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E o Campeão é na Rádio Observador, hoje com o Bruno Vieira Amaral, o Augusto Inácio e o Gabriel Alves. Sejam bem-vindos. Vamos falar da Assembleia Geral do Futebol Clube do Porto. Continua aqui no topo das notícias do mundo desportivo, até porque há desenvolvimentos na última hora. A imprensa desportiva a dar conta de que poderá estar em vias de ser cancelada a assembleia geral extraordinária da próxima segunda-feira, porque a revisão estatutária que serviu de pretexto a esta reunião poderá estar a ser retirada de cena e então a assembleia geral fica também sem conteúdo. Aguardamos nas próximas horas a confirmação ou não desta informação que está a ser avançada por alguns jornais desportivos. Mas vamos olhar para o que aconteceu no Dragão Arena, e não só, com filas, agressões, cancelamentos, retomar, adiamento definitivo. Também já há notícia do Ministério Público e da instauração de um inquérito por parte do Ministério Público a toda esta situação. Temos também petições para expulsar de sócio o líder da claque Super Dragões. Entretanto, Villas-Boas na Web Summit a confirmar a candidatura à presidência do clube. E tudo isto também num dia em que Sérgio Conceição faz 49 anos. Bruno Vieira Amaral, como é que olhas para toda esta convulsão e poderá ser Villas-Boas um garante de estabilidade? Quem é Villas-Boas? Representa a maioria silenciosa de que se tem falado também muito nos últimos tempos em relação aos sócios do Porto?
Há uma maioria de adeptos, creio eu, do Futebol Clube do Porto, que estão descontentes com o rumo que o clube tem levado nestes últimos anos, nomeadamente na questão da gestão económico-financeira do clube. Têm sido cometidos muitos erros. O clube tem um enorme passivo, tem capitais próprios negativos. Os negócios muitas vezes não são muito claros para quem está de fora, não são convenientemente explicados. E tudo isto tem sido disfarçado com o relativo sucesso desportivo e a relativa estabilidade desportiva, no caso garantida por Sérgio Conceição. Aquilo que aconteceu no outro dia na Assembleia Geral é um momento negro da história do Futebol Clube do Porto e que, quanto a mim, é um aperitivo para aquilo que vem aí, porque não é esta assembleia geral decisiva. O que é decisivo é depois o processo eleitoral, as eleições agendadas para o próximo ano, e aí é que vamos ver como é que as coisas vão correr e como é que esta parte dos adeptos, esta fação dos adeptos que está com esta direção, vai lidar com os outros adeptos, não sei se mais ou menos organizados, que vão estar do lado de quem se apresente à candidatura. Em princípio, aquele que terá mais condições para apresentar uma candidatura vencedora será André Villas-Boas. E eu acho que o Porto precisa, e muitos adeptos dentro do Porto querem essa mudança. É preciso atualizar o clube, modernizar, arejar o clube. São muitos anos de poder. O poder cria vícios, o poder absoluto corrompe absolutamente. E o Porto precisa aqui, de facto, de uma alteração. Como é que essa alteração vai ser conseguida de uma forma pacífica? Eu não sei, nem sei se vai ser conseguida de uma forma relativamente pacífica. Agora, aquilo que aconteceu no outro dia, Francisco J. Marques, o diretor de comunicação do Porto, creio que ainda é o diretor de comunicação do Porto, veio falar de um processo de benfiquização, lembrando outros episódios que aconteceram no Benfica e também noutros clubes. Eu creio que há, no geral, em Portugal, nos clubes desportivos, nos três grandes em Portugal, normalmente existe um grande déficit de democraticidade. Ou seja, quem ganha tem o apoio de toda a gente e se ganhar em campo, então nunca há oposição, nunca ninguém tem críticas a fazer. E de repente, quando sai de lá, do poder, nunca ninguém votou nessa pessoa. Aconteceu no Benfica com o Vale e Azevedo, também aconteceu um pouco com o Luís Filipe Vieira. Quando saem, depois, de repente, já ninguém tinha votado neles. Agora, a diferença para o Porto, isso não aconteceu antes em assembleias gerais, porque nunca houve oposição no Porto. Nunca houve contestação interna a sério no Porto. O poder de Pinto da Costa nunca foi desafiado, nunca foi contestado a sério. A primeira vez que isso acontece, nós estamos a ver os resultados, porque há pessoas que dependem deste poder e vão fazer o máximo para o defender. Portanto, eu não creio que o futuro do Porto se decida agora na Assembleia Geral, quer ela venha a ser realizada na próxima semana, quer não, mas sim nas eleições do próximo ano. E eu não tenho a certeza que cenas como a que vimos esta semana não se repitam.
Gabriel Alves, apelo à tua capacidade de memória, muitos anos de jornalismo desportivo, já acompanhaste seguramente notícias sobre muitas assembleias gerais, mas dá-me a impressão que esta, particularmente no Porto, até não discutia nada de particularmente fraturante. A alteração estatutária não parece que fosse mexer com nada de muito espetacular no futuro do clube. Mas, por outro lado, serviu, isso sim, para revelar, se calhar, duas fações, os portistas que querem que termine a presidência de Pinto da Costa e que se abra um novo ciclo que, em princípio, terá Villas-Boas como o rosto. Concordas com esta análise?
Boa noite. Há aqui um grande conflito. Estou completamente de acordo quando o Bruno disse há pouco sobre a falta de democraticidade naquilo que são os clubes em Portugal. Exatamente como ele depois a seguir desenvolveu. Se ganha, está tudo bem, se não ganha, não está. Enfim, é consoante, digamos, aquilo é um pá de vento, um cata vento. Agora, isto que se está aqui a passar no Futebol Clube do Porto, eu acho que é extremamente grave e acho que é um bom exemplo para dizermos algumas coisas. Isto é uma empresa, independentemente de ser um clube, que está cotada em bolsa. Isto é uma empresa que tem um negócio chamado futebol, entre outros, mas tem um negócio chamado futebol. E tendo um negócio chamado futebol, tem patrocínios, tem empresas que patrocinam, que promovem. Está integrado em grandes provas internacionais, portanto, com patrocínios ao nível da UEFA. E, naturalmente, tudo isto não pode, de forma alguma, de maneira nenhuma, ser passado como se fosse uma esponja e nada aconteceu. Não, e está a pensar que o Futebol Clube do Porto, para além de ser dos seus sócios, e não estou só a falar do Porto, falo do Benfica, do Sporting, por aí fora, estamos a falar em Portugal, também estão cotados em bolsa, também são dos acionistas, sejam eles quem fora. Há acionistas e há muitos que são inclusivamente anónimos. Portanto, isto não é só dos sócios. Ora bem, o que há aqui é, de facto, um grande conflito. São muitos anos, naturalmente, de poder. E agora neste momento começa-se a perceber que se pode ir a eleições e que há outros candidatos que podem vencer, porque há outra gente que apareceu, há outros sócios que entretanto cresceram, há outros sócios que poderão ter mudado de opinião. Há tudo aquilo que a democracia permite, em que as pessoas são livres de assumir aquilo que são os seus desejos face às circunstâncias existentes. E no Futebol Clube do Porto, neste momento, há sócios, adeptos que querem outra dimensão, outra estrutura, outra direção. São milhões de votos. Há uns que querem manter o que vem de trás, há outros que querem uma nova geração. Agora, tudo isto tem que ser dentro daquilo que é a democracia. Nós compreendemos bem que há aqui, sem dúvida, muitos interesses que vão cair no dia em que, de facto, por acaso, se assim acontecer, a nova geração vencer. Portanto, o que mais tarde ou mais cedo acabará por acontecer, pode não acontecer desta, mas poderá acontecer daqui a algum tempo. Agora, a verdade é que isto tem que ser tratado dentro daquilo que são os parâmetros de uma sociedade livre, capaz, correta. Eu não sei até que ponto é que as empresas estão satisfeitas com tudo isto. Será que as empresas vão continuar a pagar? Vão continuar a patrocinar? Vão continuar a estar lá? Não sei, vamos ver. E porque o resto é assim. Normalmente, em termos daquilo que é a ordem pública, porque isto também é a ordem pública, normalmente, repare, os Estados não gostam muito de mexer com o futebol. Eu até já saio daqui, vou ali para França. O que se passa com o Marseille é uma vergonha atrás. No entanto, lá continua tranquilo e vai lá estando. Portanto, parece que há aqui qualquer coisa. Depois a UEFA tem, de facto, regras rígidas, e tem, mas também funciona muito naquilo que é o lobby, com aquilo que o país faz em relação aos seus clubes. Também não querem interferir para além das tais regras existentes. Talvez a FIFA, às vezes, sim, acabe por atuar e atua de uma forma fulminante. Mas a verdade é esta, é que viver assim, e para quem é do Futebol Clube do Porto, isto é uma página extremamente difícil, eu direi negra.
Augusto Inácio, bem-vindo também. Queria perguntar-te se consideras que Pinto da Costa nunca esteve tão perto de perder umas eleições, e se de alguma forma também tem sentido a afirmação de Villas-Boas quando diz que há uma guarda pretoriana para esta direção.
Ora, boa noite a todos. Deixa-me dizer que eu estou completamente de acordo, tanto com o Bruno como com o Gabriel Alves, quando falaram na democratização das assembleias-gerais. Eu já assisti a algumas, claro, no Sporting, e a maioria dos sócios, não todos, claro, é se a bola bate na barra e entra, está tudo bem, se a bola bate na barra e não entra, já está tudo mal. Mas aqui no Porto, há uma coisa que me parece que vai ao encontro daquilo que eu ando a pensar há algum tempo com a descida daquilo que era a norma de Pinto da Costa em relação aos associados, que normalmente ninguém se opunha, porque não havia qualquer possibilidade. É que muitos desta malta nova, rapaziada nova, que já tem alguns anos de sócio do Futebol Clube do Porto, não acompanharam aquele trajeto de Pinto da Costa campeão europeu, Pinto da Costa campeão do mundo, foram crescendo e foram vendo e verificando outro tipo de coisas que se interessaram, nomeadamente, claramente, nas contas, que é visível. E essa nova vaga de gente, de novos sócios, e que quer participar na vida do clube, e se for para uma assembleia-geral, como ontem foi ou anteontem foi, um elemento a dar a sua normal opinião, mas que não vai ao encontro daquilo de quem já lá está, automaticamente é catalogado de destrutor. E daí não haver democracia nenhuma naquilo que é uma assembleia-geral, porque se alguém diz alguma coisa, no bom sentido da palavra, que seja crítico no sentido de que é a sua opinião, que isto não está bem, que aquilo está bem, mas que aquela parte podia melhorar. Isso é levado logo em linha de conta, este não está por nós, está contra nós E daí haver grandes confusões, como está a haver. Claramente que houve uma falta de organização nesta assembleia. Não era um auditório que ia levar aquela gente toda que queria participar, não era um pavilhão que estava ali à última hora, que foi recolhendo os sócios do Porto e que claramente se estava a ver que aquilo já não era uma assembleia-geral. O que é que aquilo era já? São as eleições. Aquilo já é um trabalho para eleições, não é o trabalho de aceitar os pontos A, os pontos B, os pontos C. Não, aquilo já é um pré-eleitoral, tanto de Pinto da Costa, que ainda não anunciou que se vai candidatar, atenção, e Villas-Boas está a se perfilar e está a recolher aquilo que neste momento é uma figura limpa, é uma figura que passou pelo Porto e foi treinador campeão, é uma figura que sempre respirou Porto, e é uma figura que as pessoas olham para ele e dizem assim: "Está aqui um bom candidato". Mas ainda não ouvimos a parte de Pinto da Costa. De qualquer das formas, parece que já não vai haver assembleia-geral nenhuma para segunda-feira, parece que sim, porque os pontos que estão ali colocados para votação são pontos que as pessoas já perceberam que se passar ou se não passar é quase igual. Pronto, as eleições não é em março, é em junho. Ok. O voto já não é de quem tem um ano de sócio, é dois anos. Ok, mas isto aqui já é tentar perceber e tentar apalpar e sentir a pulsação dos adeptos do Porto, sócios do Porto, para as novas eleições, que na minha opinião vão continuar a ser muito quentes.
Muito bem, Bruno Vieira Amaral, vamos ao teu campeão do dia e à tua nota.
Olha, para falar em coisas boas do futebol, a emoção no Campeonato Brasileiro, que está a aproximar agora da reta final e tem seis equipes separadas por cinco pontos. Todas elas podem ainda ganhar o campeonato e duas delas são treinadas por treinadores portugueses, Abel Ferreira no Palmeiras e Pedro Caixinha no Bragantino. O Botafogo perdeu imensos pontos nas últimas jornadas, tinha uma grande vantagem, foi ultrapassado, ainda tem jogo a menos, foi ultrapassado pelo Palmeiras, mas está tudo em aberto. Há muita emoção. Uma nota 18 para este campeonato, a que nós começamos a prestar mais atenção quando começaram a ir treinadores portugueses para lá.
Gabriel Alves, o teu campeão e a tua nota para hoje?
Dessas coisas boas hoje, vamos eu buscar aqui uma. O Luís Castro é o técnico com mais vitórias, quem diria, não é? Em 2023. Começou no Botafogo, 46 vitórias em 317 dias. Portanto, 46 vitórias, 8 empates, 10 derrotas. Só tem um título, é verdade, aquele que conquistou na Liga dos Campeões na Arábia Saudita. Mas a verdade é que as estatísticas também contam. Portanto, seguem nos currículos. E é um treinador que tem mais vitórias que grandes treinadores, grandes nomes, altamente respeitáveis, caso este Pep Guardiola e outros tantos que andam por aí. E Luís Castro está no topo e é notícia naquilo que é a imprensa internacional.
Qual é a tua nota?
A minha nota para ele é 17 e ainda por cima gosta de um copo de vinho. Ótimo.
Augusto Inácio, vamos ao teu campeão e à tua nota de hoje.
Olha, deixa-me dizer que não sou só eu que digo isto, todos os comentadores aí da Rádio Observador também disseram o mesmo que eu disse na altura, que o Benfica precisava de um lateral-direito, porque Bah só não chegava e como se está a ver, e não chega, e o Benfica já se está a mexer no mercado. Eu sempre disse, há meses atrás, não é agora, que estava um bom lateral-direito no Boavista que chamava-se Pedro Manheiro e que me admirava porque é que nenhum clube grande ainda se tinha interessado por ele. Parece-me que o Porto ainda andou ali a cheirar e parece que o Porto não estava abastado na altura e as coisas não foram para frente. Mas parece que o Benfica vai avançar e sinceramente, se isso se concretizar, eu acho que o Benfica, além de contratar um excelente lateral-direito, é português, conhece o campeonato português, não precisa de adaptação e ganha um excelente reforço. Por isso, nota 17 para o Benfica, na perspectiva do Manheiro ir para a Luz.
Está feita mais uma edição do programa "E o Campeão É...".