Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

"Quente e Frio", todas as tardes com a Filomena Martins. Olá, Filomena, bem-vinda.

Olá, Nelson.

Vamos começar a olhar para o tempo. Estivemos com chuva nas últimas horas, mas ela parece que está a despedir-se do continente.

Sim, a partir das 16h de hoje, ainda pode vir alguma chuvinha no sul, uns aguaceiros fracos, pouco frequentes no Minho e no litoral, mas a tendência é para que isto melhore. Depois, na quinta-feira, temos uma verdadeira pausa, com o céu pouco nublado. Foi da chuva. Com o céu pouco nublado e praticamente sem chuva. E depois vem até uma sexta-feira quase de verão, em que as temperaturas sobem bastante, sobretudo no norte e centro, e até voltamos acima dos 30 °C, 30 a 32 °C em vários pontos do interior. Pelas previsões, Santarém deve chegar aos 32 °C, Coimbra e Évora aos 31 °C e Castelo Branco aos 30 °C. Mas atenção, isto é um verão de um só dia, porque ainda na própria sexta-feira começa também a mudar o estado do tempo. Ao final da tarde, assim quase ao início da noite, voltam os aguaceiros, sobretudo no interior, que podem vir acompanhados de trovoada. E podemos ter simultaneamente temperaturas muito altas pra época e trovoadas já em algumas zonas. No sábado, a mudança torna-se muito evidente. Regressam os aguaceiros a mais regiões, outra vez com trovoadas e, olhando pra previsão automática a 10 dias, distrito a distrito, esta instabilidade não vai desaparecer. Fica no fim de semana e mantém-se um sinal de chuva com aguaceiros durante vários dias da próxima semana, em particular no Norte, no Centro e no interior. Isto não significa que vai chover durante os cinco dias da próxima semana, serão chuva com aguaceiros alternados, com abertas e com trovoadas localizadas.

E há também mudanças na temperatura. Nesta altura, parece que ainda fica mais difícil escolher o que vestir, não é? Porque a camiseta já não é muito boa, a camisola ainda é quente.

Mas vestes camiseta com um casaquinho por cima.

Um casaquinho de malha.

Depois do pico desta sexta-feira, os 30 °C, na próxima semana, pelo menos, não estão à vista, não voltarão. As máximas estão amenas, sobretudo no sul, mas já não é aquele calor generalizado. A melhoria mais clara aparece, neste momento, na próxima quinta-feira, desta quinta a oito, e a precipitação recua bastante, vê-se sol apenas a partir desse dia. Portanto, a fotografia é esta, ao final desta quarta, a transição, quinta também é transição, sexta-feira de verão e depois chuva, aguaceiros, trovoadas e temperaturas mais baixas, que é o outono a instalar-se.

Durante grande parte da próxima semana. Queres dar aqui uma nota para os Açores, não é? Estão com aviso amarelo hoje.

Estão, e vão estar, porque estão à espera da tempestade tropical Ana. Ela está a perder a organização, deve deixar de ser tempestade tropical na próxima noite e passar a sistema pós-tropical, mas pós-tropical não significa que é inofensivo, vai trazer muita água na mesma. Portanto, entre o final desta quinta-feira e amanhã de sábado, a Ana vai afetar todas as ilhas dos Açores com muita chuva e trovoada, daí os avisos do IPA.

Vamos ao fenômeno. Como é que se explicam, afinal, os acumulados de chuva?

É uma pergunta que se faz muitas vezes. Ontem falámos do rio atmosférico, que trouxe grandes quantidades de chuva durante esta noite a Portugal, e é melhor perceber como é que se mede esta água toda que cai, porque quando ouvimos dizer que choveram 50 milímetros, isto significa, porque é aquele mm, exatamente 50 litros de água por cada metro quadrado.

Ok. Um milímetro de precipitação é igual a um litro por metro quadrado.

Exatamente. 10 mililitros são 10 litros, 100 mililitros são 100 litros, e 350 mililitros são 350 litros de água sobre cada metro quadrado. Se toda essa água, os 350 litros, ficasse numa superfície plana, sem escorrer, nem se infiltrar no solo, eram 35 centímetros de altura d'água.

Ok.

Fácil de perceber.

Fácil de perceber, sim.

Mas há uma diferença fundamental aqui. Acumulado de chuva não é a mesma coisa que intensidade de chuva, porque 50 litros por metro quadrado ao longo de 24 horas não tem o mesmo impacto do que choverem 50 litros numa hora.

Óbvio, claro.

E quanto mais depressa cai a água, menos tempo tem o solo, as sarjetas, os rios, os sistemas de drenagem pra receber. E esta semana tivemos exemplos quase perfeitos pra perceber as diferentes formas de construir acumulados.

Que exemplos são esses?

Em Portugal, tivemos esta frente atlântica que, sobretudo, impactou esta noite, alimentada por uma grande quantidade de vapor d'água. E a imagem de satélite, se olhares pro satélite, vês uma enorme depressão no Atlântico, a noroeste da Irlanda, com aquelas nuvens todas enroladas no centro, mas que depois se vê aquelas bandas, as frentes, as bandas frontais, que se prolongam por parte da Europa Ocidental, chegando esta que passou por Portugal, mas que se apanham toda a Europa. E é dentro destas grandes circulações que está essa quantidade de chuva, essa quantidade de umidade. E transbordar a água não chega, é preciso que o ar chegue lá acima e depois condense e chova. Mas nos Açores está este exemplo agora da Ana, que deverá chegar como depressão pós-tropical, mas com muita umidade, e por isso o esperado não é só o vento, é a chuva muito forte e a trovoada durante várias horas, e poderá haver grandes acumulados, porque o sistema não precisa produzir chuva a cada minuto, já vimos. Vem muita água acumulada. Depois, estamos a ver outra vez em Barcelona e em Valência, grandes quantidades de chuva. Neste momento, há um aviso especial Para a Catalunha, entre quinta e pelo menos segunda-feira, e podem ser 150 litros por metro quadrado em menos de seis horas. Estivemos a fazer as contas, é preciso perceber. É muita água em muito pouco tempo e vai haver seguramente inundações, subidas rápidas de rios.

Aquela zona da Catalunha está a ser muito afetada de algum tempo para cá.

Tem a ver com o Mediterrâneo estar tão quente. Finalmente, chegamos ao exemplo mais extremo, que é o sudoeste de França e as Cévennes, aquelas montanhas ali. O Météo-France descreve o episódio que já está a atingir a região como muito intenso. Fala em chuvas diluvianas. A explicação é quase uma aula sobre estes acumulados. É o ar muito úmido que vem deste Mediterrâneo, o frio vai por aí acima e fica bloqueado contra o relevo das Cévennes.

As montanhas, não é?

Certo. O ar é obrigado a subir pela montanha, ao subir arrefece muito, o vapor de água condensa e ao condensar, forma chuva. Enquanto chegar ar úmido, e vai chegar, porque o Mediterrâneo continua a provocar a chuva em Barcelona, depois ele vai subir por aí acima, o mecanismo vai repetir-se durante horas sobre as mesmas zonas e às vezes são várias centenas de litros por metro quadrado num único episódio. Há ainda um outro exemplo, que não é só à superfície que há esta alimentação de água ou de vapor de água, é por volta dos 3 km de altitude, que são os 700 hectopascal.

Já falamos disto.

Já. É onde se acumulam todos estes restos dos furacões e das depressões tropicais, porque alimenta o vapor de água, bate nas montanhas e depois condensa.

Arrefece, condensa e cai.

E chove, estes acumulados todos.

Em França e na Catalunha a situação é um bocado preocupante. Há hoje também um relatório do programa Copernicus que diz que os oceanos estão a aquecer a um ritmo alarmante.

Já iremos, pelo menos que vê no site do Observador daqui a bocado.

Vamos fechar com esta curiosidade: a Lua e o Sol podem provocar sismos lentos. O que é isto?

Sim, são mesmo sismos. É um estudo que saiu hoje. A Lua não mexe apenas com as marés dos oceanos. A força gravitacional da Lua e do Sol também deforma a própria crosta terrestre. Nós é que não damos conta disso. São as chamadas marés terrestres. O chão sobe e desce alguns centímetros num movimento tão lento que não damos por ele. Este novo estudo foi perceber estas pequenas deformações e chegou à conclusão de que mexe também com as falhas geológicas. E a resposta é interessante. Estas mexidas, não só no mar, mas também na Terra, podem ajudar a desencadear os chamados sismos lentos. Um sismo normal liberta energia muito depressa, em segundos ou minutos. Num sismo lento, as duas partes de uma falha deslizam uma em relação à outra, só que fazem-no tão lentamente ao longo de dias, semanas ou até meses, que nós não os sentimos.

Não os sentimos. E onde é que entra aqui a Lua e o Sol?

As forças de marés são muito pequenas, mas os investigadores mostram que se uma falha já estiver muito próxima de deslizar, este pequeno empurrão periódico pode ser suficiente para favorecer esse movimento. É quase como se tivesse um miúdo no baloiço. Não precisamos dar um enorme empurrão. Se formos dando pequenos empurrões no momento certo, o movimento aumenta. Isto não significa que a Lua provoque grandes terramotos, não provoca. Não há aqui uma forma de prever um sismo destrutivo olhando para a lua cheia ou para as fases da Lua. O que o estudo ajudou a perceber é algo muito mais subtil, é que a Lua e o Sol deformam continuamente o nosso planeta e essas pequenas forças podem influenciar falhas que já estão num estado muito desgastado. Da próxima vez que estivermos a olhar para a Lua, podemos lembrar-nos disso. Não é apenas o mar que responde à gravidade da Lua, a própria Terra sólida está constantemente a subir e a descer, só que nós não sentimos.

Porque são sismos lentos e por isso não os conseguimos sentir. Está feito o quente e frio de hoje com as previsões da meteorologia para os próximos dias com a Filomena Martins. Voltamos a falar amanhã depois das 16:00. Até amanhã.

Até amanhã.