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Muito bem, estamos no Dilemas de Verão da Rádio Observador e hoje estamos aqui à conversa com o João Pinto. É adepto do Benfica, é humorista, é comentador de desporto na Rádio Observador. João, bem-vindo. Como é que estão a correr essas férias? Olá, João.
Uma maravilha. Já correram.
Já correram.
Foram boas.
Tens aquele problema que toda a gente tem, que é dizer sempre a mesma piada: "passam rápido".
Exatamente.
Esse é o que eu ouvi. Mas penso que existe por alguma razão.
Eu, como todos os portugueses, as nossas férias correm sempre bem. Nós só temos 22 dias pra isso, era o que faltava.
Sim, não é hipótese correr mal. Correr mal é uma coisa chata. É uma obrigação. Tinha aqui alguns dilemas pra ti, que incluem verão, família, e podia começar por um que é assim: imagina que tens uma semana de férias com a tua esposa ou com a tua namorada, e há a possibilidade de irem para um resort nas Maldivas. Só que tem de ir a família dela toda. Os sogros, os tios, os cunhados, os primos, os sobrinhos, vai tudo para as Maldivas. Tu preferes este cenário ou preferias uma semana com ela numa pensão na Costa da Caparica?
Pensar na Costa da Caparica.
É sério?
É porque eu tenho pena das Maldivas. Porque é muita gente. Toda a gente de Fremontelos tinha que ir. E Fremontelos ficava vazio, primeiro, o que era triste. E depois tinha que ficar Maldivas 2.0. Tinham que fazer um desdobrável nas Maldivas. E as pessoas levavam-nos a mal. As pessoas iam nos levar a mal. Portanto, eu preferia eu e ela na costa, até porque é ao pé de casa.
Ora, aí está, se calhar na volta ficas mesmo em casa e vais à praia.
Exatamente.
Imagina que estás, João Pinto, numa piscina. E essa piscina por acaso calha ser de uns amigos teus. E o teu filho mais novo aparece e diz-te ao ouvido, em segredo, com muita vergonha: "Pai, fiz xixi na água." Contas aos teus amigos, repreendes o teu filho e guardas silêncio, como é que operas aqui, João?
Escondo o segredo, ajo como se não acontecesse nada e a seguir, atendo o telefone imaginário e digo: " temos que ir".
"Estão a me ligar, tenho uma consulta."
Isso.
Exatamente, como sempre.
Pedem um cavaliolo.
Olha, João, ainda aqui com este cenário de miúdos, queria perguntar-te o seguinte: imagina que tens uma filha, não sei se tens filhos ou filhas, mas imagina, tens uma filha adolescente de 15 anos, que vai pra praia contigo e leva o namorado. E no final da tarde, era suposto ele regressar a casa. Vocês jantam em casa e o raça do miúdo nunca mais vai embora. E a tua filha pergunta-te: "Ele pode dormir cá em casa hoje?" O que é que tu respondes?
Eu respondo não, porque amanhã, às 6 da manhã, temos que ir pra pesca. E invento todo um cenário em que temos que ir pra pesca e compro tudo aquilo que é necessário pra irmos pra pesca. Portanto, torno legítimo um cenário.
E se ela pedisse só pra ir ao cinema com ele até tarde, até à meia-noite?
Não, isso na boa. Não tem problema nenhum.
Não mandas ninguém atrás, não mandas ninguém pra fila de trás ou não vais tu pra fila de trás?
Estou.
Ok, é só pra saber.
Tenho toda a liberdade. Agora, dormir lá em casa, calma.
Imagina, João Pinto, aqui um outro dilema, espero que aguentes esta faca. No grupo de trabalho ou num grupo de amigos com quem trabalhas e com quem tens relações profissionais, acabas por receber uma fotografia que foi enviada por engano. E é uma imagem constrangedora de um colega teu, em calções de banho, às bolinhas e muito justo. A própria posição dele é também reveladora de ridicularia. A imagem é depois apagada. Finges que não viste, comentas alguma coisa no grupo, mandas aquele habitual sticker a dizer: "Deus viu o que você escreveu"?
Eu comento fora do grupo, comento depois com pessoas que não conhecem a pessoa, mas ponho a situação.
Tragédia.
Sim, e se possível, faço uma T-shirt.
Muito bem. Ok. Eu ia falar num print, mas ele disse: "Não, eu faço uma T-shirt com essa fotografia". Vais alugar ali um daqueles cartazes à beira do IC19 pra espalhar a boa nova.
Gostei. Isso talvez eu escreva.
Olha, queria voltar aos dilemas com os mais pequenos. Imagina que o teu filho ou a tua filha tenha um peixinho de estimação, que tu te esqueceste de levar de férias e de providenciar comida durante as férias. Vocês vão de férias, claramente quando regressarem já o peixinho estará a boiar naqueles aquários ridículos. Tu confessas a verdade ao teu filho ou vais à pressa substituir o peixe por outro sem que ele dê por ela?
Justifico dizendo que era um peixinho que é um "efemerus", que é um tipo de peixe que primeiro é efêmero e depois nada melhor de barriga pra cima.
E será que uma criança em tenra idade saberá o sentido da palavra efêmero, João? Queres tu apresentar logo assim à partida à criança?
Isso confunde-a, o que me dá tempo. Ganho tempo com isso. Tempo essencial.
Gosto dessa. E ó João, temos aqui uma outra coisa. Imagina que estás de férias no estrangeiro e que precisas urgentemente de pôr o Euromilhões, mas não tens forma. Consegues contactar com um amigo teu, que vai lá por ti, põe os teus números de sempre, aqueles números que usas sempre, os teus números da sorte, e acaba por levar o ticket e a chave com ele. Acaba por ganhar 1 milhão de euros e entrega pra ti a decisão. O dinheiro é teu, a chave é tua. O que é que fazes? Ficas com tudo, 1 milhão de euros pra ti, ou dás alguma coisa a esse teu amigo? Dividir, quem sabe.
Em princípio, o que eu faço é: ligo pra Fremontelos, todas as pessoas vão atacá-lo Não havendo testemunhas, não há suspeitos. Portanto, em princípio, fico com €1 milhão, menos aquilo que tenho que subtrair ao Firmino Teles. Fico aí com €12.
Eu acho que essas pessoas acabam todas por estar nas Maldivas, João. Porque tu foste para a Caparica, mas as pessoas não deixaram de fazer as férias delas, nem de fazer as vidas delas.
Damos tempo para as pessoas irem e virem. Vamos partir do princípio que os voos estão a horas e corre tudo bem. Nem vamos começar com pedras no cenário.
A sorte do teu amigo é que a probabilidade de ganhar ao milhões é mesmo semelhante à de um trovão, porque senão corria perigo de vida. É o que se sabe.
Sim, até porque eu vi o "Breaking Bad" e sei como é que funciona aquilo dos bidões com produtos que desfazem.
Exato. João, imagina que estás numa praia isolada e vês a esposa de um amigo teu na praia com outro homem. Vais contar ao teu amigo?
Depende a quem eu guardo lealdade. Eu nessas coisas sou muito leal. Se for um amigo, sim. Se for mais amigo dela, não.
Outra a envolver namorados, que podem ser potencialmente chatos e perigosos.
Mas tiro uma fotografia e faço uma T-shirt. Não sei se estava implícito naquilo que eu estava a dizer.
Agora sim. Pena que o cartaz 1919 já esteja ocupado. João, vais para Ibiza com uma amiga, muito amiga, e apetece-te imenso ir de férias para Ibiza, mas já à última hora ela avisa que vai levar o namorado, que por consequência é um grandessíssimo chato. O que é que fazes? Ficas apeado ou conseguires ir até Ibiza ignorar este camafeu?
Já falámos em bidões que desfazem com coisas. Não sei.
Onde é que foi o Joel? Desapareceu, não sei onde é que anda o Joel.
O Joel foi ao bidón. Que é uma parte aqui de Ibiza. Magaluf, bidón.
Isso é bom. Bem, temos que ir a uma última. Estava a tentar encontrar uma que fosse mais especial. Não, espera aí, não é a última. Eu tenho aqui ainda antes disso uma que é: encontras o teu chefe numa praia de nudistas. O que é que fazes? Finges que não o viste ou vais lá cumprimentá-lo?
Não, vou cumprimentá-lo e faço questão de o pôr a par dois ou três assuntos de trabalho. Para aquela conversa durar e ser constrangedora para os dois. Acho que isso é o momento do mais alto constrangimento que tem que ser aproveitado ao máximo.
E não te juntavas à festa, João?
Qual era a festa?
Nomeadamente praticar o nudismo.
Absolutamente. Eu preferia um cenário em que estamos os dois nus.
Sim, exato. Muito bem.
Nus a falar de trabalho.
Muito bem. É mais leve. Isso é facto.
É do mais leve e simpático que pode haver.
Vamos à última? Vamos à última. Vamos já partir para a última pergunta. Não sei se estás preparado. Não sei se estás a aguentar sequer, João Pinto.
Estou a gostar muito. Estou fixe.
Para onde mandavas de férias o Roger Schmidt?
Para a Costa da Caparica, para ficar ali ao pé de casa.
Eu tenho aqui uma muito curta, quero uma resposta sim ou não. Imagina, João, nunca mais poderias ir ao Estádio da Luz ver um jogo do Benfica ou nunca mais poderias ir à praia. O que é que escolhias?
À praia.
Pumba, fácil. E é por isso que ele é o nosso adepto do Benfica nos jogos e o nosso comentador e se junta a nós sempre, porque a fidelidade é muita. Muito bem, João Pinto, gostei muito das tuas respostas. Foi mais um convidado do "Dilemas de Verão" da Rádio Observador. João, boas férias, bom verão e um grande abraço.
Adeus, obrigado.