Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E o campeão é. Estamos hoje numa edição especial, versão alargada. Vamos contar com duas partes neste programa. Vamos falar do derby, claro. Rui Borges falou há minutos, José Mourinho vai falar daqui a pouco. É um tema para a segunda parte. Agora, nestes primeiros minutos do programa de hoje, vamos falar do sub-17. Passa hoje uma semana que a seleção nacional de sub-17 conquistou o Mundial de Futebol no Qatar. Por isso mesmo, à nossa equipa, à Mariana Fernandes, ao Pedro Henriques e ao Augusto Inácio e a mim, Miguel Cordeiro, junta-se Bino Martins, o selecionador nacional de sub-17. Bino, muito boa tarde. Bem-vindo.

Boa tarde. Obrigado pelo convite.

Vamos fazer aqui uma série de perguntas. Temos muitas curiosidades para serem respondidas, mas eu vou dar o palco todo ao Augusto Inácio, que conhece bem Bino Martins, trabalharam juntos. Augusto, a primeira pergunta é para ti.

Bom dia a todos, um abraço especial ao Bino e dar os parabéns por este trajeto que tem tido, campeão da Europa, campeão do mundo. É um trabalho fantástico e que deve ser enaltecido por isso mesmo. A pergunta que eu tenho para o Bino é: o Bino acho que começou a carreira no Futebol Clube do Porto no sub-17. Depois, acho que foi para o Vitória B, Vitória Sport Clube B. Teve uns jogos como treinador interino na equipa principal do Vitória. Depois treinou na Oleiria e voltou para as camadas jovens ao serviço da seleção nacional no sub-16, sub-20, sub-17 e também treinou sub-18 e no sub-17 foi as conquistas que toda a gente sabe. A pergunta que eu quero fazer ao Bino é que treinando camadas jovens, treinando profissionais, voltando às camadas jovens, se ele está a pensar ou se tem essa ambição de treinar equipas profissionais, porque acho que é o desejo de qualquer treinador, mas essa é a pergunta que eu quero fazer ao Bino.

Olá, primeiro um abraço, Augusto. Foram muitos anos também a trabalharmos juntos. Depois, sim, é uma ambição natural, embora eu já comece a perceber que me começam a apelidar também de treinador da formação, porque tive agora estes sucessos, mas na minha cabeça isso não faz grande sentido. Eu gosto muito de achar que sou treinador de futebol e quando nós somos treinadores de futebol, temos que estar abertos a todas as possibilidades. Foi um desafio representar as seleções, até porque vir de treinar todos os dias e começar só a treinar algumas temporadas durante um mês, isto cria-nos num primeiro momento alguma estranheza. Depois, entretanto, nós vamos adaptando e vamos assimilando aquilo que temos que assimilar e agora sinto-me plenamente confortável também nestas funções de selecionador nacional. Mas sou ambicioso e estou aberto a tudo que me possa surgir, como sempre estive. Não foi uma escolha eu optar pelo futebol de formação ou pelo futebol sênior. As coisas quando surgiram, eu fui aproveitando as oportunidades que fui tendo. Eu nunca tive empresário, daí também alguma dificuldade muitas das vezes, e quem anda no futebol sabe que são essenciais nesta altura, e por isso, sendo eu a ter tratado das minhas coisas, e eu gostando muito de estar no meu canto, não fui tendo às tantas algumas oportunidades que poderia ter tido se fosse de outra forma. Por isso, o que foi surgindo, eu fui aproveitando, fui dando o máximo daquilo que sei e posso. Continuo a crescer como treinador, continuo a evoluir, porque isso para mim é que faz grande sentido. O futebol está em constante mudança também e por isso o que vier, eu estarei atento para depois poder tomar uma decisão, independentemente que seja seleção ou clube.

Mas, Bino, deixou aqui uma expressão que foi: começou a ser apelidado como treinador da formação. Eu gostaria de perceber se isso para si é um problema, se há um apelido que tem sido utilizado que não gosta.

Não é problema nenhum. Eu não gosto muito de rótulos, mas isso é uma coisa que nós, treinadores, vivemos daquilo que nos vai aparecendo e vamos tomando as nossas decisões. Porque eu também acho que gestão de carreira é interessante sempre de poder fazer, sempre que isso seja possível. E eu disse isso porque começo a ver algumas notícias sobre o mesmo, até porque eu no futebol profissional tive uma ligação curta, mas também não queria muito falar sobre isso agora, mas um dia mais tarde falarei também dessa minha passagem pelo Vitória e o porquê de ter acontecido e o porquê também de eu ter ingressado agora nas seleções e também posso adiantar por algum desencanto que fui tendo nesse período. E quando surgiu a oportunidade de representar a nossa seleção, até porque me pareceu algo muito mais estável, eu aceitei com todo o gosto e felizmente que o fiz.

E é uma estabilidade que pretende continuar durante os próximos anos, a curto prazo? O que se vê a fazer nos próximos tempos? Sabemos que essas ligações à seleção podem ser muito prolongadas ou podem ser também muito curtas. No caso do Bino, já leva alguns anos. A sua intenção é continuar a curto prazo agora com a seleção?

Olha, primeiro, eu quando falo em estabilidade, não falo em estabilidade de ter um lugar para treinar com frequência. Não, eu quando falo em estabilidade é por sentir que nós nos clubes, quando perdemos dois, três jogos, temos logo o nosso lugar em risco. E eu sabendo que representar a seleção, pelo menos um ano eu teria. Depois, eventualmente, as coisas se não corressem bem, que como todos os treinadores, nós estamos sujeitos ao que possa surgir. Mas quando falo de estabilidade é por isso mesmo, teria alguma estabilidade que eu fui sentindo e que cada vez mais no futebol profissional isso é difícil e os resultados contam muito mais do que a qualidade que qualquer treinador possa ter. Mas sim, vejo-me a representar a seleção, a continuar, desde que haja esse interesse também das pessoas. Por isso é que eu disse. O que me surgir, eu vou analisar, vou tentar perceber o que é melhor para mim e depois tomarei uma decisão.

Sim. Mariana Fernandes, questões também para o Mister Bino Martins?

Sim. Bino, boa tarde, antes de mais. Queria perguntar, falou-se muito ao longo desta última semana sobre esta questão de gerir egos ou de tentar gerir as expectativas ou euforia destes jogadores que ainda são muito jovens e de repente são campeões da Europa e campeões do mundo. A verdade é que o Bino é o único que já teve efetivamente de o fazer, porque teve de receber estes jovens como campeões europeus e prepará-los para um campeonato do mundo, neste caso, com sucesso. Como é que isto se faz? Ou seja, claro que não existe uma fórmula mágica, mas como é que se olha para miúdos de 17, 18 anos e se diz: “É certo, conquistaram isto, mas ainda há muito mais e é preciso trabalhar para continuar a ganhar.”

Eu creio que também é uma das minhas funções enquanto selecionador nacional e no espaço quando eles estão comigo, é alertar-lhes para essas situações, porque é verdade que esta geração tem sido uma geração de sucesso, mas o futebol não para e há sempre trabalho pela frente. Aquilo que diziam no início, isto já passou uma semana, eventualmente a partir de agora começa-se a pensar noutras coisas. Já há um dérbi para se falar também. E os jogadores é um pouquinho isso também, é continuarem a trabalhar, é regressar aos clubes e dar o máximo. Eu acho que eles aumentam a responsabilidade por tudo o que têm conseguido conquistar e quando falo de responsabilidade, é uma responsabilidade de boa, da qualidade que eles foram demonstrando, do que foram fazendo, dessa maturidade que foram apresentando e tem que haver continuidade nos seus clubes para que possam continuar a jogar com frequência, porque isso para mim é que é fundamental para um jovem poder crescer, tem que jogar com muita regularidade, para passar por adversidades, para poder saber resolver os problemas e ir crescendo. Eventualmente, se puderem subir patamares também nos seus clubes, enquanto escalão, isso para mim também é fundamental, porque é na superação que nós conseguimos evoluir e nesse sentido lhes fará muito bem eles poderem jogar em escalões mais acima. Desde que esse contexto seja adequado para eles e que eles possam dar essas respostas, porque isso também acaba por ser importante. Depois, não tenho a certeza absoluta que todos os clubes dos jogadores que estavam representados nesta seleção vão ter isso em conta, porque são ativos do clube. Nós sabemos que em Portugal os clubes são vendedores e por isso acho que vão querer aproveitar a qualidade e o potencial destes jogadores para poderem também tirar partido daí, quer jogando nas suas equipas A, quer posteriormente, e acredito que possa haver um ou outro jogador, que seja vendido até precocemente, como tem acontecido ao longo dos últimos anos.

Olhando para este Campeonato do Mundo em específico, o que é que lhes disse depois daquela derrota contra o Japão? Porque a verdade é que vinham de resultados positivos, vinham, lá está, como campeões da Europa e de repente há um bocadinho aquele travão ou aquele tropeção na fase de grupos e aquela derrota contra o Japão. Como é que afetou o balneário, ou se afetou o balneário, a verdade é essa, e o que é que lhes disse? Como é que tentou motivá-los ou prepará-los para aquilo que ainda faltava, obviamente, competir?

Afetou infelizmente ou felizmente, porque é um processo de crescimento e eu não estava à espera que a equipa sentisse tanto essa derrota, até porque nós já estávamos apurados para a fase a eliminar e aí só estaria mesmo em jogo nós podermos ficar em primeiro lugar do grupo ou não. Só que nós tínhamos três, quatro semanas antes, também perdido contra o Japão num torneio em Limoges e acho que essas duas derrotas pesaram na cabeça dos nossos jogadores, até porque a seguir esse jogo era a eliminar e eles ficaram, creio eu, algo duvidosos daquilo que poderiam fazer. E nós sentimos isso, sentimos que a equipa não estava confortável e depois tive que ser eu e a minha equipa técnica, naturalmente, a tomarmos aqui uma posição, de podermos falar quer com os capitães primeiro, quer individualmente com alguns jogadores, propor-lhes também que eles conversassem entre eles para perceber qual era o sentimento deles, para depois tomarmos também aqui algumas medidas. E foi um pouquinho isso que aconteceu. Eles fizeram alguma reflexão, nós falamos também sobre o assunto e eles uniram-se porque não havia e não fazia sentido o que eles estavam a passar naquela altura. Aproveitei porque senti que eles estavam a precisar, e eu nunca fiz isto, mas aproveitei também para lhes mostrar os vários bons momentos que eles tiveram no Europeu e a forma como jogaram, a disciplina que tiveram, nos momentos de adversidade, como se uniram enquanto equipa, quando perdíamos a bola, como é que reagíamos todos para a recuperar. E acho que isso acabou por ser também muito importante na cabeça deles, porque voltou a dar-lhes o clique que era o essencial. E no grito que nós demos antes da entrada em campo contra a Bélgica, eu senti essa energia que a equipa estava de volta e a partir daí, sim, fiquei com uma garantia de que nós podíamos lutar por este Campeonato do Mundo.

Vou dar aqui também a palavra ao Pedro Henriques, antigo árbitro internacional, faz parte aqui da nossa equipa do Campeão. Pedro, que perguntas tens para o nosso selecionador sub-17?

Bom dia. Primeiro lugar, dar os parabéns uma vez mais ao Bino por este título, ao sub-17 pelo duplo título e ao Bino por este título específico do Campeonato do Mundo. E antes de fazer a pergunta, eu só espero é que estes jovens não tenham mesmo de emigrar ou então ir ao registo para mudar o nome, porque eu estou convencido que se o Mateus Mid passasse a chamar Mateus Midonow e o Romário, que foi jogador, ou Romário Cunha, que foi luva de ouro, passasse a chamar Romário Cunhaivic, se calhar os clubes iriam contratá-los com a mesma idade que têm. Portanto, espero que isso não aconteça a esta geração e que não sejam uma geração de emigrantes e que sejam aproveitados. E depois, obviamente, porque o futebol português também tem que vender, tem que fazer dinheiro, depois tirar rendimento desportivo que eles então Possam seguir os seus caminhos para outros patamares. Esperemos que o futebol português tenha essa capacidade. Isso depende do futebol em si, mas que tenha essa capacidade de absorção destes jogadores. A minha pergunta, obviamente, vai dirigida para a questão da arbitragem, porque nós tivemos, e penso que para o BIM também terá sido um desafio, este video challenge ao futebol e ao esporte. Essa possibilidade que as equipes técnicas, o treinador, mais concretamente, teve de ter um cartão na mão e, durante o jogo, perante lances que podiam surgir dúvidas, pênalti, a questão de um gol, eventualmente, com fora de jogo ou não, o que está no protocolo, ou a questão do cartão vermelho, o BIM teve essa possibilidade de fazer essa intervenção. E a minha questão é se era algo que dependia do BIM, dependia da equipe técnica, se tinham alguém a trabalhar especificamente com vocês nesse campo, que estava ali no banco, ou era a intuição do momento, da análise que viam em terreno de jogo, ou eventualmente alguma repetição, se tivessem acesso a isso, para fazer essa intervenção. E eu coloco esta questão, alínea a e alínea b, que é se também o sub-17 em si, a própria seleção teve alguma preparação, ainda no seio da federação, em relação à arbitragem, se tiveram apoio nesse sentido ou durante o próprio torneio, mas também especificamente para esta parte da videoarbitragem. E eu coloco esta questão pelo seguinte: com esta ferramenta, é lógico que nós temos que pensar na formação, e neste caso, a arbitragem deveria ser das coisas menos relevantes e importantes, mas sabemos que muitas vezes isso tem impacto, e estamos a falar de um mundial. E com esta nova ferramenta, eu vi, por exemplo, intervenções. Até penso que o BIM fez uma dessas intervenções para tentar um cartão vermelho direto para um jogador que não tinha cartão e que a entrada podia ter sido para cartão vermelho. E hoje, com este novo processo, é muito fácil, se tiverem lá especialistas a trabalhar com vocês, que sei que isso não é o principal objetivo, meter jogadores na rua. Ou seja, em vez de estarmos apostando em um cartão vermelho direto, a dizer que aquele jogador teve uma entrada mais dura, o que nós temos que fazer é apostar no jogador que já tem cartão amarelo e numa entrada mais dura, que será para o segundo cartão amarelo, pedir ao VAR, neste caso ao video challenge: "Vá lá ver se isso não é para vermelho direto". E o árbitro chega lá e a gente sabe que não é para vermelho direto, mas quando ele chega lá e vê que é para amarelo, ele vai ter que obrigatoriamente dar o segundo amarelo. Por isso é que eu acho que houve pouco aproveitamento daquilo que é a lei, deste buraco que a lei tem e da possibilidade que nós temos de fazer com que, como aconteceu com os australianos, que em sete jogos, as equipes adversárias não acabaram com os 11 completos. E a minha pergunta é, então, especificamente, se o BIM, se a equipe técnica, quem estava a trabalhar nisso, se tiveram alguma preparação específica para este novo desafio ou em termos até de arbitragem para o mundial. Obrigado.

Sim, nós tivemos um workshop sobre o assunto para nos prepararmos e sabermos como é que iria funcionar. Depois, entre nós e a equipe técnica, definimos que íamos ficar com o iPad no banco para perceber e para termos as imagens, até porque há um período que o árbitro espera para perceber se nós queremos utilizar o cartão ou não. E para nós podermos ver as imagens e se, de fato, valia a pena ou não. Eu até acho que é algo interessante, porque nós na formação não havendo o VAR, e a este nível, quando nós estamos a falar de um Campeonato da Europa e de um Campeonato do Mundo, quando falarmos em torneios, eu acho que isso não faz grande sentido. Mas quando falamos nessas grandes competições, eu acho que pode ser importante, não havendo o VAR como há nos nossos campeonatos, nós podermos em determinada altura, ter esse cartão para podermos achar que estamos a ser injustiçados por algum motivo, quer nós, quer o próprio adversário. E nesse sentido, eu acho que acabou por ser interessante. Agora, como nós quando falamos do VAR, que há coisas que ainda temos que melhorar, sendo este também um processo inovador, eu também acho que há coisas que temos que melhorar e que temos que afinar, mas acho que é importante, não havendo o VAR na formação, esta pode ser uma ferramenta interessante para as grandes competições, sim.

A minha questão, só para terminar, é porque fazendo melhor aproveitamento, porque deduzo que a equipe técnica, obviamente, não são pessoas especializadas, nem especialistas na videoarbitragem, é muito simples pôr os jogadores na rua. É só isso que eu estou a dizer. E, portanto, claro que não deve ser o seu propósito. Até parece que eu estou aqui a falar de uma coisa qualquer estranha. É só, sobretudo, com o modo do vermelho direto, apostar em jogadores que já tendo cartão amarelo, podem ver o segundo cartão amarelo, porque o árbitro quando chega ao VAR e vê que não é para vermelho direto, mas vê que é para cartão amarelo, porque a entrada não foi conduta violenta, mas foi, por exemplo, negligência, ele depois é obrigado a mostrar o amarelo que corresponde ao segundo. É só por causa disso e nesse aspecto que os australianos trabalharam bem.

Pedro, devia ser, mas eu posso dar aqui um exemplo. Não era nossa intenção isso que estavas aqui a dizer, de podermos e que ele fosse ver um segundo cartão amarelo, mas eu vou dar um exemplo. Nós tivemos uma entrada sobre o Cunha, eu agora não sei precisar o jogo, e nós pedimos o cartão, mas a entrada, quando nós vemos as imagens, é mesmo uma entrada de pitons no tornozelo do jogador e ficou ali com uma marca muito visível. E eu achava que seria para cartão vermelho direto. Esse jogador já tinha cartão amarelo, mas o árbitro, quando foi rever o lance a pedido do meu cartão, disse que não e nem sequer mostrou esse segundo cartão, eventualmente, que poderia ter mostrado. Ou seja, a posição dele manteve-se, mesmo eu vendo a agressividade que foi o lance.

Exato. E já é a interpretação do árbitro.

Exatamente, nem sequer mostrou um segundo cartão. Mesmo aí, ficando a critério do árbitro, e por isso que eu acho que temos que afinar ou, eventualmente, se isto continuar, teria-se que afinar aqui para se perceber. Para mim, era para vermelho, mas eu sou só treinador de futebol. Mas quando se analisa, é que nem sequer esse segundo cartão, ou pelo menos, imagine que o jogador não tinha sequer cartão amarelo.

Eu sei qual é o lance. Esse lance era para cartão amarelo. E o árbitro devia ter mostrado o segundo amarelo e expulso o jogador. Devia ter sido assim. Já foi interpretação do árbitro a querer defender-se, ok.

Pronto, é isso. Ou a não querer estragar o jogo, porque era cedo. Depois há aqui algumas coisas que eu também não concordo muito, porque se é vermelho, é no primeiro minuto, para mim, será sempre igual. Eu também sei que às vezes os árbitros têm alguma contenção no início e depois mais para o final dos jogos começam a mostrar um pouquinho mais de cartões. Mas são as questões também que são para vocês que têm que fazer e pronto.

Para terminar, até porque depois vamos ter uma segunda parte, já de análise ao derby e sem contar com o Bino, mas também para nos despedirmos de si, agradecendo-lhe esta participação. Tivemos há 34 anos aquilo que foi chamado de Geração de Ouro, que ganhou dois mundiais e durante anos se falou da Geração de Ouro. Agora vai-se utilizando a mesma expressão e eu acho que esta geração deve ter também uma alcunha. Tem alguma ideia de um nome que possa ser dado a esta geração?

Não, nem tenho essa boa idade.

Não quer ter esse papel de batismo.

Não, até porque eu acho que é uma geração muito competente e é verdade que os resultados estão aí para poder dizer isto. Acho que é uma equipa muito homogênea nos vários setores da equipa, que temos bastante qualidade. Também acho que não temos nenhum Luís Figo da altura, mas temos jogadores que no futebol atual podem dar grandes respostas e o que eu gostaria mesmo é que estes jogadores pudessem chegar à seleção A, porque é para isso que nós trabalhamos na formação das seleções e isso também validaria muito aquilo que são as nossas escolhas neste momento, naturalmente.

Bino Martins, muito obrigado por ter estado conosco nesta edição de "E o Campeão É". Agora vamos continuar com o programa habitual, hoje com destaque para o derby, claro, destaque durante toda esta semana. Sou Miguel Cordeiro, comigo continuam a Mariana Fernandes, o Augusto Inácio e o Pedro Henriques. Mariana, Rui Borges já falou, já fez a antevisão e parece-me que quis tirar alguma pressão. Disse várias vezes que o jogo não era decisivo, que há aqui, de facto, uma almofada que o Sporting tem por estar na frente e que até assume algum favoritismo para o Benfica por jogar em casa. Pareceu-te esta intenção do Rui Borges de tirar pressão a este jogo, sabendo que está à frente do Benfica, que tem esses três pontos, que é um jogo fora e ainda estamos na primeira volta?

Eu acho que foi o Rui Borges igual a si mesmo e ele próprio ao longo das últimas semanas. Ou seja, a verdade é que o Sporting encheu um balão ao longo destas últimas semanas, muito também alimentado por aquela exibição na Liga dos Campeões contra o Club Brugge. E eu acho que Rui Borges está um bocadinho preocupado com esse balão e com essa euforia, se calhar desmedida, que se está a criar em relação ao momento, em relação às exibições do Sporting. É certo que o Sporting não perde há dois meses, não perde desde que perdeu em Itália com o Napoli para a Liga dos Campeões, mas aí pelo meio o Sporting não só empatou contra o Sporting Braga como também empatou contra a Juventus na Liga dos Campeões. É certo que venceu todos os outros jogos e a larga maioria desses jogos venceu bem, a marcar muitos golos, a sofrer poucos, principalmente neste período pós compromissos para as seleções nacionais e a semana anterior aos compromissos para as seleções nacionais. Portanto, eu acho que se criou uma euforia face ao momento do Sporting e face às exibições do Sporting. Acho que Rui Borges está preocupado com isso. Tem estado preocupado nas conferências de imprensa e nas zonas de entrevistas rápidas, ou seja, nunca vimos o treinador do Sporting a ser demasiado efusivo ou ficar demasiado contente com o resultado. Recorda sempre que o Sporting não está em primeiro no campeonato, portanto, independentemente daquilo que vem fazendo e do próprio trabalho, continua a estar atrás do Futebol Clube do Porto no campeonato. É certo que está a fazer uma boa campanha na Liga dos Campeões, é certo que continua em jogo nas outras competições nacionais, mas acho que é um Rui Borges muito preocupado com essa ideia de que o Sporting não só ainda não ganhou nada esta temporada, como até já perdeu um troféu precisamente para o Benfica e continua a não conseguir ganhar nenhum jogo aos principais rivais. É certo que entretanto matou um bocadinho esse borrego, se bem que eu acho que não, mas conseguiu ganhar jogos na Liga dos Campeões, portanto, tirou um bocadinho aquele elã que se dizia, ou aquele chavão que se dizia, que o Sporting ainda não tinha conseguido vencer um jogo dito grande ou um jogo difícil esta temporada, mas a verdade é que perdeu com o Futebol Clube do Porto, perdeu com o Benfica na Spartacus, empatou com o Sporting de Braga. Portanto, é um Sporting que, em termos internos e para consumo interno, ainda não conseguiu ganhar um jogo contra os três principais rivais, digamos assim. E eu acho que Rui Borges olha para este derby com essa possibilidade, mas para isso, lá está, precisa de retirar uma dose grande de confiança, se calhar desmedida, que eu acho que se começou a criar no universo do Sporting face aos últimos resultados.

Augusto Inácio, o que te pareceu estas posições de Rui Borges na conferência de imprensa? Ao fazer a conferência de imprensa antes do José Mourinho, isto não é nada diferente. Rui Borges fala quase sempre por volta do 12h30, José Mourinho quase sempre às 14h, desde que assumiu o comando técnico do Benfica, portanto, não há aqui nada de diferente, mas acaba por não entrar muito nas questões dos mind games de conferências de imprensa ao falar antes.

Deixa-me dizer que se ele falasse depois do José Mourinho ter falado, acho que o discurso dele era o mesmo, porque ele é assim mesmo, é uma pessoa que vê as coisas com um realismo muito grande.

As perguntas é que podiam ser diferentes.

Sim, mas ele já começa a ter traquejo para lidar com estas situações e com todo o tipo de perguntas. Agora, o que é que ele sente? Ele sente aquilo que normalmente um clube grande, quando está bem, quando joga bem, quando marca muitos gols, ele sente que os adeptos estão eufóricos e que estão muito confiantes naquilo que, se calhar, se forem aos cafés: "Olha lá, Sporting e Benfica, quem é que vai ganhar? O Sporting vai dar três, o Sporting vai dar quatro". Já sei como é que essas coisas são e ele quer pôr um travão nisto, porque os jogadores podem estar confiantes demais em relação àquilo que é o valor apresentado pelo Benfica. Mas o Rui Borges sabe que Benfica é Benfica, independentemente de estar bem ou de estar mal, joga no Estádio da Luz, está a seis pontos do primeiro classificado e o Rui Borges sabe também só que empata no Estádio da Luz e se o Porto ganhar no Tondela, o Sporting também fica a cinco pontos do Futebol Clube do Porto e o Benfica ficaria a oito. Ou seja, é um jogo muito importante para os dois. Claro, vamos dizer, mas se o Benfica perder, é muito pior para o Benfica. Claro que é, até porque o Benfica, se perder o jogo, fica atrás dos dois grandes, do Sporting e do Futebol Clube do Porto. E o Rui Borges está a tentar com que os jogadores sigam só unicamente focados naquilo que é o seu trabalho Não retirando a confiança que tem que ter para o jogo, mas exibindo o futebol que tem apresentado ultimamente e não entrando naquela excesso que: "O Benfica está mal, o Benfica já não nos vai apertar, o Benfica não nos vai criar perigo". É um erro crasso se os jogadores pensarem assim, e eu creio que esses jogadores não vão entrar dessa forma. O Rui Borges vai, de certeza absoluta, e já está a dar esses recados lá para dentro, de que realmente é um jogo que vai exigir, da parte dos jogadores do Sporting, muito foco, muita concentração e, acima de tudo, muita confiança naquilo que é o seu jogo. Não é confiança que vamos ganhar, de qualquer maneira vamos ganhar. Não, as coisas não são assim. Acredito que os jogadores do Sporting acreditam que vão ganhar dentro daquilo que é a perspectiva do jogo do que o Rui Borges está a pensar.

Pedro Henriques, a tua análise a esta conferência de imprensa de Rui Borges.

Dentro daquilo que é o normal e expectável, eu acho que o Rui Borges pautou um bocadinho por essa simplicidade e ao mesmo tempo também por analisar as coisas de forma tranquila e também de tirar alguma pressão. Não é pressão, porque a pressão existe, num jogo destes há sempre pressão, mas não é nesse sentido de tirar a pressão, é de alguma maneira precaver tudo o que possa vir a acontecer, porque está efetivamente um clima em torno do jogo, sob o ponto de vista de quem ganha e quem perde, em que de uma maneira geral as pessoas dizem assim: o Benfica joga em casa, sabemos que é um dérbi, tudo pode acontecer, mas o Sporting está melhor, está melhor nos resultados, está melhor nos processos, na maneira do futebol apresentado, etc. E, portanto, passa-se um bocadinho aquela ideia que a probabilidade do Sporting ir à Luz ganhar é maior do que qualquer outro resultado. E é nesse sentido que, de alguma maneira, eu acho que o discurso foi um bocadinho nesse sentido, nesse contexto, até quando diz, o que é real, se o Benfica se perder e ficar a seis pontos do Sporting e a nove do Porto, isto dando como certa a vitória do Porto, obviamente, é preciso jogar o jogo, torna-se complicado, porque voltamos àquela velha questão, não é só a distância para um rival, é a distância pontual que começa a ser maior para dois. E dentro dessa perspectiva, todos nós temos essa ideia de que é maior. A pressão está igual dos dois lados, mas é mais decisivo, não sendo decisivo para o Benfica, do que propriamente para o Sporting. Agora, há um aspecto que também pode, embora o Sporting não perca há dois meses e esteja a jogar bem e tenha feito bons resultados, há aqui um aspecto também importante. Na prática e na realidade, o Sporting perdeu com o Benfica e perdeu o futebol com o do Porto. E há também um bocadinho este sentimento, em alguns adeptos do Sporting, de que para além de jogar bem e de conseguir os pontos e até sair à frente, também é importante que para se ser campeão, porque é o propósito do Benfica, do Porto e do Sporting, também é preciso ganhar aos adversários e fazer pontos com os adversários. A gente sabe que às vezes é nos outros jogos que se ganham os campeonatos, mas não passa pela cabeça perder todos os jogos com o Benfica e o Porto, por hipótese. Agora estamos a falar do Sporting. E portanto, dentro dessa perspectiva, também é um teste para aquilo que aí vem para o próprio Sporting, sabendo, que vou dizer algo que é verdade, que é realidade, não é aquela filosofia de quem está pior ganha, nada disso, mas são jogos muito imprevisíveis e muitas vezes estão mais fora da lógica do que todos os outros jogos, entre aspas, "do dia a dia". Esses jogos muitas vezes estão um pouquinho mais fora da lógica, tem muito a ver com a parte mental e psicológica e motivacional e o momento e os tais pormenores, e depois o cartão vermelho ou amarelo, o que acontece, tem muito a ver com isso e, portanto, é muito imprevisível agarrar-se só em quem está melhor para dizer o resultado, a probabilidade é esta.

Pedro, perguntar também sobre a nomeação de António Nobre. O que te parece esta nomeação? O que podemos esperar, para quem não acompanha tão de perto, da arbitragem de António Nobre?

Repara uma coisa. Depois de alguns andingas andarem em alguns canais que agora temos aí uma série de especialistas em arbitragem, que nem sabem quantos lados tem um apito, a dizer: "Isto é o João Pinheiro", tal para fora, a malta ainda não percebeu que este Conselho de Arbitragem está com uma filosofia diferente. E erraram uma vez ou outra.

O Conselho de Arbitragem já tinha dito.

Sim, já tinha dito que estavam com rotação, com rotatividade, em apostas. Aliás, vimos quando foi o Porto com o Sporting, aquela questão do Sporting-Porto, do João Gonçalves. E portanto, é um bocadinho esta a filosofia deste Conselho de Arbitragem, agarrando em árbitros que são internacionais e, portanto, estão num patamar acima dos outros do ponto de vista de experiência, e dar-lhes também essa oportunidade para não ser só o Luís Godinho e o João Pinheiro. A questão aqui que se coloca é que, por muita rotatividade que haja, por muita boa intenção, é só abrir as páginas até dos jornais, que já é chocante, já não é só a questão das redes sociais, e o que a gente vê? O Porto a contestar o Luís Godinho, o Benfica, neste caso concreto, a contestar, depois falam dos lances, a contestar o António Nobre. Quer dizer, toda a gente contesta tudo e depois, de repente, vêm aqueles arautos: "Não, isto devia ter sido árbitros internacionais". Querem os árbitros internacionais que apitaram os jogos da Liga dos Campeões, do Sporting? Querem esses? Que se não fosse o VAR, aquilo tinha sido uma desgraça? Pronto, é só isso que eu pergunto. E, portanto, o António Nobre, no meu ponto de vista, é uma boa opção, é um árbitro internacional, já tem experiência, depois hei de falar melhor sobre os números dele no dia do dérbi, e portanto acho muito bem que se vá dentro daquilo que é os internacionais, dando também experiência, porque estes jogos, se um árbitro não fizer estes jogos, nunca vai adquirir a experiência destes jogos, e portanto tem que os fazer. Não é que se vá experimentar um árbitro, é um árbitro que já tem outros jogos, outros jogos importantes, é internacional e que, portanto, vai ter aqui mais um grande desafio. A questão que se coloca é que eu acho que o grau de ruído e de barulho e de dificuldade que neste momento se apresenta e que também acaba por se refletir cada vez mais no comportamento dos jogadores dentro de campo, é tão grande que eu estou com algum receio que tenhamos mais uma semana dura e difícil pela frente, mesmo que o árbitro tome boas decisões, que há sempre alguém que vê numa boa decisão uma má decisão e que depois venham os comunicados e aquelas coisas que o futebol português está pródigo.

Vamos ver. Para já, temos esse dérbi amanhã e depois logo vemos que confusão ou não se levanta a partir da arbitragem. Vamos falar também da Cimeira de Presidentes, Agustínácio. Reunidos os presidentes da Liga no Porto, na sede da Liga Portugal. O que esperas deste encontro? O que estás à espera que possa sair deste encontro?

Parece que a Taça da Liga vai ter um novo formato, estão a discutir isso também. Mas sinceramente, estas coisas é muito fumo e não sai nada cá para fora. Eu não espero grandes coisas, sinceramente. Não espero grandes revoluções, grandes atitudes, o tête-à-tête, quando eu digo o tête-à-tête é dizer as coisas com frontalidade, mas há sempre algum receio de incomodar aquele e de incomodar o outro, porque são aqueles que podem dar a segurança nos seus cargos. Sinceramente, eu gostaria que fossem discutidos os quadros competitivos. Acho que os quadros competitivos precisam ser diversos, deviam ser menos, quando se fala tanto da competição que os clubes têm e que não há tempo para descanso. Não sei se vão dar mais jogos para a Taça da Liga ou não, se quem ganhasse a Taça da Liga podia ter, por exemplo, uma entrada na Conference League ou na Liga Europa, se tivesse uma coisa extra para essa competição ter mais interesse. Não sei se estão a discutir isso ou não. Fala-se também daquilo que foram as implementações ou as ideias daquilo que a APAV também quer implementar já, se possível, se estão a discutir isso ou não, se todo esse broar que está em volta do futebol português, que está a ficar um vulcão, porque já se ameaça que pode haver greve, que não há greve, que os árbitros têm que ser defendidos. Tudo isso, uma somatória de coisas, se também a globalização dos direitos televisivos vai ser falado nessas reuniões. Enfim, cada vez que há realmente esse tipo de reuniões, depois o que só salta cá para fora, nada é concretizado, porque fala-se e depois fica tudo na mesma. Esperamos que desta vez haja alguma coisa diferente, vamos ver o que é que vai ser.

Vamos falar ainda de Rafa Silva, antes das nossas notas de campeão. Mariana Fernandes, regresso aos treinos depois de uma novela com muitos episódios, muitos chocantes, alguns deles muito caricatos também. O que esperas agora desta relação entre Rafa Silva e o Besiktas?

Eu acho que a relação está invariavelmente quebrada.

Uma paz podre.

Sim, se Rafa voltou aos treinos, creio que ninguém tem dúvidas que Rafa voltou aos treinos porque teve de voltar aos treinos e porque provavelmente não teve qualquer tipo de alternativa, se calhar nem financeira, para conseguir uma saída desde já do Besiktas. Ou seja, eu acho que aquilo que quer dizer é que Rafa não acordou hoje ou ontem e de repente, de manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço, decidiu afinal que quer continuar a jogar no Besiktas e que quer cumprir o contrato conforme ele está. Não, acho que Rafa foi encostado à parede, como fomos percebendo ao longo dos últimos tempos. Ele próprio também não teve propriamente as atitudes, se calhar, mais corretas, mais certas e mais confortáveis para o Besiktas. E chegamos a uma situação em que de facto o clube acaba por ser mais poderoso do que o jogador, ou pelo menos contratualmente, o clube acaba por obviamente ter muito mais recursos financeiros e contratuais e estar sempre defendido por esse contrato, e o jogador muitas vezes está mais refém desse contrato do que propriamente defendido por esse mesmo contrato. Ou seja, Rafa não quer continuar a jogar no Besiktas, mas vai ter de continuar a jogar no Besiktas. A minha grande dúvida a partir deste momento é se Rafa vai jogar no Besiktas ou vai ser apenas jogador do Besiktas, ou seja, se vai ser utilizado, se vai estar disponível, se vai fazer parte dos 11 iniciais e das convocatórias, ou se vai simplesmente ser afastado e continuar a cumprir contrato sem ser utilizado como jogador de futebol. Acho que é essa a grande dúvida a partir de agora. Agora que Rafa parece-me que ficou sem soluções ou sem recursos para vergar o Besiktas, isso parece-me evidente.

Vamos às notas de campeão. Pedro Henriques, começo por ti, campeão do dia.

Sim, vou aproveitar o facto de hoje termos tido aqui o Bino e termos tido um programa até mais alargado em função disso. Parabéns à Rádio Observador, obviamente, porque eu acho que a voz tem que ser dada exatamente aos protagonistas, mais muitas vezes até do que às pessoas como eu, que neste momento estamos nos comentários. E é sempre importante ter na primeira pessoa aqueles que foram protagonistas e sobretudo protagonistas ao mais alto nível, tendo sido campeões do mundo. Portanto, uma nota claramente 20 para o Bino, para o Xuto 17, já o tínhamos feito, mas também para a Rádio Observador por esta iniciativa. E depois uma nota 15 de expectativa para a Cimeira dos Presidentes. Eu acho que o que vem aí não vai ser para melhor e continuamos, no meu ponto de vista, muito na base do sexo dos anjos. Quer dizer, estamos preocupados com o modelo da Taça da Liga, que nem sequer dá acesso a uma competição europeia, quando devíamos estar mais preocupados era com o modelo da Liga, o próprio campeonato português, a quantidade de equipas e o modelo que nós temos. Enfim, vamos ver o que é que aí vem, a questão da centralização, que é extremamente importante. E depois a estas rabas, que eu acho que vai sair muito pouco conteúdo e amanhã já estou a ver os títulos tipo: "Rui Costa e Varandas Salvador chegam juntos à Cimeira de Presidentes. Presidente do Porto chega 10 minutos depois". E é este tipo de títulos que nos aparecem. Ou seja, mais importante daquilo que se está a discutir é quem são os amigos, quem chegou primeiro, quem chegou depois. E depois é ver os comentários em função disso tudo. E é isto que me preocupa. Eu acho que o que vai sair daqui não é melhor e devia ser, porque é preciso defender o produto do futebol em termos gerais e globais. Clubes, árbitros, jogadores, treinadores, o próprio adepto tem que ser mais defendido e garantidamente que tenho algum receio daquilo que são as prioridades que estão neste momento a ser discutidas.

Augusto Inácio.

Eu também estou de acordo com o Pedro Henriques em relação à Rádio Observador. Conseguiu ter conosco o Bino, o campeão do mundo e o campeão da Europa. Acho que é muito bom nós não só comentarmos, mas também termos as figuras do momento que são aquelas Que estão a ser faladas e necessitam realmente de palco no sentido da comunicação social e o Observador teve esse olho de convidar o campeão do mundo e ele ter acedido. Por isso, também parabéns ao Observador e estou de acordo com o Pedro Henriques. A outra nota que eu quero dar é a nota 17 para o Mbappé. Tem sido, nos últimos tempos, o grande protagonista do Real Madrid. Ainda ontem marcou dois gols na grande vitória que o Real teve em Bilbao, um campo difícil, e o Mbappé parece que está a voltar aos seus grandes momentos e marcou ontem dois grandes gols. Eu diria que o Mbappé, nesta forma, pode disfarçar muito daquilo que tem sido, muitos erros coletivos que o Real Madrid tem e que ele, com a sua classe, com a sua categoria, vai disfarçando isso também, mas nota-se que está em um grande momento de forma.

Mariana Fernandes, para fechar.

Uma nota negativa para o Rio Ave, que parece, segundo as notícias, estar a fazer uma vaga de vários despedimentos ao longo dos últimos dias, desde as funções mais burocráticas até ao futebol de formação. Foram despedidas pessoas nos escalões de formação, nos escalões jovens, nos departamentos como observação, marketing e comunicação. Ao que parece, tudo isto é decisão do grupo de Evangelos Marinakis, que é investidor do Rio Ave, portanto, não faz parte propriamente e não é uma decisão com responsabilidade direta da presidente da SAD, Alexandrina Cruz. É um exemplo mau daquilo que este tipo de investimentos podem acabar por fazer a clubes mais pequeninos, digamos assim, como é o caso do Rio Ave, onde podem chegar e fazer este tipo de limpezas sem que quem já lá estava, neste caso, Alexandrina Cruz e a sua direção, possa propriamente travar e fazer grande coisa. Portanto, uma nota negativa para o Rio Ave.

Está feita esta edição de "E o Campeão É?", na Rádio Observador. Deixar essa nota. Daqui a pouco vamos acompanhar em direto a conferência de imprensa de José Mourinho, de antevisão para o derby.