Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E no Dilemas de Verão da Rádio Observador continuamos com este questionário um pouco impróprio, Rita Camarneiro. O que é que tu achas?

Não acho nada impróprio.

Não achas impróprio?

Impróprio.

Impróximo. Uma nova palavra. Boa.

Mas não acho nada impróprio.

Não?

Nada.

Ok. Temos tido respostas muito engraçadas. E no dilema de verão de hoje temos conosco a Joana Amaral Dias. Ainda agora lhe estava a perguntar: "Como é que apresento Joana Amaral Dias?" Diz ela: "Conspiracionista."

Ou chalupa.

Chalupa.

Chalupa e especialista em chalupas. Dá para os dois lados.

Em chalupice.

Chalupice. E chalupice em geral.

Olha Joana, é um prazer estar aqui contigo. Obrigado por teres vindo à Rádio Observador. Bom verão. Como é que têm sido as tuas férias? És daquelas pessoas que vai para um sítio sempre todos os anos, aluga ali a quinzena ou varia todos os anos?

Vais me tratar por você?

Não sei, como é que preferes?

Eu prefiro tu.

As chalupas tratam-se por tu, não é?

Todos. A gente é tocato lá.

Eu acho que é mais na terceira pessoa.

É mais sexy, a chalupista em terceira pessoa tem aquele patine. Fora isso, desde que seja praia, por mim está bom. Eu nasci com o pé na praia no Mussulo e depois sou de Coimbra. Na época estava a sair com a Rita e fazia férias na Figueira, tipo três meses na praia.

Ótimo local.

E não cresci em praia. Depois vou variando.

Já foste à Figueira este ano?

Este ano, acabei de vir agora, estive no Cabedelo a cumprir o meu ritual. Tenho lá família ainda, naquela zona ali em Coimbra. E portanto, estive lá com os meus sobrinhos, a água estava um pouco gelada.

É, um bocadinho mais que o costume.

Já estás habituada. Foi um bom estágio essas férias na Figueira.

Eu lembro que a primeira coisa que nós fazíamos, eu e os meus primos, eu tenho muitos primos direitos, era abrir a persiana para ver se a bandeira estava amarela, não era verde. Hoje em dia quando dizem: "Está um bocadinho de ondas", eu penso assim: "Fogo, nós íamos para aquele mar com ondas quase de McNamara e os meus pais, médicos, deixavam-nos ir para aquele mar." Portanto, aquilo foi ali que eu ganhei, não o cabedelo, mas o cabedal.

Muito bem, vamos então aos nossos dilemas. Espero que estejas preparada. Rita, queres começar com uma pergunta daquelas?

Vamos a isso. Joana Amaral Dias, vais para Ibiza com uma amiga e à última da hora ela avisa-te que afinal leva o seu namorado, mas tu não gostas nada dele. O que é que tu fazes?

É daqueles irritantes.

Exato.

Digo-lhe. Uau, eu sei que isto pode ser um transtorno para vocês. Um choque. Digo: "Amiga, eu não curto dele. Não sei se isto vai correr bem." Não sei, depois depende das circunstâncias. Uma segunda oportunidade ou a quarta oportunidade. Mas vou dizer, porque eu digo tudo na cara.

Davas a espreita. Ou eu ou ele.

Os meus amigos, sobretudo. Os meus amigos negacionistas e conspiracionistas em particular, eu digo tudo que me vem à cabeça. A minha mãe diz que eu tenho a boca ao pé do cérebro e andou lá longe.

Ainda bem que é ao pé do cérebro e não ao pé do coração.

Exato.

Muito bem. Olha, temos aqui uma situação e tu há pouco estavas a falar que tens muitos primos, mas imagina esta situação: tens o teu namorado, o teu marido, e tens aqui a possibilidade de fazer uma semana de férias com toda a família dele. Os primos todos, os sobrinhos todos, os sogros, toda a gente.

Já me estou a sentir um bocado deprimida. Chega logo ao fim da pergunta.

Estas férias de sonho são num resort nas Maldivas. Com eles todos. Preferes ir sozinha, só com o teu namorado, ali para um quarto na Póvoa de Varzim.

Ou Figueira da Foz.

Para a Figueira ela vai preferir, com a certeza, que já conhece.

Espero que os meus sogros não estejam a ouvir este programa, nem os meus cunhados. Não, eu vou. Eu estava a brincar. Tenho uma excelente relação com a família do lado do Pedro e eu divirto-me em qualquer lado. Eu sou aquela pessoa que está sempre bem disposta, acordei assim e deito-me assim, acordo assim, portanto, não tenho problemas. Normalmente, quem é que são as pessoas que estejam de férias comigo é que se não me cortem as asas, ok?

Resort nas Maldivas com toda a gente, então.

Não há problema nenhum. Deixem fazer os meus programas, não há problema.

Sim. E ver se os cunhados tratam os pais. Joana Amaral Dias, estás a dividir casa de férias com um casal amigo. Continuamos aqui nos casais, nos amigos, só que ele tem problemas de higiene pessoal. Cheira mal.

Cheira mal da boca? Ou de pés?

De vários sítios.

Qualquer sítio.

Imagina, Joana, emanador de todos os poros. Dizes-lhe alguma coisa?

Claro, evidente, eu estou passando férias com ele, vou estragar as minhas férias. Vocês têm aqui um lado torturador. Vai de férias com a família toda do marido e é só desgraças. Isto não é um dilema de verão, isto é um dilema de tortura. Não, digo-lhe, vou lhe dizer, obviamente. Talvez diga assim um bocadinho com delicadeza, embora frontal, tipo: "Pareces o meu filho quando estava adolescente a passar a idade da porcaria."

É explícito.

Um "me too", assim embrulhado, para ele não pensar que ele é o único porquinho que existe à face do planeta Terra. E portanto, embrulha-se um bocado a coisa, mas digo com frontalidade. Isto é o máximo que eu consigo embrulhar.

Acho ótimo. Cheiras a borrego, a borrego, a bodum. É preciso tirar o bodum ao borrego, sempre.

Olha esta situação: estás numa praia isolada e encontras o marido de uma amiga tua com outra mulher. Estão no areal a apanhar sol, quer dizer. Tu ainda não viste nada que pudesse comprometer. Vais dizer à tua amiga?

Não, vou lá ter com eles. Vou dizer, vou lá ter com eles, que é para ele saber que eu sei. E assim a batata fica do lado dele, a batata quente. Se ele depois me tentar subornar ou não disser à amiga, à mulher, neste caso, ou outra coisa qualquer, pois aí passarei um plano B, mas para já é tipo assumo a cena. Então estão de boa. Vou normalizar.

Olha, Joana, deixa-me dizer-te que acho que és a primeira.

Estão bons? Como estão?

Esta hipótese que ela respondeu é a primeira que responde dessa maneira.

É a primeira a confrontar.

Porque eu sou psicóloga. Lá está, além de chalupa, especialista em chalupas. Vou lá, na boa, amigos, tudo bem, prazer. "Como é que se chama?" "Joana Amaral Dias." "Muito gosto em conhecê-la." saco logo umas infos, só naquela, não valeu de apselas.

Não, ela fica logo com medo. "Eia, vem a Joana Amaral Dias apanhar-nos."

Fico logo. "Estão, e tudo bem, estão os miúdos, estão bons?" Pumba, embrulha. Vá

Outra.

Adiante.

Temos aqui uma outra na praia também.

Eu vou já para essa. Joana, tu encontras o teu chefe numa praia de nudistas. O que é que tu fazes? Vais cumprimentá-lo, finges que não o vês ou vais lá outra vez?

Mas não era o de há bocado.

Não, não é o de há bocado.

Eu não sou amiga da mulher do chefe. Isso é desfaeto. Já me estás a meter em maus lençóis, Rita.

Isto é outro.

É outra praia. Já estou a pôr em praias que eu nem curto muito. Que eu não sou muito praias desertas nem nudistas.

Também não.

Não, eu gosto de Marial. Eu gosto daquela cena do: "Olha, não tenho lugar. Que bom!"

Fonte da Telha, portanto.

Sim, estou a abrir. Se ele está nu e eu estou nua, porque se eu estou numa praia de nudistas vou presumir, não vou para uma praia de nudistas só para ver, não sou mirona. Vou presumir que também estou em pelota. Então vou lá: "Olhe, muito prazer em conhecer as suas partes baixas. Já conhecia as suas partes altas." Ou tiro uma foto para a posteridade daquele momento. Tem que ser icebreaker, tem que se fazer uma coisa que quebre o gelo.

Ela é muito confrontacional nas respostas.

Assim quebra o gelo.

Não há assuntos tabu, isso é o que gosto.

Pode ser um bocado constrangedor, não digo que não. Mas já que estamos os dois em igualdade de circunstâncias, digo mesmo isso: "Olhe, você é chefe, eu sou subordinada, pela primeira vez estamos entre iguais." Pumba!

Vamos aqui introduzir os miúdos nas nossas férias. Vais de férias e apercebes-te que esqueceste de levar o peixinho da tua filha. Quando voltares, o peixinho vai estar a boiar no aquário. Vais dizer à tua filha tudo isto ou vais guardar segredo e substituis o peixe quando chegar, na esperança de que ela não dê por nada?

Com a minha filha vai ser difícil substituir o que quer que seja, porque ela é Sherlock. Vou salvar o peixe. A minha sogra tem uma chave de casa. A minha melhor amiga também. Alguém vai salvar o peixe. Tenho a certeza que alguém vai levar o peixinho para casa e vai cuidar dele até eu regressar de férias.

Entretanto, o peixe morre em casa dos amigos ou da sogra e ela faz a substituição.

E passa a batata quente, mais uma vez.

Substituis por um cãozinho e ele fica-

Não, já temos dois cães. Obrigada, já temos dois cães, estamos lotados. E vivemos aqui, somos vizinhos do Observador, não vivemos no campo, portanto dois chega, está bom.

Joana, estás de férias no estrangeiro e pedes a um amigo para te entregar o Euromilhões com os teus números da sorte, aqueles que usas sempre, e ganhas €1 milhão. Parabéns, Joana!

Só?

Não acertou em todos.

Foi dividido por alguém da Bélgica também.

Tão fraquinho.

O que é que tu fazes? Divides o prêmio com o amigo a quem te foi submeter?

Sim, tem que ser, porque mais vale um amigo para inteiro do que o prêmio todo. Isso não faz sentido, tem que dividir.

Meio a meio?

Sim, talvez lhe perguntasse. Porque é assim, ia perder o amigo. Se eu não dividisse meio a meio... Vamos lá ver uma coisa. Se é um amigo a quem tu pedes esse favor, eu não faço Euromilhões. Porque a probabilidade de ganhar Euromilhões é 0,0, mas quase. Costumo dizer que ganho todas as semanas, não jogo. Se é um amigo que telefona a dizer: "Olha, podes vir pôr o Euromilhões?" É uma pessoa com quem eu tenho proximidade. Eu não quero perder os meus amigos.

Se ele desse metade do prêmio, se calhar passavas o resto da vida a pedir-lhe favores, porque ele ficava a sentir-se em dívida.

Não, e eu não quero confusões. O dinheiro é importante, claro que sim, mas muito mais importante-

Estas respostas da Joana são muito inovadoras. Também ainda não tinha ouvido ninguém dizer que dava metade do prêmio.

Dou metade do prêmio. Se a pessoa recusar, hei de arranjar maneira de a coisa ficar e durmo descansadinha, conservo o amigo e siga a marinha.

Maravilha, gosto disto. Temos aqui uma última que sai um bocadinho do nosso dilema. Para onde mandavas Marcelo Rebelo de Sousa de férias?

Eu gosto muito de ver sempre o Marcelo na praia, tal como eu. Começámos com a praia, fechamos com a praia, tem que ser. Porque o Marcelo consegue estar mais despido na praia do que eu. É sempre aquela pessoa que eu tenho como ponto de referência, que me dizem assim: "Joana, estavas outra vez de biquíni no Instagram." E eu: "É sempre menos 10 graus que o Marcelo." Porque eu não me despojo à frente das câmaras, não faço striptease. Já apareço de biquíni. Eu não faço visitas oficiais de Estado, eu não sou Presidente da República, não sou representante máxima do Estado, portanto ainda me posso dar a alguns luxos. E portanto, Marcelo Rebelo de Sousa na praia, sempre. É imperdível, de facto ele deve ser o único Presidente da República que faz estes números. Portanto, Portugal very typical.

Muito bem, mandamos Marcelo Rebelo de Sousa para a praia no final deste Dilemas de Verão com a Joana Amaral Dias. Joana, muito obrigado pelas tuas respostas.

Foi um prazer, foi rápido.

E bom verão, boas férias.

Igualmente, aproveitem.