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No Dilemas de Verão da Rádio Observador recebemos hoje o músico João Gil. De resto, ele esteve também no "Lado Bom da Vida" ao vivo e podem ver essa entrevista e atuação acústica aqui no nosso estúdio, quer no Facebook, quer no YouTube do Observador e também o áudio está disponível em observador.pt. O João Gil veio à Rádio Observador nesta missão dupla, porque tem também um novo álbum que de alguma forma celebra os 46 anos de carreira. Falamos disso na entrevista no "Lado Bom da Vida", mas já agora, João, obrigado por teres vindo.
Olá, João.
Dia 17 de setembro.
Estou me aqui a meter uma alhada.
Não, já lá vamos à alhada. A alhada é daqui a um bocadito. 17 de setembro, Coliseu de Lisboa e com convidados, não é?
Sim, com convidados muito bons, convidadíssimos, de 50 mil estrelas. O Jorge Palma, o Miguel Araújo, o Frankie Chavez. E tenho uma grande surpresa que não vou anunciar.
Quase que sacávamos.
E nós é que ficamos aqui laçados no dilema de tentar descobrir se são ou não.
Mas ótimos convidados, estão todos convidados também para esse concerto especial aqui, o caixa de luz. 46 anos de carreira do João Gil, é no próximo dia 17, no Coliseu dos Recreios em Lisboa. João, vamos lançar-te aqui uma série de desafios mais ou menos complicados para este verão. Tudo isto tem um cenário de família, verão e coisas desse gênero. E queria perguntar-te primeiro uma situação que pode ser assim um bocado chata. Imagina que estás numa praia isolada e que vês a esposa de um amigo teu com outro homem. Estão na areia. E o que é que tu vais fazer? Vais avisar o teu amigo?
Não. Não vou avisar ninguém.
Eles lá saberão.
Eles lá saberão. E não é por acaso que essa situação acontece. E acho que eles têm é que falar um com o outro. Mais tarde ou mais cedo, isso vai acontecer. Se a pessoa sabe que tu localizaste a pessoa, identificaste, é uma situação desagradável e vai precipitar que essas duas pessoas falem uma com a outra. O meu amigo, e eventualmente também sou amigo dessa rapariga.
Pois, o grau de amizade com um ou com o outro pode complicar.
Portanto, pode precipitar a situação, mas pode não precipitar e podem ser apenas dois amigos, por que não dois amigos?
Se calhar até é irmão dela.
Como é que fizeste o preâmbulo? Diz lá a pergunta outra vez.
A esposa de um amigo teu está na praia com outro homem.
E depois? Fogo, agora quer ser bom. Não pode estar.
Muito bem. Está mais contundente, que é como nós queremos. João, imagina que estás a dividir casa de férias com um casal amigo e um deles tem problemas de higiene pessoal, daqueles que são notórios. Aquele mau cheiro, aquele sovaco que transborda.
E tens uma semana pela frente com estas pessoas.
Uma semana pela frente.
E cabe-te a ti decidir se diz alguma coisa.
Eu digo alguma coisa.
Dizes?
Acho que sim.
Como?
Vou direto ao assunto.
Sacava da guitarra: "Vou-te cantar aqui uma pequena canção".
Isso era bom.
Dois fatores, só para justificar. Não estou à procura de politicamente correto. Estou a pensar na situação. Das duas, uma, se a pessoa não toma banho há uma data de dias, é uma questão. Se é uma questão de problema de-
Problemas das glândulas sudoríparas.
Sim, há pessoas que emitem odor e é muito chato, tem a ver com o seu processo interior.
A sua biologia.
Biologia. Isso é mais complicado. Agora, se for um problema de higiene pessoal, meu, vai te lavar, querendo meu, não dás conta do cheiro?
Eu não teria coragem. Já que estamos nas confissões, eu não teria coragem.
Vamos à próxima. Estás de férias no estrangeiro, pedes a um amigo que te entregue o Euromilhões usando os teus números de sempre. Tens uns números da sorte que jogas sempre no Euromilhões com eles, só que não conseguiste registar. Saiu o primeiro prêmio. O que é que vais fazer? Vais dividi-lo com o teu colega. Tu disseste a um amigo teu para ir registar o teu Euromilhões.
É um pedido meu, portanto é meu. Foi apenas o transporte.
E não lhe cabe nada por te ter feito essa?
Cabe, sim, senhor. Tem que caber qualquer coisa.
Quantia?
Quantia?
Meio e meio não dá, não é?
Uma quantia generosa tem que ser. Meio e meio eu acho que é um bocadinho demasiado. Mas tens que dar alguma coisa, então. É bom, é um pouco de sofrer.
Um pago de jantar no Marminos, qualquer coisa assim.
Qualquer coisa boa.
Imagina, João, que estás na piscina e a piscina é de uns amigos teus. E vem o teu filho, não sei se tens filhos. Vem o teu filho mais novo e diz-te em segredo e muito constrangido e quase com medo, que fez xixi na água. Contas aos teus amigos ou deixas passar em branco? O clorito resolve nesta altura.
Boa questão. Provavelmente, muitas crianças fazem. O meu já tem uma certa idade, já tem 30. E o meu enteado, Vicente, para lá caminha, portanto, não estou a ver. Mas estou a imaginar uma criança. Porque eu ensinei o meu puto a nadar, cabia-me na mão, assim, puto, uma coisa assim pequenina. Ainda tinha fraldas, portanto, já estava a aprender a nadar. Eu acho que isso acontece naturalmente e o sistema de limpeza das piscinas.
É o clorque resolva.
Certo, não é preciso enxovalhar, nem humilhar uma criança, nem encostá-la a uma parede, provavelmente traumática e que pode deixar danos para o futuro. Não, provavelmente não faria nada. Se a coisa fosse um bocadinho mais grave E fosse mais no estado sólido ou uma coisa do gênero. Aí terias que avisar, porque causa problemas, danos.
Estavas a preparar realmente as pistinhas que têm aquelas redes.
Pode ser perigoso. Aí, sim, tens que avisar. Mas isso pode acontecer.
Claro que sim. Olha, eu tinha aqui um outro assunto que também pode ser traumático, principalmente quando as crianças são um bocadinho mais novas. E vamos imaginar que tens aqui um filho ainda mais novo e que ele tenha um peixinho de estimação. Vocês vão de férias e tu não acautelaste a alimentação ao peixinho. Quando regressarem de férias, ele vai estar morto. O que é que tu fazes? Tu contas ao teu filho ou substituis o peixe? Porque eles são quase parecidos sempre uns com os outros.
Por acaso a pedido do meu puto, sim. Ficou entusiasmado por ter um aquário. Arranjei um aquário e eu próprio me afeiçoei bastante aos peixes. Tinha um peixe que ficou grande, que era um limpa fundos. E como ele estava sempre a limpar a parede assim a descer e parecia que tinha um vestido noite, chamei-lhe Ajax.
Um bom nome.
Sim. Limpava tudo, vidro. E então o Ajax teve uma vida bastante longa e apareceu morto, mas não por abandono.
Claro.
Porque deve ter um período qualquer em que ele próprio se esqueceu, porque a memória dos peixes não é propriamente uma grande espingarda.
Pois não.
Não há grande problema de culpa, mas não houve ali abandono. Mas sim, sei que é preciso proteger o aquário, mas tu sabes que tem sistemas de alimentação regulados.
Deve ter.
Acho que hoje em dia não há problema.
Aqui era mesmo em caso de negligência, imaginamos. Contavas ao teu filho ou não?
Acho que é mais fácil controlar um aquário, mantendo a sua dinâmica e o habitat saudável, do que provavelmente este drama, e vocês não falam disso, mas dá para se falar dele, que é o abandono dos animais. Cada vez que as pessoas vão de férias, os que vivem na margem norte vão deixá-los à margem sul e os de margem sul vão deixar à margem norte, sabendo que os cães não nadam e não vão passar o rio. Isso é uma tragédia. Devia-se pensar melhor antes de ter um animal.
Sempre há quem possa cuidar. Sou eu.
És tu.
E imaginando agora aqui, mudando de rumo e quem sabe ir até longe, vais decidir tu, João. Imagina uma semana com toda a família do teu parceiro ou da tua parceira, primos, sogros, tias, sobrinhas, um hamster, tudo isto num resort das Maldivas. Outra opção é uma semana só com a pessoa de quem tu gostas, mas em Freixo de Espada à Cinta, numa pensão de duas estrelas. Tens um resort nas Maldivas, mas tens que levar a família toda dela, mas literalmente toda.
A família dela?
Sim. Quase todos a ocupar todas as ilhas.
Maldivas ou a sós, eu ia para as Maldivas. Explico porquê. Agora não tenho nada contra Freixo de Espada à Cinta. É belíssimo sítio.
Como é evidente.
Nem qualquer problema com a pensão de duas estrelas, disseste tu. Não vejo problema nenhum, não é por aí.
Se calhar para mim eles têm sítios piores nos teus tempos de rock'n'roll.
Sim, não é por aí, desde que haja blackout para dormir e aquele chão não tenha aquelas molas a furar as costelas.
Aquela coisa de já dormi em berma de cinco estrelas.
Exato. Portanto, não é por aí. Tudo se resolve.
E as Maldivas são as Maldivas.
As Maldivas são as Maldivas. Provavelmente, tem condições de resort para haver isolamento e privacidade.
Tu não tens que estar com aquela gente toda.
Não, tu podes estar com as pessoas determinadas horas e tudo bem.
E depois ninguém marca o seu jantar e quer toda a gente jantar à mesma hora e depois ninguém chega a horas ao bufê. É uma série de complicações, tenho a certeza.
Se é bufê, não há problema com horários.
Mas normalmente as pessoas são chatas e querem comer todas juntas e querem que tu esperes.
Estás a dizer.
Querem que tu esperes e tu não queres esperar.
Mas isso acontece também com os amigos, não é só a família.
É verdade. As pessoas são chatas em geral, não tem a ver.
As pessoas são muito chatas.
As pessoas são chatas, ponto. Concordo plenamente. Estamos a chegar ao fim dos nossos dilemas e a propósito aqui também do novo disco do João Gil, que tem ali uma parceria com o Frankie Chaves, lembrei-me desta: para onde é que mandavas de férias o Frankie Chaves?
Onde é que mandava de férias o Frankie Chaves? O Frankie é uma joia de pessoa. Eu acho que ele merece o melhor. Mandava-o de férias, deixa lá ver para onde é que eu mandava de férias. Para Bali, porque eu sei que ele surfa demais, provavelmente já lá foi. É um bom sítio para fazer umas ondas. Mas também em Portugal tens belíssimos sítios para fazer umas ondas. Mas sim, Bali. Se ele não foi lá, mandava para lá.
Bali para o Frankie Chaves.
Levava a sua guitarra e começasse a gravar uns temas originais, todos em português.
É preciso ir até à Índia para descobrir a língua portuguesa. Para aquilo que nasce tudo no Oriente asiático.
É uma questão de tempo.
Muito bem, mandamos o Frankie Chaves para Bali. O João Gil respondeu às perguntas d'O Observador para este Dilemas de Verão. João, muito obrigado por teres vindo. Continuação de um ótimo verão para ti.
Foi um prazer. Agora saio daqui com vontade de ir para alguns sítios, sim.
Já agora.
Falarei com a família, se calhar.
Ainda vamos ter umas férias nas Maldivas ou em Bali. Se fores, eu vou na mala. Já agora. João, obrigado.
Obrigado. Grande abraço.