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Arranca agora mais uma edição de "E o Vencedor É". Nos próximos minutos falamos de desporto aqui na Rádio Observador e há notas para ficarmos a conhecer no horizonte. Hoje conto com um painel de excelsa qualidade. Vou ter comigo para comentar a atualidade desportiva o Augusto Inácio, o Luís Pinto Coelho, o João Castro e também o Pedro Henriques. Meus caros, sejam todos muito bem-vindos. É um gosto enorme estar aqui a fazer este programa convosco. Vamos começar pelos jogos europeus, sendo que mais daqui a pouco vamos também falar do que é que pode ser o jogo do Sporting com o Vitória Sport Clube, mais logo no Estádio de Alvalade, mas começamos pelas equipas europeias, ou melhor, pelas equipas portuguesas nas provas europeias. O Benfica empatou a um golo com o Hearts, segue em frente. O Sporting Braga empatou a zeros com o Dínamo de Minsk, segue também em frente nas provas europeias. Augusto Inácio, sempre muito bem-vindo. Vou começar por ti, por estes dois jogos, dois empates, mas que sabem, de certa forma, a vitória para as equipas portuguesas, mas mais do que abordar o resultado, que indicadores é que já podemos retirar, quer de Sporting Braga, quer do Benfica?

Boa tarde a todos. Diria que foram jogos diferentes para as duas equipas, devido aos resultados que tinham obtido. O Benfica já tinha ganho por 6 x 1, na Luz, perante o Hearts e agora ia jogar à Escócia e aproveitou esse mesmo jogo, com essa diferença de gols que tinha de avanço, para rodar certos determinados jogadores. Só quatro jogadores que tinham jogado essa partida na Luz é que repetiram a titularidade, todos os outros jogaram pela primeira vez de início. Enfim, foi um Benfica que na primeira parte até teve alguma qualidade. Sudakov tentou pegar na batuta, o Sheldon tentou entrar para a esquerda, o Lemina e o Cabaco na direita. Enfim, é um Benfica com uma ânua central, fez ali experiências, um meio-campo que sinceramente é um grande calcanhar daquilo que o Benfica tem neste momento, juntamente com o Central, mas o que é certo é que o Benfica na segunda parte caiu de rendimento, talvez devido a essa rotina do jogo que esses jogadores menos jogados têm e que não têm ritmo competitivo, que foram abaixo, como se costuma dizer fisicamente, o Benfica ressentiu-se e o Hearts viu-se ali muito perto da baliza do Benfica, a querer marcar gols, até conseguia marcar um que estava em vantagem, mas o Benfica pouco depois, três minutos depois, fez o empate pelo Cabaco. Enfim, diria que o Benfica cumpriu com aquilo que era a suposição no momento do resultado da Luz, mas diria que em termos exibições, o Benfica demonstrou graves lacunas e muita inconsistência, principalmente na segunda parte. O Braga, por sua vez, já tinha uma tarefa difícil. É verdade que jogou na Bulgária, não jogou na Bielorrússia, mas mesmo assim, um a zero em Braga, com o resultado muito apertado, conseguiu o empate. Zero a zero, conseguiu passar à fase seguinte. Foi bom para o Braga, foi bom para o futebol português, mas o Braga, tal e qual como o ano passado, também anda à procura do seu melhor no início da época e pelo caminho vai deixando pontos, como empatou agora no Moreirense no início do campeonato, as coisas um pouquinho apertadas com o Dínamo de Minsk que está perfeitamente ao alcance do Braga e que o Braga sentiu enormes dificuldades. É um Braga que anda à procura também do seu timing, do seu melhor, que ainda não o encontrou, mas estamos num princípio de época e isso é natural.

Luís Pinto Coelho, podemos falar num Benfica e num Sporting Braga que cumpriram ou também apontas essas lacunas que falava o Augusto Inácio?

Sim, eu acho que os dois jogos foram dois jogos pobres e acho que os dois jogos mostram que as duas equipas têm que ir rapidamente ao mercado para colmatar carências. O Braga continua a ser uma equipa que tem muita posse, circula muito bem a bola, mas depois é pouco incisiva no último terço. Precisa claramente de um ponta de lança de outro nível, porque o Paul Victor é um grande jogador, mas não é um matador. É um jogador muito móvel, com muita qualidade técnica e o Braga precisa de acrescentar qualidade no último terço e o Benfica precisa do Palhinha e depois precisa de um central, porque parece-me que a equipa defende bastante mal, dá muito espaço, contra equipas um pouco mais perigosas vai sofrer muito. O que interessou foi a passagem das duas equipas, mas há muito a melhorar, porque foram duas exibições bastante pobres.

João Castro, o que é que identificas como aspetos a melhorar, quer no Benfica, quer no Sporting Braga?

Olha, boa tarde a todos. Foram dois jogos cinzentos, assim como está o tempo hoje na cidade do Porto, acho que foram jogos assim muito cinzentos.

Ferruscos, como dizia há pouco o João Miguel Santos.

Exatamente, foi assim ferrusco, mas deu para passar. Mas a verdade é que o Portugal também perdeu pontos no ranking, não é? Podia ter conquistado as vitórias, estavam ao alcance e acaba por não somar esses pontos que podem ser importantes. Mas em relação ao Benfica, acho que está na questão do central. Acho que é primeiramente a questão central do Benfica. O Cabaco, apesar do gol, acho que é um jogador que não está a mostrar muito andamento para o que o Marco Silva quer e acho que o Benfica tem que pensar realmente também noutro extremo. Pese embora, obviamente, para este ano nota-se que está muito bem e o Sheldon pode vir a subir se ficar no Benfica, mas acho que o Benfica se calhar vai precisar de outro. No Braga, tem o João Reis, o ponta lança. Está a jogar o Paul Victor, mas vamos ver quando joga. Mas o Braga falta-lhe os últimos 30 metros e com a saída do Salazar nota-se mais. E, portanto, acho que falta ali realmente criatividade e qualidade também agora no último terço, sobretudo nos últimos 30 metros, porque isto não é futebol sem balizas. Se fosse, o Braga era campeão. E, portanto, é preciso ali maior acutilância no espaço criativo e na fase de criação. Vamos ver se realmente o treinador consegue pôr a funcionar ou ir buscar alguém que ajude também esse processo.

Pedro Henriques, quero também ouvir-te sobre este tema. Bom dia.

Sim, o Marco Silva, relembrar que mudou sete titulares e jogou com o resultado, mesmo que não quisessem mentalmente, de 6x1, e isso iria condicionar tudo o que era o jogo. E depois relembrar que o Benfica teve 101% de posse de bola. Na minha rua tinha marcado mais dois gols, porque teve 11 cantos contra zero e na minha rua, a cada cinco cantos é um gol. E depois tem 20 remates contra apenas cinco. Dos jogadores, acho que o Sudakov, com as oportunidades que está a ter, está a revelar-se o tal criativo e ontem teve, sobretudo na primeira parte, um grande jogo. O Zé Netu que foi melhorando, no meu ponto de vista, ao longo do jogo e fez a assistência para o gol. O Prestián está num grande momento de forma e o Lukebakio, que até inclusivamente disse no final que está lá pra ajudar e que vai ficar no Benfica, não se fez rogar e acabou por marcar um gol. Tudo está certo quando as coisas acontecem assim. Agora, também acho que fica sempre aquela sensação de que o Benfica, mesmo que em serviços mínimos, deveria ter ganho o jogo. Nem fosse só pela questão dos pontos, mas também pela aquela questão que é a imponência da vitória. E queiramos que não, são dois empates seguidos que o Benfica tem e isso não é bom em termos emocionais e para a parte dos adeptos. O Braga sofreu um bocadinho, acabou por valer-se, mas os jogos também são em duas eliminatórias. Agarrou-se muito à primeira eliminatória. Foi um empate com muito suor. O Ricardo Horta, para mim, o melhor jogador em campo e ainda mandou uma bola ao ferro. E depois o Braga que acaba com quatro centrais em jogo para segurar claramente aquilo que era o resultado da primeira mão. Acabou por também em serviços mínimos, mas com um jogo de grau de dificuldade maior, acabou por fazer aquilo que era o mais relevante e importante, tanto para Benfica como para Braga, ambas equipes, que foi passar à derradeira fase para entrar na fase de grupos.

Seguem em frente, Benfica e Sporting Braga nas competições europeias. Hoje começa a segunda jornada da Liga Portuguesa, a primeira liga portuguesa é no Estádio de Alvalade, às 20h15. O Sporting recebe o Vitória. O Sporting que vem de um empate, o Vitória vem de uma derrota na jornada inaugural. Augusto Inácio, para os Leões só a vitória interessa, sobretudo depois desse empate na primeira jornada. A questão é que tipo de resposta é que podemos esperar dos Leões e com ou sem Suárez no 11?

Pois, aí está, tocaste no ponto. O Vitória vem de uma derrota com o Arouca em casa, que é traumatizante, como se sabe. O Sporting depois de estar a ganhar 2x0 a Amadora, deixou-se empatar 2x2. E aquilo que consideraram que foi um frango do Rui Silva, do 2x2, esquecemos de dizer que o Rui Silva foi aquele que salvou o Sporting de não sofrer o terceiro gol, e isso nunca foi enaltecido. Mas diria que são duas equipes que andam à procura de uma vitória para os motivar, moralizar e pôr alguma acalmia naquilo que é o nervosismo e a ansiedade que já está instalada nos dois clubes. Diria que há esse problema, quer queiram, quer não, podem disfarçar o que quiserem, há o problema Luís Suárez. Esse problema é bem evidente e não são os jornalistas que inventam essas histórias, foram ditas lá por dentro, quem está lá dentro e pôs a informação cá fora, por isso alguém ali anda a dizer coisas cá para fora que não devia dizer. Mas diria que o Sporting hoje, se não ganhar, tem aqui um problema muito grande, porque Rui Borges está um bocado fragilizado. Luís Suárez parece que o mundo de um momento pro outro ficou à volta dele, ele pensa que é na redoma do mundo. Diria que o Suárez hoje não vai jogar, é a minha sensação. Vai jogar o Giannis, que jogou muito bem no jogo contra o Estrela da Amadora. Suárez não está em forma e como não está em forma, não é como o Roberto Martínez. Não estás em forma, mas és complicado e jogas. Aqui no Sporting, não estás em forma, joga o outro, que é o Giannis, que está a suportar bem. Por isso vai ser um jogo de sensações estranhas. Se o Sporting ganhar, pode acalmar um bocadinho. Se o Sporting não ganhar e só que empate, se calhar, provavelmente vai surgir outras coisas de lá dentro, que alguém tem vontade de dizer as coisas que se passam lá dentro.

João Castro, que Sporting é que prevês para mais logo frente ao Vitória? Acredito que seja aquele Sporting que jogou durante 70 minutos com o Estrela da Amadora.

Sim, eu desejo que seja esse Sporting e não depois os últimos 30 minutos.

Mas há o risco de esses 30 minutos aparecerem?

Eu acho que sim, há sempre o risco desses minutos aparecerem. Se meter jogadores que não estão em forma a jogar, em vez de outros que estão em forma, se deres sinais lá pra dentro que é só pra segurar o jogo, as coisas podem complicar. O Vitória também tem bons jogadores e está numa situação, uma derrota inesperada em casa com o Arouca. Duas derrotas em Guimarães têm um peso enorme, começa a pesar ali um bocadinho. E para o Sporting é a mesma coisa. Eu acho que hoje não chega só a vitória, por acaso. A vitória é fundamental, mas eu acho que o Sporting, mais do que a vitória, vai ter que conseguir uma boa exibição para apagar alguns pequenos incêndios que estão se a verificar. Também acho que vai jogar o Giannis desde o início. Não sei como é que eles treinaram, obviamente, isso depende disso. A questão depois nem é quem é que joga no início, é quais são as opções que o Rui Borges utiliza no decorrer do jogo, que eu acho que isso é que pode ser determinante. Não há jogos ganhos aos 60 minutos quando está 2x0. E acho que essa é a lição que o Rui Borges tem que aprender. Vamos ver. Eu espero um Sporting que entre muito forte mesmo, reação à perda, pressão, que tente abafar logo o Vitória, marcando cedo e tentando facilitar as coisas pro seu lado, para retirar, obviamente, essa pressão que vai haver perante o resultado, o empate. E não foi só por o empate, é a maneira como empatas, porque se fosse ao contrário, imagina o Sporting perder 2x0 e conseguir empatar 2x2, é totalmente diferente. Só aqui uma nota, a estreia também do Lions Corner. Há

Uma bancada VIP na Supra Sul, onde já vai ter um painel eletrónico, já se consegue ver ao longe o resultado, o tempo, etc. Fica também aqui essa nota dessa mudança estrutural no estádio.

Meus caros, temos de acelerar e muito. Pedro Henriques, vou pedir-te 30 segundos para perceber o que achas que vai ser este jogo e as escolhas para a tua aposta para o 11 do Sporting.

Sim, na minha aposta só muda um jogador. Eu acho que só vai acontecer isso. Vai jogar o Ruy Silva, vai Giannis, Quaresma, Gonçalo Inácio, entra o Max Araújo, esta é a mudança, depois Altamira, Doumbia, Génesis, Zalazar, Flávio Gonçalves e Oun edges. Não há grandes dúvidas. A única questão, e termino com isto rapidamente, é rasgarem o papel que o Rui Borges neste momento já tem com as substituições e com os tempos. Se conseguirem fazer desaparecer esse papel, pode ser que corra bem. O homem vai já com as substituições feitas, ainda não aconteceu o jogo, depois faz aquilo que fez, tirou o Flávio Gonçalves, que era só o melhor jogador em campo. Rasguem lá o papel que assim o Sporting é capaz de ganhar.

Luís Pinto Coelho, amanhã é dia de Futebol Clube do Porto, teremos tempo para analisar esse encontro. Para já, quero conhecer as tuas notas e os teus campeões do dia de hoje num minuto, por favor.

Até menos do que isso, não preciso de um minuto. Vou dar aqui um 17 ao Vítor Bruno, que conseguiu o apuramento com o Anderlecht, que eu acho que é um bom clube para ele relançar a carreira e gostava muito que ele tivesse sucesso. Foi uma passagem difícil no Porto, num contexto complicado, mas gostava que ele relançasse a carreira e tivesse sucesso no Anderlecht.

Augusto Inácio, vamos conhecer as tuas notas e os teus campeões, por favor.

O Luís Pinto Coelho tirou o destaque. Para mim também é Vítor Bruno, dou nota 16. Nos cinco jogos oficiais, tem quatro vitórias e um empate. Ontem ganha o APOEL 3 x 2 em casa, depois tem ganho na Grécia 1 x 0. Está bem lançado e eu também gostaria que o Vítor Bruno tivesse sucesso num clube difícil, com poucas soluções, que eu sei que tem poucas soluções naquele plantel, mas para já as coisas estão a correr bem. Nota 16 para Vítor Bruno e nota 14 também para o Benfica e para o Braga, que queramos, quer não passaram à fase seguinte e por isso merecem este destaque. Deixa-me só dizer que sem nota, sentido as condolências à família do ex-presidente do Vitória de Guimarães, Emílio Macedo, que faleceu ontem, aos seus amigos e ao Vitória e à família de Emílio Macedo os bons sentimentos.

João Castro, vamos então ficar a conhecer as tuas notas e os teus campeões. 40 segundos, por favor.

Nota 14 para o Benfica e para o Braga por terem cumprido e não é mais porque não venceram, obviamente, o jogo. E aqui hoje é uma nota de antecipação para o Rui Borges. Espero que tenha o 16, se correr mal, vai ter um oito. Portanto, muita atenção, porque é fundamental vencer os jogos todos até à paragem das eleições.

E fechamos com as notas do Pedro Henriques.

Porque era a minha nota, nota 15 para Braga e para o Benfica, porque mesmo em serviços mínimos, vamos dizer assim, cumpriram o mais relevante e importante que é chegar à fase derradeira, os playoffs, para acesso às Ligas Europa, Liga Conferência e portanto, mesmo com empates, cumpriram. Nota 15.

E é com estas notas que encerramos a edição de hoje de "E o Campeão É", com a análise do Pedro Henriques, do Luís Pinto Coelho, do João Castro e também do Augusto Inácio. A todos, um grande abraço. Até uma próxima.