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É a nossa convidada hoje nos dilemas de verão da Rádio Observador, a Picas. Olá, Picas. Bem-vinda.

Bem-vinda.

Olá, obrigada pelo convite.

Estás preparada para as picas das facas das nossas perguntas aqui nos dilemas de verão? Temes alguma coisa?

Não sei. Agora fiquei assustada, porque eu sou um pouco medrosa. Com agulhas, não gosto.

Não te assustes. Vamos tentar também falar um pouco com a Picas do que é que ela tem andado a fazer. Como é que tem sido o teu verão? Já foste de férias, ainda vais?

Na verdade, o meu verão está a ser agradável, mas as únicas férias que eu tirei para ir para a praia, fiquei doente.

Ó!

É daqueles azares em que uma pessoa vai e está assim.

Então nenhum dilema será problemático, tendo em conta esse ponto de partida. Ficamos aqui um pouco desarmados, Nelson.

É sim. Uma amigdalite daquelas que uma pessoa tem que levar mesmo aquela injeção.

De penicilina?

De penicilina.

Amigdalite de agosto, sempre uma tristeza.

Sim, muito mau. Picas, reparei que o teu último single é o "Orquídeas", segundo percebi, continua a ser a tua aposta e esta é uma canção que vai fazer parte de um primeiro álbum mais longo de Picas ou ainda não?

Sim, essa canção vai fazer parte de um álbum. É entre várias apostas. Há várias canções que eu gosto muito no álbum. Essa tem um valor muito especial para mim, porque é uma canção super pessoal que eu escrevi para a minha avó, que é uma das pessoas mais próximas na minha família.

E fica representada pelas orquídeas também, não é verdade?

Sim.

É uma belíssima canção. Vejam também o vídeo pelo YouTube desta "Orquídeas" da Picas, que é a nossa convidada hoje no Dilemas de Verão. Vamos então ao que interessa. Imagina esta situação, Picas: vais para Ibiza com uma amiga e à última hora ela resolve levar também o seu namorado, de quem tu não gostas assim muito. O que é que tu vais fazer? Cancelas a viagem ou vais na mesma e tens que gramar com o namorado da amiga?

Um namorado mesmo que eu não goste? Tipo aquele que uma pessoa torce o nariz, mas não pode dizer nada porque é o namorado?

Uhum.

Eu acho que ficava por Lisboa. Ir para Jamela com um casal que uma pessoa não gosta, acho que não é agradável.

Concordo.

Excelente decisão. Imagina que depois vais de férias com um grupo de amigos, Picas, e vão todos dividir casa por uma semana, mas quando estás de partida acabas por receber um telefonema de uma pessoa com quem estiveste a jantar muito próxima, na véspera, e essa pessoa diz-te que acabou agora mesmo de testar positivo à Covid-19. Depois de teres tido umas férias dedicadas por causa da amigdalite, abdicavas de mais umas férias, dizias aos teus amigos ou guardavas segredo e ias só?

Eu já estive nessa situação. E o que eu faço é: eu aviso sempre. Tive um contacto. Agora já não é como era há um ano. Eu aviso: "Tive um contacto. Estás confortável? Posso sequer vir jantar na mesma?" Se a pessoa quiser, eu vou. Agora, sem avisar, acho que me sentia mal, porque se a pessoa ficasse doente, ia ficar com muito peso na consciência.

Percebo. Bem-visto. E esta situação: imagina que estás numa praia isolada e vês o namorado de uma amiga tua com outra rapariga. Eles não estão a fazer nada, estão só a apanhar sol no areal, mas vais contar à tua amiga?

Silêncio.

É assim, eu não gosto de causar drama. Portanto, eu não ia ser do gênero tirar uma fotografia e: "Olha o que o teu namorado está aqui a fazer". Isso não sou nada eu, mas é do gênero: "Olha, sabes, encontrei o teu namorado, estava na praia."

Assim como quem não quer a coisa.

"Estava lá com uma amiga", depois vejo a reação. Já será: "Ah, sim, tudo bem, eu sei, sim, é uma amiga de longa data".

Ok.

Pronto.

Mas e se ela disser: "Não, mas o meu marido está em trabalho, em Espanha."

Aí eu vou dizer: "Não, não está, que eu vi-o com os meus próprios olhos."

Muito bem.

Vamos a uma outra questão, que esperamos que seja muito dilacerante. Uma semana com toda a família do teu namorado, primos, sogros, tias, sobrinhas, num resort nas Maldivas, ou uma semana só com o teu namorado, mas em Vieira de Leiria, numa pensão?

Depende. Nunca estive nessa situação de conhecer a família inteira de um namorado.

De uma só vez.

Quatro ilhas das Maldivas inteiras alugadas para vocês.

Essa é difícil. Depende. Se eu já conhecesse a família antes e gostasse, eu podia ir para as Maldivas. Mas se eu não conhecesse, eu não ia para as Maldivas com uma família inteira. É que famílias é difícil.

E uma pessoa só conhece uma pessoa verdadeiramente quando a vê numa praia paraisíaca com uma água de coco na mão. Mesmo que conheças a família, as pessoas revelam-se, Picas.

Exatamente. É verdade, nós só conhecemos as pessoas a viajar e as pessoas revelam-se mesmo. Eu acho que preferia ir para uma pensão em Leiria. Sou uma pessoa muito simples.

Viva Vieira de Leiria.

Eu prefiro.

Muito bem, bela escolha. Imagina também esta situação: vais para o Algarve, estás a caminho das tuas férias e está uma rapariga em apuros à beira da estrada. O carro dela avariou e ela está a pedir boleia. Ela também vai para o Algarve. Dás-lhe boleia?

Eu dou. Eu sou essa pessoa que mesmo que eu estiver no carro e não sou eu a conduzir, eu digo: "Para lá, vamos dar boleia, coitadinhos". Dá-me pena, as pessoas estão ali ao sol, a esturricar, não custa nada.

Muito bem. Vou procurar um dia, caso vá a um festival, prefiro ser apanhado pela Picas no meio da estrada.

Também eu.

Quando eu me tornar mítico.

Se for eu a conduzir, eu tenho mais medo, porque eu não sou grande condutora. Nem as pessoas são me atrevidas.

Não faz mal, eu tenho carta. Se estiver à moda, posso ir eu conduzir também.

Pronto, okay, ainda melhor.

Imagina, Picas, que de um grupo qualquer de trabalho que tenhas com alguém no WhatsApp, recebes uma fotografia que acabou por ser enviada por engano e é uma imagem constrangedora de um colega teu em calções de banho, neste caso, mesmo ridículos e reduzidos. A imagem é apagada de imediato, mas tu viste tudo. Finges que não viste ou comentas alguma coisa no grupo? Há quem opte por mandar aquele sticker: "Deus viu o que você escreveu". Qual era a tua opção?

Eu sou uma pessoa com muito poucos filtros, portanto, eu acho que sou mesmo a pessoa que diga: "Olha, eu vi isso que vais apagar, que eu vi e guardei."

Um print logo.

É mesmo, não te escapas.

E fica logo a imagem do grupo também, há quem faça essas coisas.

Exatamente.

Queria voltar à tua habilidade de condução. Imagina que estás a tentar estacionar num daqueles parques de estacionamento junto à praia, que estão sempre lotados, e está uma velhinha à tua frente, muito devagarinho, que passou por um lugar e não o viu. Tu aproveitas logo esse lugar para ti ou avisas a senhora para o ceder?

Eu sou super zen a conduzir. Se há uma coisa que eu sou é demasiado zen. Estão-me sempre a apitar porque eu sou lenta. A minha mãe diz que eu pareço a minha tia-avó a conduzir. E então eu sou super zen. "Queres ficar com este lugar? Fica." Eu só não quero estresse no trânsito.

Na estrada temos que encontrar a Picas. Ela dá boleia, ela dá os lugares de estacionamento. É um espetáculo.

Uma nota: ela também te paga o parquímetro, Picas, tem que ter cuidado.

Isto é mesmo complicado.

Imagina, Picas, que vais a uma praia e essa praia é conhecida por ser uma praia de nudistas. E por lá avistas o teu chefe que está a praticar essa prática balnear. Finges que viste, vais lá cumprimentá-lo, finges que não viste, foges, mudas de praia. Qual é a tua opção neste caso? Imaginando que tu tens um chefe, não sei se é o caso, Picas.

Ai, meu Deus, eu acho que fugia mesmo. Eu acho que fugia mesmo, mas eu também estava nua, não é? Estava na praia.

Não necessariamente. Podias juntar-te à festa se o teu chefe fosse nudista.

Era um mirona, estava nas dunas, não pode ser.

Foi lá parar. Já me aconteceu em algumas praias ir lá parar. E depois fiquei. Picas.

Mas também essas pessoas que vão para a praia de nudistas vestidos são estranhas. Eu acho que se vais tens que assumir.

Claro, também acho.

Então pronto, é a primeira vez que alguém responde que se juntava à festa. Picas, ganhaste esse título. Não sei se o comportarás com muito orgulho.

Não sei, está ali toda a gente nua e tu estás vestido, parece que estás ali de fora.

Acabas por ser tu o estranho.

Não é? Sou daqueles estranhos.

Nelson Ferreira, vamos à última.

Vamos à última. Estava a tentar arranjar uma mais difícil para terminar com a Picas o nosso dilema de verão. Vou te colocar um desafio que é um bocadinho mais à frente no tempo. Imagina que tens filhos, Picas. Imagina que tens um filho já adolescente de 15 anos e ele passa o dia na praia com a sua namorada e contigo também. E depois, no final, depois de jantar, ele pede para a namorada ficar lá em casa a dormir. Tu vais deixar?

Eu quero ser uma mãe super liberal, dessas que as namoradas dormem todas lá em casa. Eu prefiro, eu quero ser uma mãe mesmo cool, mas eu acho que a gente diz isso quando é novo e depois és pai e não és assim tão cool. Exato.

Eu ia alertar-te para isso, ainda bem que chegaste lá sozinha.

Eu ainda sonho contigo, Picas, neste caso.

Então deixas, não é? A namorada pode dormir lá em casa.

As namoradas, até houve aqui um plural.

Pois foi, eu reparei.

Sim.

Picas, passaste com distinção, diria.

Sem dúvida.

Obrigada.

Gostei muito.

Lisonjeada.

Muito obrigado por te teres juntado a nós. Dilemas de verão, Nelson Ferreira com a Picas. Picas Maria, cantora, que tem música que pode ouvir no YouTube, pode ouvir nas plataformas de streaming.

Chama-se Orquídeas, o novo single da Picas.

Uma das minhas favoritas, por isso, Picas. Muito obrigado por te teres juntado a nós.

Obrigada eu.

Obrigado, bom verão, boas férias, Picas.

Igualmente.

As próximas sem medalhitas, é isso que esperamos.

Adeus, obrigado.

Adeus.