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E o Campeão é na Rádio Observador. É por aqui. Já sabe que todos os dias falamos de desporto, damos notas também aos protagonistas do mundo desportivo, notas de 0 a 20 e para isso juntam-se a mim nesta tarde de quarta-feira, a Mariana Fernandes, o Gabriel Alves, o Augusto Inácio e o Pedro Henriques. Como é que estão, meus caros? Bem-vindos.
Olá, boa tarde.
Eu estou feliz com aquele tango da meia-noite.
Estavas a apoiar a Argentina, Gabriel?
Eu estava doido. A Argentina estava a deliciar com aquele tango.
É isso. Os argentinos é que nos deixam malucos.
Que música, que baile!
Se calhar começamos já por aí, tendo em conta que foi-
O João Miguel Santos aqui no estúdio já começou
... ele está a dançar. Sim.
Ó Mariana, tu não estás a dançar? Não estás a fazer um pezinho de dança de tango?
Não.
Deixamos isso para os jogadores, Mariana.
Tu vais mais pelo samba. Está bem.
Eu com os pés só mesmo a dar toques na bola.
Pronto.
E mesmo assim eu já vi. Estou a brincar.
Dá toques com a bola dançando o tango.
Isso ainda é mais difícil. Só poucos é que conseguem, Gabriel Alves. Começando então por aí, a seleção argentina é claramente das poucas que consegue. Quatro a um, depois daquelas declarações polémicas também de Rafinha.
Olha, por que não te calas?
O Otamendi disse isso. Disse isso ao Rafinha durante o jogo. Mas é para ti a melhor seleção do mundo, neste momento, a Argentina, Gabriel?
Isso é tudo muito aleatório. Mas é uma grande seleção. E atenção, não está lá Messi. Não estamos a falar de Messi. Eu estou a olhar ali para aquele Thiago Almada. Esse Thiago Almada, cuidado.
Um jogador que esteve muito perto de jogar cá em Portugal, foi associado na altura, se não estou em erro, a Benfica, também a Sporting.
Thiago Almada. Bom, Enzo Fernández é mesmo craque. Disso não há dúvidas. Olha, o Otamendi, o tal, o velho. Um velho que anda para aí, é mesmo patrão. Um rapaz chamado Mac Allister. Mas que músculo, que cérebro! E aquele De Paul, que estratega. E o Álvarez, o Aranha, o perfil do 9 moderno. E o Giuliano, o filho daquele que ninguém gosta, o tal Di Paolo.
Di Gennaro, como é que ele se chama?
Exatamente. O perfil daquilo que é o futebolista moderno, que é os duelos em movimento, hoje a alta velocidade. E o Molina, aquele lateral, é asa e que tem lá asas para dizer a um tal rapazito, um tipo chamado Vinícius: "Olha, tenho aqui um bolso para ti". E depois também temos aquele Leandro Paredes, o perfil correto do seis, do trigo. Para não falar do Lionel Scaloni, o tal treinador que foi contratado a prazo. E depois já é campeão do mundo e está a construir uma nova equipa. Acima de tudo, e agora com verdade, aquilo que me parece desta Argentina, e que me parece e que mostrou, é a mobilidade tática desta equipa. Reparem, aquele meio-campo tem uma mobilidade. O Thiago Almada entrou à esquerda, mas fazia serviço à direita. O De Paul entrava entre a esquerda e a direita, sempre em movimento. O Mac Allister é um oito, mas é um box-to-box muito especial, porque está lá no sítio certo e marca um golaço. Meu Deus. Portanto, a mobilidade da equipa para mim, independentemente do brinde que o Romero ofereceu àquele jogador que andou ali pelo Atlético de Madrid, um tal de Cunha, e ele aproveitou bem, fez ele bem. Mas tudo o resto é de facto de uma qualidade enorme. Quanto ao Brasil, só tenho a dizer, é um bando. O Brasil sempre foi um pouco bando, mas era um bando de fulanos de casaco, gravata, laço, smoking. Agora é um bandito. Um bandito cada vez.
Mariana Fernandes, perante as ausências de Messi, também de Lautaro Martínez, que, por exemplo, se notou mais talvez no jogo com o Uruguai, sendo que a Argentina também venceu o Uruguai, era uma dupla jornada complicada para os argentinos. Perante essas ausências de maior peso, Messi à cabeça, que lá está, não se notou quase. Quase que fica a questão: o que é que faria a Argentina com Messi depois de dar 4 x1 ao Brasil?
Há muita qualidade e a verdade é que o Lionel Scaloni tem muita qualidade à sua mercê. Antes de mais, deixa-me dizer que foi divertidíssimo, acima de tudo.
Concordo. Valeu a pena ficar acordado até tarde.
Sim, foi divertidíssimo, mais do que a vitória da Argentina, do que a extraordinária exibição da Argentina, do que a extraordinária exibição de vários jogadores. Foi muito divertido. A verdade é esta. Aquelas picardias, o Paredes a dizer ao Rodrigo que tem um mundial e duas Copas Américas, ele não tem nada, o Otamendi a dizer ao Rafinha que fala demais, a confusão no final, o Rafinha quase é atropelado pelo Martínez. Tem tudo muita graça, a verdade é essa, e não escalando para coisas efetivamente tristes, tem tudo muita graça.
Mariana, deixa-me só pegar aqui uma nota do que estás a dizer. E o árbitro esteve bem.
Sim.
Deixou que essas picardias também.
Maravilha. E não tinha nada autoritário. "Eu é que sei." Não, estava no jogo.
Foi muito divertido. Quanto à Argentina, a Argentina tem jogadores extraordinários. A verdade é essa. O Thiago Almada é um grande jogador. Está no Lyon por empréstimo do Botafogo, é preciso dizer isto.
Mesmo grupo.
Sim, acho que vai ser um dos grandes jogadores dos próximos anos. O Enzo continua a mostrar que joga melhor na seleção do que no Chelsea. Isso parece-me evidente, não só em termos motivacionais, eu acho que ele chega ali, põe aquela camisola e se sente melhor jogador, mas mesmo em termos técnicos, ele tem uma liberdade diferente com o Scaloni, joga muito melhor na Argentina do que Do que joga no Chelsea com o Enzo Maresca. E este é um Brasil que nesta altura está completamente perdido. Não há norte, existem jogadores com muita qualidade, mas não existe propriamente uma linha coletiva de raciocínio. E até tem jogadores que nesta altura estão em bom momento de forma, o Raphinha à cabeça, obviamente, mas o próprio Vinicius, o Rodrygo, vários jogadores que podiam fazer a diferença.
E não é de hoje. E mudou os selecionadores, mas parece-
Não, o problema mantém-se, não existe uma linha de pensamento contínua, é uma equipa que parece que parou um bocadinho no tempo. Vimos equipas do Brasil, seleções do Brasil, que tiveram uma evolução tática, que até podia não se ver no futebol brasileiro, no Brasileirão, mas que como já tinha tantos jogadores a jogar na Europa, existia uma evolução tática e técnica diferente. Isso notava-se obviamente depois na seleção do Brasil e agora parece que travou novamente e retrocedeu. Volta a haver uma anarquia defensiva. Eu acho que o lance do quarto gol é o exemplo paradigmático disso mesmo. A bola passa por toda a grande área do Brasil, ninguém se faz à bola e o Simeone aparece do outro lado sozinho a fazer gol.
Quase em offside.
Sim, é um grande gol, é certo, mas estão quatro jogadores do Brasil dentro da grande área. Eu acho que há um desnorte total, não só na seleção como na Confederação Brasileira de Futebol. Acho que é um problema a resolver. Do lado da Argentina, parece que tudo corre bem até quando o Messi não está.
Augusto Inácio.
Sou rápido. Só uma coisinha, só a propósito do Messi. É 10 segundos. Olha, um dia destes está lá o Nico Paz. Não se esquece. Eu ando a falar nele há muito tempo, Nico Paz.
E tem feito uma época tremenda ao serviço do Como. Augusto Inácio, tu que já treinaste no Brasil também, daquilo que conseguiste aprender por lá, consegues encontrar pontos de contacto para esta anarquia tática e quase ausência de organização, de gestão de um plano para a seleção brasileira?
Boa tarde a todos. Deixa-me falar antes disso, do jogo. Eu gostei do grande ambiente que estava. Eu gostei muito da equipa da Argentina, eu gostei muito dos jogadores da Argentina. Eu adorei aquele árbitro, Andrés Rojas, da Colômbia, que foi um espetáculo dentro de outro espetáculo. Eu pergunto ao Pedro Henriques, se não se importa, se fosse em Portugal aquele jogo com um árbitro português, quantos jogadores eram expulsos?
Pedro Henriques, queres responder?
Já respondo.
Isso é melhor.
Eu diria que este é um árbitro, e agora estou a metê-lo no saco, como dizem os brasileiros, é um árbitro à Pedro Henriques. Deixa andar, siga pra frente. Só marca aquilo que tem que marcar. E as coisas rolaram e foi um jogo muito vivo, muito intenso. Em relação à equipa da Argentina, também dizer que além de jogar um grandíssimo futebol, aquilo que eu mais adorei foi quando eles perdiam a bola, a reação à perda. Eram todos, pareciam uns buldogues. Não deixavam o Brasil respirar. Agora em relação à tua pergunta, é aquilo que o Gabriel Alves disse, é o papilom, é o lacinho, é o capiano, é cada um a ver se brilha mais do que o outro, não há espírito de equipa e não há um conjunto sólido. Enfim, o jogador brasileiro é aburguesado. Eu quando estava, por exemplo, no Brasil, quando eu quis impor algumas regras daquilo que tem a ver com a intensidade do treino, aquilo que é organização quando os jogadores não têm a bola, onde se devem se posicionar. Tudo isto na hora e eles torcem sempre o nariz, ficam com uma cara feia, fazem queixa ao diretor desportivo, porque, por exemplo, num jogo com bola, eu dizia: "Metam caneleiras, que é isso que vocês vão jogar. Vamos fazer um jogo que tenham de usar caneleiras." "Ui, que problema!" São uns aburguesados e por isso têm o que têm.
Vamos ao Pedro Henriques para fechar este tema, para irmos à entrevista de André Vilas-Boas, à JN e também ao Jornal do Jogo. Pedro Henriques, o árbitro acabou por ser também uma estrela, mas pelos melhores motivos.
Sim, repara, nós temos que fazer também um bocadinho o contexto. Esta arbitragem, por exemplo, num Campeonato do Mundo ou num Europeu, embora nos Europeus também se convide sempre um árbitro americano ou sul-americano para vir ao nosso Europeu, assim como nós vamos lá. Mas isso num Campeonato do Mundo, se calhar a prestação não era tão bem vista, mas também o tipo de jogo não era este, ou seja, o tipo de jogo dos jogadores. Portanto, é preciso ver o contexto. Lá também teve uma entrada que ainda vai se queixar ao árbitro que não era pra amarelo. E a dúvida é se era pra amarelo, se era pra vermelho. Isso para dizer o quê? Para dizer que há um contexto, e estou de acordo com o que disse o Augusto Inácio e também o Gabriel Alves nesse sentido, que é: houve aqui um contexto que este árbitro percebe melhor do que ninguém, porque vive naquelas zonas e que se adaptou perfeitamente ao jogo, aos bablados que vinham de fora, aquelas histórias dos Rafinhas. Portanto, o árbitro também sabe esse contexto, sabe que havia ali picardias e portanto, em vez de fazer aquela arbitragem muito típica, que muitas vezes vê-se só os que têm amarelos e vermelhos e muita agressividade, fez exatamente o contrário: deixar jogar. E portanto, acabou por entrar um bocadinho no espírito e acho que foi, na minha perspetiva, também estive a assistir ao jogo, a melhor solução para o jogo. Acaba por passar despercebido e quando digo despercebido, acaba por fazer uma arbitragem efetiva e hoje não se fala da arbitragem. O jogo em si, só dar esta nota, porque acho que já foi dito, mas que acho que é importante sublinhar, é as vontades, é as lideranças, é a vontade e o desejo que uma equipa muitas vezes tem e quando os jogadores, mesmo que sejam estrelas, funcionam em torno de um propósito, um objetivo. E aquilo que passa, que já não é de agora, é que este Brasil, a expressão dita pelo Inácio é...
Ficamos aqui, saiu o Pedro Henriques. Já te ouvimos, Pedro.
Um Brasil muito aburguesado na atitude, na postura e no comportamento perante uma Argentina que queria muito ganhar, seja lá porque o Raphinha mandou aquelas mensagens ou não. E espero que o Romário, que até faz umas entrevistas giras e até gosto de ouvir falar, para a próxima vez também pondere um bocadinho. Não há perguntas boas nem más. Pondere um bocadinho, porque ele também voou na pergunta a que o Raphinha se exaltasse e vamos para a porrada. E deram-se mal e também pagaram por isso. Já sabiam que isso ia acontecer. É só relembrar que o Brasil, há 10 anos ou coisa que valha, que não ganha na Argentina. Portanto, é normal perder. Agora a atitude é que não é nada normal e este Brasil precisa de liderança. Dir-me-ão: "Ah, mas já mudaram de selecionador." O problema não é o selecionador, nós também mudamos. É escolher o perfil de um selecionador daqueles que para aquela malta, tem que ser com uma atitude diferente e alguém que seja um vencedor nato.
História para trás, para poder entrar naquelas competições todas e fazer aquilo que o Mourinho fez quando uma vez chegou e disse que era o nosso fechar o ano. Por quê? Porque ele realmente já tinha tido e os que lá estavam não tinham. Este tipo de equipa precisa disso.
O Brasil não ganha-
E precisa de mais uma coisa: ter o gabinete blindado em interesses. Gabinete blindado em interesses. Blindado!
O Brasil que não ganha na Argentina desde 2009, portanto desde a qualificação para o Mundial de 2010, onde é que isto já vai? Argentina que já está apurada, 31 pontos, em primeiro lugar da fase de qualificação da América do Sul. O Brasil está em quarto com 21, mas é também praticamente garantido que lá estará. Está com seis pontos de vantagem, sendo que agora com este ano ainda por cima com-
Vamos ver o Equador.
É isso. O Equador está em segundo, tem ali, apesar de tudo, três pontos que perdeu devido a uma falha de documentação no Mundial 2022, mas está a fazer uma grande qualificação. Vamos avançar para o próximo tema e vai ser o último, não vamos ter tempo para mais. Vamos olhar muito rapidamente para a entrevista de André Villas-Boas ao jornal "O Jogo" e também ao JN, em que falou não só das finanças, mas também do projeto futuro que tem para o Futebol Clube do Porto. Voltou a relembrar a situação difícil em termos financeiros, diz que havia salários em atraso, diz que havia uma situação de desespero em novembro. Garantiu também que nunca quis magoar o legado de Jorge Nuno Pinto da Costa e sobre o futuro, deixou uma garantia a Mariana Fernandes que Martín Anselmi é o treinador para a próxima época. Como é que sai André Villas-Boas desta entrevista, na tua opinião?
Bem, para já, louvo o facto de André Villas-Boas ter decidido falar e dar uma entrevista, porque os exemplos-
E sem ser ao canal do clube.
Exatamente. Ok, tudo bem. Foi aos meios de comunicação do Norte, acho que faz sentido. Mas pelo menos falou. E Rui Costa quando fala, só fala à BTV, Frederico Varandas quando fala, só fala à Sporting TV, as coisas tornam-se um pouquinho mais fáceis. Portanto, desde já, louvar essa decisão de dar esta grande entrevista, seja o que for, praticamente um ano depois de ser eleito. Depois, percebe-se o porquê então de o Porto ter decidido vender não só o Galeno, mas também o Nico González no inverno pelos valores que vendeu. Em novembro, estamos a falar de novembro, não é abril, quando tomou posse. Em novembro, o Porto tinha salários em atraso no futebol, nas modalidades e em praticamente todos os níveis de funcionários do clube. Estamos a falar de novembro.
Cinco meses.
Nós estamos em março. Portanto, a situação financeira do Futebol Clube do Porto há cinco meses era dramática, como diz André Villas-Boas. E, portanto, percebe-se um bocadinho qual é que foi também depois o mercado de inverno. Tudo o que ele diz a partir daí é um bocadinho previsível. Há aqui a questão de dizer que era impossível Sérgio Conceição ficar no clube, ou seja, diz que a opção nunca esteve sequer em cima da mesa. Diz que foi muito difícil convencer a família de Jorge Nuno Pinto da Costa a realizar aquela homenagem no Dragão, no dia do funeral, que gostaria de ter feito algo diferente, mas de facto não teve nem tempo nem margem para fazer mais. E sobre a próxima temporada, deixa uma garantia, Martín Anselmi é o treinador e isso parece-me bastante absoluto neste momento na cabeça de André Villas-Boas, independentemente do que acontecer até o final da temporada. Diz que vai acionar a cláusula de rescisão do Nehuén Pérez e lembra que Francisco Conceição vai obrigatoriamente voltar. Ele usa esta palavra, portanto, isto é um facto, porque a Juventus não tem opção de compra, mas deixa muito a ideia de que Francisco Conceição é para ficar no plantel e aborda até a questão de estar resolvida a questão de Vítor Bruno, ou seja, haver aquele problema de Vítor Bruno ter substituído o pai de Francisco Conceição, das relações não estarem extraordinárias e de Francisco ter saído também um bocadinho à boleia disso. E André Villas-Boas diz muito perentoriamente esse problema está resolvido, não existe. Vítor Bruno já não é o treinador, portanto, conta com Francisco Conceição para a próxima temporada. Claro que isto vale o que vale, mas eu acho que seria um reforço extraordinário, obviamente, para o Futebol Clube do Porto numa altura em que carece muito de qualidade individual e de alguém com a qualidade de Francisco Conceição.
Muito rapidamente, Agostinho, acho que tem de ser mesmo minuto para cada. Em termos desportivos, com estas novidades, se podemos dizer, Rodrigo Mora para renovar, Anselmi para ficar, Francisco Conceição no regresso, acionar a cláusula de compra também do Nehuén Pérez. O que destacas em termos desportivos da entrevista de Villas-Boas?
Olha, acima de tudo, deixa-me dizer que foi uma entrevista objetiva, clara e tocou nos pontos quase todos. Eu diria que ele também não deixou de dizer que provavelmente também teria que vender mais um ou outro jogador. Mas está atento e já está a trabalhar para a próxima época, de certeza já está a tratar do perfil dos jogadores que o Anselmi pode querer para aquilo que é a sua ideia de jogo. E por isso, acho que o Porto vai estar no mercado e vai fazer algumas contratações de acordo com aquilo que é a sua finança e daquilo que é as ideias do Anselmi. Agora, claramente que o Mora é um ativo muito importante para o clube. O Porto vai querer, de certeza absoluta, renovar contrato com ele, aumentar a cláusula de rescisão para um dia mais tarde, até porque parece que já começa a haver muitos interessados no Mora e o Porto está se a precaver para tirar maior rendimento desse jogador. O resto, eu acho que é uma entrevista agradável de ler e toca nos pontos essenciais e André Villas-Boas não se escondeu do fracasso e daquilo que pode ser o futuro do Porto.
Gabriela Alves, concordas? Foi um André Villas-Boas sem estar escondido nesta entrevista?
É a entrevista de um gestor, de resto, sublinho aquilo que a Mariana e o Augusto já disseram. Portanto, é um gestor a fazer o balanço daquilo que é a sua primeira fase de gestão, projetando o futuro. Depois cabe aos sócios, naturalmente, dizer se é para três mandatos, ou se é para dois, ou se é só para um. Mas isso, os donos do clube, são os sócios.
Pedro Henriques, André Villas-Boas também fala das infraestruturas, diz que há aqui a possibilidade de se construir um pavilhão no centro da cidade do Porto. Ou seja, é também um presidente do Futebol Clube do Porto já a falar muito daquilo que pode deixar no legado futuro do clube.
Exatamente. Eu acho que a melhor e a maior aquisição que o Futebol Clube do Porto fez nos últimos tempos é realmente este presidente, André Villas-Boas. Porque muito pragmático, muito simples, muito direto ao assunto e sobretudo, muito realista. Cento e oitenta milhões de dívidas a credores que ele tem andado a pagar, os salários ornados em atraso e, portanto, é alguém que percebe que primeiro tem de reorganizar e pagar aquilo que são os valores imediatos e ter dinheiro, porque é muito fácil eu fazer uma vida de luxo com o teu dinheiro ou com o teu, ou com o dinheiro de outra pessoa qualquer. Com o meu é que é mais difícil, porque se calhar não ganho para isso. E muitas vezes os clubes o que fazem sistematicamente ou têm feito sistematicamente é sem dinheiro e isso depois reflete-se na verdade desportiva. Ou seja, há equipas que sobem de escalão, há alguns que cumprem e outros que não cumprem, e os que não cumprem muitas vezes tiram partido disso. E portanto, o Futebol Clube do Porto muito pragmático com este presidente, com esta questão também de olhar para o futuro, quer em relação aos jogadores, quer em relação ao futebol, que é o mais importante, e neste caso, o seu treinador. E também um aspeto geral, já tivemos esta questão do futebol feminino, que vai crescer e garantidamente em breve estará na Champions League a disputar com o Benfica, o Sporting, títulos. E esta questão que tu falas também de infraestruturas, porque não é só uma questão de deixar lá a placa com o nome dele, que fui eu que fiz ou que fui eu que edifiquei. É perceber que as infraestruturas, entre outras coisas, além do capital humano, são as coisas mais relevantes e importantes para um clube crescer, seja, neste caso não é futebol especificamente, mas nomeadamente nas modalidades. E um clube também não é softball, embora seja o seu ponto principal. André Villas-Boas muito bem, uma vez mais. E eu acho que o Futebol Clube do Porto, neste momento, os adeptos, sócios, não esquecendo a memória de Pinto da Costa, tudo o que foi conquistado por André Villas-Boas neste momento, é a melhor coisa que pode acontecer no presente e provavelmente no futuro, obviamente, ao Futebol Clube do Porto.
Pedro Henriques, vamos a ti. Vamos saber a tua nota de campeão e também quem é o teu campeão do dia. Zero?
Zero.
Oh, diabo. Quem é que vem aí?
Eu fico preocupado quando de repente olho para uma cerimónia extremamente importante como ontem a tomada de posse, neste caso, do Comitê Olímpico, e vejo que queremos que não, as desconfianças estão sempre armadas. Um presidente da República que tem lá aquele problema das gémeas ou não tem, se calhar não tem. Um primeiro-ministro que, entretanto, também está na cerimónia e tem o problema de uma empresa ou se calhar não tem. Uma Federação Portuguesa de Futebol ligada a Fernando Gomes, que aparentemente ele nada tem a ver com este assunto, aparentemente ou alegadamente, mas que está envolvida numa crítica à PJ, levanta um processo destes, de uma coisa vendida em 2017, onde supostamente foi vendida por 3,9 milhões, mas na realidade terá sido vendida acima dos 11 milhões. E portanto, se juntarmos a isso uma federação que deixou um selecionador que não devia, em termos de prazo, sair ou pelo menos terminar o contrato com o presidente e depois o novo presidente podia assinar ou não a sua continuidade, até porque faria sentido assinar. Deixou a federação com um contrato bastante vinculativo a uma nova marca, que eu acho que não devia ter sido feita, por muito boa que seja a marca, por muito bom que seja o contrato, mas não permite ao novo presidente ele próprio ter ideias em relação a isso. E portanto, são demasiados casos. Se tomarmos aquela questão do Fernando Santos e eventualmente a situação como foi feito o contrato, são demasiadas situações, demasiados casos, quer em relação especificamente à Federação Portuguesa de Futebol, e estamos sempre a falar alegadamente, que é para não virem chatear a cabeça. E segunda questão, além do alegadamente, é olhar para as principais estruturas do nosso país e puxa, não há clean, não há limpeza, há sempre qualquer coisa que tece sobre a cabeça de alguém, pelo menos alegadamente. Isso deixa-me preocupado no ponto de vista da liderança, daquilo que é a liderança de um país, de um governo, de um Estado, de um desporto, uma série de coisas. Estamos mesmo a precisar de um clean, de uma limpeza.
Nota zero, sendo que, por enquanto, dois arguidos, o antigo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, não está envolvido. Foi o que garantiu ontem o diretor nacional da PJ, que falou precisamente aos jornalistas antes da tomada de posse no COP com as buscas na Federação. Era um tema que também queríamos falar por aqui, mas não temos tempo para mais. Mariana Fernandes, vamos a ti. Vamos à tua nota de campeão e quem é o teu campeão também. Ou campeã.
Olha, um 10, porque não sabemos bem o que vai acontecer. Portanto, uma coisa muito neutra e só para deixar a nota. Ontem, antes de sermos todos abalados pela nossa atualidade nacional, a atualidade internacional desportiva foi um pouquinho abalada porque a World Athletics, portanto, o organismo que regula o atletismo internacional, anunciou que vai introduzir testes de ADN obrigatórios no atletismo feminino para validar o género. Ou seja, o que isto vai fazer? A World Athletics já tinha excluído as atletas transgénero de todas as provas femininas. Estes testes de ADN vão também excluir, por exemplo, pugilistas como a Imane Khelif ou atletas, como era o caso da Caster Semenya, da África do Sul, que tenham níveis de testosterona naturalmente elevados, porque assim nasceram, independentemente do género. Mas estes testes de ADN terão, digamos, um nível de testosterona que só admite que o género feminino pode atingir. Portanto, vamos deixar de ter muitas centenas de atletas, com toda a certeza, algumas delas campeãs olímpicas, como é o caso da Imane Khelif. As coisas já estavam muito complicadas ou já estavam muito polarizadas neste assunto. Vão tornar-se ainda mais, principalmente porque a partir disso vai abrir aqui uma celeuma grande entre a World Athletics e o Comitê Olímpico Internacional, que à partida será contra esta medida, mas que nada pode fazer em relação àquilo que o World Athletics faz. Antecâmara, obviamente, não só dos Mundiais de Atletismo no final do ano, mas dos Jogos Olímpicos de 28. Vai ser uma confusão. Acho que vai ser isto.
Augusto Inácio, vamos a ti, quem é o teu campeão do dia e que nota dás? Muito rapidamente.
Pois, vou começar pela nota positiva, 17 para a Argentina. Grande seleção. Se jogar sempre assim, sinceramente acho que é a melhor seleção do mundo, mas isso vamos ver com o tempo. E nota zero também para aquilo que fui eu, fomos todos nós surpreendidos com aquela notícia que está a passar com a venda do imóvel da antiga Federação Portuguesa de Futebol. De tudo o que está a passar, eu não estou a dizer quem são os culpados, mas isto não anuncia nada de bom para o futuro. O que quero dizer com isto que há sempre muita coisa encapotada que depois mais tarde é que se vem a saber.
Uhum. Vamos ao Gabriel Alves. Gabriel, quem é o teu campeão do dia e que nota dás?
Olha, já tivemos aqui três notas, 17 para o tango do Carlos Gardel, portanto, o futebol do país de Carlos Gardel. Quero dar uma nota 16 para a FIFA, portanto, finalmente veio dizer quanto são os valores oficialmente para o Mundial de Clubes, 486 milhões pela participação, 439 distribuídos em função do desempenho desportivo, no máximo de 115 às equipas, e depois 230 milhões, atenção a isto, às restantes equipas em todo o mundo, numa nota de solidariedade. Isto é para agarrar, portanto, todos. Acho que está bem visto. Isto é de 12 de junho a 13 de julho, com 32 clubes. Na Europa, os clubes que mais recebem vão receber de 11 a 35,37 milhões. Provavelmente, portanto, o Real Madrid será aquele que vai receber mais, mas isso já são outras contas.
Gabriel, e a última nota?
Nota de esperança. Que um dia haja, de facto, um ministro do Desporto em Portugal para que, de facto, o manto, não haja manto, haja de facto sol.
Amanhã estamos de volta para mais uma edição de "O Campeão É". Obrigado e um abraço.