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Perante o silêncio e num ambiente de pressão e críticas, o presidente da República e o primeiro-ministro devem ser hoje confrontados com as manifestações pela habitação e as intervenções da PSP, tanto em Lisboa como no Porto.

Os dois voltam hoje a ter agenda pública. Começamos com o presidente da República, que ainda não se pronunciou publicamente desde que começaram os protestos pela habitação. António José Seguro tem sido pressionado da esquerda à direita a reagir. Também os manifestantes e alguns apoiantes do presidente pedem para que intervenha. Seguro tem agenda esta manhã em Lisboa, novamente ao fim da tarde, deverando assim, eventualmente, falar pela primeira vez sobre este tema.

Carla, ontem à noite, um grupo de manifestantes juntou-se em frente à casa do presidente da República, nas Caldas da Rainha, em protesto contra a inação de António José Seguro.

Foi por volta das 10:00 p.m., segundo conta o Jornal das Caldas, este grupo era composto por cerca de 30 pessoas, fazem parte do Coro Social do Bairro, um grupo de cantares em português das Caldas da Rainha, e pediram, através de um coro, a intervenção do presidente da República.

Mostra a cara, mostra a cara, abre a boca, senhor presidente, quebra esse silêncio que nos cobra, que nos cobra.

"Mostra a cara" é o que se ouve este grupo de cantares pedir ao presidente da República. De acordo com o Jornal das Caldas, não houve qualquer intervenção da polícia. O grupo acabou por abandonar o local.

Quanto ao primeiro-ministro, deve falar sobre as manifestações esta tarde no Parlamento.

No arranque do debate da generalidade sobre a proposta do orçamento do Estado para 2027, Luís Montenegro está há 11 dias sem fazer qualquer intervenção pública sobre os protestos pela habitação. Pode quebrar o silêncio esta tarde, num debate onde deverá ser confrontado pela oposição sobre as manifestações e também sobre o aumento do custo de vida.

E enquanto estiver a decorrer este debate, os manifestantes pela habitação vão concentrar-se precisamente à porta do Parlamento para mais um protesto.

Os manifestantes adiantam que vão montar algumas tendas junto ao Parlamento, de forma simbólica, para alertar para a crise na habitação. Ao que apurou o Observador, não há certezas sobre se vão pernoitar junto à Assembleia, como tem acontecido no Rossio. Hão de decidir depois da manifestação. Também hoje vão a tribunal os 55 manifestantes detidos há uma semana no Rossio. Vão ficar a saber que rumo será dado ao processo pelo Ministério Público.

E seguimos agora até Israel. Realizam-se hoje as primeiras eleições legislativas depois do atentado do Hamas, de 7 de outubro de 2023. As sondagens dizem que está tudo muito renhido.

Os estudos de opinião apontam para um empate técnico entre o atual chefe do governo, Benjamin Netanyahu, e o principal opositor, o general na reserva, Gadi Eizenkot. O Knesset, o Parlamento israelita, tem 120 lugares, o que significa que é necessário eleger 61 para se garantir a maioria e a estabilidade governativa. O João Porfírio, um dos enviados especiais do Observador a Israel, está agora em Jerusalém e em direto neste jornal. João, bom dia. E é neste complicado xadrez político, que papel podem ter os ultraortodoxos?

Sim, é verdade. Os ultraortodoxos têm um papel fundamental nestas eleições, mas é importante tentarmos perceber quem é esta comunidade ultraortodoxa. Basicamente, são uma comunidade de 70 mil pessoas que vivem maioritariamente em Jerusalém, espalhados por todo o mundo, mas grande parte deles, grande parte da comunidade, vive em Jerusalém e em termos visuais, a imagem é inconfundível. Os homens e os rapazes têm patilhas compridas e encaracoladas, andam sempre de fato escuro e chapéu cartola, dos tipo cartola, e as raparigas vestem vestidos muito sóbrios que cobrem os joelhos até aos pés, os cotovelos e até o pescoço. Têm que ter camisas apertadas até o último botão. E a vida destas pessoas é regida por regras muito estritas. Por exemplo, é proibido ver televisão durante o Shabbat. O Shabbat é um período de oração de mais ou menos 25 horas, que dura entre o pôr do sol de sexta-feira e até o pôr do sol de sábado. E durante esse Shabbat, este período de oração, estas pessoas não podem conduzir, não podem cozinhar, não podem usar eletricidade, nem qualquer tipo de tecnologia. Só pra termos noção, não podem usar telefones nem mesmo elevadores nos seus prédios ou nos sítios onde estas pessoas podem frequentar durante este período de Shabbat. E os casamentos são arranjados a partir dos 17 anos de todas estas pessoas, através de um intermediário que apresenta os rapazes às raparigas e vice-versa. Depois destes encontros, a decisão é tomada e os pais tratam da cerimônia e de todo o casamento. Depois, os homens dedicam-se exclusivamente ao estudo religioso da Torá, enquanto as mulheres trabalham fora de casa para sustentar a família. Estas famílias são extremamente numerosas. Nós falamos com várias pessoas ex-ultraortodoxas que nos contam que há famílias com 18, 19, 20 filhos. Portanto, estas famílias são muito numerosas. E por que esta comunidade de 70 mil pessoas é tão importante para estas eleições? Porque suportam, sem qualquer dúvida, Benjamin Netanyahu. Por quê? Os dois principais partidos ultraortodoxos suportam o governo de Netanyahu desde o início e se esta coligação destes dois partidos ultraortodoxos desistir do apoio a Benjamin Netanyahu, é praticamente impossível que Netanyahu se mantenha no governo. Como foi até agora o governo Netanyahu, se algum destes partidos tivesse desistido de apoiar o governo, Netanyahu cairia de imediato, porque deixaria de ter a maioria no Parlamento. Mas é importante também explicar que esta comunidade está isenta do serviço militar e é aqui o grande ponto fulcral na sociedade israelita. A sociedade israelita que os apelida, a esta comunidade ultraortodoxa, como parasitas da sociedade, exatamente por isso, porque não têm a obrigatoriedade de fazer o serviço militar obrigatório, que é, passe a redundância, obrigatório para todas as pessoas, homens e mulheres, a partir dos 18 anos, e por estarem isentos desta obrigatoriedade de ir ao serviço militar, cria aqui uma grande discórdia entre a sociedade israelita, o que faz com que muitas destas pessoas, os israelitas, tenham um grande ódio e uma grande repulsa a esta comunidade Apesar de tudo, tem uma grande tradição de ir a voto e que votam de maneira muito particular, nos partidos ultradortodoxos e também em Benjamin Netanyahu. E se Netanyahu obrigar estas pessoas a terem o serviço militar obrigatório, é anunciado por estes partidos que deixam de apoiar Netanyahu. Portanto, Netanyahu não pode permitir-se perder este apoio. Há aqui uma grande divisão entre a sociedade israelita e esta comunidade, que é tão importante para Benjamin Netanyahu, e que Yair Lapid já veio dizer que vai fazer com que esta comunidade tenha os mesmos direitos, mas obviamente os mesmos deveres que toda a sociedade israelita.

E por isso os ultraortodoxos entraram também nesta campanha. João Porfírio, em direto de Jerusalém, um dos jornalistas do Observador que acompanhou esta campanha e vai estar ao longo do dia a registar estas eleições. Na próxima hora vamos ficar a conhecer melhor quem são os principais candidatos, Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot.

A Rádio Observador vai ter também uma emissão especial na rádio, no YouTube e em vídeo para acompanhar depois das 10 da noite. 8:09, já a seguir Momentos de Glória. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque?

O presidente dos Estados Unidos alega que as presidenciais no Brasil foram fraudulentas, mas não apresenta qualquer prova ou indício de irregularidade. Em declarações aos jornalistas, Donald Trump diz que achou estranho o prolongamento do horário de voto. Kiev voltou a ser alvo de ataques russos durante a madrugada. Um bombardeamento com mísseis balísticos fez um morto e pelo menos 15 feridos. Foram atingidas uma universidade, duas unidades de saúde e uma ponte sobre o rio Dnipro. Domingos Duarte Lima, advogado, ex-deputado e antigo líder do grupo parlamentar do PSD, está no centro do novo podcast Plus do Observador.

O segundo episódio estreou, já pode ouvir no site e nas plataformas de podcast. Vamos ouvir um excerto.

Rosalina passa a trabalhar como secretária do Lúcio Feteira e é apresentada a chefes de Estado e grandes banqueiros. Não fala inglês, mas começa a acompanhar o Lúcio nas deslocações ao estrangeiro, para as quais Adelaide não tem paciência nem saúde. É nessa altura que iniciam uma relação que parte da família do Lúcio, sobretudo a filha Olímpia, fruto de um outro caso extraconjugal, não aceita. Tratam-se sempre por senhor Feteira e por dona Lina, mesmo quando já vivem juntos. Ao longo de 30 anos de relação, Rosalina começa a dominar todos os segredos e papéis dos negócios de Feteira.

É um excerto do segundo episódio de "As Sombras de Duarte Lima", que já está disponível.

É uma série narrada pelo ator João Reis, que estávamos a ouvir com música original do pianista Filipe Raposo. A investigação e os guiões são do jornalista do Observador, o Carlos Diogo Santos.