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9:12. Vamos diretos à campanha. Esta quarta-feira acompanhamos as comitivas de António José Seguro, André Ventura, Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes, Carla.
Isto ainda na ressaca do debate a 11. Os candidatos vão entrar no quarto dia de campanha. Gouveia e Melo é o mais madrugador, por isso a Nadine Soares também está agora em direto a acompanhar a campanha do almirante. Nadine, bom dia. Por onde é que vai andar Gouveia e Melo?
É um dia dedicado ao norte do país. Começa a manhã com uma visita ao Porto das Leixões, já daqui a pouco, às 10:15, e de seguida marca presença no mercado de Matosinhos. Já da parte da tarde, uma visita à Faculdade de Medicina e ainda ao Hospital São João. Já pelo final do dia, pelas 18h, visita uma fábrica de produção de leite em Vila do Conde e vai terminar com um jantar na Póvoa de Varzim. Por isso, um dia longo, uma agenda cheia hoje para Gouveia e Melo.
E com uma mudança de estratégia de discurso, Nadine. Ontem vimos como Gouveia e Melo, no debate, atacou muito diretamente Marques Mendes, também agora a entrar contra António José Seguro, o que se espera?
Gouveia e Melo continua a atacar mais Marques Mendes, sempre através, por exemplo, da associação ao primeiro-ministro e aos partidos, mas começa nesta altura também a apostar na estratégia de um ataque em dose dupla. Até porque com a mais recente sondagem, o almirante começa a disparar também contra António José Seguro. Gouveia e Melo, que tem reforçado que se tratam de dois candidatos do sistema, um a querer ir para presidente para ajudar o governo e outro a querer ir para dizer que pode contrariar o governo. Nas ações de rua, por exemplo, o almirante faz questão de reforçar que o papel do presidente da República tem que ser equilibrado e independente e que essa independência só está em candidatos que não são partidários e até tem sido muitas vezes abordado pelas pessoas na rua e diz sempre que as coisas têm de mudar, que para pior já não é possível e que por isso o papel de presidente da República é para pressionar. Um presidente não pode ser nem uma marioneta, nem para fazer oposição. São críticas deixadas muito frequentemente por Gouveia e Melo na rua. Ontem, por exemplo, numa visita a uma feira em Lijó, Gouveia e Melo diz a um comerciante que existem muitos sapos no pântano, na política portuguesa. E há aqui também esta linha, ou seja, o alvo não está apenas agora em Marques Mendes. Agora temos aqui uma divisão de discurso entre ataques a Marques Mendes, mas também já a António José Seguro.
Nadine, entretanto, a Venezuela tomou conta de uma parte da atualidade. É um tema geoestratégico, com ligações fortes ao tema da defesa. Até que ponto é que pode ser um tema favorável precisamente para Gouveia e Melo nesta reta final de campanha?
Há aqui também essa linha, que agora aparece nos discursos de Gouveia e Melo, nestas ações, quando entra a atualidade internacional na campanha. Gouveia e Melo e outras figuras que já apareceram em ações, como por exemplo, o mandatário distrital Correia de Campos e o antigo ministro da Saúde de Sócrates, fazem referência à atual situação da Venezuela. Com este assunto, o almirante quer tentar provar que seria, de todos os candidatos, o mais bem preparado para lidar com o cenário de incerteza mundial. Reforça que tem conhecimento que outros não têm do ponto de vista geopolítico, do ponto de vista internacional, e por isso a utilização desse assunto serve muito para fazer valer as características de um almirante numa corrida a Belém. Gouveia e Melo utilizar na campanha a atualidade internacional para conseguir se destacar dos outros candidatos nesta perspectiva de proteção e de estratégia enquanto líder na corrida a Belém.
Muito bem, Nadine Soares, a acompanhar a campanha de Gouveia e Melo, hoje por terras do Norte. Miguel Viterbo Dias, bom dia. Tu que acompanhas a campanha de Luís Marques Mendes, por onde é que vão andar hoje?
Vamos começar em Setúbal, no Mercado do Livramento, num dia em que há aqui da agenda de campanha. São cinco ações durante o dia, todas dedicadas à margem sul e ao Alentejo. Depois de Setúbal, segue também para Vendas Novas, para as tradicionais bifanas e ainda para Vila Viçosa e depois Évora. Há aqui um aumento do número de ações de campanha neste dia. Não sei se de propósito, se por coincidência. O que é certo é que com os números a baixar, a presença de Marques Mendes na rua e junto dos apoiantes vai aumentando para procurar também transmitir outro tipo de dinâmica.
Esse aumento que tu referes é em relação àquilo que estava previsto para este dia ou em relação àquilo que foi a prática dos últimos dias?
Em relação à prática dos últimos dias e também àquilo que foi o retrato geral desta campanha. Marques Mendes tem previsto três, quatro iniciativas por dia. Hoje tem ligeiramente mais. Enfim, a agenda não sofreu alterações face aos últimos dois dias. O que é certo é que representa uma presença maior do candidato nas ruas. Ele que tem até carregado muito nesse discurso de que está surpreendido com estas sondagens, porque aquilo que sente na rua é precisamente o oposto. E, portanto, esta questão de estar mais tempo na rua, mais tempo com os apoiantes, procurará também transmitir essa mensagem de que os números que ao final da tarde, ao início da noite, têm aparecido na televisão no que toca às sondagens, divergem daquilo que tem sentido na rua. E o que é certo é que a AD, o PSD e o CDS têm uma máquina de mobilização bem oleada e que podem dar essa imagem de maior dinamismo, se assim forem chamados a tal, e também com os toques a rebate que Marques Mendes e as figuras do partido têm feito para uma união e um cerrar de fileiras à volta do candidato.
Até que ponto é que podem levar, de facto, os números dessa sondagem a sério e isso pode estar visível nesta intensificação, se quiseres, das ações de rua?
Não é novidade para ninguém que quem vai atrás nas sondagens nunca as valoriza muito. Marques Mendes adota também esse discurso, ainda que este arranque de campanha não permita ainda estabelecer um retrato muito amplo, porque arrancou com a presença do primeiro-ministro, que ditou o tom dos dois primeiros dias Ontem, devido ao debate na RTP, existiu apenas uma iniciativa de rua e que marcou também essa primeira reação pública de Marques Mendes a esta sondagem que o coloca muito fora da segunda volta. Veremos agora se a estratégia se mantém no que é a presença, por exemplo, de figuras do PSD. Ontem, Hugo Soares, líder parlamentar do partido, esteve presente na ação de campanha no mercado de Torres Vedras, ainda que não tenha tido nenhuma participação particular. Andou por lá na comitiva, a ver, a confessar, mas nos dias anteriores, para além de Luís Montenegro, tinha estado também Sebastião Bugalho, eurodeputado, e Gonçalo Matias, ministro da Reforma do Estado. Veremos se essa presença de elementos do PSD e do governo será para manter numa frequência diária, até porque, no debate na RTP, Marques Mendes carregou muito nessa necessidade de ser, ou na característica de ser o único que garante a estabilidade do governo e de acusar os adversários de quererem apenas fazer oposição ao governo. Por isso veremos se vai continuar a colar-se e a utilizar essa estratégia de recorrer e de se socorrer das figuras do atual executivo de Luís Montenegro.
Miguel, e nesse sentido, é expectável que Marques Mendes critique e volte a atacar diretamente Gouveia e Melo, ou vai deixar isso para os tais elementos mais próximos do seu núcleo de campanha?
Até ver, tem deixado para os elementos mais próximos. Sebastião Bugalho fez muito esse papel de ponta de lança logo na segunda-feira, com críticas ao João Cotrim Figueiredo e também ao almirante Gouveia e Melo, nem tanto a António José Seguro. Agora o que é certo é que nessa altura não existiam ainda essas sondagens e, portanto, veremos se a estratégia passa por continuar a utilizar figuras da campanha para atacarem os adversários, se será o próprio candidato a fazê-lo, tendo todos nós presentes na memória que ontem Marques Mendes não se coibiu de criticar fortemente Henrique Gouveia e Melo, utilizando até expressões um pouco mais assertivas ou menos cordiais, dizendo que quem se sente não é filho de boa gente. Veremos se será agora Luís Marques Mendes, ele próprio, a assumir essa figura. Há quem defenda que, tendo em conta estes números, Marques Mendes terá que passar para uma estratégia de ataque, ao invés apenas e só da tal campanha positiva, que poderá deixar de fazer efeito se os números continuarem a baixar.
Vamos ver como reage o candidato ao longo deste dia e dos próximos. O Miguel Vitor Dias irá continuar a acompanhar-nos e a dar-nos conta da campanha de Marques Mendes. Ora ainda no rescaldo do debate e da forma como decorreu, António José Seguro foi assistindo a esse bate-boca entre os dois adversários. O João Gama acompanha o candidato, que está, João Gama, muito embalado até com as sondagens.
Sim, e tem deixado, aliás, como vimos ontem no debate, as trocas de acusações, as críticas mais fortes para serem feitas por outros candidatos. É curioso, porque o que vimos ontem no debate na RTP, temos visto um pouco também, Carla, em todas as ações de campanha. Os jornalistas perguntam, insistem com António José Seguro, mas António José Seguro evita comentar, evita entrar na crítica direta com outros candidatos. Ontem de manhã, em Grândola, respondeu apenas a Catarina Martins a dizer que, ao contrário da candidata presidencial apoiada pelo Bloco de Esquerda, não se engana nos seus principais adversários, mas nunca os nomeou. Não falou, por exemplo, até agora, da entrada na campanha de Aníbal Cavaco Silva e tem sido muito contundente nas críticas, mesmo quando menciona, por exemplo, e foi também tema no debate de ontem, os interesses financeiros, partidários e económicos que quer deixar à porta do Palácio de Belém se for eleito o próximo presidente da República. Nunca concretiza, nunca concretizou. Então, António José Seguro tem tentado trazer essa elevação para a campanha, nos debates ou também nas ações de rua. Está embalado, está a imprimir um otimismo que no início da campanha não se notava tanto. Portanto, apesar de dizer que as sondagens não são tudo, nota-se esse otimismo cada vez maior na campanha do candidato apoiado pelo PS.
Alguma reação expectável, João Gama, sobre a possibilidade de haver a tal convergência então à esquerda a favor de António José Seguro, com aquela declaração de ontem de Jorge Pinto no debate?
Ontem mesmo António José Seguro aproveitou e têm sido as duas principais bitolas que no arsenal de António José Seguro, o voto útil à esquerda, é repetido em todas as ações de campanha, seja em comícios, seja em ações de rua. Quando criticou Catarina Martins ontem, aproveitou também para fazer esse apelo ao voto útil. Lembra sempre que é o único candidato, goste-se mais ou goste-se menos, na área da esquerda e do centro-esquerda, que pode chegar a essa segunda volta. As sondagens apontam isso com cada vez mais força. Então António José Seguro sente-se cada vez mais legitimado para apelar a esse voto útil. Quando estivemos, creio eu, em Portimão, num comício à noite, António José Seguro disse mesmo que um voto nos candidatos à sua esquerda era meio voto na direita. É um apelo ao voto útil cada vez mais descarado. António José Seguro sabe que precisa dos votos à esquerda para conseguir chegar a essa segunda volta. Não tem nomeado particularmente os adversários, ou seja, apesar de ontem no debate Jorge Pinto ter admitido essa possibilidade de alguma forma, António José Seguro, nas ações que tem tido durante esta campanha, nunca disse que o candidato apoiado pelo Livre é quem deve desistir. Não tem sido assim tão claro, mas diz que votos à esquerda são votos que na prática não contam.
Para bom entendedor, fica tudo claro. João Gama, só falta saber por onde é que António José Seguro vai andar hoje a apelar ao tal voto útil, e não só.
Muito perto. Vai ser um dia muito poupadinho em quilómetros. Vamos passar a manhã toda em Lisboa, vamos estar no Palácio Baldaias, onde está marcada uma ação pras 11h30 a propósito de igualdade, sustentabilidade, ambiente e clima. Depois, António José Seguro tem um almoço na Assembleia Municipal de Lisboa e um contacto com a população na Avenida da Igreja, por volta das 14h. Talvez conheçam bem essa rua no centro de Lisboa. Vai acabar o dia mais tarde em Santarém. Não conheço, é mais logo à noite, às 21h.
Então passa por cá nesse momento, aí na Avenida da Igreja, mesmo ao lado dos estúdios da Rádio Observador. Bom trabalho, João Gama. André Ventura tem feito a campanha, sobretudo a sul. O fim de semana esteve no Algarve, depois passou por Sines, Vendas Novas, subindo Pinhal Novo. Hoje vai estar em Samora Correia, o Miguel Cordeiro também, a acompanhar esta campanha. Miguel, podemos então dizer que André Ventura vai estar a fazer o caminho oposto à figura histórica citada ontem no debate, do Afonso Henriques?
Sim, em parte podemos dizer, é arriscado, mas estamos a falar do Afonso Henriques, porque foi mencionado precisamente ontem no debate a 11. Mas é arriscado porque não sabemos sequer se a campanha de André Ventura vai ou não terminar em Guimarães. Sabemos, sim, que tem vindo do Algarve a subir pelo mapa de Portugal. Já passou por esses locais que mencionaste, Carla. E de fato, ontem no debate, André Ventura acabou por deixar essa referência a Dom Afonso Henriques, quis dizer que todos os portugueses são herdeiros de figuras do passado com que se identifiquem, para depois justificar a colagem que tem feito aos ideais de Sá Carneiro. Ontem o país político acordou com a notícia do choque de Cavaco Silva. O antigo presidente apontou para uma tentativa de apropriação do nome de Sá Carneiro por parte de pelo menos três candidatos presidenciais. Deu nomes: Cotrim Figueiredo, Gonçalo Amelo e André Ventura. Cavaco Silva disse que até no plano ético, político, social e económico, estão quase estas figuras nas antípodas daquilo que Francisco Sá Carneiro defendia. Ventura respondeu, e respondeu com algum atrevimento, no Pinhal Novo, numa arruada ontem. Disse que provavelmente, atualmente, em 2026, Sá Carneiro seria do Chega. Disse mais, disse que a herança de Sá Carneiro não é exclusiva do PSD, muito menos de Cavaco Silva. Depois, à noite, disse que se ele não se pode inspirar em Sá Carneiro, então também ninguém se pode inspirar noutras figuras, como Dom Afonso Henriques ou Vasco da Gama. Agora, nesta campanha, não sabemos se vai terminar em Guimarães, mas é certo que se olharmos para o mapa, se o tivermos na mão, de fato, tem sido uma viagem de sul para norte.
De sul para norte, e nesse sul, Miguel Cordeiro, nota-se que é um terreno de alguma forma mais favorável a André Ventura e ao Chega? E pergunto isto porque, de fato, foi no Alentejo e no Algarve que o Chega teve a sua maior porcentagem de votos nas últimas legislativas.
Sim, André Ventura não se pode queixar de falta de apoio nas ações de campanha que tem tido. Têm sido maioritariamente arruadas. André Ventura, nas campanhas anteriores, tinha privilegiado essencialmente comícios, muitos comícios, à hora de almoço, um à tarde, estar com os apoiantes, evitar até, por vezes, contato com a população, sabendo que por vezes podia ter alguns dissabores, alguns apupos. Isso não está a acontecer nesta campanha. André Ventura até tem privilegiado as arruadas, os pontos de contato na rua. Foi assim em Sines, foi assim em Vendas Novas. Vendas Novas começou numa escola, teve logo de imediato muito apoio de jovens em frente a uma escola secundária. Em Sines andou pelo centro histórico, também não se pode queixar de falta de apoio, apesar de ser uma cidade em que André Ventura apontou para alguma desertificação, e foi apontando para isso, passarem ruas, muitas delas no centro histórico, vazias, sem pessoas, e quis alertar para isso. E ontem no Pinhal Novo, talvez a maior enchente desde o início desta semana, com pouco mais de uma centena de pessoas a ser parado em cafés, em lojas, e a falar com várias pessoas e a receber esse carinho. É certo que, sendo candidato do Chega, e não é estranho a isso, continua a receber naturalmente alguns apupos, algumas pessoas que se afastam e não querem cumprimentar, mas André Ventura já não parece incomodado com isso. E portanto, sim, podemos dizer que está em terreno confortável quando joga a sul.
Muito bem. E então estamos a acompanhar essa campanha de André Ventura, uma campanha de sul para norte. O Miguel Cordeiro está a seguir. No encerramento deste direto à campanha, conto também com o João Gama, o Miguel Viterbo Dias e com a Nadine Soares. Voltamos amanhã.