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Sem falta na Rádio Observador com o Pedro Henriques. Pedro, muito bem-vindo. Vamos olhar para o trabalho do árbitro Sérgio Gelho, da Associação de Futebol da Guarda. Esteve no comando deste encontro entre o Futebol Clube do Porto e o Académico de Viseu para a Taça da Liga. E vamos, sem perder mais tempo, começar já a abordar os lances escolhidos por ti, Pedro, sendo que o primeiro que queres destacar é ao minuto 15, lance de cartão amarelo mostrado a Chris Malling.
Sim, é um cartão amarelo bem mostrado a Chris Malling, porque ele tem uma chamada entrada por trás em tesoura. Ou seja, ele com o pé direito esticado à frente, acaba por tocar no pé direito do Boldini, mas com as duas pernas, daí se chamar tesoura, acaba por emparrelhar a perna esquerda em jeito de tesoura e por trás. Portanto, essas entradas são normalmente duras, às vezes mais espetaculares em termos do aparato, da maneira como o jogador cai, mas não deixa de ser uma infração enquadrada naquilo que é negligência e, por isso, o livre direto e cartão amarelo que foi bem exibido.
Vamos avançar, Pedro, ao minuto 21. No teu entender, Pepic, defesa do Futebol Clube do Porto, não fez penalti.
É uma situação de cotovelo. Ou seja, em primeiro lugar, o Sofiane Messighène remata e a bola vai bater no cotovelo direito do Pepic. O Pepic é aquela situação típica, braço completamente dobrado e encostado junto ao corpo, portanto, não há volumetria e, por si só, isto impede qualquer infração, no sentido de não ser infração de acordo com as leis, relativamente à questão das mãos. E depois, com a imagem da câmera de fora do jogo, percebe-se, embora isso perca menos relevância, porque não sendo falta, perde essa relevância. Se fosse, é que tinha que ser analisado. Fico com a ideia que esse toque no cotovelo é fora da área. É mesmo ali no limite, entre em cima da linha ou fora da área, e pela imagem que eu tinha disponibilizado na repetição, fico com a ideia clara que é fora da área. Portanto, também aí, se fosse infração, isso depois tornava-se importante, o VAR só iria intervir se fosse dentro para penalti, mas neste caso concreto, o fato de ele ter o braço dobrado, encostado junto ao corpo e a bola ter ido ao cotovelo sem a tal volumetria, tudo certo e sem motivo para infração.
Vamos avançar, Pedro. Minuto 39, novo lance de disciplina com mais um cartão amarelo a ser mostrado, desta vez a um jogador do Académico de Viseu.
Sim, o Gustavo Costa, que com o pé esquerdo acaba por pisar o pé também esquerdo do Martim Fernandes. É aquela situação em que o Martim vai entrar, conforme estava a atacar, pelo corredor direito, para entrar na área, perdão, e quem está a defender, está a defender o seu corredor esquerdo. Portanto, ele tem uma entrada fora de tempo, acaba por pisá-lo e com isso faz duas coisas: o pisão em si, que é duro, que é negligente, e ao mesmo tempo corta uma jogada de perigo, porque o jogador Martim Fernandes ia entrar na área, portanto, corta o ataque promissor. E por isso, por esta dupla razão, cartão amarelo bem mostrado.
Vamos avançar o último lance ainda da primeira parte, talvez o lance mais importante de todo o encontro, a grande penalidade que é atribuída ao Futebol Clube do Porto, Pedro.
Olha, é um lance muito difícil de análise, começo por aqui. Eu vou dar como boa a decisão da equipe de arbitragem, mas por quê? Porque quando nós estamos a analisar, e uma vez mais estamos a falar das mãos, estamos a analisar as mãos, existem fatores que são atenuantes e agravantes. E não deixa de ser curioso que há aqui um ou dois aspetos que podem ser tidos em consideração ou podiam ter sido tidos em consideração para eventualmente o árbitro ou o VAR não considerar infração. E falo do quê? É uma bola que é cruzada para a área, o guarda-redes, o Soriano, acaba por, embora de leve, tocar na bola. Portanto, não é uma situação de defesa, desviar, mas ainda toca na bola. E depois de tocar na bola, a bola vai ao Gamboa e vai à sua mão direita, raspa no peito e finalmente termina na mão esquerda. E é nessa mão esquerda que o árbitro considera e penaliza. Quando nós vemos a imagem parada, para também tentarmos perceber o momento do contato, vista por trás da baliza, que é a imagem que é muito elucidativa, a mão ou o braço esquerdo está completamente afastado e aberto, está fora do plano do corpo e a bola toca na mão. E, portanto, por aquela imagem parada, todos nós dizemos: "Não, isto é clara situação de volumetria". Quando vemos o movimento corrido, em lance corrido, sobram um pouquinho mais dúvidas, exatamente por esta questão de não ter ido diretamente ao braço esquerdo e ter tocado ainda na mão direita e raspado no peito. Queria também ainda lembrar o seguinte: na lei 12, que fala das mãos, a lei que diz como se faz incorreções na página 116, quando fala naquilo que hoje em dia é muito usado pela lei, obviamente, que tem a posição natural, a questão da volumetria, a dado momento diz que o jogador, por ter a sua mão ou braço nessa tal posição de volumetria ou fora do plano do corpo, corre o risco de, se for atingido pela bola nessa mão ou nesse braço, ser penalizado. Ou seja, corres o risco de mesmo que não seja intencional, seres penalizado pelo fato de teres esse braço aberto nessa posição. E é muito por aqui que o videoárbitro, quando analisa o lance, vê o momento desse contato na mão esquerda, vê aquele braço completamente afastado, fora do plano do corpo, que vai validar aquilo que foi a decisão do árbitro. Dito de outra maneira, para terminar este lance, o VAR, para intervir e para dizer que não era penalti, tem que ter uma imagem, é este o princípio, muito clara, para dizer ao árbitro assim: "Olha, não concordo com a tua decisão, para mim não é penalti, toma lá esta imagem para veres como não é". E todas as imagens que ele iria mostrar, sobretudo do momento do contato na mão esquerda, são imagens em que o braço está completamente afastado, fora do plano do corpo, não obstante aquela questão de ter ainda tocado na mão direita e ressaltado ali na zona do peito. Por isso, lance difícil de análise, muito interessante sob o ponto de vista da arbitragem. Eu sei que os adeptos gostam de olhar isso depois pelas cores, os azuis e depois os vermelhos e os verdes. Já sabemos que é assim que funciona em Portugal, mas isto em termos de arbitragem é um lance muito importante, porque deixa muitas vezes a discussão de todos os critérios que existem, agravantes e atenuantes, e que nem sempre são assim tão branco ou preto, e muitas vezes há uma zona um bocadinho mais pelo meio, pelo cinzento. Eu valido a decisão, disse no direto, continuo a achar que o pontapé de penalti é uma boa decisão, mas repito, é um lance muito difícil de análise.
Vamos avançar, Pedro, já para a segunda parte, minuto 63, mais um lance de disciplina, cartão amarelo mostrado a Messighène do Académico de Viseu.
Sim, este lance, para justificar, no direto não ficou bem esclarecido. Ele leva cartão amarelo por protestar. Ou seja, ele sofre uma falta Que existe, que o árbitro não sancionou e é em função de o árbitro não ter sancionado essa falta que o Messi depois protesta, e protesta de uma forma evidente e ostensiva. Já sabemos que, por muita razão que o jogador tenha, e aqui tinha razão, os gestos e sobretudo os protestos por palavras são penalizados. Portanto, o fato de ter razão não invalida a correta penalização do cartão amarelo por protestos.
Vamos avançar. Minuto 66, lance de área, Pedro, mas no teu entender não há pênalti sobre o Seitil.
Exatamente. É o Pepiches uma vez mais contra o Seitil. É aquela situação em que a bola é metida, rompe a linha em profundidade, fora da área, para dentro da área, mais do lado direito, conforme atacava a equipe do Académico de Viseu, e o Pepiches, que tem a posição ganha, está ligeiramente à frente do Seitil, é mais forte naquele momento de movimentar-se para atacar o espaço e para atacar a bola. E aí, quando o Seitil, ficando um pouquinho mais atrás, acaba por levar com o corpo do Pepiches nessa luta corpo a corpo e cai. Portanto, para mim, tudo correto, não há nenhuma carga incorreta, não há uso de braços para impedir a progressão. Há muita, sim, força fruto desse contato de ser mais forte e da precisão que o Pepiches parte porque está na frente. E por isso, boa decisão, sem motivo para pontapé de pênalti.
Temos ainda mais um lance para analisar, Pedro. Minuto 90 mais quatro, cartão amarelo mostrado ao João Guerreiro.
É aquela situação típica do jogador que salta, não tem intencionalidade, malícia para fazer o que fez, conta como atenuante para não ser cartão vermelho, mas não conta para a não marcação, quer do livre direto, quer do respectivo cartão amarelo. Isto dito de outra maneira, João Guerreiro está na frente, salta, abre claramente o seu braço esquerdo para a sua impulsão no momento descendente, e a fazer o movimento também descendente com o braço esquerdo, acerta com o cotovelo na zona da cabeça do Pablo Rosário, que depois ficou três ou quatro minutos assistido, inclusivamente levou aquela ligadura em torno da cabeça, porque é sinal que terá havido também ali sangramento. Portanto, esta é a situação típica da negligência, que significa não ter em conta o perigo e as consequências do teu ato quando abordas o lance. E para mim, boa decisão, quer no plano técnico, livre direto, quer no disciplinar, só o cartão amarelo.
Analisados os lances, Pedro, falta a nota. Sérgio Guelho, passa na tua análise?
Sim, vou dar nota 6, porque eu considero que é positiva e foi boa a decisão do pontapé de pênalti, que é o momento do jogo. Repara que é isso que decide o jogo sob o ponto de vista do resultado e uma eliminatória, neste caso, a passagem para a Final Four. O jogo foi fluido, só teve 20 faltas. Teve quatro cartões amarelos, portanto, nada de extraordinário. Os jogadores tiveram um bom comportamento uns em relação aos outros e mesmo em relação à equipe de arbitragem. E o momento mais importante do jogo, lá está, discutível, difícil de análise, porventura até vai dividir opiniões, e não especialistas, mas para mim a decisão correta e mais acertada foi a marcação do pontapé de pênalti.
Nota 6 dada pelo Pedro Henriques ao trabalho de Sérgio Guelho. Esteve no comando deste Futebol Clube do Porto Académico de Viseu, que terminou com a passagem portista à Final Four da Taça da Liga. 1 x 0 foi o resultado final. É desta forma que fechamos mais uma edição do "Sem Falta". Pedro Henriques, muito obrigado, é sempre um gosto. Até uma próxima oportunidade. O "Sem Falta" fica, como sempre, disponível em podcast.