boa, que querem repetir, passar a palavra de que imaginar o futuro é algo que é uma experiência que todos devemos ter, que as fellows possam ajudar-nos a desenhar o melhor possível o nosso próprio programa no futuro. Estamos também um bocadinho aqui a testar e a prototipar ideias, também é importante pra nós. Para mim, aqui, se quiseres medir o impacto, é mais perceber de que maneira que organizarmos isto é importante para as pessoas. E para nós, Fundação, que felizmente temos recursos para implementar as ideias que temos, é muito importante que aquilo que venha a ser feito quando o prédio abrir, cá de ser daqui a dois anos, que todos os programas estejam desenhados e pensados a partir da pessoa, das pessoas, o que é que é importante para as pessoas. Isso pra nós é que nesse caso é o sucesso.
Muito bem. Não temos tempo para mais, mas quero agradecer muito. Para já fica aqui esta dica pra quem nos ouve, futurafoundation.org é o site onde vai estar tudo, vocês podem ver o programa e tudo, e também os próximos eventos. Mas não queria terminar sem te dar os parabéns, Graça, pela tua coragem, sempre, ao longo da tua vida, por teres este foco na participação pública, que é extraordinário e é importante, e é pioneiro no nível mundial em certas áreas, já vimos, pelo bem comum que te preocupa sempre, pelo futuro, que também é foco teu, e pelo diálogo inter-regional, que eu também sei que é uma coisa que te afeta muito, e pela natureza, claro. Portanto, parabéns por todas estas áreas onde tu te moves e de fato fazem a diferença, e precisamos de mais Graças Fonseca para este país, para este governo, pra pensar a médio e longo prazo. É uma coisa que não se faz e, portanto, que grande exemplo. Corra tudo bem amanhã e depois. Só coisas boas.
Obrigada.
Bem-hajás.