Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Sayonara, Alemanha. Sayonara, Países Baixos. Sayonara, Japão. Brasil, Marrocos e Paraguai seguem em frente neste mundial rumo aos oitavos. No menu de hoje, mais logo há um Costa do Marfim e Noruega, um França e Suécia, e depois das 02h00 temos também um duelo latino entre México e Equador. Para a avaliação e pontuação dos protagonistas da atualidade desportiva, tenho hoje comigo Mariana Fernandes, Augusto Inácio, Gabriel Alves e Pedro Henriques. Eu sou o Nelson Ferreira. Mariana, muito bem-vinda. Desta tarde, noite de ontem, algumas surpresas. Qual para ti foi a maior? A da Alemanha e pelo que estive a ler na imprensa, estão a ferro e fogo com muitos comentadores, ex-jogadores, tudo a dizer mal da prestação alemã que ditou em afastamento ontem frente ao Paraguai.
Sim, eu não sei se os alemães esperavam mais ou se os alemães achavam que por terem ultrapassado a fase de grupos, que era uma coisa que não tinha acontecido nas últimas duas edições do Campeonato do Mundo, estavam a dar sinais positivos de que podiam ser novamente candidatos a uma presença na final. A verdade é que daquilo que eu vi da Alemanha na fase de grupos, nunca houve propriamente uma indicação de que essa grande Alemanha, de que essa Mannschaft muito poderosa estivesse realmente de volta. Não que estivesse à espera de que acabasse por perder com o Paraguai, mas acho que acabou por ser um resultado que não é assim tão chocante, pelo menos para a larga maioria das pessoas.
Mesmo sendo frente a Paraguai?
Sim, o momento e a altura em que nós ficamos chocados com hecatombes da Alemanha já passou. Ficamos chocados em 2018, quando a Alemanha não passa a fase de grupos pela primeira vez na história. Ficamos novamente chocados em 2022, quando a Alemanha, pela segunda edição consecutiva do Campeonato do Mundo, fica de fora outra vez dos oitavos de final.
Portugal também já foi responsável por um péssimo momento da Alemanha, não é?
Sim. Agora, pela terceira edição quase consecutiva, porque a verdade é que se olharmos para estes 16 avos de final, são a fase de grupos de antigamente, porque o mundial foi alargado a 48 seleções, eu acho que já não choca assim propriamente as pessoas. Eu acho que o que choca é olhar para uma equipa que tem um treinador que me parece bastante competente, que é o Julian Nagelsmann, que tem uma boa mistura entre experiência e juventude, ou seja, a ideia de que ainda estão lá jogadores como o Joshua Kimmich e o Manuel Neuer, mas que estão jogadores muito jovens, como é o caso do Jamal Musiala e de outros jogadores que acabam por sair um bocadinho da caixa, porque o Nagelsmann foi a jogadores do Estugarda, foi a jogadores do Mainz, ou seja, tentou fugir um bocadinho ao óbvio para levar uma convocatória, de facto, bastante paritária. E acaba por ter exatamente o mesmo resultado. E não se pode olhar propriamente para este jogo contra o Paraguai, independentemente de ter sido nas grandes penalidades, independentemente daquele gol ter sido ou não bem anulado. E acho que isso pode ser discutido, ou seja, se de facto há uma falta sobre o guarda-redes naquele gol do Jonathan está no prolongamento. Não se pode olhar para esta vitória do Paraguai como sendo absolutamente não meritória, ou como se fosse absolutamente aleatória, ou como se fosse apenas demérito da Alemanha. Não.
Já valeu um feriado aos paraguaios.
Exatamente. Já tinha valido um feriado aos equatorianos quando venceram a Alemanha também. Portanto, a Alemanha está a despejar feriados por aí fora.
E a diminuir a produtividade nestes países, não sei se é de propósito.
Eu acho que a Alemanha, de facto, está a atravessar um problema, que não sendo um problema tão grave como o da Itália, porque a verdade é que a Alemanha consegue apesar de tudo, continuar a qualificar-se para os Campeonatos do Mundo, é também um problema que tem de ser pensado. Obviamente, estamos a falar de uma equipa, de uma seleção, de um país que é quatro vezes campeão do mundo, que foi campeão do mundo há pouco mais de uma década, em 2014, e que entretanto não consegue sequer passar de fase de grupo ou 16 avos de final. Portanto, claramente algo está a falhar. Não sei se é no selecionador, se é na estrutura, se é na formação dos jogadores, mas é um país que precisa claramente de uma reformulação clara do seu futebol.
Gabriel Alves, um olhar aqui também para este Brasil e Japão, que não chegou a pênaltis, porque o Brasil marcou já perto do final da partida. É Ancelotti, Gabriel, que ganha este jogo também com as alterações que promoveu a partir do banco com a entrada de alguns jogadores?
Olha, boa tarde. Em relação ainda só aqui num toquezinho à Alemanha, Klopp disse ontem que se tomem decisões difíceis e Mateus foca a envolvência social à volta dos jogadores nos Estados Unidos. Portanto, atenção, porque são duas figuras que tocam aqui em pontos importantes. Quanto ao jogo Brasil e Japão, eu começo pela dignidade da equipa japonesa, sua saída. Quanto ao Brasil, eu até fiz aqui uma pequena resenha, um italiano que fala português e que fala futebol com a propriedade do saber, aquilo que não se deve fazer e aquilo que se tem que fazer. E depois dei duas palavras, a palavra líder, competência, Carlo Ancelotti, é o nome dele, para os mais íntimos, o Carletto. Isto é ver o que é de facto um grande treinador ao serviço de uma equipa e reformar também a conseguir transformar um pouco aquela mentalidade de bando, quer dizer, e de clãs, fazendo daquilo uma equipa, fazendo com que os jogadores tenham aqui um espaçoAspeto coletivo e sólido para além das estrelas. Nós faláramos ontem aqui da viniindependência do Brasil. Não, o Brasil ontem não foi viniindependente, de forma alguma. O Brasil foi dependente do bloco, do coletivo, naquilo tudo que Ancelotti, naturalmente, começando mal, retificou no intervalo com as alterações que fez. É evidente que a saída do Paquetá está a tocar, mas haveria sempre alterações. Não é pelo Paquetá estar tocado que essas alterações foram feitas. Elas existiriam. E a verdade é que ao existirem, conseguiram bater a bem organizada geométrica disciplina da equipe nipônica. Portanto, Ancelotti e este Brasil são dois fatores muito importantes e estejamos todos muito atentos, porque o Brasil, não tendo o samba de outros tempos, também não é o bando que tem vindo a ser nos últimos tempos. Isto está no leme. Um senhor chamado Carloto, para os mais íntimos.
Agostinho Inácio, e o que dizer deste Marrocos? Já muitos apontaram esta seleção como uma das favoritas. Chega aqui ao Campeonato do Mundo como campeã africana. Pode ir longe este Marrocos, que de resto também já tem na história alguns dissabores aqui com Portugal.
Boa tarde a todos. Eu vou pedir também um feriado a Marrocos, porque fizeram-me deitar às 05:30 da manhã pra estar e ver o jogo até o fim. E realmente foi uma coisa fantástica, porque desde o primeiro jogo, quando eu vi Marrocos, que eu disse aqui, e agora é fácil estar a dizer, eu antes do Mundial tinha dito que estava com muita expectativa em relação ao México e à Costa do Marfim. Mas depois quando vi o primeiro jogo, eu disse assim: "Atenção a este Marrocos". Não foi ontem por ter eliminado a Holanda, não é por causa disso. É porque Marrocos tem um tipo de jogo, tem uma alma, tem uma dinâmica, tem uma vontade, tem um querer, tem uma determinação, tem uma intensidade e joga rápido, joga pra frente, com jogadores muito versáteis, muito rápidos. Eu, sinceramente, sou um fã deste futebol de Marrocos. E quando vi aquele jogo com a Holanda, a Holanda realmente marca aquele gol, mas eu vi sempre um Marrocos sempre à procura de qualquer coisa. E a gente temos sempre a pensar, ainda há pouquinho estávamos a falar da Alemanha. Alemanha está a viver de outros tempos. E a Holanda? A Holanda está a viver dos tempos da Laranja Mecânica. E o Brasil ganhou campeonatos do mundo, mas foi noutros tempos também. Esses países estão a viver muito daquilo que fizeram no passado. O que estão a fazer no presente, agora já é outra coisa. E a Holanda na segunda parte, Marrocos, na minha opinião, mereceu inteiramente ganhar. Já não era justo ir a prolongamento, nem ir aos pênaltis, mas mereceu ganhar precisamente porque Ronald Koeman, na minha opinião, e ao contrário daquilo que é o ADN desta seleção dos Países Baixos, é uma equipa que não é pra defender o resultado, é uma equipa que também tem que atacar e tem que ter profundidade. Ora, o que aconteceu? Parece-me que os Países Baixos adormeceram muito à custa daquilo que foi 1 x 0, defenderam. Marrocos conseguiu marcar um gol, mas fisicamente superiorizaram-se aos jogadores holandeses. Eu diria que Marrocos passa bem e pode ser uma das surpresas deste Campeonato do Mundo, até porque no outro Campeonato do Mundo, como se sabe, ficaram em quarto lugar e tão aquém àquilo que tem sido a evolução do futebol de Marrocos.
Pedro Henriques, deixo-te também espaço para, se quiseres deixar aqui um comentário a estas partidas de ontem, estas eliminações da Holanda, também Alemanha e Japão. Mas gostava de te perguntar também se de alguma forma achaste que João Félix ontem na conferência de imprensa, e há de novo uma conferência de imprensa durante esta tarde da seleção portuguesa, se João Félix deixou ou não uma bicada a Roberto Martínez quando diz que rende mais quando o colocam a jogar no sítio onde ele mais gosta.
Evocando o grande JJ, ainda por cima. Ora bem, em relação ao que aconteceu nestas 16 avos, o que está a acontecer, eu queria relembrar que chegaram aos 16 avos 13 seleções europeias, cinco da América do Sul, três da América do Norte. Das 10 africanas, porque o grande alargamento mundial foi altamente benéfico para vermos a África no seu peso total, passaram de cinco pra 10 seleções a estar presentes no mundial e dessas 10, nove passaram. É algo que não se pode descurar. E depois duas da Ásia. E curiosamente, estão neste momento quatro passadas, Canadá, Marrocos, Paraguai e Brasil, e nenhuma europeia. E a Holanda, os Países Baixos e a Alemanha já foram eliminadas, que são sempre potenciais candidatas a garantidamente estar muito mais além, independentemente das 16 avos serem fruto de algo que não acontecia por causa do alargamento, mas estaríamos todos convencidos que, pelo menos aos oitavos, muitas destas seleções apontadas até um bocadinho mais além. Depois, em relação à questão do que o Mataus falou a dado momento, que eu acho que é importante, não é só pela questão da Alemanha, é pela questão de todas as seleções, que é a maneira como tu cada vez mais tens que ter capacidade, vamos chamar de liderança, mas de gestão do balneário, dos egos. É tudo malta muito jovem e tudo malta milionária.
Ele aludiu ao fato de haver famílias, mulheres, tudo misturado.
Mulheres, filhos, uns sim, outros não.
Como se a Alemanha tivesse gente a mais neste mundial.
Outros vão de voos regulares, outros não. Ou seja, é uma gestão sempre muito complicada de gerir um balneário, como disse, que são jovens, a malta às vezes esquece. Isto é malta de 20 e poucos anos, depois há uns mais velhotes, obviamente, mas é tudo malta muito jovem e, portanto, a linha não muda pelo fato de ser jovens, daquilo que é um perfil de um jovem de 20 e tal anos, ou entre os 20 e os 30, e tem esta perspectiva diferente, que é realmente são milionários. E esta questão que eu compreendo, mas os tempos mudam e o contexto é diferente e o homem é o homem e a sua circunstância. Mas eu estou a recordar a minha tropa quando eu tinha 85, fiz 27 anos de tropa. Às vezes há uma certa dureza mental e psicológica também importante. E a gente andamos num ambiente, queremos tanto conforto, tanto apoio, estar a mãe, a filha. Eu acho que criamos uma situação que às vezes dispersamos daquilo que é relevante e importante. Isto deixa uma linha de pensamento daquilo que possa ser como é que se deve gerir um estágio, como é que se deve gerir uma estadia tão prolongada
Como é o caso, normalmente, pelo menos com o ir e depois o ficar lá. Isso deixa aqui alguns aspetos e a tal gestão dos balneários. Termino com a questão do João Félix, para dizer que o João Félix já tinha puxado os galões na conferência de imprensa anterior, como o próprio Francisco Conceição já o tinha feito, a dizer que é titular da Juventus. Há aqui um conjunto de jogadores, obviamente, que acreditando naquilo que são as suas qualidades, não estarão tão satisfeitos com algumas circunstâncias relativamente à seleção. E este é o meu receio. Claro que o João Félix, quando diz que o grande segredo de ter jogado melhor e estar mais feliz foi o JJ ter colocado-o a jogar na sua posição. E muitas vezes nós fazemos essa análise, quando vemos o Bernardo Silva a jogar fora da sua posição, que se calhar na seleção, o aproveitamento destes jogadores é colocá-los nos seus lugares ou nos lugares que habitualmente jogam. Em teoria, isso é o melhor. O facto é que aquilo que é o meu receio é que eu olho, e era aqui que eu queria chegar e termino com isto, para aquilo que o Matthäus disse relativamente à seleção da Alemanha, por outros motivos, e olho para a nossa seleção quando vejo a irmã e a namorada que vai dizer à mulher do. Sabem o que eu estou a dizer, não sabem? Isso é que é a minha preocupação, em termos de redes sociais, em termos daquilo que é o ambiente que está por trás e que nós não vemos. Porque, meus amigos, numa competição destas, a técnico-tática é importante, a componente física é importante, claro que sim. Mas esses aspetos, mesmo que aparentemente possam só valer 10% ou 20%, valem em termos quantitativos. E é aí que uma seleção muitas vezes se une em torno do objetivo ou se desune. Vamos ver o que vai acontecer.
Pedro, estamos mesmo aqui com pouco tempo. Podia desde já o teu campeão de hoje?
Claramente que o meu campeão vai para os feriados nacionais, mas vai sobretudo, não é pelos feriados nacionais, mas vai exatamente para aquilo que são as passagens. Eu aqui incluo o Canadá, já tínhamos falado ontem sobre o obstáculo, o próprio Marrocos, que no fundo é a confirmação. Eu acho que esta seleção até pode não ir tão longe como foi da outra vez, mas é melhor que a seleção de há quatro anos, no meu ponto de vista. O próprio Paraguai, que fez algo impensável, e o Brasil, que teve puxado os galões perante um Japão muito competente. Portanto, parabéns a quem já passou, porque todos os que passaram, ou com mais sorte ou menos sorte, tiveram que puxar os seus galões para o fazer. E este mundial, no meu ponto de vista, está muito interessante.
Gabriel Alves, consegues esse campeão em 20 segundos?
Consigo. Marrocos, 17 para Marrocos, porque é a ilusão do futebol romântico ainda nisto que é hoje, parafraseando o Carlos Queiroz, o ball money. Portanto, Marrocos, a ilusão do futebol romântica é fantástica e também um 17 para esse tal, na intimidade, Carlotto.
Augusto, quem é o teu campeão de hoje?
Também Marrocos, como é evidente, e Paraguai. Mas Marrocos acima de tudo por aquilo que faz dentro do campo, que é uma delícia. Nota 17. Mas também queria dar uma nota simpática para o Japão, nota 15. Um respeito enorme por este país, por esta equipa e acima de tudo pelo final do jogo, a forma como o treinador do Japão se dirigiu à massa adepta, baixando a cabeça como é tradicional naquele país. Deu-me a mim uma sensação de que temos de ter um respeito enorme por esta gente. Por isso, Japão, muita simpatia por ti. Nota 15.
Augusto Bielza não poderia ser treinador do Japão, seria um choque cultural.
Não, e ainda por cima onde está aquilo das bebidas, aquilo ia tudo logo pelo ar e isso não podia ser.
Eu dou 20 para a camisola do Japão, Mariana Fernandes, que acho que é das mais bonitas deste mundial. E o teu campeão de hoje?
Marrocos. Muito em termos coletivos, em termos mais individuais, a exibição que o Hakimi faz, a exibição que o guarda-redes, o Bonou, faz, a exibição do Sabari, que está num momento de forma brutal. Entretanto, parece que já vai a caminho do Bayern de Munique. Eu dizia aqui há bocado com os microfones desligados, digo agora com os microfones ligados, a grande injustiça do jogo de Marrocos com a Holanda foi ter ido a prolongamento, porque Marrocos merecia e deveria ter vencido nos 90 minutos, nem era nos 120. Portanto, esse 18, obviamente, para Marrocos.
Depois das 15h, vamos acompanhar a conferência de imprensa da Seleção Nacional. Amanhã a nova edição de "O Campeão É", depois do "Jornal da Uma". Este programa tem o apoio de Betclic. Vamos ter síntese de notícias daqui a instantes. Stories e mais stories. E amanhã? Já nem te lembras. Troca as stories por uma story que vale a pena. Aproveita descontos de 20% a 50% numa seleção de livros em inglês. Desliga o telemóvel e vai para a cama com um livro. Nas lojas FNAC e em fnac.pt. Cultiva a diferença.
Quando quis poupar nas despesas, fiz-me sócia ACP e poupo todos os meses 10% no supermercado.
Ainda não é sócio? Faça-se! Vá a vantagens.acp.pt e comece a poupar. ACP sempre consigo.
Já chegamos?
Sim, olha o céu tão azul, o mar ainda mais azul.
É a luz a brilhar no Algarve.
Vai de férias? Também estamos no Algarve com o Hospital da Luz Loulé e clínicas em Vilamoura, Almancil, Loulé, Olhão e Tavira. Hospital da Luz, onde a medicina avança. Luz Saúde, SA, NPC 504 885 367. No novo podcast, "O Lado B da Terra", vamos ouvir o que a agricultura e a floresta têm para contar. Todas as quintas-feiras, a partir das 15h30 da tarde, na rádio, em observador.pt e nas plataformas de podcast. Em parceria com a iniciativa B Rural.
Esta é a história do Luís, um homem torto. Na escola chamavam-no o itálico, o que só aumentava a tortura
Estudou Direito, mas deu para o torto. Foi para pasteleiro. Especialidade: tortas. Mas o Luís não se sentia torto, sentia-se inclinado. Até ao dia em que jogou no EuroDreams, ganhou e todo o Luís se endireitou.
Estás inclinado a melhorar a vida? Faz como o Luís. Aposta no EuroDreams e podes ganhar €20.000 por mês durante 30 anos. EuroDreams, vida extra mês sim, mês sim.
Está na hora da síntese da 1:30 com edição do Miguel Videira. Muito boa tarde, Miguel.
Boa tarde, João. O Ministério Público anuncia que vai recorrer da decisão que obriga o Estado ao pagamento de uma indemnização a José Sócrates, €15.000 por violação do segredo de justiça no âmbito do processo da Operação Marquês. Ora, numa resposta ao Observador, a Procuradoria-Geral da República informa que vai interpor recurso sem detalhar os argumentos que justificam a contestação à decisão de primeira instância. O Ministério Público não está satisfeito, ao contrário de José Sócrates, que esta manhã reagiu de viva-voz à decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa para dizer que esta é uma decisão histórica. Os argumentos para ouvir na edição das 14h. Na Venezuela, a ONU manifesta preocupação expressa pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados e avisa que se está a assistir a uma rápida deterioração da situação humanitária no país. Boa parte da população que ficou sem casa está na rua, não tem local de acolhimento. Há também dificuldades de acesso à alimentação. São algumas das preocupações manifestadas pelas Nações Unidas. O ministro da Administração Interna diz que o governo está a trabalhar em várias frentes para ajudar precisamente na resposta à tragédia na Venezuela. A ajuda humanitária lá mais para a frente. Por agora, o governo está focado na ajuda às operações de resgate e repatriamento de cidadãos nacionais. Chegou precisamente esta madrugada a Lisboa, um voo vindo da Venezuela, com 17 pessoas a bordo, 13 portugueses e quatro cidadãos estrangeiros. O último balanço de vítimas mortais aponta para mais de 1700 mortos, 5000 feridos. Entre a comunidade portuguesa, há pelo menos 60 portugueses e lusodescendentes que morreram na sequência dos terramotos de 7,2 e 7,5 da passada quarta-feira. Há também 91 pessoas que estão desaparecidas.
1:33. Temperaturas a esta hora: 29 graus em Lisboa, 28 no Porto, 30 graus em Braga, 32 em Viseu e 30 na cidade de Aveiro. Amanhã o país vai estar todo sob aviso meteorológico amarelo e laranja, devido à previsão de tempo muito quente, sobretudo no interior Sul e Centro. Os distritos de Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja vão estar sob aviso meteorológico laranja, com temperaturas máximas a rondar os 40 graus. Évora pode chegar mesmo aos 41. Máxima amanhã de 34 graus para Lisboa, 33 para o Porto, 36 para Braga. Mais fresco em Aveiro, a máxima é de 27 graus.
A Rádio Observador está no Mundial. Durante seis semanas, os Estados Unidos, o México e o Canadá recebem o maior mundial de futebol de sempre e a Rádio Observador está lá para contar tudo. Diário do Mundial, com Miguel Cordeiro e as histórias que marcam o Campeonato do Mundo. É para ouvir todos os dias na Rádio Observador e em podcast. O Mundial passa na Rádio Observador. Aconteça o que acontecer. Este programa tem o apoio da Baxi, a jogada certa para qualquer casa. Há jogadas que mudam o jogo, uma defesa decisiva, um golo no último segundo. E depois há aquela jogada que faz toda a diferença. Com o ar condicionado Baxi, o conforto é digno de campeão. Mesmo quando o jogo vai a penáltis. Descubra mais em baxi.pt.
A fruta por si só é sempre saudável. Isso que não haja nunca confusão.
Mariana Chaves é nutricionista.
A pessoa não olha para o melão e está a achar que está como a fatia dourada.
Aprender a comer. Às terças, depois das 16:30, na Rádio Observador.
O açúcar aumenta muito a glicemia, o açúcar no sangue. Por isso é que eu digo que é dispensável.
E sempre em podcast. Este programa tem o apoio do Continente.
A vida passa a comer. E assim, com a maior variedade de frescos, produtos de qualidade das marcas Continente e refeições prontas a levar, sempre aos melhores preços, toda a gente come melhor. Continente, é de toda a gente.
1:36. Já de seguida vamos até à Ucrânia na história do dia de hoje.
Este programa tem o apoio de Seiko Astron. O tempo não espera por ninguém, mas o Seiko Astron acompanha-o onde quer que vá. Com precisão atómica, um segundo a cada 100 mil anos, sem necessidade de mudança de bateria e apenas alimentado por energia luminosa, ajusta-se a qualquer fuso horário. Seiko Astron, o primeiro relógio GPS solar do mundo no seu pulso.
Esta é a história do dia da Rádio Observador. Pode a Crimeia ser o calcanhar de Aquiles da Rússia?
Шановні українці, українки! Довгий сьогодні день, багато нарад з нашими військовими. Я вдячний усім підрозділам Збройних Сил України та інших складових наших сил оборони України.
Ocupada há mais de 10 anos pela Rússia, a península da Crimeia é, nesta altura, uma zona estratégica e um calcanhar de Aquiles para Vladimir Putin. Foi onde a guerra contra a Ucrânia começou e pode também simbolizar o começo do fim, de acordo com uma mensagem partilhada pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, no X. A Ucrânia tem atacado as ligações para abastecimento da península, pondo em causa a defesa do território e a sobrevivência dos seus habitantes. As autoridades russas já declararam o estado de emergência. Há relatos de falta de combustível, água e eletricidade, e milhares de pessoas já saíram da península. Considerado uma joia da coroa para Putin, este território está a tornar-se agora uma vulnerabilidade para o esforço de guerra russo. Como é que tem evoluído a guerra na Ucrânia? E de que forma é que a Crimeia pode mudar o rumo do conflito? Vou falar com José Carlos Duarte, jornalista da secção de internacional do Observador. Eu sou a Teresa Abécassis e esta é a história do dia de terça-feira, 30 de junho. Bem-vindo, José Carlos Duarte.
Olá, Teresa.
Para contextualizarmos, a Rússia invadiu a península da Crimeia em 2014, já lá vão mais de 10 anos. Embora internacionalmente o território seja reconhecido como fazendo parte da Ucrânia, a verdade é que já há muitos anos que é administrado pela Rússia. Como é que tem sido a vida na península nestes anos?
Sim, exato. A Rússia controla, de facto, a Crimeia desde 2014 e muitos russos veem mesmo já a península como parte do país, ou seja, aquele território é russo, já não é ucraniano. E isto é um controle de fato, ou seja, é um controle que não é de jure, que não é reconhecido pelo direito internacional, mas o que é fato é que a Rússia gere a vida toda na península, gere a questão econômica, gere a questão militar, gere a questão da soberania. Ou seja, a Crimeia é efetivamente parte da Rússia, mesmo que a Ucrânia conteste isso, assim como grande parte da comunidade internacional. E nestes últimos anos, a Crimeia transformou-se quase numa instância balnear. Muitos russos vão passar lá férias, o tempo lá é mais agradável do que no restante território e também se transformou num importante posto militar. Existe aqui uma grande componente estratégica na Crimeia, que é muito importante, e quer seja a Rússia, quer seja a Ucrânia a controlá-la, tem efetivamente aqui uma grande vantagem no terreno.
E o que é que está a acontecer agora que pode mudar a situação na Crimeia?
A Ucrânia, neste momento, tem uma estratégia definida, tem um plano em marcha para isolar a Crimeia. A Ucrânia quer cortar todas as cadeias de abastecimento que chegam desde a Rússia à Crimeia e transformar quase numa ilha. Estas são as palavras do ministro da Defesa ucraniano, é transformar a Crimeia quase numa plataforma em que a Rússia não consegue providenciar bases alimentares, não consegue providenciar combustível, isolá-la totalmente da Rússia.
A estratégia da Ucrânia na Crimeia tem agora efeitos também por causa de uma forma mais moderna de fazer a guerra com recurso a drones. Como é que tem funcionado esta estratégia?
Sim, eu diria mesmo que esta estratégia foi a grande reviravolta da Ucrânia em 2026. Nos últimos anos, a Ucrânia tinha estado numa guerra de atrito constante com a Rússia na linha da frente, principalmente no Donbass, ou seja, era uma guerra muito custosa, muito longa. A Rússia tinha uma dinâmica que estava a avançar, ou seja, a Rússia estava um bocadinho na frente, conquistava uns quilômetros quadrados, às vezes a Ucrânia recuperava parte deles. Portanto, era quase um impasse, não se saía deste impasse. A Rússia queria controlar Donbass, a Ucrânia tentava resistir, tentava suster a ofensiva russa, e era esta dinâmica que se repetiu, diria, em 2024, 2025. Este ano as coisas mudaram graças precisamente aos drones. A Ucrânia percebeu que as novas tecnologias eram capazes de criar disrupções à Rússia e eliminar a grande vantagem da Rússia, que é a superioridade numérica. Ou seja, a Rússia conseguia manter esta guerra de atrito e avançar uns quilômetros na linha da frente porque tinha mais homens. Há mais russos do que ucranianos a combater. A diferença é considerável e, portanto, a Rússia tinha esta vantagem, mas os drones vêm alterar aqui um bocadinho as coisas. A Ucrânia usa-os para conquistar territórios e não precisa de homens, e portanto é aqui uma grande vantagem. Mesmo que atualmente ainda não haja uma grande eficácia, que haja alguns obstáculos e obviamente que a tecnologia ainda não é perfeita, mas estes veículos aéreos não tripulados têm sido capazes de desmontar a vantagem russa no terreno. E agora a Ucrânia tem uma nova fase do conflito, uma nova fase, aliás, nem sequer tão nova, já tem há alguns meses, que é atacar alvos dentro da Rússia e alvos como instalações petrolíferas, infraestruturas críticas. Isso faz com que a população russa sinta na pele os efeitos da guerra e também economicamente, por causa dos ataques a refinarias, por exemplo, a Rússia enfrenta aqui problemas não só a financiar a máquina de guerra, que com estes recursos naturais, como também existe escassez de combustível. E este cenário está-se a repetir um bocadinho na Crimeia, sendo que na Crimeia ainda é mais intenso, porque a Ucrânia não precisa de tantos drones de longo alcance ou mísseis de longo alcance pra alcançar a Crimeia. A Crimeia geograficamente está mais próxima da Ucrânia do que Moscou, por exemplo. Portanto, esta estratégia tem sido muito importante pra Ucrânia quebrar a ideia de que a Rússia estava à frente, quebrar este mito de que a Rússia estava a avançar. E tem sido precisamente através dos drones que Kiev tem conseguido fazer isso.
E qual é que é a importância deste território para a Rússia? Na altura da anexação da Crimeia, ela foi celebrada como uma joia da coroa russa.
Sim, esse é o termo utilizado e cunhado pela Rússia. É muito importante. A Crimeia tem um importante valor simbólico pra Rússia, porque foi o início do expansionismo da Rússia na Ucrânia.
Em 2014.
Exato. Há 12 anos, a Rússia entrou na Crimeia quase sem contestação e controlou o território de forma muito fácil, quase sem oposição. A Ucrânia, militarmente, não conseguiu reagir e fez um referendo cuja legitimidade internacional foi muito contestada e quase nenhum país na comunidade internacional aceitou, que disse que grande parte da população da Crimeia queria ser russa. E pronto, a Rússia passou a controlar quase de forma automática a Crimeia, não houve contestação. No Ocidente condenou-se, obviamente, houve várias vozes críticas da ação russa, mas o que é fato é que a Rússia, até 2022, continuou a fazer negócios com a Europa e com os Estados Unidos. Não houve um cerco, não houve aqui um cordão sanitário como há agora, com a invasão desde 2022. Esta questão da história da coroa também tem a ver com motivo histórico. Durante a União Soviética, a Crimeia foi "oferecida" à Ucrânia, e a Ucrânia passou a controlá-la desde 1954, mas muitos russos sempre se opuseram, nunca entenderam bem a lógica desta escolha. E, portanto, houve sempre ali um certo desconforto que Vladimir Putin também conseguiu eliminar ao anexar o território. Portanto, foi aqui uma demonstração de força do presidente russo, que correu muito bem. Daí ser esta joia da coroa, este território, que também tem uma importância estratégica bastante grande pra Rússia.
Exatamente. A Crimeia é uma região muito importante para quem a controla. Vive muito do turismo, falaste também na base militar, e preparava-se agora para mais uma época alta no turismo, mas não é só uma estância balnear.
Claro que não. Apesar de agora ser a imagem que se tem da Crimeia, a Crimeia está longe de ser apenas um sítio onde os russos vão passar férias. É efetivamente um posto nevrálgico na estratégia do Mar Negro. Quem controla a península consegue mais ou menos controlar o tráfego marítimo e aéreo que entra e que sai do Mar Negro. Portanto, é efetivamente uma posição estratégica extremamente importante para quem controlar a Crimeia. E também é importante porque atualmente a Rússia controla partes do sul da Ucrânia, mais ou menos até Kherson, desde território russo até Kherson, que fica perto da Crimeia, a Rússia controla isso tudo. E a Crimeia também acaba por ser um auxílio importante para as cadeias de abastecimento que a Rússia construiu desde 2022 no sul da Ucrânia. Aliás, durante a invasão de larga escala, durante os primeiros meses, a Rússia usou a Crimeia exatamente como uma base para conquistar certos territórios. Portanto, militarmente tem uma importância muito grande para a Rússia. E nestes últimos anos a Rússia fez grandes investimentos na região, criou várias bases militares, criou uma grande infraestrutura que foi a ponte Kerch, que liga a península à Federação Russa, portanto, é um ponto nevrálgico da estratégia russa e é uma forma de ter superioridade no Mar Negro. E é por isso que a Rússia vê a Crimeia também como um território que não quer de todo perder. E portanto, a Ucrânia sabe também desse valor estratégico que a Rússia dá à Crimeia e também quem, obviamente, cria disrupções é essa dependência que a Rússia também tem da Crimeia no Mar Negro.
E mesmo apesar da península estar sob administração russa há tantos anos, mesmo para a Ucrânia, a Ucrânia nunca aceitou, mesmo quando se falava em acordos e em perder este território, para a Ucrânia isso nunca foi um ponto de que pudesse abdicar. Tal como a região ocupada do Donbass.
Exato. Para a Ucrânia, a questão é simples, a Crimeia é Ucrânia e não há outra forma de ver o assunto. Aliás, como disseste, durante as negociações da administração Trump para tentar terminar a guerra no ano passado, surgiu na imprensa a possibilidade de que como parte desse acordo de paz, os Estados Unidos reconheceriam efetivamente a anexação da Crimeia como tendo acontecido e passaria a ser uma anexação de jure. E a Ucrânia contestou e nunca, na minha perspectiva, vai permitir que isso aconteça, pelo menos a não ser que seja forçada a fazer isso. A Crimeia tem este importante valor simbólico, foi onde tudo começou. E também existe uma minoria étnica, que é os tártaros, que vivem na Crimeia e que sempre rejeitaram o domínio russo e a Ucrânia sente-se no dever de proteger esta minoria. E, portanto, a Ucrânia sente-se que ficou amputada de parte do seu território, numa operação militar em que quase não teve tempo para reagir, em que o Ocidente sim condenou, mas que não fez nada para evitar, para pará-la e, acima de tudo, para travar as ambições imperialistas de Vladimir Putin, porque depois da anexação da Crimeia, começou uma guerra no Donbass em 2014 e houve uma invasão em larga escala em 2022. Portanto, a Ucrânia sente que a Crimeia foi o início e que se não recuperarem a Crimeia, esta lógica, este padrão de a Rússia tentar sempre controlar territórios ucranianos vai prolongar no futuro. Portanto, a Crimeia é uma forma de mostrar que a resistência continua e que a Ucrânia sente que a situação não pode ser através do apaziguamento, não se pode apaziguar Putin, tem que se combatê-lo, porque senão esta lógica de que vai haver sempre invasões e novas guerras russas vai permanecer na memória dos ucranianos e a Crimeia é uma prova viva disso mesmo.
Já descreveste há um bocado o estado da guerra neste momento. Consideras que a Crimeia pode mesmo vir a ser o calcanhar de Aquiles da Rússia?
Eu acho que neste momento o objetivo da Ucrânia é claro. A Ucrânia, eu acho que para já não quer controlar a Crimeia e controlar no sentido de fazer uma operação terrestre de controle da península, porque isso demoraria muito tempo e é realmente um bastião militar da Rússia, está extremamente bem protegido em termos terrestres. Mas eu acho que aquilo que a Ucrânia quer é criar pressão no Kremlin. A Ucrânia quer que Vladimir Putin aceite negociar, ceda à pressão e recue nesta posição maximalista que o presidente russo tem adotado nas negociações. Mas não sei até que ponto é que esta pressão vai funcionar, porque a Rússia é um Estado autocrático, existe uma censura, as críticas à guerra continuam a ser censuradas, as críticas mais explícitas à guerra continuam a ser censuradas, portanto, não sei até que ponto é que vai funcionar esta pressão. Mas o que é facto é que é uma prova também de que a Ucrânia consegue efetivamente ter vantagem no campo de batalha e consegue trazer a guerra para os russos, para a Rússia, que vivem num estado de incerteza, que não sabe muito bem se amanhã o território deles vai ser atacado ou não. Portanto, se vai produzir esta estratégia alguns efeitos, logo se vê, mas o que é facto é que esta nova estratégia ucraniana prova que a Rússia não é assim tão invencível e que há aqui pontos que a Ucrânia sabe que pode exercer pressão e que pode efetivamente levar a Rússia a talvez conceder alguns pontos.
Obrigada, José Carlos Duarte.
Obrigado.
José Carlos Duarte é jornalista da seção de internacional d'O Observador. Esta foi a história do dia. A sonoplastia é do Rafael Pego, a música do genérico é do João Ribeiro. Eu sou a Teresa de Cassis. Até amanhã.
Este programa tem o apoio de Seiko Astron. O tempo não espera por ninguém, mas o Seiko Astron acompanha-o onde quer que vá. Com precisão atômica, um segundo a cada 100 mil anos, sem necessidade de mudança de bateria e apenas alimentado por energia luminosa, ajusta-se a qualquer fuso horário. Seiko Astron, o primeiro relógio GPS solar do mundo no seu pulso.
E assim ficamos a oito minutos das 14h. Se rói as unhas, então o tratar da saúde de hoje