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Dois líderes muito diferentes em termos de personalidade, programas eleitorais nem tanto assim. Deixe-me recordar que eles trabalharam juntos. Há dias, Eisenkot foi chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel enquanto Netanyahu era primeiro-ministro, durante quatro anos. Conheceram-se bem, conhecem os pontos fortes e fracos um do outro e isto tem sido muito visível também nesta campanha. Depois afastaram-se. Netanyahu chamou Eisenkot para o gabinete de guerra a seguir ao massacre do 07 de outubro, para dar uma imagem de união nacional face à tragédia. Eisenkot tinha o filho reservista, estava com ele nesse momento, no momento dos ataques, foi ele próprio levá-lo à base militar para ele dar o seu contributo para o esforço de defesa do país e dois meses depois o filho morreu. Morreu na Faixa de Gaza, às mãos do Hamas. Três dias depois da morte do filho, Eisenkot decidiu ir trabalhar, juntou-se novamente ao gabinete de guerra para tentar seguir em frente. Acabou por se demitir uns meses mais tarde, quando perguntou a Netanyahu qual era, afinal, o seu plano para sair da Faixa de Gaza e percebeu que não havia plano, não havia nada que não fosse além do militar, sentiu que faltava a parte diplomática para tentar resolver a questão. Eisenkot tem um calendário de medidas claro, aqui entramos nalgumas diferenças programáticas. Ele promete logo no primeiro dia de governo, se for eleito e se conseguir formar governo, instaurar a comissão de inquérito aos atentados de 07 de outubro, ao fim da primeira semana, criar uma lei de serviço militar igualitária para todos, incluindo os ultraortodoxos, uma questão muito sensível aqui. Há muitos homens ultraortodoxos que não cumprem serviço militar. Isto provoca uma grande fúria na parte da população israelita, que vê os seus familiares servirem e morrerem em combate. E também promete que ao fim de 18 meses, o Hamas deixará de governar em Gaza. Em termos de política externa, eles defendem objetivos muito parecidos, mas há diferenças no estilo. Netanyahu parece mais agressivo, sobretudo mais desesperado neste momento, em que as sondagens indicam que ele está atrás de Eisenkot nas intenções de voto. A segurança é aqui, naturalmente, o tema mais sensível em Israel e Netanyahu parece achar que quanto mais tensão haver, quanto mais dramática for a situação, mais as pessoas vão resistir a arriscar numa mudança. Isso tem-se notado nestes últimos dias de campanha, muito radicalizada, em que ele tem dito coisas como esta: se ganhar algum dos adversários, eles não vão ter força para enfrentar os inimigos e os israelitas arriscam um segundo Holocausto. Há, aliás, uma controvérsia neste momento, porque há relatos de que Netanyahu queria ter atacado o Irão imediatamente antes das eleições e foi travado pelo chefe das Forças de Defesa de Israel, que terá recusado isto. Isto tem sido uma enorme controvérsia no país. Neste momento, por outro lado, apesar desta desvantagem nas sondagens, Netanyahu é um sobrevivente. Já lhe decretaram a morte política demasiadas vezes e ele ainda anda aqui. Isto foi eleito pela primeira vez em 1996, há 30 anos. É um carismático, é amado por uma base fiel de pessoas que o adoram e que confiam nele para os defender, mas também é odiado por uma base ainda mais renhas, que o rejeitam e que há muita gente a dizer que se vai embora de Israel se ele voltar a vencer as eleições ou voltar a conseguir condições para formar governo. Quanto a Eisenkot, há vários adversários a elogiarem a integridade dele e a honestidade dele, e também o apoio constante que ele deu às famílias das vítimas e dos reféns do 07 de outubro. Ele não é um grande orador. Há dúvidas também sobre a sua experiência política, que pode vir a ser importante para negociar as alianças necessárias para formar governo a seguir às eleições. Vamos saber isso mais logo à noite, consoante os resultados, mas isso será tema para falarmos no noticiário das 22h.