Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"Direto ao Assunto", uma entrevista conduzida pelo Miguel Videira e pelo Bruno Vieira Amaral.
Está formalizada a segunda candidatura à liderança do PSD Madeira. Manuel António Correia entrou na corrida, concorre contra Miguel Albuquerque, numa reedição das eleições internas de 2014. Manuel António Correia é antigo secretário regional do Ambiente e está conosco neste "Direto ao Assunto". Boa tarde, bem-vindo.
Muito boa tarde, obrigado pelo vosso convite.
O que o faz avançar com a candidatura depois de quase 10 anos afastado da vida pública?
Eu diria os que me fizeram, mais do que o que me faz. Os que me fizeram são os madeirenses em geral e em particular os militantes do meu partido, do PSD, que de forma muito insistente, persistente e tocante por vezes, na rua, no restaurante, nos sítios mais simples, mas também nos mais sofisticados, uns pediam, outros quase exigiam. De tal maneira que a determinada altura, apesar do meu projeto de vida pessoal não passar por aqui, senti-me quase que por obrigação de consciência a corresponder a esses apelos, apresentando-me como uma solução política, evidentemente também passando pelo meu reconhecimento e diagnóstico de que o PSD não vive um bom momento, por razões objetivas. Quer dizer, em política é como as árvores: conta o fruto. E, de facto, neste momento a situação política e eu diria institucional da Madeira, precisa de correção, precisa, no caso do partido, de uma refundação que possa servir também de alicerce e lançamento de uma nova fase política com novos protagonistas, novas políticas, novas atitudes e acima de tudo, que seja capaz de trazer alegria e esperança a este partido e à nossa região. E permita que a curto prazo, em vez de discutirmos tanto política partidária, pessoas, discutamos cada vez mais aquilo que nos distinguiu e que a Madeira com as suas características exige, que é projetos constantes no terreno, atitudes que modifiquem, melhorem a vida das pessoas, reduzam as nossas dificuldades. Nós somos um território ultraperiférico, que vive numa ambivalência muito grande entre uma beleza plástica fenomenal e também dificuldades de acessibilidades externas, uma orografia que tão bonita quanto difícil, que cria dificuldades internamente, quer os aspetos urbanísticos, é difícil de construir, tem muitos impactos, é caro. Os transportes internos são tão difíceis quanto os externos e portanto, eram coisas como essas que devíamos estar a discutir.
Manuel António Correia, deixe-me perguntar-lhe se para essa sua decisão, entre os militantes que o incentivaram a este regresso à política, se conta Alberto João Jardim. Foi uma das pessoas que o incentivaram ou aconselhou-se junto do antigo presidente do Governo Regional da Madeira?
Eu penso que a posição do doutor Alberto João Jardim deve ser perguntada a ele próprio e só ele poderá e deverá responder. Eu trabalhei com o doutor Alberto João Jardim durante muitos anos. Pela minha idade, tenho 59 anos, quando nasci vivia num local recôndito, numa freguesia de um conselho rural da Madeira e conhecia a realidade das pessoas e conheço a realidade da Madeira. E houve aqui uma capacidade transformadora excepcional e que globalmente faz com que o projeto que o PSD teve durante todos estes anos, muito pela mão do doutor Alberto João Jardim, seja um projeto que merece todo o respeito e reconhecimento, mesmo que, como todos os projetos, com um ou outro erro pelo meio. Eu conto com todos os social-democratas e especialmente todos os social-democratas de bem, pessoas bem-intencionadas e que estão voltadas para o futuro, no sentido em que a minha gestão, quer do partido, quer da região, reconhecendo os méritos do passado, quando os houver, e também os erros, quando os houver. Há que ter a humildade de os reconhecer e pedir desculpa quando se justificar. Mas acima de tudo, a gestão será para o futuro, não será feita com o retrovisor, será feita com visão de longo prazo e às vezes até prescindindo do imediato para alcançarmos mais no futuro. Será essa a abordagem.
Ao final da manhã, aquando da formalização da candidatura, disse que há hoje um divórcio entre o PSD e os madeirenses. É o resultado direto das suspeitas de corrupção que recaem sobre o Governo Regional e Miguel Albuquerque ou essa separação, esse afastamento começou antes?
São dois assuntos diferentes. Um é objetivo. Há, de facto, um divórcio que se sente, eu diria quase objetivamente, especialmente quando se anda na rua e se fala com as pessoas e no meu caso, quando se é abordado pelas pessoas Penso que já não há nenhum madeirense ou não madeirense que conheça minimamente a nossa realidade e que não reconheça que há, neste momento, uma separação demasiado grande, eu diria até perigosa, no sentido de que, acreditando que o projeto social-democrata é o melhor para o futuro da Madeira, essa separação é perigosa para o futuro. E, portanto, ela é objetiva, ela existe. E a nossa principal prioridade é aproximar o partido da sociedade. Não se pode esperar que a sociedade se aproxime do partido sem corrigir o partido.
Mas por que esse distanciamento? O que justifica, na sua análise, esse distanciamento?
A minha abordagem é política e eu lembro que todo este processo começou aquando da situação do atual presidente do partido ter afirmado perante a população que só governaria em maioria absoluta e que depois fez algum ajustamento, digamos assim, nesta afirmação. E isso começou a gerar alguma desconfiança.
Em 2014, foi a uma segunda volta com Miguel Albuquerque e perdeu, mas obteve 37% dos votos. Há condições para um desfecho diferente desta vez? Com que meta parte para esta eleição?
Julgo que perdemos momentaneamente o contato com Manuel António Correia, é o segundo candidato às eleições no PSD Madeira, eleições que estão agendadas para meados do próximo mês de março. A candidatura foi hoje formalizada. Vai concorrer contra Miguel Albuquerque numa reedição das eleições internas de 2014. Estamos já a tentar retomar esse contato com Manuel António Correia, que esteve afastado das lides partidárias e da vida pública durante cerca de uma década. Retoma agora precisamente essas lides partidárias para desafiar Miguel Albuquerque numa eleição para a liderança do PSD. Julgo que agora sim, já conseguimos retomar o contato com Manuel António Correia, que há pouco e antes da pergunta do Bruno Vieira Amaral, analisava as razões por detrás do diagnóstico que faz. Há um afastamento entre o eleitorado madeirense e o PSD.
Sim. Peço desculpa, parece que a chamada caiu.
Sim.
Espero que não seja uma consequência da insularidade. Mas voltando ao assunto, eu acho que primeiro há que reconhecer que há, de facto, o divórcio. Isso em política é um valor por si próprio e há que corrigir. Em segundo lugar, falando das causas, é evidente que a questão principal começou aquando das eleições regionais e do não cumprimento de uma palavra dada e uma perda de credibilidade associada a isso. E a partir daí, existiu uma série de situações além dessas, que obviamente não reforçam a credibilidade e a perspicácia institucional que a Madeira precisa.
Claro. As suspeitas de corrupção estão a ter algum impacto no eleitorado? Ainda na rua este é um tema que de facto preocupa os eleitores e que motiva alguma desconfiança em relação ao PSD?
Evidentemente que não ajudam, mas eu não faro a política em cima dessa circunstância.
Claro.
Cada coisa em seu campo, o meu campo é o político e por isso também chamo a atenção que o divórcio e a perda de credibilidade e estabilidade institucional começa antes desses fatos, nomeadamente aquando e após as eleições regionais, que começam a marcar esse processo de divórcio. Mas em política o povo tem sempre razão. Quer dizer, havendo um divórcio, havendo uma distância, a culpa não poderá ser da sociedade, porque não é. A culpa tem que ser identificada em nós, no partido. E obviamente que, para além de apurar as razões, é preciso perceber que há uma altura que os fenômenos se tornam irreversíveis. E eu considero, por mim e em nome de muitas pessoas, nomeadamente aquelas que me estimularam a vir para este processo, que a situação de divórcio entre os atuais dirigentes do PSD Madeira e a nossa sociedade se tornou irreversível. Já não é possível mudar por este ressarcindo. Quem nos trouxe aqui, não nos pode tirar daqui.
Sim. Considera então que terá condições desta vez para vencer Miguel Albuquerque? Em 2014, o senhor foi a uma segunda volta e perdeu. Obteve ainda assim 37% dos votos. Acredita que desta vez há condições para um desfecho diferente?
Não, eu acredito que poderei ajudar os madeirenses a encontrar a esperança que precisam no futuro e poderei liderar um projeto para catalisar a vontade dos madeirenses de reacertar-se com a política, com a estabilidade institucional e com a perspectiva de continuarmos o progresso que genericamente temos verificado até aqui. E, portanto, a questão para mim relevante não é vencer ou não vencer, ter mais uns votos ou não. É criar condições para darmos ao Partido Social Democrata aquilo que é a sua identidade e a sua matriz. Fortemente assente nas bases Num diálogo constante com a população. Os projetos são criados não de uma cúpula ou de um qualquer gabinete para o chão, mas do chão para cima. Nós falamos com o presidente da junta, depois com o presidente da câmara, depois com as associações, se necessário. Consolidamos e identificamos as necessidades, depois fazemos estudos econômicos para ver quanto é que custa, depois vemos se os orçamentos comportam. Esta é a maneira social-democrata de agir. E nem sempre se passava assim. E daí resultou o tal divórcio com a sociedade, que muitas vezes não percebia o porquê de certos caminhos e certas decisões. E nós queremos recuperar a nossa identidade e matriz, que passa por uma base popular, no bom sentido, de identificar os problemas, em primeiro lugar, comungar dos problemas das pessoas para, a seguir, os resolver. E essa matriz perdeu-se. As bases sentem-se isoladas, as bases e a população em geral não se sente identificada com as principais opções. Esta será a síntese principal. Há decisões e há sentimentos de que essas decisões não são aquelas que as pessoas mais queriam e que seriam mais prioritárias em determinados momentos.
E por isso o divórcio que há pouco fazia referência. Sobre o futuro político da Madeira, o que é que prefere? Um novo governo saído do atual quadro parlamentar ou ida para eleições?
Olha, eu não tenho dúvidas, desde há muito tempo, que a Madeira vive uma situação de urgência, de emergência, que não pode ser resolvida com paliativos. Precisamos refundar tudo. O partido, mas também criar estabilidade institucional e essa nasce das eleições. Precisamos e, aliás, é simples de perceber esta minha posição, porque se eu defendo um novo rumo, novas políticas, em democracia, não se pode ter novos rumos e novas políticas com o mesmo Parlamento eleito com os rumos e as políticas anteriores.
Depreende então que, em caso de vitória nas eleições internas, não estaria disponível para assumir a chefia do governo, se fosse convidado pelo Presidente da República a formar governo no PSD?
Não, tenho que ser direto nisso. Eu não aceitaria remendos depois de prometer reformas. Tenho que ser coerente, quero reformas, preciso de ajustar as equipas a esse projeto e preciso de uma legitimidade reforçada que assenta nos projetos que apresentaremos à população e que fará com que ela saiba ao que vá. E primeiro tem que ter esse contrato social, quase. Acho que a base disto é voltarmos ao verdadeiro contrato social entre o partido e a sociedade, para ser sufragado e para a seguir ser executado com a força que os grandes projetos precisam.
Eleições. Manuel António Correia, agradeço-lhe a sua disponibilidade e a sua presença neste "Direto ao Assunto", da Rádio Observador. Manuel António Correia formalizou hoje a candidatura à liderança do PSD Madeira. Concorre contra Miguel Albuquerque.