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E já cá temos mais um dilema de verão da Rádio Observador. Perguntas incômodas, mais ou menos. Durante este verão, eu sou o Nelson Ferreira, está aqui a Rita Camarneiro e neste Dilemas de Verão, temos conosco a Ana Bacalhau, que dispensa apresentações. Olá, Ana.
Olá.
Boa tarde.
Bem-vinda. Olha, já passa aqui na Rádio Observador há algum tempo o teu novo single, o "Orelhas Moucas", que pelo que percebi, nem sequer faz parte do teu último trabalho. Que canção é esta?
É uma canção que me saiu de um trago só e eu, entretanto, estava a trabalhar com o João Só numa outra coisa e mostrei a ele, ele gostou muito, mandou-me um arranjo, eu gostei muito, e lançámos a canção assim. Será, talvez, um avanço do próximo disco. Pronto, é isso.
Vamos esperar então pelos novos trabalhos da Ana Bacalhau. Aí está essa "Orelhas Moucas", de resto, já podem ouvi-la também na Rádio Observador. Ana, por onde é que tens andado no teu verão? Já foste de férias? És daquelas pessoas que faz sempre férias no mesmo sítio ou vai variando?
Eu já fiz férias. Fiz dois momentos de férias, eu tenho uma filha de cinco anos e, portanto, geralmente os verões no verão é só pra trabalhar, mas agora estou a obrigar também a tirar férias, porque tenho uma criança que quer férias. E bem.
Claro.
Claro, laurear é preciso.
É. E eu não sou daquelas pessoas que vão sempre pro mesmo sítio. Gosto de variar. Este ano fui pra Madeira e fui ali pro sul da Espanha, pra água quentinha e calma, como eu gosto.
Olha, bela sugestão.
Bem bom.
Muito bom. Vamos então aqui aos nossos dilemas de verão. Rita Camarneiro, queres começar? Já escolheste um para tentar entalar Ana Bacalhau com mais um dilema?
Vamos a isso. E já que falaste da tua filhota, vamos mesmo para os filhos. Ana Bacalhau, estás numa piscina de uns amigos e a tua filhota mais nova, que é a única, diz-te em segredo que fez xixi na água. O que tu fazes? Contas aos teus amigos, finges que não aconteceu?
Não, não vou contar. Finge que não aconteceu. Não vale a pena estarmos a pôr essa carga sob a luz. Que fez assim uma coisa, ela é criança e tal. Pronto, desculpa-se. E a piscina tem tratamento. A piscina tem tratamento, aquilo rapidamente se dilui com o tratamento. Portanto, não é algo que eu fomento, mas se acontecer, pronto. Depois converso com ela, sem stress.
Olha, já que estamos ainda em problemas com filhos, entre aspas, imagina esta situação: vais de férias e esqueces de tratar do peixinho da tua filha. Ao fim das férias, ele vai estar a boiar naquele aquário, claramente. Quando tu regressas, substituis o peixe pra que ela não note ou contas-lhe?
Conto. Porque é uma questão de confiança nos pais, se ela topa que o peixe não é o mesmo, depois vai perceber e vai se sentir enganada e depois vai ter problemas de confiança. Não queremos isso. Já estou na psicologia, não é?
Exato.
Ia dizer-lhe a verdade e ela ia irritar-se muito e ficar com outro trauma, mas era um trauma diferente. Trauma da mãe e o pai terem ajudado a matar o peixinho, mas pronto, é assim.
Muito bem.
Quero que a Ana Bacalhau seja minha mãe na próxima vida.
Na próxima vida. Vamos tentar.
Ana, estás a dividir a casa de férias com um casal amigo, mas o marido da tua amiga, ou seja, que também é teu amigo, tem problemas de higiene pessoal. O que tu fazes?
Depende. Se o amigo primário é ela, ou seja, se ele veio da raste porque começou a namorar com ela, eu falo com ela. Se o amigo primário era ele, eu falo com ele, mas vai ter de se conversar.
Vai ter de ser.
Vai ser assunto de conversa.
É sim, uma conversa assim a um cantinho, uma coisa sutil pra não chatear o outro. Quando os outros estejam em casa, as crianças, enfim. Mas vai ter de haver ali uma dica a ser dada, sim.
Muito bem, ainda estamos aqui no capítulo das amigas. Imagina esta situação: numa praia bem isolada, encontras o marido de uma amiga tua com outra mulher. O que é que fazes? Vais contar à tua amiga aquilo que viste?
Depende do clima. E não me refiro à temperatura. Do ar. Depende do clima. Não sentir ali nada fora do comum, não vejo por quê. Mas se vir alguma coisa mais constrangedora, sim.
Estão os dois na praia.
Torcer o nariz.
Pronto.
Pode ser irmã, prima, depois.
É isso, essas coisas.
Claro. Ana, e diz-me uma coisa, uma semana com toda a família do teu namorado, do teu marido, primos, sogros, tias, sobrinhas, por aí fora.
Ai, que belas férias.
Com várias crianças que precisam de ser assoadas e por aí fora.
Certo.
Mas estão todos no resort, nas Maldivas. Ou seja, esta situação ou só tu e o teu marido, eventualmente a tua filhota. Por exemplo, ali em Ofir.
Ofir, sim.
Eu gostei. Não é preciso dizeres mais nada. Eu fico por menos gente.
É que o paraíso somos nós que construímos, digamos assim, ou o inferno.
Exato.
Bem-visto.
Esta foi fácil pra Ana. Ana, imagina também que numa praia isolada e uma praia de nudistas, encontras uma espécie de chefe, uma pessoa que está acima de ti. Imagina uma pessoa desse gênero. E tu dás de caras, todos em pelota, na praia de nudistas. Fazes de conta que não o vês ou vais lá cumprimentá-lo?
Se ele não me vir, eu também não o vejo. Mas se houver aquela troca de olhares, tendo a haver um cumprimento com algum discernimento. Um cumprimento, porque, é verdade, não pode ser aquele abraço muito apertado.
É como se tivessem um balão grande no meio, não é?
Sim, alguma distância. O Covid aqui ajudava, era uma boa desculpa para isto.
É verdade.
Vamos a outro. Rita, tens outro?
Sim. Vais de férias com um grupo de amigos, vão dividir casa durante uma semana, mas quando estás de partida, recebes um telefonema de uma pessoa com quem estiveste a jantar no dia anterior, a dizer-te que acabou de testar positivo à Covid-19. O que é que tu fazes? Abdicas das férias ou dizes aos teus amigos?
Uma pessoa teste positivo no dia anterior?
Exatamente, sim.
Eu acho que vou ter de abdicar, porque isto só se manifesta uns dias a seguir.
Pois é, boa cidadã.
É um bocado.
Boa amiga.
Se bem que isto do Covid também a gente ainda nem sabe a quantas andamos.
Hoje em dia, faria sentido. Hoje em dia, já nem as pessoas que jantaram conosco e que têm Covid sabem que têm Covid.
É verdade.
Já é diferente. Mas acho que sabendo que tenho Covid e que estive com essa pessoa há pouco tempo, que não dá tempo para eu desenvolver sintomas, nem para testar positivo, se tiver positivo, acho que vou me resguardar.
Pelo seguro, muito bem. Olha, tenho aqui uma que eu acho que é mais complicada. Imagina que a tua filha já é adolescente.
Ai, tenho de imaginar isso dele.
Ninguém gosta de imaginar.
Ninguém gosta. O namorado da tua filha de 15 anos passa o dia contigo na praia. E depois ele era suposto ir embora para casa dele no fim do jantar, mas a tua filha pede a ver se ele não pode dormir lá em casa.
Que dor no coração. Está bem.
Tu vais deixar?
Deixo.
Quais são as regras? Explica lá.
As regras? Eu acho que se eu estiver a fazer bem o meu trabalho, nem preciso de dizer à minha filha quais são as regras, porque ela saberá.
Senão impões a condição de ela dormir contigo.
15 anos. Quem é que nós estamos a enganar, não é?
Exato.
Talvez pusesse, depende há quanto tempo é que era a relação e do quanto eu gosto dele. Até podia dizer para ele dormir comigo, mas estava a me enganar a mim mesma, na verdade. Com 15 anos. Mas sim, talvez.
Vamos à última?
Vamos a isso. E na última tu vais para Ibiza com uma amiga. Na última da hora, ela avisa-te que vai levar o namorado, de quem não gostas nada.
Ok, tenso.
Falas com a tua amiga.
Quer dizer, éramos só as duas e depois ela vai levar a vela atrás. Vou falar, vou ter de dizer. Era uma ida de miúdas, amigas.
Pois, exato.
E desequilibra logo a cena. Não vai dar.
Completamente.
Aliás, isso não se faz.
Não se faz. Muito menos na véspera.
Sim, muito menos com Ibiza.
Ibiza.
Ibiza.
Tal e qual.
Ana, temos aqui uma assim mais para finalizar e muito rápida. Para onde mandavas de férias o Diogo Piçarra?
O meu Dioguinho?
Exato, tu tens um single com ele e tudo.
Pois tenho, o meu Dioguinho. Eu mandava para onde ele quisesse ir, na verdade.
Achas que ele é mais praia ou mais campo?
Ele é do Algarve, deve ser mais praia, de certeza. Ele para Faro vai muitas vezes. Era assim para uma prainha porreira, não sei se ele gosta de ondas ou se gosta de ser na calminha. Tinha de investigar isso e depois mandava para o sítio onde ele gostasse, assim uma prainha porreira.
Manda-o para a praia, para um sítio que ele gosta. Esta é a decisão da Ana Bacalhau.
Não, calma. Mandava para o palco, que aí tenho a certeza que ele gosta.
Muito bem.
Umas boas férias num palco.
"O erro mais bonito" é o nome do single que a Ana Bacalhau tem com o Diogo Piçarra. Espero que não tenha sido um erro teres mandado o Diogo Piçarra para a praia.
Não foi, não. Foi só bonito.
Ana Bacalhau connosco nos dilemas de verão da Rádio Observador. Ana, muito obrigado pelas tuas respostas. E esperamos mais canções.
Estão a caminho.
E olha, boas férias, nem que seja de inverno agora.
Pois, certamente agora vou tirar umas férias das férias e das tours e disso tudo agora mais para o inverno.
Força. Bom verão e boas férias. Obrigado, Ana.
Também para vocês. Beijinho. Obrigada.