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Diário do Mundial na Rádio Observador. Carlos Pedro, hoje devias ser tu a fazer esta introdução pra eu poupar a minha voz, visto que acordei assim.
Tens mais jeito que eu.
Hoje não há jogos do Mundial, mas a competição está mesmo perto do final. Faltam sete dias, uma semana, até todas as decisões serem tomadas. Temos os últimos quatro resistentes: França, Espanha, Inglaterra e Argentina. Só nomes grandes aqui nestas meias-finais. Vamos à conversa para perceber, Carlos, como é que isto se vai processar. Temos Inglaterra e Noruega, que terminou com vitória pra Inglaterra por 2 x 1 já no prolongamento. Jude Bellingham acabou por ser o herói desta partida. Valeu aqui o médio do Real Madrid, porque o jogo não foi nada fácil pros ingleses.
Não foi, de todo, João. Vários jogadores da Inglaterra estiveram furos abaixo do normal, Kane, Rice e Madueke. Aliás, o Rice acabou por ser talvez surpreendido ao sair ao intervalo pra entrada, já não me lembro de quem.
Não deve ter ficado contente.
Não deve ter ficado contente. Aliás, eu vou aqui só recorrer da minha cápula ver quem é que entrou pro lugar do Rice.
Eu ia te ajudar, mas sim.
Foi o Eberechi Eze, que de fato entrou muito bem, fez uma segunda parte muito boa e esteve ligado à subida de rendimento desta seleção inglesa, que na primeira parte teve muitas dificuldades. A Noruega deu a posse de bola à Inglaterra, mas os noruegueses não conseguiram aproveitar os movimentos de Haaland, que esteve sempre muito bem no jogo a nível de movimentos, sempre atento, sempre pronto a romper a defesa da Inglaterra, mas não conseguiram aproveitar. Porque, de facto, na primeira parte, a Inglaterra deixou muito espaço pra Noruega aproveitar, mas não conseguiram. Sorlot teve aqui a oportunidade de fazer o 2 x 0 ainda na primeira parte. Desperdiçou uma ocasião de dois contra um, o que deve deixar qualquer treinador completamente passado. Tinha o Haaland ao lado, não passou, e a Noruega não conseguiu aqui fazer o 2 x 0. Ficou-se por 1 x 0 aos 36 minutos, um grande gol do Schjelderup. E eu ontem tinha avisado aqui que Schjelderup podia ser titular, dada a boa entrada que teve contra o Brasil. Entrou, a titular, fez um grande gol, e os benfiquistas não devem estar muito contentes.
Contentes estão. Depois o desfecho que pode ter este mundial é que pode ser mais perigoso.
Agora que terminou o mundial, podem ficar felizes com a eliminação da Noruega. Schjelderup, após a partida, junta-se agora à equipa depois de um pequeno período de férias, mas eu acho que depois deste mundial-
A cotação vai subir.
Exatamente. Mas falando sobre o jogo, depois do gol do Schjelderup, não demorou muito, de facto, a Inglaterra a responder, apareceu Jude Bellingham, grande jogador.
Já leva seis gols neste mundial.
Já leva seis gols, muito importante, e a Sky Sports tem um título muito revelador, que é: "A Inglaterra já teve heróis antes, mas Jude Bellingham é especial". E isto diz muito do que tem sido o trabalho e a prestação do médio do Real Madrid neste Campeonato do Mundo, depois de uma época que não foi nada fácil a nível de clubes. Eu recupero também aqui só declarações de ontem do Gary Neville, também um ex-jogador da seleção inglesa. Diz que já viu o Paul Gascoigne ir a um torneio e arrasar, já viu Michael Owen fazer o mesmo e Ray Wilkins também em 2004 no Europeu em Portugal, mas diz que nunca viu um jogador ter o impacto num Campeonato do Mundo, num torneio desta magnitude, como Jude Bellingham está a ter. E, portanto, eu acho que mais do que Kane, é mesmo Jude Bellingham que está a carregar um bocadinho esta seleção inglesa, que vem muito forte pras meias-finais. E verdade seja dita, é preciso dar aqui os parabéns a Thomas Tuchel, porque foi muito criticado na altura da convocatória.
Mas também é assim, com tanto talento e com tantos jogadores, fica tão difícil. Eu lembro-me de ver um slide de quatro fotografias com quatro possíveis convocatórias pra esta seleção e todos os jogadores, não havia um que fosse mau.
É verdade. A Inglaterra, pra além de ter o melhor campeonato do mundo, o mais equilibrado, e isso ajuda sempre na evolução dos jovens jogadores do país, tem muitos jogadores, de facto, de muita qualidade. Arnold, Cole Palmer e Foden ficaram de fora, não estão neste mundial e mesmo assim a Inglaterra está nas meias-finais e talvez seja a favorita a passar à final, mas já lá vamos. Quanto à Noruega, fica a melhor prestação de sempre e fica também o reafirmar novamente de Haaland, que é um jogador incrível e apresentou-se agora ao futebol no maior palco do mundo do futebol de seleções. Nota só aqui pra uma polêmica envolvendo o jogo, o segundo gol da Inglaterra. Circularam vários vídeos nas redes sociais a dar conta de um alegado toque da bola num dos cabos da câmera que fica por cima do estádio. A FIFA, entretanto, já veio esclarecer que não há toque nenhum. Eu não consigo ver toque nenhum também nos vídeos, portanto, gol válido, segue jogo.
Vamos seguir com a Argentina-Suíça, este jogo que também aconteceu já de madrugada. A Inglaterra que joga então com a Argentina nas meias-finais. Foi um jogo que ainda foi para prolongamento, a Argentina mais uma vez aqui a desafiar a sorte, Carlos.
É verdade. Foi assim contra Cabo Verde, contra o Egito não foi por pouco e agora contra a Suíça. É uma Argentina que vence mais uma vez ao seu estilo, vence sem ser brilhante.
E eu não tenho visto muitos jogos da Argentina, porque as horas têm sido um pouco mais complicadas.
Sim, confesso que também não vi o jogo desta madrugada, fiquei pelos melhores momentos, pelas estatísticas e pelo que dizem os jornais.
Mas se olharmos para os resultados, tem sido muito à tangente. Já com o Egito foi nos minutos finais, Cabo Verde foi para prolongamento, aqui mais um prolongamento.
Sim, sobretudo na fase a eliminar, porque a fase de grupos foi de facto muito fácil para esta seleção da Argentina, 3 x 0 à Argélia, 2 x 0 à Áustria, 3 x 1 à Jordânia. Os adversários também não eram muito exigentes, mas continuam a não ser muito exigentes na fase a eliminar. Cabo Verde, Egito e Suíça não são propriamente grandes seleções e candidatas a ganhar o Mundial e mesmo assim a Argentina teve muitas dificuldades. Mas eu acho que isso diz muito pouco sobre esta seleção da Argentina, porque seja contra Cabo Verde ou seja contra Inglaterra, a forma de jogar é a mesma, a alma é a mesma e esta Argentina vai continuar a ser assim. Tem sido assim ao longo destes anos com Scaloni. Foi um jogo também marcado pela arbitragem do árbitro português João Pinheiro.
Teve um pequeno conflito com o Messi, não foi? Vi nas redes sociais.
Teve um pequeno conflito com o Messi, sim, também vi nas redes sociais hoje de manhã quando acordei, Messi pediu respeito a João Pinheiro.
São situações normais de jogo, vamos acreditar.
Acabam por ser, sim. Mas João Pinheiro acabou por ter um papel importante no jogo porque ao minuto 72 expulsa por simulação Breel Embolo, segundo cartão amarelo com recurso ao VAR, o que acaba por ser um pouco estranho, mas eu depois vou deixar isso para as explicações do nosso áudio árbitro Pedro Henriques. Mas a expulsão acabou por matar o jogo antes de Julián Álvarez matar uma coruja. Um remate extraordinário, fez na altura o 2 x 1 aos 112 minutos. E depois aos 120 a Argentina matou de facto o jogo, fez o 3 x 1, volta a ser uma Argentina que renasce nos minutos finais e a aproveitar aqui também a expulsão. Messi não marcou, só assistiu e foi, de resto, o oitavo encontro entre estas duas seleções. A Argentina venceu seis, há ainda dois empates a registar, portanto a Suíça nunca venceu a Argentina e vai continuar durante mais algum tempo sem conseguir vencer.
Agora, sim, já está definido o quadro das meias-finais, Carlos, dois grandes jogos.
Sim, Espanha-França, já tínhamos falado disto, dia 14 de julho, na terça-feira, é o melhor ataque contra a melhor defesa. O melhor ataque, 16 gols marcados para a França, a melhor defesa, a Espanha tem apenas um gol sofrido, isto apenas neste campeonato do mundo. Já falamos sobre esse jogo ontem, grande jogo de duas das melhores seleções europeias. A França, para mim, é a seleção mais bem apetrechada neste campeonato do mundo. A Espanha é campeã da Europa, é uma equipa muito bem trabalhada, defende bem, ataca bem, tem uma grande estrela, Lamine Yamal.
Já teve melhores momentos esta Espanha.
A nível individual, sim. Do ponto de vista coletivo, eu não sei até que ponto é que esta seleção não é, de facto, uma das melhores. Dos últimos anos é definitivamente, até porque depois do Mundial 2010, em 2014 e 2018, as participações espanholas foram quase patéticas.
Mas não é aquela seleção que nós olhamos e dizemos: "É candidata". Há sempre alguma reticência ali perante a Espanha. Não sei, isto é a minha opinião.
Candidata eu não diria, que olhamos para a Espanha como hoje olhamos, por exemplo, para a França com Olise, Dembélé.
Até porque nestas quatro, se as tivesse que posicionar por uma ordem de probabilidade de vencer, a Espanha, na minha opinião, viria na quarta posição.
Eu colocaria na terceira. Eu colocaria França, Inglaterra, Espanha, Argentina, mas percebo o que estás a dizer. Mas de facto estou à espera de um grande jogo, estou à espera, diria, do melhor jogo deste campeonato do mundo, ainda que seja difícil. Depois, Inglaterra-Argentina é um jogo que nos leva até 1986, quando os argentinos venceram esse campeonato do mundo, venceram esse jogo, conquistaram esse mundial, num jogo em que Maradona foi Deus com os pés e com a mão, a mão de Deus.
Ainda ontem falávamos disso também no "Campeão É".
E mais recentemente, estas duas seleções até mediram forças no Mundial 2002. Aí foi a Inglaterra a ganhar por 1 x 0. Vamos ver agora em 2026 quem é que guarda o lugar na final, sendo que nenhuma destas seleções, mesmo perdendo, vai para casa, porque depois há o terceiro e quarto lugar para jogar.
Carlos, tu queres ainda falar de um tema menos bonito e mais delicado, a morte de Jayden Adams, médio que há poucas semanas fez parte da campanha histórica da África do Sul neste mundial.
Sim, morreu ontem, a notícia muito triste, caiu durante a tarde. Sabe-se pouca coisa, a causa da morte não foi revelada. Sabe-se apenas que Jayden Adams foi encontrado sem vida em casa. Tinha 25 anos, três internacionalizações, dois gols marcados pela seleção da África do Sul. Esteve neste mundial, fez três jogos, dois deles como titular. O último jogo tinha sido no dia 25 de junho, portanto há muito pouco tempo. Depois acabou por não jogar contra o Canadá. Era jogador de um treinador português, era jogador do Mamelodi Sundowns, orientado pelo Miguel Cardoso, com quem tinha conquistado este ano a Liga dos Campeões Africana. Portanto, vinha provavelmente vivendo o melhor momento da carreira. O técnico falou, o jogo reagiu, disse que é uma perda irreparável para o clube, fala num menino fantástico, um doce de pessoa. Portanto, choramos todos, o mundo do futebol chora um bocadinho a morte de Jayden Adams. Dizer também que o jogador foi homenageado com um minuto de silêncio, que foi respeitado na Inglaterra-Noruega. Não vi o Argentina-Suíça, mas imagino que também tenha acontecido o mesmo.
Exato.
E o presidente da FIFA, Gianni Infantino, lamentou também a morte.
Uma morte também de se lamentar de um jogador bastante jovem, tinha apenas 25 anos. Vamos só recordar as datas, então. França-Espanha, e são jogos a boas horas, hora portuguesa, às 20:00 podemos ver sem ter esse problema de nos querermos deitar cedo. França-Espanha, terça-feira, dia 14, e Inglaterra-Argentina na quarta-feira, dia 15. Depois há esse jogo, como tu disseste, para o terceiro lugar, no sábado, e no domingo, a grande final.
Exatamente.
É isso mesmo. Fechamos assim este "Diário do Mundial" com o Carlos Pedro. Um abraço.
Abraço.