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Uma equipa de astrónomos canadianos descobriu pela primeira vez um padrão de repetição em sinais de rádio emitidos a partir do espaço. Estes sinais repetem-se a cada 16 dias e as frequências provêm de uma única fonte localizada a 500 milhões de anos-luz da Terra.

500 milhões de anos-luz.

É muita coisa.

É um caminho longe. Connosco temos o José Afonso, investigador do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. É também coordenador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço. Boa tarde, José Afonso, bem-vindo à Rádio Observador no Dia Mundial da Rádio.

Olá, boa tarde.

E que sinais de rádio são estes?

Já há alguns anos que nós conhecemos, do universo, existem eventos que vão largando brilho em comprimentos de onda de radiofrequências, e que obviamente têm suscitado muito interesse por parte dos astrónomos. Qualquer evento que nós descobrimos no universo pode revelar mais um aspecto que é necessário para compreender como é que o universo evolui. No caso destes sinais de rádio rápidos, já são conhecidos vários há alguns anos, mas o problema é que estes sinais aparecem num certo ponto do céu e não voltam a aparecer. E portanto, tornam muito complicado percebermos o que é que estará na origem da emissão desses sinais. Nesta descoberta que foi feita agora recentemente, pelo contrário, descobriu-se que um destes sinais tem um padrão de repetição. E portanto, isto desde logo permite identificar de onde vêm estes sinais. Neste caso, vêm de uma galáxia e vêm de uma região que aparentemente está a formar estrelas dentro dessa galáxia. E portanto, isto permite desde já associar estas explosões de rádio, provavelmente, a um evento que tenha a ver quer com a formação, quer com a morte das estrelas nesta galáxia.

Ou seja, estamos a falar de um padrão de sinais ou de um padrão de ondas de rádio que pode ter origem natural.

Exatamente. Nós começamos, ou as pessoas em geral começam de imediato a pensar em inteligências.

Não são os nossos colegas de rádio extraterrestres.

Não. Não creio. Obviamente, existem explicações possíveis e muito mais prováveis do que qualquer comunicação de uma inteligência extraterrestre. E portanto, aqui, por exemplo, nós temos de facto sinais que durante quatro dias se repetem e depois interrompem durante 12 dias e depois voltam-se a repetir. E portanto, devemos estar a pensar, por exemplo, num objeto muito compacto. Vamos pensar numa estrela de neutrões, que é um produto da morte de uma estrela, mas que pode ser muito brilhante em rádio e pode brilhar na nossa direção à medida que vai rodando. E se essa fonte for rodando em torno de uma outra fonte, até podemos pensar num buraco negro, podemos deixar de ver o brilho da primeira fonte periodicamente. E portanto, existem explicações completamente naturais para este sinal. Agora, de facto, neste momento, não sabemos ainda qual é a origem deste sinal, mas pelo facto de ser repetível, ou podemos observá-lo com esta sequência, podemos virar outros telescópios na mesma direção do céu e tentar analisar ao detalhe qual é a origem desta explosão em radiofrequências. E portanto, isso leva-nos a compreender potencialmente todas as outras explosões de rádio que nós vemos espalhadas pelo céu e essas, aparentemente, não se repetem.

Portanto, o próximo passo é esse, é descobrir a origem exata destes sinais.

É, neste momento já se percebeu que vêm de uma determinada galáxia a 500 milhões de anos-luz e, portanto, a partir de agora será possível utilizar telescópios, por exemplo, no óptico, aqueles que estamos mais habituados a pensar, telescópios espaciais, por exemplo, em raios-X, para perceber o que estará na origem desta emissão.

José Afonso, agradeço-lhe ter estado conosco. É investigador do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. É o coordenador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço. Ajudou-nos aqui a perceber estes sinais de rádio que são emitidos a partir do espaço, já sabemos, de uma galáxia localizada há 500 milhões de anos-luz da Terra. Ficamos a saber que estas frequências têm uma origem natural.

Mas não é nenhuma emissão de rádio amadora por extraterrestres.

José, obrigada.

Obrigado, Zé.

Muito obrigado também.

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